Octoblepharum (Leucobryaceae) do alto Rio Negro, Amazonas (Brasil).

OCTOBLEPHARUM (LEUCOBRYACEAE) DO ALTO RIO NEGRO, AMAZONAS (BRASIL).

O l g a Y a n o (*)

KESOMD

Uovz tarn

dt OctobtcphaAum tfedw. iao naZaXadoi

poAa o Alto Rio Hzgfio,

Amazo-

VUM>, cot&ta.do6

em ixpz.di.caa

xmJLi.za.do, no pznX.odo d e jimko a. julko d e T 9 7 9 , qaali, i e / a m :

0. albidum HzdiM. van. vwta.AC2.ni, C . {Aaoll., 0. amputZa.ce.Lun Hitt., 0. cytindAicum M c n X . ,

0. cocuizn&z Mitt.,

0. lAzctlfplism HL£t. e.x WilLiami,

0. peZtucidum C. Mailt.,

albidum Hzdw. VOA. albidum, 0. pulvinatum {Dozy & Moth.) \M££. e. 0. htAamixmm

0.
Mitt.

Ai tn.2.6 UJLXAMOA

uconA.2A.am com maioh. ^niq'dincia.

lima ckavz pann. idintifa

cacao doi

ta-

xoni ln^n,agznQ.ni.coi

di OoXobtzphoAum z

apn.tAmtA.da..

INTRODUCAO

A p r i m e i r a e x p e d i c a o b r i o l o g i c a ao longo do R i o Negro f o i r e a l i z a d a de novembro

de I 8 5 I a malo de 1 8 5 3 , p ° r R i c h a r d S p r u c e , que c o l e t o u v a r i o s musgos e h e p a t i c a s

(Prance, 1971).

A segunda f o i o r g a n i z a d a 128 anos a p o s , por meio de um convenio envolvendo

0

Conselbo Nacional de Desenvolvimento C i e n t f f i c o e Tecnologico - Projeto Flora Amazonica

(INPA) e a " N a t i o n a l S c i e n c e Foundation" (NSF) . Dela f i z e r a m parte Rudolf H . Schuster

(Un i v e r s t dade de M a s s a c h u s e t t s ) , e s p e c i a h ' s t a em h e p a t i c a s , pr i nc i pal men te da f a m f l i a

Lejeuneaceae, W i l l i a m R, Buck ( J a r d i m B o t a n i c o de Nova l o r q u e ) , e s p e c i a l i s t a em musgos

e a presente autora.

V a r i o s t r a b a l h o s sobre b r i o l o g i a tern s i d o mencionados recentemente r e f e r e n t e s a

regiao a m a z o n i c a , d e s t a c a n d o - s e d e n t r e e l e s : P u r s e l I & Reese ( I 9 8 I ) , Reese ( 1 9 8 0 e Yano

C I 9 3 l a ) . Com r e s p e i t o as L e u c o b r y a c e a e , Yano ( 1 9 8 2 a , 1 9 8 2 b ) , r e l a t a a

distribuicao

das e s p e c i e s o c o r r e n t e s no Baixo Amazonas e outros Estados e T e r r i t o r i o s da Amazonia Le

gal. Este c o n s t i t u i , portanto, 0 tercefro trabalho sobre a referida famflia.

0 o b j e t i v o do trabalho e d i v u l g a r as especres e variedades coletadas durante a

expedicao e a m p l i a r os conhecimentos da d i s t r i b u i c a o g e o g r a f i c a do genero OctofaJepharum

Hedw. na r e g i a o Norte do B r a s i l , c o n t r i b u i n d o para 0 i n v e n t a r i o da f l o r a b r i o f T t i c a d a

Amazon i a .

(*) S e ç ã o d e B r i o l o g i a e P t e r i d o l o g i a , I n s t i t u t o d e B o t â n i c a , C a i x a P o s t a l 4 0 0 5 , São P a u l o , Brasil,

01000

ACTA AMAZÔNICA, S U P L . , 1 5 ( 1 - 2 ) : 5 5 - 6 2 . 1 9 8 5

55

MATERIAL Ε MÉTODOS

A região coletada pela expedição abrange o Rio Negro, de Manaus até São Gabriel

da Cachoeira (Uaupés) , visitando-se os igarapés maiores, a estrada Perimetral

Norte

(São Gabriel da Cachoeira-Cucuí) e também alguns morros, como: Serra do Jacami

(65°

33 'W, £J°23'S) , S e r r a Curicuriari

Í 6 6 ° 5 5 1 W , 0 ° 3 9 l S ) , M o r r o X i m aίο n o R i o M a r i é ( 6 6 ° 5 0 ' W ,

0o45'-50'S) e Morro dos Seis Lagos (66°48'W, 0°22'N).

A metodologia adotada é a descrita em Yano (1975).

Os espécimes aqui citados acham-se depositados no Herbário

do Estado

"Maria

E n e y d a P. Kauffmann F i d a l g o " , d o I n s t i t u t o d e B o t â n i c a ( S P ) e d u p l i c a t a s n o I n s t i t u t o

Nacional de Pesquisas da Amazonia (INPA).

N a i d e n t i f i c a ç ã o d a s e s p é c i e s e v a r i e d a d e s d o g ê n e r o O c t o b 1 e p h a r u m H e d w . , foram

utilizados os trabalhos de Florschütz (1961(), Yano (1975) e Griffin (1979) e confirma-

dos por comparação com outros materiais já identificados.

CHAVE PARA I DENT 1FICAÇSO DOS TAXONS 1NFRAGENÊRICOS DE QCTOBLEPHARUM.

1. C o s t a e m c o r t e t r a n s v e r s a l n o m e i o d a l â m i n a m a i s o u m e n o s e q u i 1 ã t e r o - t r i a n g u l a r , ân_

g u l o s a r r e d o n d a d o s o uρ i a n o - c o n v e x o s ; f i 1 t d t o s c o m m a i 5 d e IQ m m d e c o m p r

2

2. Ápice do filídio acumínado; células da base do filfdio com poucas perfurações na p a -

rede; células da lamina mais ou menos retangulares; ápice em corte transversal com duas

camadas de leucocistos; filídios ate 12 m m de compr

0 . ampulliiceum

2. Ápice do filfdio obtuso-apiculado; células da base do filídio com muitas perfurações

na parede; células da lamina rÕmbíco-hexagonaίs; ápice em corte transversal c o m quatro

c a m a d a s d e l e u c o c i s t o s ; f i l í d i o s a c i m a d e 20 m m d e c o m p r

0 . erect (foi i um

1 . C o s t a e m c o r t e transversal p e r t o d o m e i o da lâmina b i c o n v e x a ; f i l í d i o s a t e 10 m m d e

compr

,,

3

3. F i l í d i o s e m c o r t e t r a n s v e r s a l n o á p i c e com d u a s c a m a d a s d e l e u c o c i s t o s ; d e n t e s perijs

t o m ia i s 1 6 . . .

k

h. Á p i c e d o f i l í d i o o b t u s o , a p i c u l a d o e g r o s s e i r a m e n t e d e n t e a d o ; c é l u l a s d a l â m i n a c o m

p e r f u r a ç õ e s na p a r e d e

O . pellucidurn

Apíce do filídio acumínado, ondulado; células da lamina sem perfurações na parede..,

0. cocuiense

3. F i l í d i o s e m c o r t e transversal n o á p i c e c o m q u a t r o c a m a d a s d e l e u c o c i s t o s ; d e n t e s p e -

ristomiais 8 o u 16

5

5- Filídios lustrosos q u a n d o s e c o s , p a l e ã c e o s , parte basal escura a purpüreo-castanha..

0. stramineum

5. Filídios baços quando secos, verde-esbranquiçados ou amarelo-claros, parte basal as

vezes rosada ou purpúrea

6

6. Filídios frágeis, pontas freqüentemente quebradiças quando secas; ápice

obtuso,

abruptamente apiculado; células na metade superior da lâmina irregulares;

peristomio

com 16 d e n t e s a r r a n j a d o s e m 8 p a r e s

0. pulvinatum

6. Filídios resistentes, pontas n a o quebradiças quando secas; ápice obtuso o u

agudo,

mas nunca a b r u p t a m e n t e apiculado; células n a metade superior da lâmina retangulares ou

quadráticas; peristomio com 8 dentes não arranjados em pares

7

7. Á p i c e d o f i l í d i o a g u d o , i n t e i r o ; c é l u l a s na m e t a d e s u p e r i o r d a lâmina m a i s o u m e n o s

quadráticas; cápsula cilíndrica; seta 10-30mm de compr

0. cylindrícum

7. Ápice d o filídio m a i s o u m e n o s o b t u s o , g e r a l m e n t e d e n t e a d o ; c é l u l a s na parte s u p e r i -

or da lâmina r e t a n g u l a r e s ; c á p s u l a o v ó i d e ; seta a t é 10 m m d e compr

8

8. C é l u l a s d a m a r g e m d a a l e t a d e n t e a d o s ; f i l í d i o s c o m m a n c h a s p u r p u r e a s o u

violáceas

na b a s e . ,

0. albidum var. violascens

8. Células da m a r g e m da aleta l i s a s ; f i l í d i o s v e r d e - e s b r a n q u i ç a d o s na base

'. 0. a l b i d u m v a r . a l b i d u m

ESPÉCIMES EXAMINADOS

Octoblepharum albidum Hedw. var albidum, Sp. Musc. 50. 1801,

Material examinado: BrasίI-Amazonas: Rio Negro entre Paraná Conceição e Tauatu,

sobre

tronco podre na mata cil íar úmida, 0. Yano l ^ , 25-VI-1979 (SP150197) ;

Rio Negro,

Praia do G a v i ã o , tronco d e A n a c a r d i a c e a e , d a base a t é - 2 m d e a l t u r a , 0. Yano

1^67,

26-VI-1979 {SP15020it); São Luiz, Ilha Costa Ari rahã no Rio Negro, em tronco de palmei-

ra, 0. Y a n o 1 5 0 0 , 2 8 - V I - 1 9 7 9 ( 5 P 1 5 0 2 2 2 ) ; e m c a s c a d e t r o n c o v i v o , t 5 rn a l t . , 0. Y a n o

I508, 28-VI-1979 (SPI50228); Rio Negro, Temenduí, sobre tronco de árvore, 0. Yano 1558,

3Q-VI-1979 (SP150266); Rio Negro, Ilha Acaburu, em tronco de palmeira, 0, Yano

I679,

^-Vl I - I 9 7 9 { S P 1 5 0 3 ^ 5 ) ; R i o M a r i é , E s t i r ã o d e P i r a m i r i m ( 0 ° 3 5 ' S , 6 6 ° ^ 0 ' W ) , s o b r e t r o n c o

de p a l m e i r a , 0. Y a n o 1 6 9 2 , 5 - V I 1 - 1 9 7 9 ( S P 1 5 0 3 5 5 ) ; C i d a d e d e S a n t a Isabel d o R i o N e g r o ,

sobre tronco de A n a c a r d í u m s p . , 0. Yano 1578, l-VII-1979 (SP150280); Rio Negro,

perto

de Santa Isabel d o R i o N e g r o , n o s o l o d a ilha p e r t o d o r i o , 0 , Y a n o 1 5 8 2 A , 1—VI 1 - 1 9 7 9

(SP150285) ; Rio Negro, boca do R i o Curícuriari, margem esquerda, sobre tronco e galho

d e L a u r a c e a e , 0. Yano 182¾, 8 - V I I - 1 9 7 9 (SP15042I); Igarapé Piraiwara, cachoeira Piraiwa

ra', n o t r o n c o v i v o , 0. Y a n o 195'*, H - V l 1 - 1 9 7 9 (SP 1 5 0 5 0 3 ) ; n o m a r c o d a l i n h a d o E q u a d o r

na B R - 3 0 7 , s o b r e t r o n c o p o d r e , 0. Y a n o 1 9 9 ¾ , 1 7 - V 1 1 - 1 9 7 9 ( S P I 5 0 5 2 9 ) ; k m k] d a B R - 3 0 7 ,

estrada São Gabriel da CachoeIra-Cucuí, em tronco podre, 0. Yano 2083,

19 —Vi1—1973

(SP150580); São Gabriel da Cachoeira (0°03'S, 67°03'W), em tronco de palmeira, 0. Yano

ZO88, 2 0 - V I I - I 9 7 9 ( S P 1 5 0 5 8 O ; s o b r e p e d r a n o m o r r o d a c i d a d e , 0. Y a n o 2 0 9 3 , 2 0 - V I 1 - 1 9 7 9

(SP15O590); R i o N e g r o , NW de S ã o Gabriel da Cachoeira (0°5-8'S, 6 7 ° 1 0 ' W ) t sobre tronco

vivo, m a r g e m d o r i o , 0. Y a n o 2 1 1 5 , 21 -VI I - 1 9 7 9 ( S P 1 5 0 6 0 M ; sobre tronco de

palmeira,

0. Y a n o 2 1 2 1 , 2 1 - V I I - 1 9 7 9 { S P 1 5 0 6 0 8 ) .

A espécie apresenta ampla distribuição geográfica na Amazonia. Cresce em qual-

quer substrato formando coxins relativamente extensos e apresenta variação muito grande

no t a m a n h o d o g a m e t o f i t o . S u a c o l o r a ç ã o é v e r d e - e s b r a n q u i c a d a , N a m a i o r i a d a s v e z e s ,

Octoblepharum (Leucobryaceae) d o ...

57.

e s t a e s p é c i e a p r e s e n t a e s p o r o f i t o d e c a p s u l a o v ó i d e e s e t a s e m p r e m e n o r q u e 1 cm. lídio e robusto e o apíce obtuso, geralmente denteado.

0 fj_

Octoblepharum albidum Hedw. var violascens C. Muell., Linnaea 19:208. 18^6.

M a t e r i a l e x a m i n a d o : B r a s i 1 - A m a z o n a s : R i o N e g r o e n t r e Paraná Conceição e Tauatu,

sobre

tronco podre na mata de igapó, 0. Yano 1^58, 26-VI-1979 (SP150200).

A o l o n g o d o R i o N e g r o foi c o l e t a d a apenas uma amostra, m a s e s t a v a r i e d a d e

tem

sido encontrada nos Estados do Acre, Mato Grosso e Rondônia ( Yano, 1982a).

A variedade violascens C. Muell. difere da típica por ter filídios mais largos,

delicados e com manchas purpúreas ou violáceas na base.

Octoblepharum ampullaceum M i t t . , J . Linn. S o e . B o t . 12:109. 1 8 6 9 .

M a t e r ia 1 e x a m i n a d o : B r a s i 1 -Amazonas:

Rio Har'ie, Igarapé Imé, cachoe ira ( m ê , s o b r e p e -

dras úmidas, 0. Yano 17^3 PP, 6-VI1-1979 (SP150383); Morro dos Seis Lagos, sobre pedra

na campina, 0. Yano 2062, 1 8 - V M - 1 9 7 9 (SP150565Í.

Esta espécie cresce, na maioria das vezes, sobre pedras úmidas ou mais secas, d £

p e n d e n d o d a r e g i ã o . Ocorre mais comumente nas campinas ou e a m p i nararras d a R e g i ã o A m aζ 6

nica. Apresenta coloração verde-paleácea, filídios delgados e pouco quebradiços,

de

á p i c e acum'tnado; células da b a s e c o m p o u c a s p e r f u r a ç õ e s n a p a r e d e .

Octoblepharum cocuiense M i t t . , J . Linn. S o e . B o t . 1 2 : 1 0 9 . 1869.

M a t e r i a 1 e x a m i n a d o : B r a s i 1 - A m a z o n a s : R i o M a r i é , M a r a u n a (0°¾ 01 S , 6 6 0 ¾ 0 'W) , s o b r e p e d r a

ú m i d a , 0 . Yano 1 7 0 6 , 1 7 0 3 , 5 - V I 1 - 1 9 7 9 ( S P 1 5 0 3 6 4 , S P 1 5 0 3 6 6 ) ; R i o M a r i é , i g a r a p é I m ê , c a -

choeira Imê, sobre pedras úmidas perto da cachoeira,

0 . Y a n o 17^*8,

6-VI 1-1979

( S P 1 5 0 3 8 7 ) ; S e r r a C u r i c u r i a r i , n o p a r e d ã o , n o t o p o d a S e r r a , 0 . Y a n o I887A, Τ 0-VÍI -Γ 979

(SP150*t60); no paredão úmido no topo da Serra, 0. Yano 1893, 10-Vt 1-1979

(SPl 50*+66) ;

sobretronco de árvore no topo da Serra, 0. Yano 1895, I0-VII-I979 (SPl50468);

Igarapé

Piraiwara, Cachoeira Piraiwara, (0°25'S, 66°55'W), no barranco úmido, 0. Yano

1937,

II1-VII-I979 (SP150^96); sobre pedra úmida, margem do igarapé, 0. Yano 1975, 14-VII -1979

(SP 150516) ; k m Al d a B R - 3 0 7 , e s t r a d a S ã o Gabriel da C a c h o e i r a - C u c u í , e m t r o n c o

podre,

0. Vano 2034, 19-VII-I979 (SPI5058Í); Rio Negro, NW de São Gabriel da Cachoeira,

em

tronco vivo, na margem do rio,0. Yano 2128, 2 1 - V M - 1 9 7 9 (SP1506l2); sobre pedra na mar

gem do rio,0. Vano 2131, 2Ι-νΊ1-?979 (SP!506iA).

Os espécimes possuem gametofito de coloração verde-purpúrea ou vinacea, ocor-

rendo geralmente em regiões bem úmidas como, por exemplo, sobre pedras ou troncos

de

arvores próximos às cachoeiras ou quedas d'agua.

Os filídios são caracteristicamente quebradiços, possuem ápice acumínado, leve-

mente ondulado; células da lamina sem perfurações na parede.

Octoblepharum c y l i n d r i c u m M o n t . , A n n . S o e . B o t . N a t . B o t . , s e r . 2 , 1 ¾ : 3 ^ 9 . \8hQ. M a t e r i a l e x a m i n a d o : B r a s ι I-Amazonas: T a p e r e í r a , n o s o l o a r e n o s o , p e r t o d a v e g e t a ç ã o fo£_

mando tapete, campina, 0. Yano 1514, 29-VI-1979. (SP150232); Rio Negro,. TemenduT, no so

lo a r e n o s o d a c a m p i n a , 0. Y a n o 1 5 5 5 , 3 Q - V 1 - 1 9 7 9 ( S P 1 5 Q 2 6 3 ) ; R i o M a r i l , V a r a d o u r o para

Morro Ximaio (0°45-50'S, 66°5u l W ) , na base de subarbusto, em tufos, 0. Yano

1778,

7-VI1-1979 (SP 1 50399) ; R i o M a r i é , topo d o Morro Ximaio, sobre pedras no topo do morro,

0. Yano 1 8 0 9 , 7 - V 1 t - 1 9 7 9 ( S P 1 5 0 4 1 5 ) ; perto da Serra C u r i c u r i a r i , no solo d e c a m p i n a r a

na, 0. Yano 1919, 11-VII -1979 (SP150482); sobre tronco fino, campinarana, 0. Yano 1921,

11-VIl-1979 (SP150484); direção ao Korro dos Sets Lagos, da BR-307, em pau

podre,

0. Yano 2 0 3 I , 1 8 - V I 1 - 1 9 7 9 (SP150547); Rio N e g r o , N W de S ã o Gabriel da C a c h o e i r a ,

em

t r o n c o d e b u r i ti , m a t a d e t e r r a fi r m e , 0 . Y a n o 2141 , 2 1 - V I 1 - 1 9 7 9 (SP 1 5 0 5 2 1 ) ; R i o N e g r o , Igarapé" F o i b a r ã , e m t r o n c o v i v o , 0 . Y a n o 2 1 5 3 , 2 2 - V I I -1 9 7 9 ( S P I 5 0 6 2 7 ) .

Na região, 0. cylindrícum cresce apenas nos solos arenosos e brancos de campina

ou c a m p i n a r a n a , f o r m a n d o tapetes g r a n d e s . A s vezes o g a m e t o f i t o a p r e s e n t a

coloração

purpurea na base do filTdio. Difere de 0, albidum var. víolascens porque o filídio ê

mais curto e o ápice e inteiro e agudo; alem disso, a seta tem mais de 3 c m de compri-

mento e a capsula é c i1fndr ica.

Octoblepharum erectifolíum Mitt, ex Williams, N. Am. Flora 15:162. 1913.

Material examinado: Brasi1-Amazonas: Rio Marié, Marauna, sobre pedra úmida,

0. Yano

1711, 5-Vl1-1979 (SP150370).

Este é o segundo relato da ocorrência de 0. erectΐfoiium na região. Cresce em

lugares sombrios e b e m úmidos.

Os f i l f d i o s t e m m a i s o u m e n o s 20 m m d e c o m p r i m e n t o e s ã o e s t r e i t o s e d e l g a d o s ;

ãpice obtuso-apiculado e as células da base tem perfurações na parede.

Octoblepharum pellucidum C . M u e l l . , Gen. M u s e Frond. 89. Τ900.

Material e x a m i n a d o : B r a sί I - A m a z o n a s : R i o N e g r o , T e m e n d uΓ ( 6 4 ° 4 2 'W, 0 ° 2 8 ' S ) , n a base' d o

tronco p o d r e , 0. Yano 1541, 30-VI-1979 (SP15025I); sobre tronco de palmeira,

0. Yano

I557, 30-Vi-1979 (SP150265); Rio Negro perto de Santa Isabel do Rio Negro, sobre pau po

dre na m a t a , 0. Y a n o I588A, 1 —VI 1 - 1 9 7 9 { S P I 5 O 2 9 O ; R i o N e g r o , Ilha A c a b u r u , na base do

tronco de a r v o r e , 0 . Y a n o 1 G 7 2 , 4 - V H - 1 9 7 9 (SP1 503-41) ; Igarapé A r a b u , e n c o n t r o c o m α

rio C u r i c u r i a r i , s o b r e p a u p o d r e , 0 . Y a n o 1 9 3 1 , 1Τ-VII -1979 ( S P 1 5 0 4 9 3 ) ; R i o N e g r o , Ilha

em frente a S ã o Gabriel da C a c h o e i r a , sobre tronco v i v o , 0 . Yano 2109,

20-VII-1979

(SP1506OO); R i o N e g r o , N W d e S ã o Gabriel da C a c h o e i r a , na b a s e d o t r o n c o , m a r g e m d o rio,

0, Yano 2 I 3 4 , 2 1 - V I 1 - 1 9 7 9 (SP 1 5 0 6 1 7 ) ; R i o N e g r o , I g a r a p é F o i b a r ã , n a b a s e d o

tronco,

0. Yano 2 I 6 5 , 2 2 - V H - I 9 7 9 (SP1 50634).

Octoblepharum pellucidum ocorre quase que exclusivamente na Amazônia, porem ha

uma r e f e r ê n c i a p a r a o R i o de J a n e i r o ( Y a n o , 1 9 8 l b ) . M a a r e a e s t u d a d a , c r e s c e e m gj-ande

diversidade de substratos, ocorrendo e m todos os "habitats". Possui muita

semelhança

com 0. a m p u l l a c e u m , m a s d i f e r e d e s t e p e l o ã p i c e d o f i l f d f o o b t u s o , a p i c u l a d o e grosseira_

mente denteado.

Octoblepharum pulvinatum (Dozy ε Molk.) Mitt., J. Linn. Soe. Bot, 12:109. 1869. Octoblepharum ( L e u c o b r y a c e a e ) d o ...

Mater ia 1 exam i nado: Bras i1-Amazonas: Rio Negro entre Pa raná Conce i ção e Tauatu (61°00 'W, 2 ° 2 3 ' S ) , na base do tronco v i v o , mata ciliar, 0. Yano 1450, 25-VI -1979 (SP 150196) ; Acan ga em frente a Ilha do Japó no R i o Negro, base de palmeira, 0. Yano 1486, 27-VI-1979 ( S P 1 5 0 2 1 3 ) ; base do tronco podre, 0. Yano 1489, 1492, 27-V!-1979 (SP150215, SP150218); Santa Isabel do Rio Negro (Tapuruquara 65°03'W, 0°2£t'S), sobre pau podre, mata deigapõ, 0. Yano 1570, 1-VI 1-1 979 (SP150274) ; Rio Negro, Serra de Jacamim perto de Bom Jardim, sobre blocos de pedra, 0. Yano 1612, 2-VII-1979 (SP1 50309) ; R i o Negro, Ilha Acaburu, na base do tronco v i v o , 0. Yano 167¾, 1677, 4-VI1-1979 (SPl 503^2, SP150344); Rio Marié, Ma rauna, sobre pedra, 0. Yano 1709A, 1729A, 5-VI 1-1979 (SP150368, S P I 5 0 3 7 8 ) ; Serra Curicu riari, sobre pedras úmidas perto do igarapé, na Serra, 0. Yano I85O, 10-VI1-1979 ÍSP150435); São Gabriel da Cachoeira-CucuΓ, km 6 da BR-307 , sobre tronco podre, 0. Yano 2001, 17-VI1-1979 (SP1 50534) ; Morro dos Seis Lagos, sobre pedra na campina, 0. Yano 2 0 5 9 , 18-VI1-1979 íSP150563) ; sobre pedras úmidas no topo do morro, 0. Yano 2069, l 8 -
VI1-1979 (spi50569). O c t o b l e p h a r u m p u l v i n a t u m ocorre no Alto com maior freqüência que no Baixo Amazo-
nas, mas os "habitats" são idênticos aos mencionados por Yano (1982a). Esta espécie raramente é encontrada com esporÕfito. Os filídios são frágeis, o ápice é geralmente que bradiço quando seco; em corte transversal, apresenta uma constrição entre a costa e a lamina verdadeira.

O c t o b l e p h a r u m s t r a m í n e u m Mitt., J. Linn. Soe. Bot. 12:110. 1869.

Material examinado: B r a s i 1 - A m a z o n a s : Rio Negro, Temenduí, na base do tronco e no solo

da caatinga, 0. Yano 1 5 ^ 3 , 30-VI-1979 (SP150253); Rio Marie, Igarapé Imé, cachoeira Imé,

sobre pedras úmidas, 0. Yano 1 7 4 3 PP, 6-VII-1979 {SP 150383) ; sobre tronco de palmeira,

col. 0. Yano 1770 , 6-VI1 -1979 (SP 150397); Serra Curicuriari, no tronco vivo no topo da

Serra, 0. Yano 189'A, 10-VI 1 - 1 9 7 9 (SP150464); Igarapé Piraiwara, cachoeira Piraiwara,

no barranco do igarapé, 0. Yano 1970, 14-VI1-1979 (SP1505I2); sobre tronco de palmeira,

0. Yano I 9 7 6 , 1 4 - V I I - 1 9 7 9 íSP 1 50517) ; Morro dos Seis Lagos, na.base do tronco vivo,

0. Yano 2066, 18-VIl-1979 (SP1 50567) ; Morro dos Seis Lagos, ao redor do Lago da Pata,

em tronco de palmeira, 0. Yano 2O76, 18-VI1-1979 ( S P 1 5 0 $ 7 4 ) ; Rio Negro, NW de São Ga-

briel da Cachoeira, em tronco vivo, 0. Yano 2132, 21-VI I -1979 (SP150615);

Rio Negro,

Igarapé Foibara (0°l6-l8'S, 66°35'W), em tronco de árvore, 0. Yano 2 1 4 3 ,

22-VI1-1979

(SP 15O622) ; na base do tronco, 0. Yano 2165A, 22-VIi-1979 (SPl50635).

O c t o b l e p h a r u m s t r a m í n e u m ocorre apenas na região amazônica; ao longo do Rio Negro, é encontrado comumente nos troncos de palmeiras que caem sobre o rio, campinas ou camp i naranas, F_ facilmente reconhecida pelo brilho e pela coloração paleãcea do filídio, com base purpureo-pa1eacea.

COMENTÁRIOS

Yano (1982a) mencionou 10 taxons de Leucobryaceae como ocorrendo na

Amazônia,

dos q u a i s o i t o s a o t a m b e m d a r e g i a o do A l t o R i o N e g r o . A p e n a s

duas especies -- 0.

africanum (Broth.) C a r d , e 0. rhaphidostegiurn C. M u e l l . -- nao foram encontradas na area

em e s t u d o .

As especies comuns tanto no Alto Rio Negro como no Baixo Amazonas sao:0 . albidum

Hedw. v g r . albidum, 0. albidum v a r . violascens C. M u e l l . , 0. ampullaceum M i t t . ,

0.

cocuiense M i t t - , 0. cyl indricum Mont., 0. erectifoHum Mitt, ex W i l l i a m s , 0. pellucidtim

C. M u e l 1 . , 0 . pulvinatum (Dozy 6 Molk.) M i t t , e 0 . stramineum M i t t .

Na regiao e s t u d a d a , as especies mats comuns s a o : 0 . albidum var. albidum,

0.

pulvinatum e 0. stramineum.

Oas cinco especies mencionadas por Mitten (1869), apenas 0. longifolium

Lindb.

nao foi reencontrada na regiao, sendo t o d a v i a e n c o n t r a d a s outras n a o m e n c i o n a d a s neste

trabalho para o Rio Negro brasileiro.

Os especimes que crescem em lugares muito umidos sempre estao associados

com

Telaranea s p . , Dicranaceae e Lophoziaceae.

De acordo c o m os trabalhos de Yano (1981b e 1982a) e com os dados deste podemos

verificar q u e 0. e r e c t i f o l i u m , 0. pellucidum e 0. stramineum ocorrem apenas na regiao

amazanica, enquanto que as demais especies apresentam uma distribuicao mais ampla

no

Brasi 1 .

AGRADECIMENTO

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientffico e Tecnologico (CNPq), suporte financeiro para a coleta de material briof'tico no Alto Rio Negro.

pelo

SUMMARY

Hine. taxa ofa Octoblzphansm

Hzdw. oAe. Azpohtzd &OA the Alto Ri.o Sle.gn.0,

KmazonaA,

collectzd

du/iing an zxpe.diXJ.cn to the. Azgion in ' 979-, 0. albidum H & d w . van. vlo£a6cen&

C. bfazll., 0. ampullaczum Mitt,,

0. cylindfUcum M o n t . , 0 . cozuizn&e. Mitt.,

0.

2Azcti^otlum Mitt, zx William,

0. peJLZuddum C. Muztt.

The mott c o m m o n &pzcie&

(ULZ:

0. albidum vox. albidum, 0. pulvinatum [Vozy I Molk. J Mitt, and 0. itfiaminzum Mitt.

A

key faon. idzYiti&ication

o£ the xepontzd taxa it>

included.

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