TRABALHO DE EQUIPE EM SAÚDE COMUNITÁRIA - OPERACIONALIZACÃO DA ENFERMAGEM E SUAS IMPLICAÇÕES.

n, 34

314-326, 1981

TRABALHO D E EQU I P E EM SAú D E COM U NITÁRIA
OPE RAC10 NA LI ZAÇ'ÃO DA ENFE RMAGEM E
SUAS I M P L I CAÇõES

Edith Fiueiredo Dominues

*

ReBEn/07

DO NGUES, E.F. - rabalho de Equipe em Saúde Comunit ária '- O peracionalização
da Enfermagem e suas Implicaçõs. ev. Bs. Enl.; DF, 34 : 314-326, 1981.

1

-

vem ocorren do em outros s etores . Ele

INTRODUÇAO

precisa s er a expressão quantitativa e

Saúde é um comon en te do bem­

es tar n as

dIversas dImensões da vida

pessoal e social. Há, portanto, estreito
relacion amento entre: saúde, ren da n a­
cion al,

in fra- estrutura

urbana,

rural,

" SAÚDE

PARA

política e s ocial do desenvolvimento.
Na

promoção

da

TODOS", tema oficial deste con gresso,
reitera-s e a urgência de cons cientizar
pessoas e comun idades sobre o direito
e a n ecessidade de educar para a saúde
e de tudo fazer para preservá-la ou re­
cuperá- la. A s aúde de uma população
depende essencialmente da quantidade
de bens e de serviços que podem s er pos ­

tos ao seu dispor e de sua capacidade

qualitativa da assistên cia aO paciente.

Por sua vez, o fenômeno do " adoecer
comático" s urgiu das relações mente-cor­
po e da constatação das influên cias psí­

quicas na doença do soma. Daí passou­

s e a estudar também os efeItos psíqui­
cos decorrentes do estar doen te e as in ­
fluên cias

sócio-econômico-culturais

nO

fenômeno do adoecer. São repercussões
que Interferem na ideologia e n a prá- ,
tIca dos serviços assIsten ciais de saúde.
Uma medIcina, assIm con cebida, impe­
de as possIbl11 dades de ação in dividual
e passa a ser respons abilidade con j un­
ta. Já não se j ustifica, portanto, um

de utilizá-los.
Com o avanço tecnológico e cientí­

s erviço de saúde, que se propõe a cum­

fluên cias de grupos sociais, não p oden ­

pons abilidade do s eu trabalho s obre a

fico atual, o s etor de saúde sofre as in ­

do dissociar-se do desenvolvimento que

* ,

prir todas as s uas v erdadeiras fun ções
de cobertura, deixar cair o peso da res ­
eficiêncIa de um únIco profission al.

Prof.& Adjunto do Dept.o de Enfermagem Comunitária da EE . UFBA.
Enfermeira da Secretaria de Saúde do Esta do da Bahia - 5 .° Centro de Saúde.

314

D OMI NGUES, E.F. - Traba lho de E quipe em Saúde Comuni tária - Operacionalização
da Enfermagem e suas Implicações. Rev. Bas. Enf.; DF, 34 : 314-326, 1981.

2

-

com um trabalho de caráter coopera­

CONCEITUAÇÃO E FILOSOFIA

A palavra equipe origina-se do in­
glês arcaico "team" que significa : pro­

gênie, família, linha gem de descenden­
tes. Modenamente, "team" deriva de

tivo e não competitivo, com o fim de al­
cançar o objetivo comum, cuja ativida­
de, sincroniz ada e coordenada, caracte­
riza

um

grupo

estreitamente

ligado."

(4).

uma " conjunção de animais atrelados

"Processo de atuação planej ada que

para puxar um conj unto". Em alemão,

visa à obtenção de atividades com um
mí nimo de esforço, um máximo de ren­

vínculos fortes"

rios e instituição." (15).

a palavra equivalente é : "pôr brida" ou
"atrelar", significando "ligar ou unir por

(6).

dimento e satisfação para os funcioná­

A equipe, com seus valores, implica

na exist ência de uma visão ampla e co­

letiv a em que é necessária a coerência
de propósito, a sincronização e a conti­

nuidade de ação.

Entretanto, não basta que um determi­
grupo trabalhe

em

conj unto,

é

imprescindí vel que o mesmo estej a es­
treitamente unido e motivado para um

obj etivo comum.

As definições de trabalho de equipe

qualificações

aontadas

difere

de

um conceito para outro. Entretanto, é

unânime a citação das caracterí sticas

mais marcantes : participação, intencio­
nalidade e ação comum :
a) grupo

refa em prol de um objetivo comum (5).
por um proceso de desenvolv imento e

tem uma tarefa a ser abordada de mo­
do organizado

(9).

No trabalho de equipe, os recursos

humanos são o "ponto chave" do pro­

cesso de assistência à saúde, que consta

de atuações polivalentes para atendi­

são inúmeras e às vezes a ênfase dada

às

identidade

de interesses, que se dedicam a uma ta­

Antes de ser equipe, o grupo passa

T er uma t arefa e abordá-la de for­
ma organizada, é trabalho de equipe.
nado

Conj unto de profissionais de saúde,

com interrelacionamento e

de indiví duos com dife­

rentes graus de compromisso.

b) numa condição mais ou menos
definida e delimitada.

c) com interrelacionamento e iden­
tidade de interesses.
Vejamos alguns conceitos :
Para San Martin (14): "Conj unto de
técnicos e administradores trabalhando
harmonicamente em um programa de
saúde, com objetivos precisos em que
cada qual tem uma responsabilidade de­

terminada." "Junção de esforços e in­

mento global ao indivíduo como um
todo. Dai a j ustificativ a plena de ser
realizado por um gr upo interligado no
mesmo obj etivo e com bom rel aciona­

mento humano

(5).

Passemos a ana­

lisar o conceito de " unidade sanitária
local ", onde atua a equipe de Saúde co­

munitária. Aqui t ambém se repete a di­

v ersidade de opiniões. Não há um de­
nominador comum ordenado para sua
designação.

A diferença para uns se estabelece

no sentido de especialidade ou poliv a­

lência do serv iço oferecido: para outros,
no caráter estático ou dinâmico da uni­
dade. A maioria aceita 3 tipos básicos
(13): A - AMBULATÓRIO - Serv iço
estático. Atende a determinado grupo
de doenças ou faixa etári a com servi­
ços

especializados,

receb endo

os

que

procuram a unidade como doentes, sus­
peitos ou para receberem atenção ou
benefí ci o. B - DISPENSÁRIO - Con­

teresses de um grupo de profissionais
que reconhecem a interdependência com

siderado especializado e dinâmico, aten­

os outros componentes e se identificam

nicantes, mas também à população su-

de não só aos doentes, suspeitos, comu­

315

DOMINGUES, E.F. - Trabalho de E quipe em Saúde Comunit ári a - Oeraclonaliação
da Enfermagem e suas Implicações. ev. Bs. Enf.; DF, 34 : 314-326, 1981.

posta sadia, através de medidas preven­

3.1.

Geral

tivas. C - CENTRO DE SAÚDE - Ca­
racterizado

por:

chefia

ou

único, polivalência, dinamismo,

comando

Proporcionar uma assistência inte­

pois exe­

gral ao paciente, com base num objetivo

cuta várias atividades de saúde pública.

comum, funções definidas e delimitadas

Dinâmico, orque necessariamente pres­

para realização de atividades simultâ­

supõe visitação sanitária.

neas, sem superposição, através da po­

FILOSOFIA:

-

É o sistema de valores

das convenções sociais. Literalmente, é a
força Que domina.
Admitindo-se

para

nosso

país

a

existência de uma ideologia social, de­
mocrática.

a saúde é

concebida como

tencialidade das tarefas coletivas, qu.
melhor atingem à multicausal1dade dos
problemas de saúde.

3.2 .

3.2.1.

um direito do homem que traz consigo
a responsabil1dade própria de assegurar
o seu bem-estar e o da comunidade, com
a participação ativa na solução dos pro­
blemas de saúde. Portanto, a filosofia
atual

da

política

numa recíproca:

de
a

saúde

baseia-se

necessidade

de

se

contar com indivíduos física e mental­

Substituir a atuação isolada ou li­
mitada

Numa civilização em mudança ace-,
lerada, somos um povo em fase crucial
de esforço para sair do estágio de sub­
desenvolvimento, vivendo a tragédia do
círculo

vicioso: saúde,

condição indis­

pensável para trabalhar e promover o
DESENVOLVIMENTO ECONôMICO, fa­
tor essencial na situação vigente para
fazer a promoção da saúde. Esta pro­
blemática é de tal modo ampla que ex­
cede as expectativas dos recursos mate­
riais e humanos de que dispõem os ser­
viços assistenciais para atender à
manda

das

necessidades

reais.

de­

Surge

como imperativa a modificação da es­

de

um



profissional

por

aptidões integradas, que permitam uma
prestação mais satisfatória de serviços,
em diferentes graus de compromisso.

3.2.2.

mente capazes e o direito que os mes­
mos têm à saúde.

Específicos

Oferecer maiores possibilidades de
rendimentos em extensão e profundida­
de técnicas,
das

para

necessidades

atender
reais,

à demanda

por

efeito

de

ações multiplicadoras integradas.

3.2.3.
Estabelecer planos assistenciais que
supram as necessidades biopsico-sócio­
espiri tual identificadas no paciente, pa­

ra nortear as ações de cada profissional.

3 . 2 .4.
Agilizar o sistema d e atendimento

trutura na sua assistência, para se atin­

à saúde, pelo intercâmbio de idéias e

gir a mais curto prazo os objetivos pro­

experiências

postos através de esforços organizados

dentro de uma tarefa de conjunto.

do

grupo

comprometido,

do grupo comprometido no sistema de
saúde, com a participação da comuni­
dade

(5).

3 - OBJETIVOS
EQUIPE

316

3 . 2 . 5.
Instituir uma "FORÇA DO TRABA­

DO

TRABALHO

EM

LHO" condicionado
convencionais.

por determinantes

DOMINGUES, E.F. - Traba lho de Eqipe m Saúde Comitria - Opera cionao
da E nfermagem e suas Imp li cações. ev. Bs. Ef.; DF, 34 : 314-326, 1981.

2.° - Insufi ci ênci a de recursos mate­

4 - VANTAGENS E OBSTA CULOS

Duas situações ant agônicas se esta­

ri ais e tempo para as ações.
3.° - Falhas na administração, auto­

à i nterdependênci a ou i nfluênci a bila­
teral : uma ela ação correlat a e inter­

4.° - Não utilização dos reais i nteres­

de uma função si nérgi ca, harmôni ca no

5.°

craci a ou democraci a exagerada
na li derança.

belecem na condut a da equipe, devi das

disciplinar com os resultados esperados

j etivos e metodologi a, entre
próprio grupo.

trabalho e nas atividades, e outra pela

possível i nterferênci a de al guns fat ores

na di stribui ção das t arefas, na
i ntegração

raci onal de int eração equipe-pacient e.

Vant agens do Trabalho de Equipe

1.0

Enfrent a o probl ema de saúde em
sua multicausali dade, porém com
uni dade de at enção.

2.8

Evita

a

duplicação

de

deveres.

3.°

as

responsabili dades

através do trabalho co-praticado.
Uni fi ca os conceitos t écnicos.

Utiliza ao máximo a potenci alida­
de de seus elementos, aument ando
o aproveitamento.

6.0

Foment a

a

solidariedade

e boas

relações entre os mesmos e des­
tes com a comuni dade.

7.°

7.°
8.°

Favorece o rel acionamento lnter­

pessoal , evit ando contradiçes de

princípi os.

e

comunicação

da

- Remunerações não condizentes.
- Insensibllldade social com des­

conhecimento dos beneficios re­

cebi dos.

9.°

- Falhas nas informações : impor­

10.0

- Falta de correspondênci a entre
responsabilidade e autoridade.

t unas e em tempo i nabll.

Atri bui uma coesão ao programa
cent rando

4.°
5.°

equipe.

esforços

pouco rendosos e superposição de

o

6.° - Conflitos e atritos de interesses

que dificultam as atividades simultâ­

neas do grupo, alterando a sistemática

4. 1 .

ses e necessi dades da população.
- Subestimação dos conceitos, ob­

5

- CONDICIONANTES E DIENSIO­
NAENTO
O condicionamento de uma equipe

de saúde depende do grau em que a
produzir

força de t rabalho vai
adequadas à reali dade

ações

( 13).

São elementos decisivos : a) n ível de

saúde da população ; b) desenvolvi ment o

de saúde pública da área; c) condições

sóci o-econômico-sanitárias da unidade;
d)

distribui ção

espacial

e

qualitativ a

dos equipament os d e saúde ; e) adequa­

8.°

Fort al ece as ações entre os pro­

ção da equipe ao programa a realizar.

9.°

fi ssionai s, o paciente e sua famí­
lia, para o al cance dos obj etivos.
assistência mais
uma
Propici a
de

vi dades especializadas presumi das, cuj o
somatório exi ge a anál1se do que se se­
gue : O QUE FAZER - Tipo de t rabalho

condi gna e humana, porque cada
paciente

todos.

10.°

é

responsabllldade

Os cust os são mai s razoáveis e os
cui dados de mai s alto padrão.
4.2. - Obst áculos no T rabalho de

Equipe

1.0

- Inadequação qualit ativa e quan­
titativa de pessoal .

DIMENSIONAMENTO - A ext ensão

da equi pe local est á em função das ati­

a reali zar, programa a ser cumpri do, tio
de assistênci a.
COMO FAZER - Utilizando o me­
lhor método : prático e efi ciente. ODE
FAZER - A plant a físi ca ou a localiza­

ção geográfica, da assistência a ser pro317

DOMINGES, E.F. - Trabalho de Equipe em Saúde Comunitária
Operacionlização
da Enfermagem e suas Implicações. ev. B. Ef.; DF, 34 : 314-326, 1981.

porcionada, afetará o tempo necessário

planejar

para completá-la. PARA QUEM - Saber

realização.

se a execução da tarefa exige profissio­
nal de maior ou menor qualificação.
Segundo especialistas da OMS ( 14) ,
o dimensionamento da equipe local de
saúde adaptável às condições brasilei­
ras, pode ser:

categorias: médico, atendente, visitadora
sanitária e fiscal ou auxiliar de sanea­
mento, seria condição indispensável ao
funcionamento da unidade.

2 - IDEAL - entre

15

a 20 cate­

gorias profissi0na!s: médico, sanitarista,
médico clínico, pediatra, enfermeiro sa­
nitarista e não sanitarista, auxiliar de
enfermagem, visitadora,
inspetor de
saúde, fiscal sanitário, técnico de labo­
ratório e de Raios X, pessoal de escri­
tório e limpeza.
-

POSSíVEL -

recrutado

em

curto espaço de tempo em nível local
para sanar a falta de pessoal especia­
llzado em saúde pública. O pessoal au­
xiliar seria treinado em cursos rápidos
'

para visitadora sanitária, atendente de
enfermagem e dentário. O enfermeiro e
médico

sanitaristas

seriam

reservados

para unidades de porte médio e grande.

3

indispensável em

qualquer

3.° ESPíRITO DE EQUIPE - Resu­
me-se no desejo mútuo dos componen­
tes do

grupo, de modo

coeso, unirem

forças em torno de um objetivo comum.
4.° NÚMERO DE PESSOAS - Deve
ser necessariamente estipulado, lhnit.­

1 - MíNIMA - constituído de 4

3

é

- ASPECTOS BASICOS PARA A DI­
NAMICA DO GRUPO
Uma atividade sincronizada requer

uma sistemática racional que facilita a

do e proporcional às necessidades, evi­
tando-se a formação de núcleos e sub­
núcleos, que geram capacidade ociosa,
reduzem a participação e dificultam a
liderança.

5.°

CONDIÇõES

FAVORAVEIS

-

Não só no que se refere ao preparo téc­
nico e científico do pessoal do grupo,
como também às facilidades físicas do
local de trabalho.
6.°

A

INTERCOMUNICAÇAO

maior integração de uma equipe está
vinculada a um bom relacionamento dos
seus membros entre si, com maior calor
humano no

atendimento ao paciente,

cujo comprometimento psicossomático é
inevitável.
7.°

SOMATIZAÇAO - A visão inte­

grada do processo de somatização do in­
divíduo como um todo visualiza a en­
fermidade or uma ótica psicossomáti­
ca, fato reconhecido pela OMS ao defi­
nir saúde-doença como resultantes da
1nteração de fenômenos bio-psico-sociais.
8.°

PARTICIPAÇAO

ATIVA

DOS

MEBROS - A contribuição de cada
indivíduo desenvolve um sentimento de
segurança, interesse, satisfação intima,

de

estímulo pelo trabalho, além de contri­

Estabeleci­

mento pelO lider do mérito ou esforço

mento das bases estruturais do progra­

individual é importante e se vincula à

ma de atuação sob os aspectos adminis­

produtividade.

interação

equie-paciente

através

(1) :

buir para ampliar a criatividade.
9.°

1.0

ORGANIZAÇAO

-

VALORIZAÇAO - O reconheci­

trativo e técnico com finalidade de um

10.° INVSTIGAÇAO - t um re­

rendimento mais produtivo dos recursos

curso vantajoso na busca de teorias que

existentes.

expllquem os fenômenos específicos er­

2.° PLANJAMENTO - FormUlação

tinentes à área de prestação de serviços

de programa de ação fixando os objeti­

a que o profissional se propõe. Sem pes­

vos, atividades e responsabilidades.

quisa, a sociedade não se beneficia.

318

O

DOMI NGES, E.F. - Trabalho de Equipe m Saúde Comunitária - Operacionalizaç.o
da Enfermagem e suas Implicações. ev. B. Enr.; DF, 34 : 314-326, 1981.

divergências em linhas de autoridade

ADEQUAÇAO - Faz-se neces­

11.°

.1ministrativa.

sário o ajustamento contínuo qualitati­

científica

gremia\,

e

entre os profissionais. A estes conflitos

vo e quantitativo às mudanças sociais,
com expectativas voltadas para as ne­

de comunicação, somam-se outros rela­

cessIdades reais da sociedade, decorren­

tivos a prOblemas institucionais, como:

tes do desenvolviment' científico e tec­

inconsistência ideológica, falta de deli­

nológico.

neamento, ansiedade de lucros e status,
carência econômica, uso ilícito de fun­

12.0 AVALIAÇAO - Torna-se impe­

dos, ou capitalização não justificada de

dosa uma revisão de produtividade em

contribuições do público, interferêneias

que se examinem os objetivos, a orga­

de cunho olítico, enfim, toda a gama

nização, a dinâmica e a realização das

de fatores que originam a crise que atra­

tarefas. O próprio grupo será o veículo
da

instrumentalização

para

autocrítica

na

prática

crítica

vessa a medicina em geral, atualmente.

e

A

assistencial.

8 - ENFOQUE A REALIDADE

verificação do desemenho do programa
deve ser periódica e sistemática, através

A idéia do trabalho de grupo está

do método de retroalimentação imedia­

vinculada

ta para cada dimensão operacionallza­
e

das

reestudar

um

outro

de

mudança

cepções competitivas existentes, face ao
predomínio da ideologia liberal, e que

planos.
-

necessidade

de saúde, visando a romper com as con­

sistema

com idéias renovadas e atualização dos

7

à

nas atitudes e motivações dos agentes

da, a fim de aontar as falhas cometi­

seriam

conflitivas com a

proosta do

trabalho de equipe, que requer coope­

DESAFIO DA LIDERANÇA

ração e delegação de funções.
A

A concepção do trabalho em equipe

escolha

do

líder na equipe

de

saúde, normalmente recaI sobre um dos

é muito válida, porém complexa.
Todo trabalho do grupo pressupõe a

profissionais médico ou enfermeiro, já

existência de uma liderança para coor­

que o primeiro é considerado prepon­

denar as atividades e traçar a política

derantemente líder técnico do sistema

a ser adotada. Alguém deve ser encar­

e o segundo é responsável pelo proces­

regado de levar o seu essoal a desem­

so terapêutico e atende especificamen­

penhar a função comum, que permita

te às necessidades básicas do paciente.

uma prestação satisfatória de serviços

Assim sendo, a execução do trabalho

.��i) grupos form.is, o líder é imosto

em equipe está merecendo critica cons­

nos informais, ele é eleito ou surge go­
zando

a

confiança

e

recebendo

trutiva e não nos pOderíamos omitir de

dos

fazê-la nesta oportunidade, para pes­

membros da equipe a autoridade (2).

quisa de sugestões do grupo.

O líder deve preencher una série

:m termos de realidade, a su. ope­

de requisitos compatíveis com a função.

racionalização deixa muito a

subordinada a uma personalidade equi­
ibrada e bastante forte, para e fazer

da dinâmica .ue gruo, que é fundamen­

obedecida e acatada, além de exercer

tada numa sistemática racional que traz

uma missão de presença.

vantagens para a clientela, a instituição

A liderança é uma das áreas de fre­
qüentes conflitos pela conhecida repeti­
ção amiudla de fatos ou aCQnteclmen­
tos resultantes da proporção de perso­
nalidanes autocratas do grupo, além da>

desejar,

indo de encontro aos prmcÍpios básicos

e logicamente para os integrantes da


equipe.
Existe,

portanto,

uma

dicotomia

entre teoria e prática, pela falta de in-

Trabalho de Equipe em Saúde Comni tária - Operacional1zação
da Enfemagem e suas Implicações. ev. Bas. Enf.; DF, 34 : 314-326, 1981.

DOMINGUES, E.F.

teração e integração no processamento

igualdade com o chefe hierárquico em

das ações,

gerando tarefas estanques.

situações ocasionais, demonstrando sua

com prejuizo para a assistência global

capacidade, grau de criatividade e ha­

do paciente e da comunidade.

bilidade

É assunto que comporta a interfe­
rência da enfermagem, não só por ser­
mos

parte

integrante,

como

de

atuar,

que

dependem

do

ambiente e das circunstâncias que en­
volvem as situações específicas.

também

Qualquer indivíduo pode ter capa­

pela decisão no posicionamento da clas­

cidade criativa no ramo que se profis­

tarefas pró­

sionallzou. Com o ensejo, ele revelará

prias, face ao desenvolvimento mundial

o que seja ético e que não o é dificulta

técnico-científico, ao contexto da reali­

certo ou errado, o bem ou o mal com

dade

autenticidade desde que lhe seja opor­
.
tuno opinar através da delegação de

se,

para redeiinições de

brasileira

e ao

desafio

"SAÚDE

PARA TODOS".
Em tese, se observa que no trabalho

oderes.

em equipe há sempre duas posições: a

Outra dificuldade a ser lembrada na

de dominante e de dominados fugindo

linhagem é que os indivíduos são influ­

ao critério de atingir o

enciados pelos conceitos éticos do grupo

"objetivo co­

mum". Vejamos esta dualidade de ocor­

a

rências: No caso em que todos os ele­

ético é moldado de forma a forçá-los a

mentos

uma restrição no atuar. A linha entre

multiprofisslOnais

estejam

si-

que pertencem ;

seu própriO código

tuados em igualdade de condições ou

o que seja ético e que não o é dificulta

em plano equivalente de "status", por

estabelecer-se uma conduta homogênea

certo a

pelo subalteno, paralela ao chefe hie­

categoria

profissional

médica

hegemonicamente será dominante e os
outros elementos da equipe dominados.

rárquico.
Face a estas considerações, o enfer­

Por sua vez, quando atua a equipe de

meiro

enfermagem com seu grupo de catego­

aberta para saber enfrentar a verdade,

moderno

precisa

ter

a

mente

rias especificas da estrutura ocupacional

saber

e mais os provisionados, ocorre coisa

ajustar-se à opinião alheia se mais cer­

semelhante,

ta do que a própria, saber conviver, co­

pois

o

enfermeiro

será

ouvir,

examinar,

ser

capaz

de

sempre o dominante, enquanto os de­

laborar e sobretudo delegar. Não exis­

mais, dominados.

tem estudos sistemáticos para eviden­
ciar este preparo; todavia, intuitiva­

Há uma tendência para o domina­
dor ver a sua autoridade como conven­
cional e contingente, cuja superioridade

mente, vê-se que é a filosofia mais cor­

deve ser demonstrada e inquestionável.

fundamentais

Em suas aspirações elevadas pode ocor­

adequado clima psiCOlógico de solver ou

rer que o mesmo veja os demais como

minimizar

competidores.

resultam em atritos.

Ninguém é dono da verdade,

reta

para

promover
da

as

classe,

problemas,

que

necessidades
criando

um

geralmente

por

Não podemos omitir uma verdade

isto, em condições de igualdade, cada

que se patenteia na filosofia da política

liderança

do trabalho de grupo: a existência de

no momento em que seu papel seja de­

uma competição interna entre os pro­

profissional

deve

assumir

a

cisivo no contexto da assistência ao pa­

fissionais, com medo da perda de papéiS.

ciente. sem haver fosso

Isto ocorre, logicamente, por determina­

(investida em

território inimigo). Significa dizer que

das causas que nem sempre estão epli­

a chance de liderança oortuniza mes­

citas de modo formal, mas que refletem

mo ao elemento subalterno ou hierar­

toda uma estrutura na qual estamos

quicamente inferior situar-se em pé de

inseridas:

320

DOMING UES , E.F. - Trabalho de Equipe em Saúde C omunitária - Operacionallzação
da Enfermagem e sua s Impl icações. Rev. Bas. Ef.; DF, 34 : 3 14-326, 1981.

a - Tradição hegemônica da pro­

em suas diferentes idades e etapas si­

fissão médica na área de saú­

tuacionais

de, cujos espaços têm que ser

crescimento,

conquistados através de inces­

por salvaguardar e recuperar a saúde.

santes disputas entre os demais

Ainda responsável pelo processo tera­

profissionais.

pêutico e atendimento às necessidades

b - Estímulo da sociedade à com­

de

seu

com

desenvolvimento
permanente

e

esforço

básicas do paciente, é necessário que ela

petição na medida em que va­

se posiCione no sistema de trabalho de

loriza títulos e cargos em troca

equipe de saúde, com envolvimento no

de trabalho, criando um am­

órgão central da estrutura Sanitária.
A intervenção da enfermagem va­

biente que dificulta ou impede
permuta de conhecimentos e

ria na forma de ser administrada e no
grau de intensidade de sua aplicação,

de ajuda mútua.
c - Exclusão imposta no ambiente
de trabalho, onde se faz pre­
sente a distinção "Homem -

de acordo com as limitações de ordem
físico-pisco-sócio-econômica

do

indiví­

duo e da comunidade.

Mulher" condicionando às cha­

Consideramos algumas razões enfa­

madas profissões femininas a

tizantes da contribuição que a enferma­

um certo ostracismo das fun­

gem é

ções públicas.

saúde.

d - Falhas na institucionalização e
definição conceitual dos papéis
corretos

das

profissões

para­

chamada a

dar na equipe de

ESTRUTURAÇAO - O com­

9.2.

promisso da enfermagem é expresso por
questões reais e vitais que possibilitam

médicas do sistema dos servi­

a existência de suas proprias zonas de

ços

a

atuação, por contar com agentes mul­

áreas

tiplicadores para a prática das tarefas

de

saúde,

dificultando

delimitação entre
de atuação.

suas

da classe, traduzidas com o assessora­
mento no trabalho pelo seu grupo de ca­

Trazer estas reflexões para o con­

tegorias específicas da estrutura ocupa­

texto do trabalho de equipe, nos pare­

cional,

ceu de grande importância. Apesar de

utilizar os seus auxiliares para ampliar

mais

os

provimentos.

Poderá

haver

entre

os

o mecanismo de integração equipe-pa­

necessidades

de

ciente, e assim lhe serão aumentadas as

segurança, afeto, aprovação social, pres­

margens de possibilidades para desem­

diferenças

homens,

todos

individuais

terão

penhar o

tigio e auto-realização.

papel

que os programas

de

saúde estão a demandar.
9 - EQUIPE

DE

A omposição da equipe de enfer­

ENFERMAGEM

magem comorta três escalões hierár­

S UAS IMPLICAÇõES

quiCOS
9 . 1 . CONSIDERAÇõES - A enfer­

perfeitamente

atribuições

específicas

distintos,

com

correspondentes

magem no seu significado mais amplo

ao nível de formação, além da partici­

e atual como profissão de saúde orienta

pação dos denominados "provisionados"

suas ações para a promoção, prevenção

(3) •

da saúde, recuperação e reabilitação das
doenças mais freqüentes que afetam

a

9.3.

INSTITUCIONALIZAÇAO

Existem leis fundamentais destinadas a

comunidade. Independenemente ou em

assegurar a unidade e a continuidade

coordenação

do grupo.

com

outros

profissionais,

prevê a função básica de ajuda e apoio,
que requer a comunidade e o indivíduo

Sociologicamente

está

firmada

a

profissão de enfermagem. Seu complexo

�21

rabalh o de Equipe em Saúde C omunitária - Operaci onalização
da Enfermagem e suas Implicações. Rev. Bs. Enr. ; DF, 34 : 314-326, 1981.

DOMINGUES, E.F.

profissional,

meio

é

institucional conta com curso de gra­

um grupo

duação e pós-graduação nas estruturas

muito pouco tempo para a sua eman­

século

universitárias, valendo-se de um corpo

cipação. Dai algumas dificuldades ine­

de conhecimentos obtidos por pesquisas

rentes a um empreendimento novo no

científicas, técnicas e valores profissio­

Brasil,

nais, que são transmitidos anualmente

campo da ciência. Para tanto, é impor­

que

busca

auto-afirmar-se

no

a cada grupo das novas gerações. Tal

tante considerar a contribuição que o

complexo foi estabelecido por meio dos

enfermeiro é chamado a dar, dentro dos

consensos sociais expressos na norma

novos esquemas de organização e fun­

jurídica de leis e na realidade de fatos

cionamento, que se propõe a conseguir
que os serviços de saúde possam atin­

comprovados.
São componentes do complexo ins­

gir as metas de ampliação de cobertu ­
ra. Dou meu testemunho de que as pes­

titucional ( 3 ) .

soas, até agora empenhadas na enfer­
1

-

Divisão de setores
te

corretamen­

hierarquizados

em

órgãos

-

Ocupações

técnicas e auxilia­

res participantes do desempe­
nho da assistência à saúde.
2

-

Conselhos Fderal e egionais
de enfermagem, órgãos insta­
lados para disciplina e ética do
exercício profissional.

4

-

Asosciaço
ral

5

-

por

"que" e "como" da

plexo institucional". O propósito deste
paralelo com o passado é dar conta de
coisas importantes que já aconteceram
com o grupo profissional, interferindo
hoje no seu "status".

É

justo valorizar

aspectos sutis da nossa infra-estrutura,
que se estão delineando com mais cla­
reza, dependendo muito da continuidade

de natureza cultu­

responsável

cansáveis sobre o

sua partiCipação na elaboração do "com­

de prestação de serviços.
2

magem brasileira, foram pioneiras in­

conduzir

das idéias e atuações contemporâneas.
O complexo institucional continua su­

instrumentos sociais o progres­

bordinado

so da enfermagem.

profissão, do ocupar um espaço devida­

Início de vid. sindical

nas

unidades de federação para de­
fesa dos interesses profissionais.

à

seriedade

do

assumir

a

mente, do participar ético de cada en­
fermeiro em seu posto de trabalho, com
a responsabilidade de levar para diante
a enfermagem.

São argumentos válidos

O que dá crédito a uma verdadeira

para uma perspectiva de conjunto? São

profissão não é o fato de serem seus

Interrogo :

justificativas de esperança no futuro da

participantes "liberais" ou "institucio­

nossa profissão? Afirmo que sim. Porque,

nais", mas, sim, o seu desempenho so­

apesar da não percepção por parte de

cial,

alguns enfermeiros, está em andamento

comunidade.

o processo de desenvolvimento da enfer­
magem ,

pois o complexo institucional

estará se completando, se aperfeçoan­
do, se radicalizando dia-a-dia, ano-a­
ano.

Aqui

procsso

é entendido como

"mudança contínua" de um objeto qual­
quer em direção definida.

sua conduta

sua contribuição à

Insta a cada enfermeiro se consci­
entizar dos seus novos papéis, preparar­
se científica e tecnicamente para exe­
cutá-los e esclarecer, com tato e diplo­
macia, as instituiçÕes onde trabalha.
9 .4.

POSICIONAMENTO

Desde 1925, a enfermagem se vem
corporificando e melhorando progressi­

Dentro da conotação atual, a pro­

vamente� No desenrolar da história de

blemática de saúde da população tem

322

D OMINGUES, E.F. - Trabalho de Equipe em Saúde C omunitária - Operacionalização
da Enfermagem e suas Implicações. ev. Brs. Ef.; DF, 34 : 314-326, 1981.

tendência

de

origem

sócio-econômica.

política e técnica, que aparecem para

ção de saúde,

oferecer uma assistência de cobertura.
A enfermagem sente-se no dever moral
e social de declarar explicitamente sua
POSIÇAO em relação ao papel que deve
assumir, contribuindo de modo e fetivo
no melhoramento do nível de saúde, co­
mo parte do desenvolvimento social ( l O ) .
Esta tomad. de posição deve ser no
sentido de comprometer-se com a co­
munidade, solidária aos seus direitos e
aspirações, estimulando suas potenciali­
dades de participação, para alcançar ní­
veis superiores de saúde e bem-estar,

situando-se no eixo

de

articulação da estrutura sanitária.
Esta integração lhe permite partici­
par na tomada de decisões dos organis­
mos que
nas

tratam

diferentes

dos problemas afins,
circunstâncias,

empe­

nhando-se para levar a voz participati­
va da própria comunidade.
9.5

-

NOVO PAPEL

O

exercício

de enfer­

profissional

magem na sua mais precisa e real di­
mensão' abrange uma seqüência de ati­
vidades de maior ou menor complexi­

respeitadas e tomadas em consideração

dade. Embora centradas nas necessida­

suas próprias decisões. Assim sendo, o

des básicas humanas, apresentam uma

enfermeiro integra e coordena suas ações

ampla constelação de modalidades para

com outras disciplinas e com outros se­

o seu desempenho profissional que pode

tores de desenvolvimento econômico e
social, a fim de concorrer com uma par­

ser assim Simplificada em quatro áreas
(lO) :

ticipação global na solução da proble­
mática de saúde, que surge das necessi­
dades existentes.
Na prestação dos seus serviços, a en­
fermagem adota o enfoque epidemioló­
gico,

aplicado nas

ações

de promoção

da saúde, na prestação de assistência e
na atenção curativa das patologias fre­
qüentes

na

comunidade,

previsível. As

atividades

de

evolução

desenvolvIdas

com este caráter deverão integrar-se no
sistema de saúde em função da atenção
primária. ou seja, no primeiro nível de
atenção

do

sistema

institucional

de

saúde.
Assumirá a responsabilidade de co­
ordenar as ações de saúde, para asse­
gurar uma adequada articulação deste
nível, com as intervenções

correson­

dentes aos outros níveis do sistema, que
de

forma

direta

ou

indireta

devem

apoiar os serviços de atenção primária.
Deste modo, utlizando as interrela­
ções do pessoal profissional e auxiliar
que compõe sua estrutura ocupacional,
a Enfermagem contribui com suas ações
nos diferentes níveis do sistema, como
parte da equipe responsável pela aten-

-

9.5. 1
Atenção direta ao indivíduo
e comunidade. Ocupa lugar fundamen­
tal, j á que as demais áreas existem em
função desta. Realizada através do em­
prego sistemático dos elementos do pro­
cesso de enfermagem : a) análise da si­
tuação ;

b)

definição dos objetivos;

c)

execução e avaliação dos cuidados, dan­
do margem à expansão do papel da en­
fermagem

na

atenção

mais

direta

à

saúde das pessoas e realizando ações de
diagnóstico e terapêutica.
9.5.2

- Pel

enfermagem

tem

na

educação

- A
de

responsabilidade

orientar o processo de formação e con­
tínuo

aperfeiçoamento

pessoal. Com este fim :

do seu próprio

orgniza

os con­

teúdos científicos e técnicos do ensino
- aprendizagem ;

aperfeiçoa

os métodos

e processos de aumentar a habilidade e
atitudes básicas de uma boa assistência ;

estrutura

currículos baseados nos novos

papéiS que a sociedade requer do pes­
soal de enfermagem.
9. 5.3 -

Pael de administração

A resonsabilidade da enfermagem nes-

323

DOMINGUES, E.F. - rabalho de Equipe em Saúde Comunitária - Operacionalização
da Enfermagem e suas Implicações. Rev. Bas. Enf.; DF, 34 : 314-326, 1981.

te setor, lhe exige habilidades que asse­

trabalhos

gurem uma efetiva utilização dos re­

gem

cursos humanos, materiais, financeiros

classe.

e técnicos, cuja competência requer co­

c)

nhecimentos de administração e ciências

e

científicos

atualização

para

recicla­

específica

Realização de pesquisa na área

da

para

aquisição de experiências e perícias

afins, para a prática de planejamento,

na prática dos conhecimentos pró­

normalização, auditoria e avaliação dos

prios. A pesquisa é um componente

programas. Para a extensão de cober­

de responsabilidade profissional do

tura e operacionalização da atenção pri­

enfermeiro prevista na Lei n.o 2.604/

mária, necessita reorientar a adminis­

65.

tração e procedimentos para conduzir
a participação da comunidade, agentes
de

saúde

e

do

10.

enfermagem.
9.5.4

-

Compromete

Face ao que ficou colocado conclui­
-

Papel de investigação
a

todos

os

membros

da

profissão, responsabilizando-os na utili­
zação total do processo científico e ava­
liação dos resultados para melhorar o
seu desempenho. Lembramos que, para
facUltar e oportunizar a operacional1za­
ção das suas tarefas, o enfermeiro tem,
como alternativa, promover freqüente­
mente recursos para formação de con­
sensos nacionais, tais como :
a)

Universo de omunicação

-

compreendermos melhor.

"consulta"

e

"prescrição"

Temos

versalidade, através das quais seja
existência

unificada

atividade

da classe,

desta recente

ainda executada de modo aleatório,
por uma minoria dos enfermeiros
atuantes.

Qual

a razão

desta

sua

impraticabilldade?
Provavelmente,
falta-lhe consolidação, consistência
e

popularidade,

que

consideramos

pré-condição, para a sua auto-afir­
mação . . . Lembramos que a consul­
ta de enfermagem, apesar de insti­
tucionalizada

da

última

década, falta-lhe ainda um

consen­

o

no

final

sobre o conceito e o elemento da

enfermagem que deve executá-la.

b)

Educação continuada

- através da

promoção de encontros, reuniões e
324

- A SAÚDE, como um componente
do bem-estar nas diversas dimensões da
vida pessoal e social, está estreitamen­
te relacionada com a reivindicação de
melhores condições de vida, alimenta­
ção, moradia, saneamento, salário j us­
to, educação, trabalho, repouso e meio
ambiente sadio.
- O direito inalienável das pessoas
à saúde implica no correspondente di­
da assistência condizente ao desenvol­
vimento técnico-científico atualizado.

a

da enfer­

magem, exigindo afirmação e uni­
a

se que :

reito de receberem oportuna e adequa­
utili­

zação dos mesmos termos para nos

divulgada

CONCLUSõES

grupo ocupacional de

- O maior suesso ao atendimento
ao paciente e à comunidade em qual­
quer setor de assistência à saúde e qual­
quer nível de prevenção, reside no de­
senvolvimento das atiyidades em equipe
de maneira efetiva, obj etiva e eficaz.
- Em termos de realidade e opera­
cionalização, o trabalho em equipe, atual­
mente, deixa a desejar, existindo uma
dicotomia entre a teoria e

a prática

observada no procedimento das ações,
com atividades estanques.
- Para corrigir esta distorsão de
valores e conduta, reitera-se a urgênCia
de mudança na visão filosófica e com­
portamental dos componentes da equi­
pe,

frente

a

problemática

de

saúde

atual.

- É

imperiosa

a

necessidade

do

enfermeiro promover recursos para for­
mação

de

"consensos

nacionais"

que

DOMINGES, E.F. - rabalho de Equipe em Saúde C omunitria - Operacionalzação
da Enfermagem e suas Implicações. Rev. Bs. Enf.; DF, 34 : 314-326, 1981.

identifiquem a atual situação profissio­

2-a - Divulgar

a

necessidade

de

nal, encontrando e adotando alternati­

cada profissional da equipe

vas de solução, que assegurem melhor
qualidade da assistência prestada à co­

ecificas,

munidade no trabalho de equipe.

mida por qualquer m dos

reconhecer em situações es­

- Ninguém deve ter atitude pessi­
mista

diante

dos

problemas

reais

seus

e

a liderança assu­

membros,

mesmo

que

seja um elemento hierarqui­

atuais. Cada enfermeiro comprometer­

camente subordinado.

se-á na colaboração total para o cres­

2-b - Associar total correspondên­

cimento da enfermagem, na medida em

cia entre autoridade e res­

que for capaz, com a utilização de todos

ponsabUldade

os recursos disponíveis.

para

o

líder

ocasional.
3-a - Mobilizar forças no sentido

11 - RECODAÇõES

de estabelecer uma postura
crítica no seu contexto, para

CONSIDERANDO :

aquisição progressiva de com­
petência na sua realização.

I - O complexo sistema psíquico e

3-b - Admitir que essa cometên­

somático do ser humano e a
impossibilidade de uma ó pes­

cia

soa atendê-lo em todas as suas

medida em que a qualidade

necessidades.

que

se

reconhecida

à

do trabalho se revela na to­
tência de enfermagem.

observância dos principios bá­
da

será

talidade da prática de assis­

2 - s incontestáveis vantagens na
sicos



dinâmica

de

grupo,

fundamentam

numa

RSUMO

sistemática racional de opera­
Neste relato, o autor tenta analisar

cionallzação do trabalho.
S

-

A

premente

necessidade

de

afirmação e universalidade da
consulta de enfermagem.

a dinamizção sistemática do TRABA­
LHO DE EQUIPE EM SAÚDE COMU­
NITARIA, realçando os fatores que di­
ficultam ou que facUltam as atividades
simultâneas do grupo.

RECOMNDAMOS :

A seguir, crítica a dicotomia entre a
l-a - Oferecer atendimento assis­
tencial de uma e quipe for­
mada

por

profissionais

de

teoria e a prática observada no proce­
dimento das ações, gerando tarefas es­
tanques e reduzindo

a

potencialidade

das atuações coletivas, para atingirem a

áreas diferentes, que implica
na variedade dp conhecimen ­

multicausalidade dos problemas de saú­

tos, de personalidade e sen­

de do indivíduo como um todo.

sibUldades,
as

complementando

observações

e

anulando

conceitos errôneos.
l-b - Levar em conta que todas as
necessidades sejam respeita­
das e valorizadas, não como

s vemos, mas como o
individuo as vê dentro da
nós

sua problemática assistencial .

É

também focalizada a posição da

enfermagem para executar o seu pro­
cesso de trabalho, através dos recursos
disponíveis

que otimizam a realização

de m programa assistencial de maneir.
efetiva e condizente com as exigências
do

desenvolvimento

técnico-científico

atual, atendendo à demanda das neces­
sidades reais do pais.
325

DOMINGUES, E.F. - Trabalho de Equipe em Saúde Comunitária - Operacionalização
da Enfermagem e suas Implicações. ev. Bs. Enf.; DF, 34 : 314-326, 1981.

the actions producing tight tasks and

SUMMARY

reducing the capacity of the collective
In this report the author tries to

performance to reach the multicausality

analyse the sistematic dynamization of

of .he problems of the individual as a

community

whole. It 1S aIso focalised the nurslng

the working staff
healtk

emphasizing

in

the

the

factors

that

make harder or easier the simultaneous
activities of the group.

between

the

and

theory

the

practic observed in the procedures of

available

resources

that

make good the realization of an effective
assistencial

The author also criticize the dicho­
tomy

position in relation to its working pro­
cess, by the

the

actual

program

appropriated

technical

scientific

to

deve­

lopment attending the demand of the
real needs of the country.

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