Percepção das Questões Contábeis e Tributárias pelos Empresários das Micro e Pequenas Empresas Comerciais Varejistas de João Pessoa

FACULDADE BOA VIAGEM – DeVry Brasil

CPPA – CENTRO DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO
MPGE- MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO
EMPRESARIAL

CLASSIFICAÇÃO DE ACESSO A DISSERTAÇÕES
Considerando a natureza das informações e compromissos assumidos com suas
fontes, o acesso à dissertação do Mestrado Profissional em Gestão Empresarial
- MPGE do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação em Administração – CPPA – da
Faculdade Boa Viagem é definido em três graus:
 Grau 1: livre (sem prejuízo das referências ordinárias em citações diretas e
indiretas);
 Grau 2: com vedação a cópias, no todo ou em parte, sendo, em
consequência, restrita a consulta em ambientes de bibliotecas com saída controlada;
 Grau 3: apenas com autorização expressa do autor, por escrito, devendo, por
isso, o texto, se confiado a bibliotecas que assegurem a restrição, ser mantido em local
sob chave ou custódia;
A classificação desta dissertação se encontra, abaixo, definida por seu autor.

Solicita-se aos depositários e usuários sua fiel observância, a fim de que se
preservem as condições éticas e operacionais da pesquisa científica na área de
administração.
Título da Dissertação: Percepção das Questões Contábeis e Tributárias pelos
Empresários das Micro e Pequenas Empresas Comerciais Varejistas de João Pessoa
Nome do(a) autor(a): José Ricardo Nascimento de Brito

Data da Aprovação: 23 de maio de 2013
Classificação conforme especificação acima:
Grau 1

×

Grau 2

×

Grau 3

×
Recife, 14 de agosto de 2013

__________________________
Assinatura do(a) Autor

FACULDADE BOA VIAGEM - DEVRY BRASIL
CENTRO DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO - CPPA
MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO EMPRESARIAL

JOSÉ RICARDO NASCIMENTO DE BRITO

PERCEPÇÃO DAS QUESTÕES CONTÁBEIS E TRIBUTÁRIAS PELOS
EMPRESÁRIOS DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS COMERCIAIS
VAREJISTAS DE JOÃO PESSOA

RECIFE
MAIO DE 2013

JOSÉ RICARDO NASCIMENTO DE BRITO

PERCEPÇÃO DAS QUESTÕES CONTÁBEIS E TRIBUTÁRIAS
PELOS EMPRESÁRIOS DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS
COMERCIAIS VAREJISTAS DE JOÃO PESSOA

Dissertação apresentada ao Centro de Pesquisa e Pós-Graduação
em Administração da Faculdade Boa Viagem, como requisito
complementar para obtenção do título de Mestre em Gestão
Empresarial.

Orientador: Olímpio José de Arroxelas Galvão, Ph.D.

RECIFE
MAIO DE 2013

Faculdade Boa Viagem – DeVry Brasil
Centro de Pesquisa e Pós Graduação em Administração – CPPA
Mestrado Profissional em Gestão Empresarial - MPGE

PERCEPÇÃO DAS QUESTÕES CONTÁBEIS E TRIBUTÁRIAS
PELOS EMPRESÁRIOS DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS
COMERCIAIS VAREJISTAS DE JOÃO PESSOA

JOSÉ RICARDO NASCIMENTO DE BRITO

Dissertação submetida ao corpo docente do Mestrado Profissional em
Gestão Empresarial do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação em
Administração – CPPA da Faculdade Boa Viagem - DeVry Brasil e
aprovada em 23 de agosto de 2013.

Banca Examinadora:
Olímpio José de Arroxelas Galvão, Ph.D.- Orientador
GuerinoEdécio da Silva Filho, Doutor - Examinador Externo
José Raimundo Vergolino, Ph.D.- Examinador Interno

DEDICATÓRIA

Aos meus pais, João e Valdecir, pelos ensinamentos
que recebi, à minha esposa Danielle e ao meu filho
João Lucas, sempre presentes em minha vida, e a
toda minha família.

AGRADECIMENTOS

A DEUS, por tudo que me deste nesta vida, à minha esposa, que tanto me
incentivou, aos meus familiares, e aos amigos do trabalho que compreenderam minha
ausência.
Ao professor Olímpio José de Arroxelas Galvão, pela sua enorme paciência e
bondade para com minha pessoa, sempre me conduzindo para o caminho de um novo
conhecimento. Um homem simples e generoso em aconselhar e corrigir os erros por
mim cometidos.
À minha esposa Danielle e ao meu filho João Lucas, que são a minha família
que tanto amo.
Aos professores do Mestrado e a todos os colegas da turma maravilhosa da
qual eu pude participar.

LISTA DE TABELAS E GRÁFICOS

Tabela 1 – Participação das MPEs
Gráfico 1 – Distribuição de ME e EPP por Regiões
Gráfico 2 – Faturamento Médio das EPP por UF, em Reais
Gráfico 3 – Participação do Faturamento das EPP no PIB Estadual
Gráfico 4 – Distribuição de EPP por Setores
Gráfico 5– Distribuição de ME e EPP por Setores
Gráfico 6 – Faturamento Médio das EPP por Setores, em Reais

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

MPEs – Micro e Pequenas Empresas
SEBRAE-SP – Serviço de Apoio as Micro e Pequenas Empresas de São Paulo
SIMEI – Sistema de Recolhimento em Valores Fixos Mensais
BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Social
ME – Micro Empresa
EPP – Empresa de Pequeno Porte
RJ – Rio de Janeiro
SP – São Paulo
DF – Distrito Federal
AM – Amazonas
ES – Espírito Santo
MT – Mato Grosso
RR – Roraima
MS – Mato Grosso do Sul
LC – Lei Complementar
CC/2002 – Código Civil 2002
DIPJ –Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica
SPED – Sistema Público de Escrituração Digital
DCTF – Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais
RAIS – Relação Anual de Empregados e Desempregados
DAS – Documento de Arrecadação do Simples Nacional
CNPJ – Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica
MEI – Micro Empreendedor Individual
DARF – Documento de Arrecadação Federal
SELIC – Sistema Especial de Liquidação e Custódia

RESUMO

As micro empresas representam uma grande parcela produtiva da economia nacional e
distribuem-se por vários segmentos econômicos, tais como Indústria, Comércio e
Serviços. No Nordeste as micro e pequenas empresas são muito importantes para a
economia regional, bem como na Cidade de João Pessoa, onde as atividades exercidas
pelas micro e pequenas empresas do comércio varejista são muito significativas,
principalmente porque a economia dessa cidade é praticamente constituída por
estabelecimentos comerciais de micro ou pequeno porte. Várias são as atividades
comerciais varejistas exercidas pelas empresas em João Pessoa, tais como lojas de
roupas, de bijuterias e presentes, lanchonetes, lojas de material de construção, entre
tantas outras. Além do levantamento bibliográfico, recorreu-se a uma pesquisa de
campo, que consultou, através da aplicação de questionários e entrevistas, a empresários
de micro e pequenas empresas do comércio varejista de João Pessoa, para saber qual a
sua percepção sobre as questões contábeis e tributárias, no que se refere à
competitividade e à lucratividade. Dessa forma, este trabalho levantou questões
importantes acerca do tema proposto, objetivando aumentar o grau de conhecimento e
de aplicabilidade, da gestão contábil e tributária dos negócios, para aumento da
competitividade e da lucratividade.

ABSTRACT

Microenterprises represent a large proportion of the productive segment of the national
economy, and are distributed among different economic sectors – Industry, Commerce
and Services. In Northeast Brazil the micro and small enterprises are very important for
the regional economy, as well as for the city of Joao Pessoa, where the activities
developed by microenterprises of the retail trade are highly significant, mainly due to
the fact that this city´s economy is basically constituted by micro or small businesses.
They are engaged in various activities such as clothing shops, construction material
shops, jewelry and gifts shops, and snack bars, among others. Besides the
bibliographical research, a field research was undertaken, through questionnaires and
interviews applied to micro and small entrepreneurs in Joao Pessoa. This work has thus
raised important issues, regarding the proposed theme, with the objective of increasing
the level of perception, on the part of micro and small businessmen, respective to
accounting and fiscal questions which might affect competitiveness and profitability of
their enterprises.

SUMÁRIO

LISTA DE TABELAS E GRÁFICOS .......................................................................................... 7
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ................................................................................... 8
RESUMO ...................................................................................................................................... 9
ABSTRACT ................................................................................................................................ 10
SUMÁRIO .................................................................................................................................. 11
CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO: ............................................................................................... 13
1.1– As Micro e Pequenas Empresas ...................................................................................... 13
1.2 – Problema da Pesquisa: .................................................................................................... 16
1.3 – Objetivo Geral: ............................................................................................................... 16
1.4 – Objetivos Específicos: .................................................................................................... 16
1.5 – Justificativa: ................................................................................................................... 17
1.6 – Metodologia: .................................................................................................................. 17
1.6.1 – Tipo de estudo ......................................................................................................... 18
1.6.2 – Amostra ................................................................................................................... 18
1.6.3 – Instrumento de Coleta de Dados ............................................................................. 18
1.6.4 – Processo de Coleta de Dados .................................................................................. 18
1.6.5 – Forma de Análise dos Dados ................................................................................... 18
CAPÍTULO 2 – AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NO BRASIL .................................. 19
2.1 – Introdução ...................................................................................................................... 19
2.2 – As Micro e Pequenas Empresas ..................................................................................... 19
2.3 – Benefícios Concedidos às MPEs pelo Estatuto das Micro e Pequenas Empresas (LC
123/2006) ................................................................................................................................ 27
CAPÍTULO 3 – PERCEPÇÃO PELOS EMPRESÁRIOS, DOS BENEFÍCIOS ALCANÇADOS
PELAS MPES QUANTO À OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA .............. 30
3.1 – Introdução ...................................................................................................................... 30
3.2 – Percepção da Legislação Tributária para as MPEs do Comércio Varejista de João
Pessoa. ..................................................................................................................................... 31
3.3 - Falhas Existentes no Controle Interno das MPEs, no Tocante à Gestão
dos Tributos
e das Obrigações Acessórias. .................................................................................................. 33
CAPÍTULO 4 - FUNCIONALIDADE DOS SISTEMAS DE ARRECADAÇÃO TRIBUTÁRIA
PARA AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS DO COMÉRCIO VAREJISTA DE JOÃO
PESSOA ...................................................................................................................................... 37
4.1 – Introdução ...................................................................................................................... 37
4.2 - Simples Nacional ............................................................................................................ 37

4.2.1 - Justificativas para a Criação do Simples Nacional .................................................... 38
4.2.2 - Principais Benefícios Alcançados pelos Optantes do Simples Nacional................... 38
4.2.3 - Formalização da Opção pelo Simples Nacional....................................................... 40
4.2.4 – Abrangência do Simples Nacional: ......................................................................... 40
4.2.5 - Não Abrangência do Simples Nacional ................................................................... 41
4.2.6 – Recolhimento do Simples Nacional ........................................................................ 42
4.2.7 - Obrigações Trabalhistas ........................................................................................... 43
4.2.8 – Desobrigação da Escrituração Contábil .................................................................. 44
4.2.9- Limites para Enquadramento no Simples Nacional .................................................. 44
4.2.10 - Pessoas Jurídicas Excluídas da Opção ................................................................... 45
4.2.11 - Exclusão do Simples Nacional ............................................................................... 47
4.3 – SIMEI ............................................................................................................................. 49
4.3.1 – Tributação do SIMEI ............................................................................................... 49
4.4 – Lucro Presumido ............................................................................................................ 51
4.5 – Lucro Real ...................................................................................................................... 52
CAPITULO 5 – A PESQUISA DE CAMPO: COMENTÁRIOS SOBRE A NATUREZA DO
QUESTIONÁRIO ....................................................................................................................... 53
CAPÍTULO 6 – ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .......................................... 57
CAPÍTULO 7– CONCLUSÕES ................................................................................................. 68
ANEXO ....................................................................................................................................... 76
Questionário ............................................................................................................................ 76
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................ 79

13

CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO
1.1– As Micro e Pequenas Empresas

As micro e pequenas empresas são muito importantes para a economia de todos
os municípios do Brasil, pois representam cerca de 98% das empresas brasileiras,
empregam cerca de 53% das pessoas economicamente ativas do país e respondem por
20% do Produto Interno Bruto brasileiro; a cada ano surgem cerca de 460.000 novas
empresas, sendo a grande maioria, micro e pequenas empresas (SEBRAE-SP, 2006).
PARTICIPAÇÃO DAS MPEs
Variável

Participação (%)

Fonte / Ano

Número de estabelecimentos

98%

Sebrae - SP (2006)

Empregados "com carteira"

53%

RAIS / MTE (2004)

Faturamento

28%

Sebrae - NA (2000)

Produto Interno Bruto (PIB)

20%

Sebrae - NA (1991)

Valor das exportações

2,7%

Sebrae - NA / Funcex (2006)

Fonte: SEBRAE-SP, 2006.
As microempresas são as que possuem um faturamento de no máximo
R$360.000,00 por ano e as pequenas empresas devem faturar entre R$ 360.000,01 e
R$3.600.000,00 (Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011).
As áreas de serviços e comércio são as com maior concentração desse tipo de empresa:
cerca de 80% das MPEs trabalham nesses setores.

14

Mesmo sendo de suma importância para a economia, as micro e pequenas
empresas brasileiras passam por uma série de dificuldades, sendo um dos principais
problemas a sua pouca duração, e esse cenário é encontrado praticamente em todos os
municípios brasileiros.
Apesar de ter havido uma melhora neste quadro, uma vez que, anteriormente,
50,6% das MPEs fechavam antes de completar dois anos de existência e, atualmente, é
de cerca de 22% o percentual de MPEs que fecham as portas com menos de dois anos
de existência (SEBRAE-SP - 2010); esse baixo percentual de fechamento ainda é
considerado alto em nível nacional. Tal redução é, em parte, devido à melhoria da
economia brasileira e também à implantação de um sistema de arrecadação tributária
mais desburocratizada, denominado de Super Simples.
Segundo o SEBRAE, muitas das empresas que param suas atividades não dão
baixa nos seus atos constitutivos, ou seja, não são legalmente fechadas porque
consideram os custos altos. Muitas das MPEs fecham por causa do tamanho da
burocracia, adicionado a uma infinidade de normas tributárias a serem seguidas,
impossibilitando muitas vezes, o bom andamento de seu negócio.
Os gestores são obrigados a desviar sua atenção e seu tempo dos objetivos
principais da atividade da empresa (comprar, vender, prestar os serviços), para atender
aos procedimentos burocráticos que essas normas impõem. Os micro e pequenos
empresários do comércio varejista de João Pessoa precisam saber como controlar e
organizar as informações, necessárias ao atendimento da legislação tributária, caso
contrário,

serão

frequentemente

penalizados

pela

inobservância

de

alguns

procedimentos meramente burocráticos, tais como: emitir as notas fiscais de vendas,
que são bastante complexas, por existirem muitas normas a serem observadas para a
emissão de tal documento fiscal - envio de uma simples declaração que muitas vezes
não é tão simples; organização documental que é bastante grande, mesmo para as Micro
e Pequenas Empresas varejistas de João Pessoa.
O custo burocrático é enorme, o tempo desperdiçado para cumprir as obrigações
tributárias é muito grande, fazendo com que muitos empreendedores ainda permaneçam
na atividade informal, ou até mesmo, pratiquem sonegação tributária.
Recolher impostos no Brasil é tarefa difícil e onerosa para as empresas, em
especial, as varejistas de João Pessoa, a carga tributária pesando muito no orçamento, e
as empresas muitas vezes não sobrevivem devido a essa enorme carga tributária.

15

Apesar desse quadro, ao longo do tempo, novas normas têm surgido, e esforços
foram empreendidos para que as MPEs possam ter uma condição melhor de
sobrevivência. Exemplo disso é a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de
2006 (www.receita.fazenda.gov.br - legislação), que instituiu o Estatuto Nacional da
Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, oferecendo um tratamento diferenciado
às mesmas.
Na implantação do Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de
Pequeno Porte foi criado o Sistema de Arrecadação do SIMPLES NACIONAL através
da mesma norma.
O SIMPLES NACIONAL é o sistema de arrecadação de impostos implantado
que obteve uma maior simplificação da arrecadação tributária para as MPEs, permitindo
que sejam recolhidos, de forma unificada, os impostos Federais, Estaduais e Municipais,
incluindo as obrigações previdenciárias.
A relação das empresas que têm permissão de optar pela arrecadação de seus
impostos, através do Sistema do Simples Nacional, em sua implantação, foi limitada,
mas está sendo ampliada ao longo do tempo, sendo necessário aumentar cada vez mais a
abrangência da permissão desse modelo de arrecadação.
Através da lei complementar 128 de 19 de dezembro de 2008, foi criado outro
sistema de arrecadação de tributos para microempreendedores denominado SIMEI –
Sistema de Recolhimento em Valores Fixos Mensais.
Esse sistema possibilitou que os empresários individuais, que estavam na
informalidade, entrassem na legalidade e assim obtivessem todos os benefícios, tais
como: acesso à previdência social, auxílio doença, licença maternidade etc.
Também obtiveram a possibilidade de acesso a crédito bancário, aumentando
sua capacidade de investimento, que antes era limitada pela falta de apoio financeiro e
operacional.
Entidades como bancos de desenvolvimento e de assistência à capacitação,
como o SEBRAE, têm melhorado significativamente a qualidade da gestão empresarial
desses micro e pequenos empreendedores.
Embora alguns avanços tenham sido alcançados, ainda se aguarda uma
Reforma Tributária mais profunda e estruturadora, através da qual a tributação diminua
e a base da arrecadação aumente, possibilitando aos micro e pequenos empresários

16

desenvolverem suas atividades de forma objetiva e menos onerosa, desburocratizando,
cada vez mais, o sistema de arrecadação dos tributos devidos por esses contribuintes.
Com a criação de sistemas de arrecadação mais simplificados, os micro e
pequenos empresários podem entender melhor o custo tributário de suas operações,
possibilitando, assim, um maior controle e melhores resultados na sua gestão. Como o
Simples Nacional e o SIMEI são, de fato, os principais Sistemas de Arrecadação
utilizados pelas MPEs, os mesmos serão detalhadamente abordados neste trabalho, pois
representam o que existe de mais atual e menos complexo na forma de se cumprir as
obrigações tributárias no nosso País.
1.2 – Problema da Pesquisa
Como os empresários das micro e pequenas empresas comerciais varejistas de
João Pessoa lidam com sua gestão contábil e tributária para obter maior competitividade
e maior lucratividade?
1.3 – Objetivo Geral
Verificar a percepção e os conhecimentos contábeis e tributários que os micro
e pequenos empresários do comércio varejista de João Pessoa possuem e que são
aplicados na gestão de suas empresas para aumento de sua competitividade e de sua
lucratividade.
1.4 – Objetivos Específicos:


Coletar e analisar informações sobre o conhecimento que os micro e
pequenos empresários do comércio varejista de João Pessoa,
possuem acerca das obrigações contábeis e tributárias de suas
empresas e sobre os controles e informações que os gestores devem
possuir para aumentar a competitividade e a lucratividade de suas
empresas.



Fazer um levantamento da percepção dos empresários das micro e
pequenas empresas do comércio varejista de João Pessoa quanto ao
uso dos conhecimentos contábeis e tributários, para aumentar sua
competitividade e sua lucratividade.



Investigar se o maior conhecimento da legislação tributária, por
parte dos micro e pequenos empresários, e a utilização desse

17

conhecimento poderiam propiciar efeitos positivos sobre suas
empresas.
1.5 – Justificativa
O conhecimento dos aspectos contábeis e tributários, que envolvem as micro e
pequenas empresas, é necessário para os empresários que realizam a gestão de seus
negócios.
É provável que, sem esses conhecimentos, muitos tenham prejuízos e percam
o rumo dos negócios, porque podem perder a noção dos resultados operacionais e do
custo tributário existente nos mesmos, principalmente das penalidades impostas pelo
fisco pelo descumprimento das obrigações a que são submetidos.
Segundo Porter (1989), a terceira estratégia competitiva genérica é o enfoque e
essa estratégia de enfoque tem duas variantes: o enfoque no Custo e o enfoque na
Diferenciação. No enfoque no custo, podemos observar os aspectos tributários, sendo os
impostos ainda um grande percentual dos custos nos negócios.
Mesmo existindo muitas informações publicadas sobre o tema abordado, ainda
existe um relativo desconhecimento, por parte dos micro e pequenos empresários, sobre
como lidar com essa área de contabilidade e de tributos, ou seja, sobre a contabilização
das suas operações e sobre os sistemas existentes de arrecadação de tributos para as
MPEs, sobre como eles funcionam e quais são suas obrigações acessórias.
Em vista disso, vimos a necessidade de elaborar o presente trabalho,
objetivando descrever os conhecimentos básicos necessários aos micro e pequenos
empresários do comércio varejista de João Pessoa, sobre as obrigações contábeis e
tributárias de suas empresas e sobre quais os controles que as mesmas devem possuir,
para o gerenciamento do sistema de informação contábil e de arrecadação tributária,
gerando assim, maior competitividade e lucratividade.
1.6 – Metodologia:
A seguir é descrita a metodologia utilizada:


Descrição do atual Sistema Contábil e Tributário para as MPEs.



Pesquisa de Campo, objetivando demonstrar o conhecimento dos
aspectos contábeis e tributários pelos empresários das micro e
pequenas empresas do comércio varejista de João Pessoa.

18

1.6.1– Tipo de estudo
Descritivo, que utilizará uma pesquisa de campo, na qual se verificará, em um
grupo de micro e pequenas empresas do comércio varejista de João Pessoa, os
conhecimentos dos aspectos contábeis e tributários necessários aos gestores para
aumentar a competitividade e a lucratividade de seus negócios.
1.6.2 – Amostra
A amostra da pesquisa será não probabilística, realizada em um ambiente de 30
(trinta) micro e pequenas empresas comerciais varejistas que funcionam na Cidade de
João Pessoa.
1.6.3 – Instrumento de Coleta de Dados
Os dados para a pesquisa serão levantados através de um questionário de
perguntas básicas sobre o conhecimento contábil e tributário e sobre as informações que
a empresa está obrigada a disponibilizar para os fiscos Federal, Estadual e Municipal.
Nele consta uma série de perguntas sobre as obrigações acessórias dessas
empresas e sua respectiva tributação. Dependendo dessas respostas, que serão
comparadas às respostas dadas pelos responsáveis pela contabilidade das empresas da
amostra, será medido o grau de conhecimento desses micro e pequenos empresários.
1.6.4 –Processo de Coleta de Dados
Os dados serão coletados a partir das informações obtidas no questionário.
1.6.5 – Forma de Análise dos Dados
A forma de análise dos dados será ex post facto, pois haverá uma mensuração
do grau de conhecimento dos gestores na aplicabilidade da tributação em suas empresas.

19

CAPÍTULO 2 – AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NO BRASIL

2.1 – Introdução
Este capítulo tem como objetivo avaliar a participação das Micro e Pequenas
Empresas no cenário econômico brasileiro, realizar uma análise dos gráficos
apresentados pela pesquisa do SEBRAE (2010), analisar sua distribuição percentual nas
regiões do país, sua participação nos diversos setores econômicos, comparar a
participação das ME e EPP por segmentos, por Estados, por atividades econômicas e
estimar os benefícios obtidos pelas MPEs através da Lei Geral das Micro e Pequenas
Empresas.
2.2 – As Micro e Pequenas Empresas
As Micro e Pequenas empresas no Brasil são responsáveis por uma grande
demanda de mão de obra e por uma expressiva participação na economia Nacional, mas
constituem 20% do Produto Interno Bruto brasileiro. Participam de forma acentuada do
crescimento das grandes empresas, pois estas terceirizam uma fração significativa de
sua produção, transferindo para as Micro e Pequenas Empresas, a realização daquelas
atividades que não constituem suas atividades principais.
A terceirização para as MPEs foi uma saída que as grandes empresas passaram a
adotar para diminuírem seus custos trabalhistas, pois dependendo da atividade e do
volume de trabalhadores que são necessários, a empresa contratante economiza
encargos trabalhistas significativos, uma vez que as MPEs, quando optantes do Simples
Nacional, gozam de alguns benefícios no tocante ao recolhimento previdenciário.
As micro e pequenas empresas que executam serviços de terceirização são, em
sua maioria, as de Limpeza e Conservação, Segurança, Pequenos Transportes,
Informática, etc.
Estudos elaborados por várias entidades, dentre as quais o BNDES – Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - mostram que, com a globalização,
ocorreu um fenômeno de proliferação dos pequenos empreendimentos, uma vez que
aumentou a competitividade nas grandes empresas e estas passaram a focar nas suas

20

atividades fins, terceirizando as outras atividades complementares através das micro e
pequenas empresas.
Com o desenvolvimento tecnológico, que ocorreu em décadas recentes, as
grandes empresas demitiram muitos funcionários, uma vez que as máquinas
substituíram a mão de obra, e aqueles que perderam seus empregos procuraram criar
suas empresas para prestar serviços e comercializar produtos, formando, em alguns
casos, pequenas indústrias.
Com o desenvolvimento da economia e a criação de sistemas de arrecadação
tributária mais simplificados, a mortalidade das micro e pequenas empresas diminuiu,
significativamente, fazendo com que continuassem realizando suas atividades, por um
período de tempo mais longo.
A estrutura flexível existente nas micro e pequenas empresas faz com que as
crises econômicas existentes não as atinjam de forma tão radical, porque elas
conseguem mudar ou adequar as suas atividades às demandas existentes naquele
momento.
A modernidade atual exige empresas mais enxutas, sem tanta burocracia ou
dificuldades de decisão, e é necessário que se use a tecnologia e a informação para que a
empresa seja rápida e eficiente na realização de suas atividades, e obtenha um maior
índice de produtividade.
Segundo Drucker (1992): “empreendedores inovam; empreender é a ação que
contempla os recursos com nova capacidade de criar riqueza”.
Num momento em que o país busca saídas para os efeitos da crise econômica
mundial, optando pelo combate ao desemprego e pela busca do crescimento sustentável,
o estímulo aos empreendedores e às micro e pequenas empresas representa uma
alternativa eficaz. Basta dizer que, no período de 1995 a 2001, cerca de 96% dos novos
empregos foram criados por empresas com até 100 empregados.
Segundo a revista FAE Business, no Brasil, as micro e pequenas empresas
representam 25% do PIB, geram 14 milhões de empregos e constituem 99% dos
milhões de estabelecimentos formais existentes.
Realmente, são valores muito significativos, evidenciando a participação
econômica e social que essas micro e pequenas empresas representam para o país.
De acordo com o SEBRAE (2010), através de pesquisa realizada a partir das
Declarações do Imposto de Renda dos Optantes do Simples Nacional, entregues em

21

2010 à Receita Federal, 23,5% das micro e pequenas empresas não apresentaram
faturamento e 61,4% apresentaram faturamento, as micro empresas representando
84,9% das empresas que declararam seus rendimentos, e as empresas de pequeno porte,
representando 14,9% do total de micro e pequenas empresas (SEBRAE/NA a partir de
dados da Receita Federal do Brasil).
Através dos gráficos apresentados a seguir, observa-se a distribuição das ME e
EPP por regiões de nosso país, o faturamento médio destas empresas por Unidade da
Federação, a participação das Empresas de Pequeno Porte – EPP - no PIB de cada
estado e município, a distribuição das EPP por setores, a distribuição de ME e EPP,
também por setores, o faturamento médio das EPP por setores e a distribuição do
faturamento bruto declarado das EPP.

Segundo estudo do SEBRAE (2010) foi constatado que a maior parte das MEs
e EPPs localiza-se na região Sudeste, lembrando que esse levantamento foi feito a partir

22

das empresas que declararam o Imposto de Renda pelo Simples Nacional, não tendo
sido apresentado o percentual das empresas regidas por outro sistema de tributação.
Na região Sudeste, como era de se esperar, a maior concentração está no estado
de São Paulo, seguido do Rio de Janeiro, áreas que detêm a maior parte da atividade
econômica do país.
Existe uma pequena diferença nos percentuais entre as ME e EPP na região
Sudeste, cerca de 2% (dois pontos percentuais).
Não foi fornecido o percentual dos declarantes em outros sistemas de tributação
e sabe-se da existência de uma grande informalidade nas atividades econômicas
exercidas pelos micro e pequenos negócios. Entretanto, acredita-se que a tendência é a
de que essa diferença entre ME e EPP esteja nesse patamar, também nas empresas que
não declararam o IRPJ Simples Nacional e não formalizaram suas atividades.
A região Sul, bastante desenvolvida economicamente, possui mais ou menos a
metade das Micro e Pequenas empresas existentes na região Sudeste, apresentando uma
diferença de apenas 1 ponto percentual entre os dois tipos de empresa com
respectivamente 23% para ME e 24% para EPP.
Por possuir grandes empresas industriais e também por ser grande produtora na
atividade agropecuária, a região Sul apresenta os índices de participação de ME e EPP
perto da metade da região Sudeste, pois sua tendência natural de exercer atividades
como o agronegócio, não permite um crescimento significativo dos micro e pequenos
empreendedores.
A região Nordeste deveria ter uma participação mais significativa das suas
Micro e Pequenas empresas na economia regional, uma vez que sua economia é mais
atrasada, seu parque industrial ainda não é tão desenvolvido, e sua atividade no setor de
agronegócios não se compara à do Sudeste e do Sul.
Na região Nordeste ainda existe um alto índice de informalidade, fazendo com
que os percentuais de participação das MEs e EPP permaneçam no mesmo patamar, em
relação às outras regiões do país.
A região Centro Oeste vem na quarta posição, no que se refere ao número de
micro e pequenas empresas, e apresenta percentuais de 7% para as ME e 8% para as
EPP, demonstrando uma diferença muito pequena entre os dois tipos de empresa. Esses
valores indicam, também, que existe uma baixa atividade econômica dessas empresas
nessa região, talvez devido ao fato de a região ser uma grande produtora nos setores da

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agricultura e da pecuária, onde existem grandes latifúndios, sobre os quais sua atividade
econômica se fundamenta.
Por último a região Norte com representação de 3% das ME e de 3% das EPP,
esses baixos percentuais demonstrando que falta muito a ser desenvolvido na criação ou
legalização das atividades das micro e pequenas empresas

na região Norte do nosso

país.

Observa-se que nos estados do RJ e SP, na região Sudeste, são os que
apresentam maior valor de faturamento, seguidos do DF, AM, ES, MT e RR, que têm
faturamentos médios de suas EPP acima da média nacional.
O Paraná, na região Sul, é o primeiro estado em faturamento médio em suas
EPP, estando praticamente no mesmo nível da média nacional, ficando bem próximo do
estado de Roraima, que foi o último colocado, dentre os estados com faturamento acima
da média nacional.
Os que estão abaixo da média nacional distribuem-se nas demais regiões do país,
ficando no último lugar o estado do Piauí, na região Nordeste, demonstrando a condição
econômica pouco expressiva das EPP nesse estado.

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Segundo o referido estudo do SEBRAE (2010), a média nacional de faturamento
das EPP fica em torno de R$ 625.748,00 anuais, sendo o estado de São Paulo o que
apresenta maior número de EPP e maior faturamento. Próximos da média ficam os
estados de RR e PR e, por último, o estado do Piauí, como já assinalado.

A participação do faturamento das EPP no PIB estadual tem uma expressiva
significação, levando-se em conta a importância que os salários pagos aos trabalhadores
dessas empresas têm para a economia.
Observa-se que no estado de Santa Catarina e no Paraná, seguido do estado de
Goiás, a participação do faturamento dessas empresas no PIB estadual chega perto dos
14% e vai diminuindo, tendo como média o estado de São Paulo, que mesmo possuindo
o maior número de EPP do país, devido ao seu PIB ser elevado, apresenta uma
participação dessas EPP de cerca de 8,5% a 9%, percentual quase igual ao dos estados
de MS e MT.
Com a menor participação no PIB estadual apresentam-se, no gráfico, os
estados do Amazonas e do Amapá, com um percentual de 3% a 4,5% de participação.

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Na distribuição das atividades das EPP no Brasil, o setor do comércio é o
maior, concentrando esta atividade cerca de 59% das EPP, seguido da indústria, com
20%, os serviços com 19%, e a construção civil apresentando um percentual de 2%.

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Verifica-se, acima, que as participações das ME e das EPP, por setores da
economia brasileira, são iguais no setor de Comércio, com 59% para ambos os tipos
empresas.
No setor da Indústria as ME aparecem com menor participação, existindo uma
diferença de cerca de 8 pontos percentuais entre esses dois tipos de empresas, chegando
as ME a participar com 12% e as EPP com 20%. Já no setor de Serviços, as ME
possuem uma maior participação, com uma diferença de cerca de 8 pontos percentuais
com relação às EPP - as ME com 27% e as EPP com 19% de participação. Observa-se,
assim, que a diferença de participação entre as ME e as EPP é igual nos setores de
Serviços e na Indústria.
No Setor de Construção Civil, a participação das ME e das EPP é igual: cerca
de 2% sendo este o setor com menor participação das ME e EPP na economia nacional.

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Os faturamentos médios, apresentados no gráfico acima, demonstram que a
indústria possui o maior faturamento médio de todos os setores, seguido da Construção
Civil, com uma diferença de cerca de 10 pontos percentuais. O faturamento médio do
Comércio fica bem próximo do faturamento médio dos Serviços, que fica na última
colocação dentre todos os segmentos da economia.
2.3 – Benefícios Concedidos às MPEs pelo Estatuto das Micro e Pequenas
Empresas (LC 123/2006)
As micro e pequenas empresas – MPEs, também recebem tratamento
diferenciado no cumprimento das obrigações tributárias, trabalhistas e previdenciárias e,
também, no acesso ao crédito e ao mercado, no que diz respeito à preferência nas
aquisições de bens e serviços pelos poderes públicos, à tecnologia, ao associativismo e
às regras de inclusão.
Estão abrangidos pela lei os empresários e as sociedades simples, sendo
definida, como empresário, a pessoa que exerce a atividade empresarial de forma
profissional, através de uma atividade econômica organizada para a produção, ou
circulação de bens e serviços (artigo 966, CC/2002).

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O empresário pode ser uma pessoa física (empresário individual) ou uma pessoa
jurídica (Sociedade Empresária), devidamente registrada na Junta Comercial de cada
estado onde exerça as suas atividades.
As sociedades simples são formadas por duas ou mais pessoas para o exercício
de uma atividade econômica ou não, porém não organizada (art. 966, parágrafo único,
CC) e são registradas no Cartório Civil de Pessoas Jurídicas. Dessa forma, tanto o
empresário quanto a Sociedade Simples poderão se beneficiar do regime único de
tributação, desde que atendam todos os requisitos previstos na lei.
Nas licitações públicas, as certidões negativas de débito de tributos só serão
exigidas no ato da assinatura do contrato e, se existir alguma restrição nesta data, ainda
será dado um prazo de dois dias úteis no momento em que ele for considerado vencedor,
para a regularização e apresentação da documentação, e para o pagamento ou
parcelamento dos débitos existentes, para a emissão das certidões negativas de débitos.
Quando existir empate nas licitações será considerada como vencedora a MPE,
podendo a União, os Estados e os Municípios concederem tratamento diferenciado e
simplificado às mesmas, tendo como objetivo a promoção do desenvolvimento
econômico e social no âmbito municipal e regional, bem como a ampliação da
eficiência das políticas públicas e o incentivo à inovação tecnológica.
A União, os Estados e Municípios, poderão dar incentivos às MPEs nas
licitações, conforme determinam os artigos 48 e 49 da LC 123/2006 e demais normas
aplicáveis, limitando-se a 25% ao ano dos valores totais licitados, podendo realizar os
processos licitatórios da seguinte forma:


Destinado exclusivamente às MPEs nas contratações até R$
80.000,00;



Em que seja exigida dos licitantes, a subcontratação de MPEs, desde
que o percentual máximo do objeto a ser subcontratado não exceda
30% do total licitado;



Em que se estabeleça o limite, de até 25% do objeto da licitação,
para contratação de MPEs sem certames, para a aquisição de bens e
serviços de natureza divisível.

No acesso à justiça do trabalho fica facultado às MPEs fazerem-se substituir ou
representar por terceiros que conheçam os fatos, ainda que não possuam vínculo
trabalhista ou societário (artigo 54, LC 123/2006).

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As fiscalizações realizadas nos aspectos trabalhistas, metrológicos, sanitários,
ambientais e de segurança das MPEs serão realizadas prioritariamente em caráter de
orientação, estabelecendo um tratamento diferenciado, mas não abrangendo a parte
tributária.
O Estatuto das Micro e Pequenas Empresas prevê que a União, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios deverão manter programas de incentivo à inovação
(art. 65).
Para melhorar o acesso ao crédito e ao mercado de capitais, para redução dos
custos operacionais, os bancos comerciais públicos, os bancos múltiplos com carteira
comercial e a Caixa Econômica Federal mantêm linhas de crédito específicas para o
crescimento das ME e EPP (art. 58).
As ME e EPP são estimuladas a utilizar os institutos de conciliação prévia,
mediação e arbitragem para a solução de seus conflitos (art. 75). Dessa forma, as
mesmas terão condições de solucionar seus conflitos de maneira mais rápida.

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CAPÍTULO 3 – PERCEPÇÃO PELOS EMPRESÁRIOS, DOS BENEFÍCIOS
ALCANÇADOS PELAS MPES QUANTO À OBSERVÂNCIA DA
lEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA

3.1 – Introdução
Este capítulo tem como objetivo fazer um levantamento da percepção que os
empresários têm dos benefícios que as micro ou pequenas empresas podem obter ao
aplicar o conhecimento e observar as normas inerentes às suas obrigações tributárias.
Observa-se que os empresários das micro e pequenas empresas, muitas vezes
são vítimas do desconhecimento da legislação sofrendo, por esse motivo, consequências
graves pela inobservância da mesma, e sendo penalizados por autos de infração e multas
pelo descumprimento dessas obrigações.
É possível que a aplicação de um controle eficaz da atividade contábil da
empresa e do cumprimento de suas obrigações tributárias torne o negócio mais
competitivo e lucrativo, pois a transparência dos relatórios contábeis propicia o
conhecimento de sua realidade econômica e financeira, fazendo com que a empresa
possa ter informações confiáveis para a tomada de decisão.
Segundo Marion (2002), a contabilidade é o grande instrumento que auxilia a
administração a tomar decisões, a partir dos relatórios contábeis e fiscais, que
possibilitam ao empresário estabelecer políticas de gerenciamento, adequadas ao
aumento de sua competitividade, uma vez que poderá prever os resultados econômicos
desses procedimentos.
Segundo Porter (1989), uma empresa diferencia-se da concorrência quando
oferece aos compradores alguma coisa singular e valiosa, além de simplesmente
oferecer um preço baixo. A diferenciação permite que a empresa peça um preço-prêmio,
venda uma maior quantidade do seu produto por determinado preço, ou obtenha
benefícios equivalentes, como uma maior lealdade do comprador durante quedas
cíclicas ou sazonais.
Portanto, uma empresa que tem controle de suas atividades financeiras, através
da contabilidade, poderá investir em políticas de aperfeiçoamento de qualidade,
tornando-se mais competitiva.

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3.2 – Percepção da Legislação Tributária para as MPEs do Comércio Varejista de
João Pessoa
É importante salientar que, mesmo com a complexidade existente em se
atender a tantas normas tributárias e com os altos valores cobrados em impostos no
nosso país, os empresários das MPEs devem observar e seguir a legislação tributária
pertinente à sua atividade, para terem um controle mais efetivo de seus negócios.
Nesse contexto, é um dos propósitos deste trabalho investigar qual a percepção
dos empresários das MPEs quanto a essa realidade pois, como será mostrado, quando
uma empresa registra todas as suas operações, poderá implantar um controle mais
eficiente do seu negócio, como por exemplo: o controle de receitas de vendas de
mercadorias e serviços, o controle de seus estoques, e o controle das despesas da
atividade, entre outros.
Hoje, a grande maioria das empresas controla as suas atividades através de
sistemas de informática e só é possível ter o controle eficiente de suas operações, se
estas forem todas devidamente registradas no sistema. Dessa forma, as empresas podem
realizar controles internos, evitando desvios de conduta de seus operadores.
Geralmente, as empresas que praticam a sonegação fiscal perdem o controle de
suas atividades, citando-se como exemplo o controle de estoques, que fica à mercê dos
funcionários, que podem desviar mercadorias não registradas no sistema de entrada ou
saída de mercadorias. A mesma coisa ocorre com o controle do faturamento, pois tornase possível desviar os recursos das operações de vendas não faturadas.
Normalmente, as grandes empresas contabilizam todas as suas operações, a
saber, compras, receitas, custos, despesas, entre outros itens importantes para a prática
contábil. Ao registrar todas as suas operações, tais empresas têm a condição de impedir,
ou reduzir, o desvio ou o furto de seus produtos ou recursos, pelos colaboradores
internos, uma vez que o controle de todas as operações é feito através dos registros
realizados no sistema financeiro da empresa.
É difícil controlar a atividade financeira de uma empresa, sem que haja registros
contábeis de suas operações e sem que se acompanhe a documentação que serve de
apoio a essa contabilização.
Quando uma empresa não contabiliza totalmente suas operações, e recorre ao
caixa dois, que é a parte que fica fora dos registros da contabilidade, geralmente perde o

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controle de sua movimentação, sendo muitas vezes vítima de desvios, porque a sua
contabilidade está propositadamente desorganizada, para facilitar possíveis ações
fraudulentas de colaboradores, ou a perda de seu controle patrimonial.
Muitas vezes, o desvio de recursos da empresa é realizado pelos próprios
sócios ou pelo titular da empresa, e eles perdem a noção de lucratividade, confundindo a
receita com o lucro, justamente por não terem implantado um sistema de contabilidade
adequado, que demonstre o resultado mensal de sua operação, para mostrar aos sócios
ou titular o quanto podem retirar de recursos da empresa para seus gastos pessoais.
É importante ressaltar que as micro e pequenas empresas têm que adotar a
mesma atitude das grandes empresas, devendo contabilizar a totalidade de suas receitas,
de seus custos e de suas despesas para, dessa forma, obter o resultado operacional real
de sua atividade, e assim saber se de fato a empresa é superavitária ou não.
Um grande número de empresas perde o controle de sua gestão, justamente
quando são implantados sistemas de sonegação fiscal. Essas empresas ficam sem ter
como registrar suas operações e, sem esses registros, os valores que estão fora da
contabilidade podem ser manipulados e muitas vezes desviados de seus proprietários.
Outro benefício de se ter um registro contábil das operações na sua empresa, é
o de se evitar multas aplicadas pelas fiscalizações. As multas por sonegação fiscal são
muito elevadas, muitas vezes chegando a comprometer a continuidade dos negócios da
empresa.
Os micro e pequenos empresários devem possuir o conhecimento de que suas
atividades de negócios precisam ter uma receita suficiente para arcar com a respectiva
carga tributária, com seus encargos e despesas e, ao mesmo tempo, dar um retorno
positivo do capital aplicado, ou seja, o lucro.
Muitos empreendedores exercem uma determinada atividade sem ter a margem
de lucro necessária para a sua sobrevivência, perdem o controle do negócio e aí
recorrem à sonegação de impostos.
Quando uma fiscalização detecta este procedimento de sonegação, autua o
contribuinte infrator, muitas vezes deixando-o sem capacidade de pagar esses impostos,
que são acrescidos de multas e juros, e deixando a empresa, praticamente, sem condição
alguma de sobrevivência.
É muito importante que os micro e pequenos empresários analisem qual é o
melhor sistema de tributação a que devem aderir, verificando qual a porcentagem de

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impostos que incidirá sobre sua receita e sobre seus custos e o quanto esse sistema vai
representar para sua atividade em cada exercício social.
Outro cuidado que as empresas devem ter é o de verificar se está cumprindo
com as obrigações acessórias aos fiscos federal, estadual e municipal. Essas obrigações
acessórias consistem em apresentar informações, através de declarações, aos fiscos em
datas estabelecidas, e caso essas informações não sejam enviadas nos prazos
estabelecidos pelas normas, podem ser aplicadas multas pelo descumprimento desses
prazos.
Normalmente, a responsabilidade pela elaboração e pelo envio das declarações
das empresas ao fisco é do setor de contabilidade, representado pelo contador
profissional.
Em resumo, a maior vantagem de obedecer à legislação tributária - além de
cumprir-se um dever - é obter o controle mais eficaz

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