A linguagem na literatura infantil: as várias falas do adulto para a criança

 0  3  284

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
FACULDADE DE LETRAS
MESTRADO

EM LETRAS

A LINGUAGEM NA LITERATURA INFANTIL: AS VA
RIAS FALAS DO ADULTO PARA A CRIANÇA
(análise de versões de Chapeuzinho Ver
melho)

Ana Maria Clark Peres

1987
Belo Horizonte

DATA DE APROVAÇAO

Dissertação apresentada
como exigência
para

parcial

obtenção do grau

de MESTRE EM LETRAS à
Comissão Julgadora

do

Mestrado em Letras da
Faculdade de Letras

BANCA EXAMINADORA

Maria Antonieta Antunes
Orientadora

Cunha

Jz ahe.A.cha.i&

a ztadÁ.Q.ã. to, merveilleux

ou. i-t mz

dÁ.itÃ.nga2.A,

un

pfLobtzme. qixZ me. pa66Áonna^t et me.
paósÁ^onm toujouA.^:
coexZót&nce,
cuZtuAzZ,

dzs

danó

cztu^i que po^e Za

not^z un^uzAS

conczpti &zi.zntyilX,qiLZ0

Lzò ptixò

avanczò

zt dzò òupz^6t-ítÃ.o tu

£z^ pZu6

a^chaZquzò,

autAZmznt d^it

£' a^^Ao ntzmznt zn chacun dz nou6

dz La.

pznizz magÃ.quz zt dz Ia pzn^zz
A.atÁ.0nnzttz,

dz Z'hommz dz^

cavzAnz-i

zt

dz Z'hommz da XXz óá.zcZz.
MaA.z SoHÁ.ano

^ 'nea4 pa-t4

agradecimentos

Meus agradecimentos a:
.

Profa. Maria Antonieta Antunes CunRa, orientadora deste trabalho
e de minha vida profiss-ional, pelo interesse,

incansável dedica-

ção e amizade.
.

Profa. Veronika Benn-Ibler, não s-omente pela tradução e explicação do texto alemão, mas sobretudo pela acolhida e disponibilida
de.

«

Profa. Cleonice Paes Barreto Mourão, pelos esclarecimentos relativos ao original francês.

«

Profa.

Norma LÚcia Horta Neves, pelo incentivo ao longo do cur-

so .
.

Profa. Mariãngela Paraizo, pela leitura atenta e opiniões oportu
nas .

«

Prof. Antônio Eduardo Clark Peres, pelo apoio e auxílio em
pontos do trabalho.

. Roberto Moura, pela paciência e. dedicação na datilografia.

vários

RESUMO
Chapéuzinho Vermelho, o mais difundido entre os contos folclóricos, comumente chamados- "contos de fadas", apresenta duas
adaptações clássicas,
demais versões:

que se tornaram ponto de referência para as

a de Perrault CFrança,

fins do século XVII),

tem desfecho trágico, e a dos irmãos Grimm CAlemanha,

que

inicio do

século XIX), que apresenta um final feliz.
A análise de trinta e três versões desse conto em língua
portuguesa apontou grandes alterações nas estruturas originais.
Omitem-se trechos importantes para o desenvolvimento da narrativa
o/ou acrescentam-se dados irrelevantes,

numa linguagem quase sem-

pre pueril, marcada pelo clichê e pelo didatismo.
Esses problemas relativos ao texto fazem-se acompanhar, mu^
tas vezes, por outros de ordem gráfica, o que revela o desrespeito e a redução de que ê vítima a criança em grande parte da produ
ção cultural a ela endereçada»

AaSTRACT

Little Red Hood,

the most widely known among the folklore

tales, the so-called "fairy tales:", presents two classic adaptations
which turned into landmarks- for the several other versions :

Per-

rault's CFrance, late XVIT century!, presenting a tragic epilogue,
and Grimm brothers'

CGermany, early XIX century! showing a

happy

end.
The analysis of thirt three Portuguese language versions
this tale pointed out significant alterations
structures.

of both

of

original

Important passages for the development of the narrative

are omitted and/or irrelevant data are added in a style of expression
almost always, puerile and marked by cliche and didactism.
These problems related to the text are accompanied, many times,
by others concerning printing, revealing the disrespect and

the

belittlement towards the children in most of the cultural productions
addressed to them.

sumArio
Pagina
1

2

introdução

.

\.

ANÁLISE DE VERSÕES DE CHAPEUZINFIO VERMELHO

2.1

Exposição

2.2

Complicação

^

n
^

2.2.1 Instruções maternas
2.2.2 Encontro de ChapeuzinKo Vermelho com o lobo, na
floresta
2.2.3 Encontro do lobo com a avo
2.3

Clímax: Encontro de Chapeuzinho Vermelho com

I 1^
o

lobo, na casa da avo

i

2.4

Desenlace

lO(b

2.5

A volta de Chapeuzinho Vermelho ã casa da avo

3

ANALISE DE ASPECTOS GRÁFICOS DAS VERSÕES DE CHA-

..

PEUZINHO VERl-IELHO
4.

CONCLUSÃO

2.V3

5

BIBLIOGRAFIA

^

^

1 introdução
ChcLpzuzZnko
amoA..
iado

\/íA.mílho

meu pH-Ámí^fio

Se.ntZ que. òz zu pude.óòe. to-fi cacom Chap2.uzZnho

Vzxmctho tcuZa

conhcc-ido a p^Kf^clta bzm-avíntuAança.
ChafilzÁ V-Lckzni

.10.
A Estilística, convergência dos estudos lingüísticos, e lite
^*^oij desde a Graduaçao,

o cent.!PO de. in3_nlias reflexões

e

Ocupações, marcadas por urn igual interesse pela Teoria da 1'itera
tura e pela Lingilíxstica\
Estudos especiais, posteriores, ã disciplina Estilística, na
PÕs-Graduação, abriram a possibilidade de pesquisas no campo

da

Estilística Comparada, as quais acabaram tornando-se o ponto

de

partida desta dissertação.
Para tal trabalho, escolhi como "corpus" o texto de literatura infantil, o que se justifica nao so pela importância do "g^
nero", no estudo de literatura h.oj e, como também pelo meu envolvimento pessoal com a area em questão. Levei em conta igualmente
a escassez de pesquisas que se tenham detido na observação das
estruturas lingüísticas e nos aspectos estilísticos mais importantes da obra literária infantil Copta-se, comumente, pela análise de conteúdo, que não prioriza a expressão), com a finalidade de analisar o discurso do adulto voltado para a criança.
Antes de explicar as razoes da escolha do conto Chapeuzinho
Vermelho,
to dos

julguei necessário fazer algumas observações a respei-

chamados"contos de fadas", em virtude de inúmeros equivo

COS divulgados sobre o assunto.
Trata-se de uma especie polêmica e amplamente difundida.

E^

pecialistas se divergem quanto ã sua importância e significado,
mas é impossível negar a sua popularidade.
Primeiramente, ê importante registrar que as suas origens
são incertas, havendo um grande número de suposições.
Segundo Jesualdo,

"A palavra "fada" tem raiz grega.

Indica

"o que brilha", e dessa raiz derivaram as demais desinências que
contêm certa idéia de brilho. Assim,
dade",

"fado" e "fada"

"fábula",

"falar",

"fatali-

Cderivam-sel.... do latim "fatum", que pro

vêm da mesma raiz grega. Esta.raiz parece explicar-nos que
narra.tais contos procura fazer brilhar suas idéias....
dc homem, o "fatum", ê o brilho que. lhe dá realce

e

quem

O destino

o determi-

na...."
E Jesualdo prossegue,

indagando:

"Na verdade, de onde provêm

as fadas? São, como algunp, supõem, encarnações mitológicas, tradu
zem apenas a experiência popular....

em sua expressão mais simples,

procedem do engenho dos anônimos mais dotados de imaginação?

Ou

são símbolos criados para exercer uma determinada influência

com

seus feitos, virtudes, defeitos?

.... Um sábio etnõlogo — respon

de Montegut — diria que são de raça ariana e pertencem a grande
família dos povos

indo-germânicos.

Contentar-me-ei em afirmar que

.11.
nasceram na, Pérsia...." C34, p. 116,-71
Cooper aponta também essa origem oriental e diz que teriam
chegado ã Grécia, depois das conquistas de Alexandre, o Grande,
aparecendo na Europa no período pos-renascentista.

C3 5, p.9)

Jesualdo completa que. os mitologos parecem não se satisfazer
com as explicações sobre a origem desses contos,

insistindo

levantar sempre novas suposições, o que gera, no seu dizer,
grande confusão":

"Grimm, Mr. Andres

em
"uma

Lefèvre e muitos ingleses

optavam pela pátria ariana; Beufly e Monsieur Cosquin, pela pátria indiana; Monsieur Andrew Lang, o Santo Tomás da Mitologia
Popular, resumia o debate declarando que nada sabia...." Cita ain
da Max Mílller:

"os contos são as derivações modernas da mitologia

e, para estudá-los cientificamente, é necessário, antes de tudo,
referir cada conto moderno ã antiga lenda que o engendrou e cada
lenda ao mito do qual procede." C34, p.

121)

Soriano informa que, a partir de 1685, esses
das" entraram em moda, na França.

"contos de fa-

E eram de dois tipos: os erudi-

tos, compostos por damas da grande, sociedade, que multiplicavam
as

"peripécias feéricas",

e os autenticamente populares.

Os contos de Perrault C o primeiro a registrá-los por escr^
to)

são desse segundo tipo.

036, p. XIV-V)

Seu trabalho é o

de

um adaptador, que fez uma elaboração erudita dos contos de via
oral, numa época de turbulência social, após a "Fronde",

"movimen

to popular contra o governo absolutista no reinado de Luís XIV,
cuja repressão deixou marcas de terror na França", como afirma Ca
demartori.

(.37, p.

34)

Apesar do grande desprezo que diziam sentir pelo povo,

ele

acabou por reconstituir a arte popular de maneira bastante fiel.
Suas adaptações tinham um objetivo pedagógico,

5'{

sendo dedica-

das ás crianças.
Nesse momento, como mostra Soriano, surge na sociedade francesa , uma nova concepção de infância, considerando a criança como
um adulto em potencial, que s5 atingirá
um longo processo.

(36, p.

XX)

Aries apresenta um tratado

1646, que ilustra bem essa posição:
mem da infância e da juventude,
os aspectos".

a maturidade, depois

de

de

"So o tempo pode curar o ho-

idades da imperfeição sob todos

(.38, p. 1621

" Em 1697 , aparecia_sob o nome de seu filho — Pierre Darmancour—,
a primeira publicação dos contos :' Histoires
ou Contes du temps
passe, avec des moralités.

.12 .
Apoi,ando-se nessas Idéias, ferrault teria identificado a
mentalidade popular à infantil, ambas pouco desenvolvidas

Cuma

devido ã condição social, e outra, a idadel, podendo ser conside
rado como um dos criadores da literatura infantil.
Soriano afirma que essa literatura, na realidade,

ja exis-

tia, sob a forma de textosr eruditos. Ccomo os dos jesuítas)
"contes d'avertissements", orais e populares

e dos

CChapeuzinho Verme-

lho seria uma dessas narrativasl. De maneira geral, porém, os
contos populares eram destinados aos adultos e so à época de Per
rault

foram aproveitados para as crianças.
Mais de cem anos depois

C3 6, p.

XXI)

C18121, aparecem na Alemanha,

as

adaptações dos "contos de fadas", feitas pelos irmãos Grimm,

fol^

cloristas que se preocuparam em fixar as narrativas orais e popu
lares de sua terra.
Zilberman afirma a respeito;

"Adaptados pelos Irmãos Grimm,

os "Mârchen" sofrem ainda uma mudança de função: transmitem valo
res burgueses do tipo ético e religioso e contornam o jovem a um
certo papel social.

Por outro lado,

ê mantido o elemento maravi-

lhoso enquanto fator constitutivo da fábula narrativa, uma vez
que sem ele inexiste o conto de fadas." C.39, p.

41)

A partir dessas duas adaptações-, os "contos de fadas" se d^
fundiram

e passaram a ser fonte de interpretações diversas.

A sua leitura mais conhecida é a psicanalxtica, que enfatiza ao máximo a importância de seu significado.
Meves,

por exemplo, afirma:

"Guando los psicoanalistas,

es-

timulados por Ias observaciones de. Freud, comenzaron a hacer que
sus pacientes les narrasen sus suefios con el objeto,

en un pri-

mer momento, de descubrir por ese procedixniento Ias causas de los
traumas anlmicos, constataron que el mundo de los suenos dei ser
humano se asemeja en medida asombrosa al mundo de los cuentos populares".

(4Q, p.

12).

E aconselha esses contos ã criança, que se encontra na chama
da "fase do mito":

"....

el cuento se acomoda a los ninos peque-

nos de una forma muy específica puesto que no hace solo una narracxon acerca de acontecimientos externos,

sino que se sumerge en

el mundo interior dei alma.... El nino actual se situa, entre los
cinco y los ocho anos, ante una transicion decisiva*" en el curso
de su desarrollo: el elemento imaginativo,

fantasioso o emergente

de Ia profundidad de su mundo interior ha de ser paulatinamente
reconocido en cuanto tal para que pueda lograrse Ia insercion
Ia realidad." (.4 0, p»

lQ.2-3)_

en

]

Fromm (que se deteve especificamente na análise de Chapeuzinho Vermelho) enfatiza também a ligação entre os sonhos e os con-

tos:

"Os sonlvos do homem antigo e do moderno estão na mesma lín-

gua que os mitos cujos autores viveram na aurora da historia....
Ê uma língua com uma gramática e sintaxe próprias, por assim dizer, e cujo conhecimento ê imprescindível para se poder entender
o significado dos mitos, dos contos de fadas e dos sonhos."

(.41,

p. 16).
Bettelheim, por sua vez, propõe:
ratura infantil"

no conjunto da "lite-

— com raras exceções — nada ê tio enriquecedor

e satisfatório para a criança, como para os adultos, do que o con
to de fadas, folclórico....

Cquel transmite importantes mensagens^.

à mente consciente, ã pre-consciente, e ã inconsciente,
quer nível que esteja funcionando no momento....
tico, porque o paciente encontra sua

em qual-

CElel é terapêu-t

"propria" solução

através

A

da contemplação do que a história parece implicar acerca de seus
conflitos internos...."
Não foram poucos,

CH2, p.

13,

14,

33)

\
-V

no entanto, os que criticaram essas teo-

rias .
Darnton, por exemplo, diz:

"Rettelheim le "Chapeuzinho Verme

lhe" e os outros contos como se não tivessem história alguma. Abor
da-os, por assim dizer, horizontalizados, como pacientes num divã,
numa contemporaneidade atemporal. Não questiona suas origens

nem

se preocupa com outros significados que possam ter tido em outros
contextos, porque sabe como a alma funciona e como sempre funcionou.

Na verdade, no entanto, os contos populares são documentos

históricos.

Surgiram ao longo de muitos séculos e sofreram diferen

tes transformações, em diferentes tradições culturais. Longe de ex
ti
.
pressaram as imutáveis operações do ser interno do homem, sugerem
que as próprias mentalidades mudaram."

C4 3, p.

26)

A critica marxista questiona não apenas a interpretação psica
nalltica, mas a própria validade dos
Cerda afirma:

"....

"contos de fadas".

Ia duda que surge, es si estos cuentos re

flejan el sentimiento popular, con todas Ias connotaciones clasistas que. implica el concepto "popular"....

Lo que inicialmente fue

una expreslon de Ia dinamica social de los pueblos,

se convertió

con el tiempo y en el contexto de Ia cultura dominante,

en fórmu-

las moralizantes repetidas hasta Ia saciedad, donde Ia ideologia
de los amos, de los esclavistas, de los senores feudales y de
nobleza,

Ia

fue el factor descollante de los personajes, temas y esce

nãrios donde se desarrollan estos cuentos. Todo ello nos obliga
perguntamos si aquello que usualmente lhamamos

"folklore" respon-

de históricamente a Ia consciência y al espiritu de los pueb^los".
(4 4, p.

17 5-6)

a

J-

.14.

Quando ao "corpus" específico do trabalho, busquei fazer uma
analise estilística das trinta e três versões em língua portuguesa, ou seja, detectar elementos

lingüísticos expressivos

(ou,

ao

contrário, que resultaram em clichês), a fim de se perceber a.ideo
logia subjacente a essas estruturas.
Tomei como 'referência o texto original de Perrault (5 3)
uma tradução francesa do original de Grimm (54),

e

ambos pertencen-

tes a uma mesma coleção ("Legendes et contes de tous les Pays")

,

que apresenta cada título dedicado a um autor (Perrault, irmãos
Grimm, Andersen, etc)
du Tibet, etc), —-p,

ou a uma região (Contes Africains, c. Contes

^ - \5

Apesar da grande quantidade de estudos sobre os significados
dos contos,

inexistem pesquisas sobre còjno essas narrativas são

apresentadas às crianças., h.oje, as características das sucessivas
traduções e adaptações, o seu grau de afastamento dos originais
clássicos, as peculiaridades das edições.
^

Dentre os vários contos adaptados por Perrault e pelos

ir-

mãos Grimm, o mais difundido e Chap eu zinho V e rm e1ho. As causas
dessa popularidade sao muito discutidas, mas acredita-se ser

o

erotismo que o caracteriza Cjnarcante já nas versões populares) um
dos maiores fatores dessa verdadeira "fascinação" exercida pela
narrativa nos adultos e nas crianças.
Na escolha dos textos para estudo,

foi aproveitado o maior

número possível de edições: trinta e três versões
que contam',

a historia, respeitando em linhas gerais seus momen-

tos de organização. Tais textos,
dem

com poucas exceções, não preten-

reescrever o conto (não. alteram

raP-^mesmo

(de 1953 a 1985),

os que

significativamente sua estrutu

têm. um proposito mais ou menos definido de

modificação de alguns dados,

mantêm

as várias etapas da narra-

tiva, existentes nos originais de Perrault ou de Grimm.
A maioria não aponta
leitura indica-

indicação de origem, mas uma simples

que a preferência geral

, ê . pelo final

de Grimm; a maior parte, no entanto (dos que apresentam
original),

diz-se

(feliz)
o autor

. ligada a Perrault.

Nao foram incluídas no estudo :
do conto, que alteram

as paródias ou reescrituras

. substancialmente sua estrutura,
''f
tivos e resultados diversos.

com obje-

* Foram levantados, por exemplo, os seguintes títulos:
• Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque, que lida, de forma criativa, com o
problema do medo. ('t5)
• Chapeuzinl-io Vermelho — estória e desistória, de IjdIío L. de Oliveira, tex
to que se constitui nun\ intrigante romance policial para adultos. (46)

.15 .
Considerando tratar-se. de coleção, possivelmente com uma me^
ma linha editorial, poderia, afirmar, então, que as diferenças encontradas nos. dois textos s-eriam, ao que tudo indica, diferenças
reais de conteúdo de ambas as- adaptações primitivas.
so a preocupação existente na França em manter-se
textos, de origem ou, no caso de adaptações

Soma-se a isfidelidade aos

Cque também são comuns),

em se apontar o autor da adaptação, registrando-se que não se trata apenas de uma tradução.
Fez-se necessária, no entanto, a conferência dessa tradução
com texto alemão C55), para o que contei com os conhecimentos
Profa.

da

Veronika Benn-Ibler.
Comprovada a fidelidade da tradução, em termos gerais,

foram

anotadas as pequenas alterações encontradas.
O primeiro passo para a análise foi a divisão dos originais
em quatro grandes partes
ção",

da narrativa:

"Clímax" e "Desenlace".

"Exposição",

"Complica-

Foi apontada também "A volta de Cha-

peuzinho Vermelho ã casa da avo", constante apenas no texto alemão.
Em cada uma dos monentos do conto, antes da análise comparativa das várias informações,

foi feita uma breve revisão bibliogrãf^

ca das interpretações diversas do trecho em questão,

anotando-se

áreas e enfoques variados Cantropologicos, psicanalistas,
ligiosos,

ético-re

etc.).

As versões foram numeradas de 1 a 33,. segundo os seguintes
critérios:

1. publicação de uma mesma editora Caparecem primeiro

as que contribuíram com maior número de

"títulos");

2.

que se dizem ligadas a Perrault, únicas nas editoras.

publicações
3.

publica-

ções que se dizéiT\ ligadas a Grimm, também únicas nas editoras.

. O Chapeuzinho Vermelho (in Teatro I), de Maria Clara Machado, parodia tendendo para o cômico. (47)
. Chapéuzinlio Vermelho, de Maria Clara Machado, ccm adaptação de Virgínia M.
Finzetto, narrativa entremeada dos verbos de Lobo Bobo, composição maliciosa de
(Carlos Lira e Ronaldo Boscoli. C48)
. Chapeuzinho Vermelho (sem nome de autor), texto pueril e previsível, que
narra as peripécias de lobo guloso, obcecado por uma torta de nozes. (49)
. A historia do lobo, de Marco Antônio Carvalho, que apresenta a versão do
lobo para a historia tradicional. (50)
. Historia mal contada (in Contos Plausíveis), de Carlos Drummond de Andrade, hist5ria__humorIstica, para adultos, de uma Chapeuzinho campeã de corridas e
um lobo reumático. (51)
. A verdadeira historia de Chapeuzinho Véónelho, de Pat. Gwinner, tentativa
de humor para as crianças, apresentando uma Chapeuzinho, diferente já no nome;
Florípedes das Mercês do Perpétuo Socorro. (,52)

.16 .
Para a análise propriamente dita,

foram isolados itens dos

dois originais, de modo que todas as informações fossem levantadas.
Focalizaram-se primeiramente as versões mais fieis a cada ori
ginal, pela ordem de "fidelidade".

Quando não foi possível detectar

esse grau de proximidade com os textos-padrão Cno caso de todas
apresentarem modificações! usou-se a ordem numérica.
Foram observadas as alterações sofridas em relação aos mode-,
los de Perrault e de Grimm e as suas marcas lingüísticas significativas

(.expressivas ou nãol. Houve a preocupação em se transcreverem

os textos o kbísfielmente possível, conservando-se inclusive os acen
tos diferenciais e os problemas de pontuação e de ortografia.
Depois dessa analise,

foram levantadas e comentadas as infor-

mações novas acrescentadas aos originais, alterando-lhes substancialmente o significado.
No final de cada item, foi feito um apanhado das informações
que se mantiveram e das alterações mais relevantes e, no final de
cada memento, a sistematização dessas observações.
Segue-se um quadro, que permite uma melhor visualização dos
dados fundamentais de cada versão.

SU O
aE9
^ >

cn
CQ
o

cn
o
O
M
cn

o
o
^
_
§
+-• 3
0)
ü3 tn
1 0)
UhIO
rH
CO
4-1 CV
O QJ
X
h
^a 3
J- OJ nJ q) rH
CNi tH CJ A'H
t-J
tí T-i
w -H
O
.fj
o o
(Cí
,, , ,
_ ffi ,1>,(X T3
í% p, -H 3 Oí
:d
&)Í^ÍHCS íTMcBj^iyD

ft
,

a

LO

cn

tol

§
CJ

(U
nj -8
e
QJ
X) rri
S o 'O
w
to a)
üiO
S ê ^ c"^
, H Oi
- o m-h Cd
o -H f-i
"
rH 4-' -P
Pi nJ 0) CO CO
p<
P, r-J
d) a
Jj- rçj crt
I—1 o
Pt*H

^
O
Pi -l—)
i

CO
,8

fü I

o r-<
H
0) 0) rtí
í, ^
OJ D TJ ^ Pi-A- (U O)
I—I íiJ O
^ frj
(D •t-'
t/l
O M ::3jnj ni, OÍ3T fq
c>>x> 0) ,q
TH
Pí >
U 0)
s
H 8 si's? â cn (y,

in
(U
O
a
f3 ^
-p OJ ftí
w w 'H.
uhí8 -8
MH ül
o rd
dJ
O X) O

I
Ph CO
o o

CO
o
p
C
O
(_)
CO
CO

o
§ 8

•íl
ü
•H
CO

ê %

o

§
<

I



N
3
dJ

•S

O

CM
CM

00
CM

a

St
CNJ

CO

LO
CN

CO

C
Q
-H
O
-H
TD

B
ÍQ
O

1
O) 4J I tn
o) ü tH d c
S
9 cn
íu -K
Qj P
& -H
O S Pi +j -H
X) MH
C •H ^
•H
m p t) fd
M o J
a,
3 10)= 0)
'
'Q
o
n3 •H •• o) = Pi p, ;3 >
ro
OJ I—I
r—\ CO P,"rH Q)

JCNl
X
LO
to
,—!

E QJ
> •
\a) Q
rti
0) H
O OI
P
53 13 nj O O
O S +JVH
O -H 9J -y
X)
rH ^
• rrt çy rH
p, Pi P,-rH " Ê:
tO rrt
O O
o Ph I—i O O

d)
Ef 5^

+J
OJ q
cn! tü
I c»
rd ^
2^
CO
CN

ri
X • (ti 0) .
P, ft P,'H
d) rd
CO o P,rH

N

^0) w
2
tn C
O rd
Eh

M

I
O
ü

r

O
-M

o
o
+J oi o
ctJ Q Q)
^
Lo Pnird cn cn Ih
» tti -P I 0) ^
o o B
P
CM
to ^ C>1 M
+ o o ftí d)
X
,
>
• • 1—I 4-*
ji- Cl, ní (U w g
à Cl, :3 ®
Zt- 00 nj rjj rH
H OJ o CÍ,T-I
O)
rH
m
ê
-

I

•H c:
VH

O
a
8

K
^o
o M
^w

I
•iH
Q cn
W TJ
O -H

I OJlf^
ttí
fl
o
p.
o
tti tc CO

cS ^

H

00
CO
CJ)
(H

00
LO
cn

,

I
ip
•H
-p
U)
m
rH
PL.
Q)
riJ

s
ÍH
o
u

I

O
s
CJ
o

a
[S
6

CM
m

ro
CO

2 ANÁLISE DE VERSÕES DE CHAPÉUZINHO
VERMELHO
.... O rndfLQutho nzòòc. mundo tnãg-íco não
& &(LntÁ.m(Lntal ou vago;
pe.^c&pção pAíc^óa do
unXve./uo ZudÃ,co

desemboca numa

co-tÁ.d.Lanc.

Eò-ie

e de. mag-ca não -tem na

da a \jfih. com a Aomant-czação do mundo
ItÁXa
to6

dz

quíZe.^

Cpe£o-6 aduttoA]
iadai>....

não é yidZl.Á.c.0,

SupfL-imZn. noò

nZbaZÁ,6mo ou

ca-

"modcfinÃ,zã-Zo6" pafia

um

e. de. conc^e.to arma-

do ou ainda "adaptã-Zoò

Q0Q0&,

£ be

contoo

mundo de. ^aB/iZcaó

dcÁ humanai",

con

0 mundo autint^co da

c.onto6 . . . .

Zo e. c.fiu

Documento similar

A linguagem na literatura infantil: as várias falas do adulto para a criança

Livre