História da legislação do exercício da enfermagem no Brasil.

HISTORIA DA LEGISACAO DO XERCfclO DA ENFERMAGEM NO
BSIL
H I STO RY OF T H E N U RS I N G P RACT I C E LEG I S LATI O N I N B RAZ I L
H I STO RIA D E LA LEG I S LAC I O N PARA E L EJ E RC I C I O D E LA E N F E R M E RiA
E N B RAS I L
Taka Oguisso l

RESUMO : Relata a g rande contri bu iy80 da Associay80 Brasileira de E nferm agem (AB E n ) no estudo,
d iscuSS80 e aprovay80 das leis e demais atos normativos q u e causam g rande i m pacto a p rofi sS80
da e nfermage m . Cabe destacar que a A B E n sempre trabalhou de uma forma m u ito ativa , pacifica ,
correta e alta neira , com uti lizay80 de a rg u m entos tec n i cos e dados documentais para 0 convencimento
de a utoridades legis lativas e executivas na busca dos objetivos fi nais q u e a classe necessitava .
PALAVRAS-C HAVE : legislay80 em e nfe rmage m , exercfcio p rofissional da e nfe rmagem , h i st6ria da

leg islay80 em e nfermagem , A B E n

INTRODUCAo
o estudo d a h i stori a e i m porta nte para descobrir ca m i n hos percorridos pelas g e ra;oes
passadas e e ntender as razoes q u e motiva ram a esco l h a d e d eterm i n ados percu rso s , cujas
conseq uencias pod e m esta r refletindo na s itu a;ao presente .
Da mesma forma , 0 futuro sera u m a conseq uencia o u u m reflexo d a situ a;ao presente .
Tod a s as d escobertas cientifica s , ass i m co mo a co nq u ista d e g ra n d es fe itos em q u a l q uer
ca m p o , sej a 0 esportivo, a rt istico , tecnolog ico o u soci a l , fora m p reced i d a s de m u ito tra b a l h o ,
dedica;a o , persevera n;a , sacrificio e lutas.
A H i storia da Enfermagem Bras i l e i ra esta re p l eta d e nomes d e grandes e i n ca nsaveis
pioneiras, cujos feitos se refletem ate os dias d e hoj e e as gera;oes atuais pod e m d esfrutar dos
i n contave i s b e n efic i o s , e s p ec i a l m e n t e no c a m p o da l e g i s l a ; a o p rofi ss i o n a l . A l g u m a s
considera;oes sobre 0 passado constituem, porta nto , ponto d e partida indispensavel para ava l iar
os esfor;os e as lutas que cercaram a promu l ga;ao de todos os d i plomas legais de determi na;ao
do curricu lo m i n i ma de enfermagem, de reg ulamenta;ao do exercicio da profissao, ou de contrale
d a c1asse pela propria cl asse . Ass i m , esta res e n h a co nstitu i um res u mo d e d i versos tra bal hos
de estudiosos e enfermeiros que testemu nhara m e/ou acompanhara m a evolu;ao da enfermagem
no Bras i l ; q u e sentiram e viveram as m u itas d ific u l d ad es e sacrificios e nfrentados pela classe;
q u e vibraram com as conq u istas; e por isso mesmo, deixaram para a E nfermagem u m patri monio
d e tra d i ;oes e l utas h i storica s .
Como ja se repet i u m u itas vezes , a p a r t i r d a cria;8o d a Associ a;8o B ras i l e ira d e
Enfermagem (AB E n ) , e m 1 926 , p e l as form a n d a s d a pri m e i ra t u rm a d a Escola d e E nfermeiras
do Departamento Nacional d e Saude P u b l ica , atu a l m e nte , Esco la de E nfermag e m Anna N e ry,
da U n iversidade Federal do Rio de Janeiro ( U F RJ ) , fu ndada em 1 92 3 , ( Decreto 1 6 . 30 0 , de 3 1 de
d ezem bro de 1 92 3 ) a h i storia da Enfermagem bra s i l e i ra se confu n d e com a h i storia da AB E n .
( B RAS I L , 1 974)

1 Enfermeira e advogada. Professora Itula, do Depatamento de Olentayeo Pofissiona, da
Escola de Enfermagem da Univers/dade de Seo Paulo.

R Bras. Enferm. , B ra s i l i a , v. 5 3 , n A , p . 1 97-20 7 , abr./j u n . 2 0 0 1

1 97

H i st6ria da legislayao . . .

Para fi ns d id aticos e para fac i l itar a com p reensao, 0 estudo d a h i st6ri a d a leg islaya o
profiss ional foi e l a borado obed ecend o-se aos seus d iversos ca m pos especfficos , ou sej a , a
legislayao do e n s i n o , e m n ivel s u perior e medio e do exerc icio profissional separadamente, e
em ordem cronol6g ica , embora os fatos possam ter ocorrido de forma concomitante. 0 presente
tra b a l h o , e ntreta nto , i n cl u i apenas a parte do exercicio profissiona l , por entender-se q u e esse
ca mpo abrangera maior n u m ero de i nteressados nessa leitura .

A LEGISLACAO DO EXERC(CIO DA ENFERMAGEM
CON S I D E RA; O ES PRE L I M I NARES
o exercfcio de qualq uer trabalho, oficio ou profissao esta regula mentado pela Constitu iyao
( a rt . 5 ° , i nciso X I I I ) ( B RAS I L , 1 98 9 ) , desde q u e satisfeitas as q u a l ificayoes esta belecidas e m
l e i s especifica s . D e no m i n a m-se p rofi ssoes l i b e ra i s a s atividades d e s e m p e n h a d a s co m
independencia e a utonomia a u m a l ivre cliente l a .
Entreta nto , dessa ideia nao se excl u i a poss i b i l idade d e s e r 0 profissional ou trabal hador
l i bera l suscetfvel d e um contrato d e tra b a l h o , e m que se d etermi n e ou se evidencie u m a
s u bord i nayao, reg u l a d a e proteg i d a pelas l e i s tra b a l h i stas . Ass i m sendo, trad icional mente, 0
carater d isti ntivo da p rofissao l i bera l esta p r i n c i p a l mente em ser u m a profissao cujo exercfcio
depende d e con h eci m e ntos acad e m i cos especfficos o u cujo exito decorre da maior o u menor
ca pacidade i ntelectu a l do profission a l . Ass i m , se 0 profissional exerce sua profissao a p l icando
con hecime ntos cientfficos o u i ntelectu a i s , nao i m porta que e l e a exerya com dependencia
a d m i nistrativa ou n a o . E por essa razao que 0 exerc icio d a profissao l i beral depende de u m
titu lo d e h a b i l i tayao ou q u a l ificayao, como u m d i ploma , exped ido d e acordo com u m a l e i .
o parametro esta belecido e m tod a s as normas legais do Pa is oferece proteyao nao s6
aos q u e exercem a atividade, mas ta m b e m a s pessoas a q u e m essa atividade e d i ri g id a .
EVOLU;A o H I ST O R I CA D A LEG I S LA;A o
H istoricamente , a legislayao pa ra a formayao da parte i ra , considerando seu vinculo com
faculdades de medici n a , teve i n icio com um Decreto sem n u mero de 3 . 1 0 . 1 832 e a do exercfcio
profissional com 0 Decreto 828 , de 2 9 . 0 9 . 1 85 1 , que dispunha sobre 0 Reg u l a mento da J u nta de
H ig i e n e P u b l ica , e m q u e os med i cos, cirurg ioes , botica rios , d entistas e parte i ras deveria m
apresentar s e u s d i plomas n a Corte e P rovincia do Rio d e J a n e i ro . Es pecifica mente sobre
enfermagem 0 pri m e i ro d i s positiv� legal ocorreu somente no alvorecer da Repu b l i ca , com 0
Decreto 791 , de 27.09 . 1 890, ( B RAS I L , 1 974) criando a pri meira escola profissional de enfermeiros
e enferme i ra s , de dois a n os de d u rayao e a u las m i n istradas por med icos , atu a l m e nte , Escola
de E nfermagem Alfredo P into , d a U n iversidade do Rio de janeiro ( U N I R I O ) , como rel ata Moreira
( 1 990 ) . E m 1 92 1 e a p rovado u m reg u la mento para 0 serviyo d e saude do Exercito, em q u e os
enferme i ros sao i n c l u idos como parte do pessoal s u baltern o , j u ntame nte com pad ioleiros e
outros auxi l i a res.
N a area civil , 0 Decreto 1 5 . 79 9 , d e 1 0 . 1 1 . 1 92 2 , ( B RAS I L , 1 974 ) a p rovou 0 reg u l a mento
do Hospital Gera l do Departa mento N acional de Saude P u b l ica , q u e na ocasiao ja mencionava
q u e , a n exo ao Hospita l , seria cri a d a a Escola de E nfermeiras desse Departamento . Somente
em 1 92 3 , 0 Decreto 1 6 . 3 0 0 , d e 3 1 . 1 2 . 1 92 3 , ( B RAS I L , 1 974 ) ao aprovar 0 reg u l a mento do
Departamento Nacional de Saude P u b l ica e a fisca lizayao do exercicio profissional de med icos ,
fa rmaceuticos , dentistas , enfermeiros e parte i ras, criou ta mbem u m a escola para enfermeiras,
atu a l mente, a Escola d e E nfermagem Anna N e ry, d a U n iversidade Federal do Rio de J a n e i ro
( U F RJ ) . N a parte referente ao exerc icio, 0 enfermeiro v i n h a enfi l e i rado j u nto com massagistas,
manicuros, ped icuros e o ptometristas que deveri a m i n c u m bi r-se do trata mento de doentes.

1 98

R. Bras. Enferm. , B ras i l i a , v. 54 , n . 2 , p . 1 97-207, ab r /j u n 200 1
.

.

O G U I SS O , .

M a s , se praticassem atos sem ord e m medica sofrer i a m as p e n a l i d a d es previstas no mesmo
reg ula mento.
o Decreto 20 . 1 09 , de 1 5-06-3 1 , declarava e m sua e m e nta , que prete n d i a reg u l a r " 0
exercfcio da enferma g e m no B ra s i l e fixar as cond i;6es para eq u i para;ao das escolas d e
enfermagem". ( B RAS I L , 1 974) E ntreta nto, apenas 0 artigo 1 0 tratava do exercicio da enfermage m ,
ao esti p u l a r q u e s o mente pod e r i a m usar 0 titulo d e e nfermeiro d i plomado, o u as i n ic i a i s
correspondentes a e s s a s p a l avra s , se 0 profi s s i o n a l fosse d i plomado p o r escola ofi c i a l o u
eq u i parada n a forma d a l e i e tivesse 0 d i ploma reg istrado no Departamento Nacional de Saude
P u b l ica . Os d e m a i s a rtigos e ra m todos re lacionados co m 0 ensino d a enfermagem .
Posteriormente , 0 Decreto 2 0 . 9 3 1 , d e 1 1 . 0 1 . 3 2 , ao d i s por sobre a reg u l a m e nta;ao e
fisca l iza;ao d o exerc icio da m ed i c i n a , odontologia e med icina veteri naria , reg u lava ta m b e m as
profiss6es do fa rmace utico , d a parteira e d a e nferme i ra . N o toca nte a enfermag e m , nao havia
ainda preocu pa;ao e m defi n i r 0 q u e esse profissional d everia fazer, mas era-Ihe proibido i nstalar
con s u l t6rio para ate n d i m e nto de cl iente. 0 Decreto esti p u l ava que e m caso de fa lta g rave , 0
enferme i ro poderia ser s u s penso d o exercicio o u ser d emitido, se exercesse fun;ao p u b l ica .
A Lei 7 7 5 , d e 06 . 08 . 1 94 9 , ( B RAS I L , 1 974 ) d i s p u n h a sobre 0 e n s i n o de enfermagem no
P a i s , mas i n cl u i u um preceito referente ao exercicio profissional no a rt . 2 1 , d ispondo q u e "as
i n stitu i;6es hosp ita l a re s , p u b l icas o u privad a s , d ecorridos sete anos a pos a p u b l ica;ao d esta
lei , nao poderi a m contratar, para a d i re;ao dos seus servi;os de enfermagem, senao enfermeiros
d i plomados" . Esse a rtigo foi de g ra n d e va l i a , u m a vez q u e a Lei 775/49 n u nca chegou a ser
revogad a , e decadas mais tard e , Hderes d a Enfermagem a i n d a usavam esse preceito lega l .
Somente n a decada d e 50 houve a aprova;ao d e u ma lei especifica que tratava efetivamente
do exercicio da E nferm a g e m . Foi a L e i n o . 2 . 604 , de 1 7 . 0 9 . 5 5 , ( B RAS I L , 1 974 ) q u e defi n i u as
categorias q u e pod eriam exerce r a E nferm a g e m no P a i s e revogou d iversos d i s positivos q u e
tratava m d e categ orias q u e seri a m posteriormente exti nta s , m a s exist i ra m por m u ito tempo
como gru pos residuais da enfermagem. Eram os enfermeiros praticos, os praticos de enfermagem ,
os enfermei ros assistente s , assiste ntes d e e nferm a g e m , enfermeiro m i l itar, atende ntes entre
outras i n u meras denomi na;6es .
E m abril d e 1 954 , u m a com issao gover n a m e nta l q u e estud ava 0 Plano de Class ifica;ao
de Cargos dos Servidores P u b l icos C ivis d a U n i a o p u b l icou os resu ltados, onde a enfermagem
havia sido classificada entre os servi;os profissionais d e n ivel med io, com venci mentos i nferiores
aos dos tecn i co-cientificos , onde estava m os profissionais de n ivel u n i versitario. A AB E n , n a
epoca pres i d i d a p o r D ra . G l ete d e Alcantara , v i n h a oferecendo s u bs id i os a essa comissao e
ma nteve encontros formais com seus d i rigentes para sol icitar revisao d os n iveis salariais dos
enfermeiros nos servi;os p u b l icos fed e ra is e a u ta rq u icos . Esse estudo, ja como projeto de l e i ,
tra mitou no Congresso N acional e acabou sendo aprovado como a Lei no. 3 . 780, de 1 2 . 0 7 . 1 960,
( B RAS I L , 1 974 ) d ispondo sobre a C lass ifica;ao d e Cargos do Servi;o C ivil do Poder Executivo ,
e teve u ma grande i nfluencia na e nferma g e m . As d i versas denomina;6es existentes, a e poca ,
na enfermagem foram red uzidas d e acordo com as regras d e e n q u a d rame nto por s i m i laridade
d e atri b u i ;6es e res po n s a b i l i d a d e s . Essa L e i a pe s a r d e n a o tratar es pecifica mente da
enferma g e m , causou enorme i m pacto n a profissao , pois 0 e nferme i ro foi e n q u ad rado como
profissao tecn ico-cientifica d e n ivel s u perior no servi;o p u b l i co fed e ra l . C o m isso , foi a berto 0
caminho, para q u e nos ambitos estadual e m u n icipal , pa u lati na mente , fosse 0 enfermeiro tambem
reconhecido como categoria d e n ivel u n iversitario com rem u nera;ao correspondente.
A a;ao d a A B E n fo i d ecis iva nessa i nc l u s a o , ta nto e m n ivel federa l , como depois em
cada Esta d o , onde as se;6es estad u a i s d a A B E n partici param ativa mente para que fosse
recon hecido 0 n ivel tecnico-cientifico ou u n iversitario aos enfermeiros, no ambito estad u a l . Como
refere CaValho ( 1 9 76 ) , d e fato , os p r i m e i ros atos l e g i s lativos na enfermagem nao tivera m a
participa;ao d i reta da AB E n , mas e Hcito i nferi r q u e esta , perfeitamente entrosada com 0 Servi;o
de E nfermeiras do Departamento N acional de Saude Publica , nao permaneceu tota l mente alheia

R. Bra. Enfer. , Bras ilia , v. 5 3 , n A , p . 1 97-20 7 , a b r./j u n . 2 0 0 1

1 99

H i st6ria da legis la:ao . . .

a s d i l igencias rea l izadas por esse servi:o, das q u a i s res u ltara m esses atos .
Ou ase seis a nos a pos a promu lga:ao da Lei 2 .604/55, 0 Decreto no. 50 .387, de 2 8 . 0 3 . 6 1 ,
( B RAS I L , 1 974) veio reg u l a mentar 0 exerc fcio da e nfermage m . Pela pri me i ra vez h ouve u m a
tentativa d e d efi n i :a o do exercfcio d a enfermagem, porem essa defi n i:ao estava restrita a s
seg u i ntes atividades : o bserva:ao e c u i d a d o de doente, gestante e acidenta d o ; a d m i n istra:a o
de medica m e n tos e trata m entos prescritos pelo medico; ed u ca:ao san itaria ; e , a p l i ca:ao de
med idas de preven:ao de doen:a s . Defi n i u tambem tod as as categorias q u e poderia m exercer
legal me nte a profissao, inclusive as o bstetrizes e partei ras . Havia porem i ndefi ni:ao de fu n:6es
de enfermage m , entre todas as categorias existentes. 0 enfermeiro era d iferenciado das demais
categorias por q u atro fu n :6es , que nao e ra m propriamente de e nferm a g e m . Ass i m , alem de
poder exercer "a enfermagem em todos os seus ramos", 0 enfermeiro pod eria admi nistrar servi:os
de enfermag e m ; partici par do ensino em escolas de enfermagem e de a u x i l i a r de enfermagem
ou de tre i n a mento d e pessoa l ; d i r i g i r e i n s pecionar escolas de enfermagem e p a rticipar d e
ba ncas exa m i nadoras d e praticos d e enfermagem em concu rsos . H avia ta mbem a rtigos q u e
tratava m d o s d everes e das pro i b i :6es para todo 0 pessoa l de enferm a g e m .
C o m o 0 tecn ico de enfermagem nao existia n a e poca da aprova:ao d a Lei 2 . 604/55 e do
Decreto 50 . 3 8 7/6 1 , essa categoria ficaria sem fu n:ao legal d u ra n te os vinte a nos a pos sua
cria:a o , nao fossem as fu n :6es defi n i d a s no Parecer do Conselho Federal de Educa:ao n o .
3 . 8 1 4/76 . ( B RAS I L , 1 976) As fu n:6es d efi n idas nesse Parecer para 0 Tecnico de Enfermagem
e para 0 Auxi l i a r d e E nfermag e m tem va lor h i storico , porq u e n a epoca 0 texto d a legis la:ao do
exerc icio profissional era a i nd a u m proj eto em estudo . M a s , constata-se q u e as atividades
espec ificas d escritas posteriorme nte na Lei n o . 7498/86 ( B RAS I L , 200 1 ) e no Decreto no.
94 .406/8 7 , ( B RAS I L , 20 0 1 ) do Exerc icio Profissional g u a rd a m grande semel h a n :a com as
Reso l u :6es do Conselho Federal d e Educa:ao, ma ntendo-se i n c l u s ive varios de seus termos .
J a 0 decreto reg u l a mentador faz desdobra m entos d essas fu n:6es, deta l ha n d o e explicitando
as a:6es para cad a u ma d essas categori a s .
AAB E n fo i a pri m e i ra org a n i za:ao profissional de enfermagem a s u rg i r, no P a i s , dentre
os tres ti pos de entidades de classe e fo i tambem responsavel pel a cria:ao dos outros d o i s :
Conselhos d e E nfermagem e S i n d i catos d e Enfermeiros. N a decada d e 7 0 , a g ra n d e vitoria
con q u i stada pela ABEn foi j u sta me nte a cria:ao dos Consel hos d e E nfermagem e e m seg u i d a ,
na mesma d ecad a , os S i n d i catos d e E nfe rme i ros . A m u ltipl ica:ao d e entidades d e classe na
enfermage m , como e m q u a lq u e r o utra profissao , e u m a decorrencia d o proprio crescime nto e
especifica:ao d e atri b u i:6es .
M u ito e mbora a AB E n , como esta reg istrada em sua historia , em i n u meras oport u n id ades
tenha saido e m ca mpo para defender i nteresses, inclusive econ6micos da profissao , na verdade
ela nao t i n h a e nao tem competencia legal para isso. Se a l g u mas d ecadas atra s , essa
incom pete ncia nao era a rg u id a , hoj e j a nao sao a d m itidas i nterfe re ncias dessa ord e m pe los
proprios orgaos p u b l icos .
H i storicamente os enfermeiros come:aram a sentir a necess idade de ver a profissao
reg u l a mentad a , e m face d a pro l ifera:ao de d iferentes gru pos de pessoas , com peq ueno ou
n e n h u m prepar� , desenvolvere m ta m be m atividades de enferm a g e m . A solu:ao, i d e ntificada
pelas enferm e i ras p i o n e i ras na ocas i a o , era a cria:ao de u m Conselho d e E nfermage m .
Vinte e o ito a nos de l uta fora m necessarios para q u e a AB E n conseg u isse tornar realidade
a Lei que rece beu 0 n u m ero 5 . 90 5 , ( B RAS I L , 1 973) d e 1 3 d e j u l h o d e 1 973 e que criou os
Consel hos Federal (CO F E N ) e Regionais de Enfermagem (CORE N ) , estes em ambito estad u a l .
Mesmo n a o esta ndo, na e poca , ainda regu lamentadas as fu n:6es d o s tecnicos de enfermagem,
o CO F E N , fu nda menta ndo-se na legisl a:ao do ensino, criou tres q u a d ros d isti ntos para fi ns de
i nscri:a o : O u a d ro I, de e nfe rmei ros e o bstetrizes ; O u a d ro I I , de tecnicos d e enferma g e m ; e,
Ouadro I I I d e a u x i l i a res d e enferm a g e m , praticos de enfermagem e parteiras pratica s .
A Lei 749 8 , de 25-06-8 6 , e o Decreto 94 .406, ( B RAS I L , 200 1 ) de 08-06-87 , constituem os

200

R Bras. Enferm. , B ras ilia , v. 54 , n. 2 , p . 1 97-2 0 7 , ab r. /j u n . 2001

O G U I SS O , T.

atu a i s d i s positivos l e g a i s do exercicio p rofissional d a E nfermage m , e viera m s u bstitu i r a Lei
2 . 6 04/55 e 0 Decreto 50 . 38 7/6 1 que tivera m vigencia por m a i s d e d u a s decad a s . Na nova L e i
nao houve u m a red efi n i �a o do q u e s e r i a a enferm a g e m , mas esta b e l ece a s com p etencias
privativas do enfermeiro , inclusive no tocante a consu lta e prescri�ao da assistencia de enfermagem
e os cu idados de enfermagem de maior complexidade tecnica , inexistentes na legisla�ao a nterior.
Fora m tambem inclu idas as atri bui�6es dos tecn icos e auxiliares de enfermage m , sempre
sob orienta�ao e s u pervisao do enfermeiro . Essa Lei , no a rt . 2 3 , dava um prazo de dez a nos, a
contar d a pro m u lga�ao d a mesma , isto e , 1 98 6 , para q u e 0 pessoal q u e estivesse executa ndo
ta refas d e enferma g e m , sem poss u i r forma�ao especifi ca , p u d esse conti n u a r a exercer essas
atividades , desde que devida mente autorizado pelo Conselho Fed era l de Enfermagem (CO F E N ) .
I sso s i g n ificava q u e fi ndos os d ez a n o s , isto e , e m 1 996 , todos d everi a m esta r devi d a m e nte
q u a l ificados. E ntreta nto , a Lei 8967 , ( B RAS I L , 1 994 ) de 28-1 2-94 , veio a ltera r a reda�ao d o art.
23 d a Lei 7 . 498/86 , asseg urando "aos atendentes de enfermagem a d m itidos a ntes d a vigencia
desta Lei , 0 exercicio das ativid ades elementares de enfermagem", sob su pervisao do enfermeiro .
S ITUA; A o ATUAL D A LEG I S LA; A o DO EXERC [ C I O
A C onstitu i �a o Bras i l e i r a , ( B RAS I L , 1 989) de 1 98 8 , asseg u ra a todos o s d i reitos a
s a u d e , sob res ponsa b i l idade do Estado (art . 1 96 ) , med i a nte pol iticas socia is e economicas q u e
visem a red u�ao d o risco d e doen�as e de outros a g ravos assi m co mo 0 acesso u n ivers a l e
i g u a l itario aos servi�os q u e visem a promo�a o , prote�ao e recupera�ao d a sa u d e . Da prioridade
as a�6es e servi�os p u b l icos d e saude i ntegrantes de u m s istema reg ional izado e h ierarq u izado
que constit u e m siste m a u n ico de saude ( S U S ) , e ad m ite que a i n ici ativa privada ta mbem pode
oferecer servi�os d e assistencia a saud e .
A Constitu i�ao afirma a i nda q u e " e l ivre 0 exercicio de q u a lq uer trabalho, oficio o u profissao,
atend i d a s as q u a l ifica�6es profissionais q u e a l e i esta bel ecer" ( a rt . 5c, item X I I I )
A Lei das Contraven�6es Penais (art . 47) ( B RAS I L , 1 985) preve q u e "exercer profissao o u
atividade econ o m ica , o u a n u nciar q u e a exerce , sem preencher as con d i �6es a q u e p o r l e i esta
s u bord i n a d o 0 seu exerc icio" constitu i u ma contraven�ao pen a l ( i nfra �ao menor q u e 0 cri m e )
s ujeita a pena d e prisao s i m p l es o u m u lta . 0 e l e m ento m o r a l d a s contraven�6es e a si m p les
vol u nta riedade da a�ao ou o m issa o , isto e , para 0 recon h ecime nto de fato contravencion a l , nao
ha necess i d a d e d e dolo ( i nten�ao) o u d e c u l p a .
o C6digo Civil B rasileiro, art . 3° disp6e q u e " n i nguem se escusa de cumprir a l e i , alegando
que n a o a con hece" . Esse d i s pos itiv� e ratificado pelo C6d igo Penal a rt . 2 1 , ( B RAS I L , 1 985)
q u e esta bel ece q u e " 0 desconheci mento d a lei e i nescusave l . 0 erro sobre a i l icitud e do fato , se
i n evitave l , isenta d e pe n a ; se evitavel , pod era d i m i n u i - I a d e um sexto a um ter�o " .
Ass i m , q u e q u a l ifica�6es ou co n d i �6es seri a m a q u elas? N a o se trata evidenteme nte de
u ma q u a l ifica�ao, capacidade o u a ptidao fisica ou mental e n e m mesmo tecn ica , mas de
capacidade lega l . Obviamente, ca pacid ade leg a l s u p6e capacidade tecnica e profissiona l , mas
s6 esta e i n s uficiente para 0 exerc icio l e g a l d a profi ssao . E 0 que ocorre com as pessoas
forma d a s e m o u tros p a i s e s , q u e , para tra b a l harem e m nosso p a i s , n ecessita m reva l i d a r ou
reg i strar seus t itu los . Pode ocorrer ta m b e m com q u a l q u e r pessoa q u e , esta n d o formad a , n a o
reg i stra seu titu l o e m 6rgao d isci p l i nador d o exercici o .
E necessario lembra r ta mbem q u e a atu a l Constitu i�ao bras i l e i ra ( a rt . 5° , i nciso XXX I I ) ja
previa q u e 0 Estado promoveria a d efesa do con s u m idor, e que competia a U n iao ( a rt . 24 , i n ciso
V I I I ) leg islar sobre responsa bilidade por d a no ao consu midor. Com isso, a aprova�ao do C6d igo
de Defesa do Cons u m i dor, ( B RAS I L , 1 998) Lei n o . 8 . 0 7 8 , de 1 1 -09-90 , e ra uma conseq uencia
da Constitui�a o . Esse C6digo afi rma q u e a prote�ao da vid a , saude e seg u ra n�a constituem u m
dos d i reitos basicos d o consu midor contra riscos provocados por servi�os considerados perigosos
ou nocivos. N este caso 0 profissio nal de enfermagem seria 0 fornecedor ou prestador do servi�o

R. Bra. Enfer. , B ra s i l i a , v. 53, n A , p . 1 97-20 7 , abr./j u n . 200 1

201

H i storia da legisla:ao .

.

e o cliente/paciente 0 consu midor d esse servigo. Alem d isso, a l i b erdade de exercer a profissao
o u ativi d a d e , asseg u rada pela Constitu i ga o , estara l i m itada pel as co n d i goes de q u a l ificagao
profissional q u e a lei esta bel ecer. No caso d a enfermagem q u a l seria essa l e i ?
LEG I S LA;A O PRO F I SS I ONAL D E E N F E RMAG E M
A L e i n ° 7 . 4 9 8 , ( B RAS I L , 200 1 ) d e 2 5 de j u n h o d e 1 98 6 , reg u l a mentada p e l o Decreto
94 .406, de 8 de j u n h o de 1 98 7 , trata do exercicio profissional da enfermage m . Essa Lei d i spoe
em seu a rt . 1 0 q u e "e l i vre 0 exercicio da enfermagem e m todo 0 territorio naciona l , observadas
as d is posigoes desta Le i " .
E m q u e consiste 0 exercicio d a enfermagem? Q u e m pode exercer legal mente a profissao
de enfermagem no Pa is?
A res posta e dada pelo Decreto n° 94 .406, ( B RAS I L , 2 00 1 ) de 8 de j u n h o de 1 98 7 , q u e
especifica q u e " 0 exercicio da atividade de enfermagem, observada as dispos igoes da L e i 7.498/
8 6 , e respeitados os g ra u s de h a b i l itagao, e privativ� do E nfermeiro, Tecnico de E nfermagem,
Auxi l i a r d e Enfermagem e Parte i ro e so sera permitido a o p rofiss i o n a l i n scrito no Conselho
Reg ional de E nferm agem d a respectiva Reg i a o " . Alem d e d efi n i r q u e m sao cada u m dos
profissionais a ntes mencionados, 0 Decreto 94 .406/87 d escreve as atri b u i goes para cada uma
dessas categorias d o pessoa l d e e nfe rm a g e m . Para 0 e nfermeiro sao d escritas as atividades
privativas e as que deve rea lizar como i ntegra nte de eq u i pe d e saude. Porta nto , aquele q u e nao
poss u i um d esses titulos ta mbem nao pod e , legal mente , exercer a enfermage m .
E m v i rtude d a carencia de recu rsos h u manos d e n ive l med i o nessa area , entreta nto , a
Lei 7 .498/86, ( B RAS I L , 200 1 ) no art. 2 3 , permitiu q u e 0 pessoa l , sem formagao especifica , ta is
como os atende ntes de enfermagem e agentes d e saude, que se e n contrava m executando
ta refas de enfermagem cont i n u assem nessa ativid a d e desde que a utorizado pelo Conselho
Federal d e E nfermage m . Pore m , essa autorizagao , que exp i raria e m j u n ho d e 1 996 , isto e , dez
a nos apos a pro m u lg agao daquela Lei , teve seu texto a lterado pel a Lei 8 . 96 7 , ( B RAS I L , 1 994 )
d e 28 d e dezem bro d e 1 994 , conforme acima mencionado.
Porta nto , nao existe mais prazo legal q u e obri g u e as pessoas a m paradas pela Lei 8 . 967/
94 ( B RAS I L , 1 994) a buscar uma formagao especifica . 0 M i n isterio d a S a u d e , preocu pado com
o pro b l e m a , atraves de p roj etos como 0 P R O FA E - P roj eto de P rofi s s i o n a l izagao dos
Trabal hadores da area de Enfermagem , pretende profissional izar esses trabalhadores , inclusive
os atendentes de enfermagem , a fi m de m e l horar a q u a l idade dos servigos de saude.
A titularidade constitu i , pois, cond igao d e ca pacidade tec n i ca para 0 exercicio p rofissional e m
q u alquer profissao. D a i a i m porta ncia q u e a lei confere a q u a l ificagao ou ao titulo profissional de
acordo com 0 grau d e prepar� e formaga o . Por isso, na d ivisao d o tra b a l h o d e enfermagem, as
atividades mais com p l exas e d e ma ior responsa b i l id a d e fora m atri b u idas aos enferme i ros ,
profissionais de maior preparo academico .
o Decreto 94 .406/87 ( B RAS I L , 200 1 ) e m u ito c l a ro ( a rt . 8 0 ) sobre a q u elas atividades
privativas d e d i regao e l id era nga do enfermeiro , assi m co mo d e p l a n ej a mento, org a n izagao,
coordenagao , execugao e ava l i agao d a assistencia d e e nfermagem exercida nos orgaos d e
e nfermag e m , aq u i i n c l u idos todos os n iveis d a estrutura i nstitucio na l , p u b l ica ou priva d a , tais
como coordenadorias , consu ltorias, aud itoria s , assessoria s , departa mentos , divisoes , servigos
ou segoes de enfermage m . Alem dessas atividades de c u n h o i ntelectua l ou ad m i n istrativo ,
cabem a i n d a ao enfermeiro em carater p rivativ� a consu lta e prescrigao d a assistencia de
enfermagem , assi m como os cu idados d i retos de e nfermagem a pacientes graves com risco de
vida e os d e maior com plexidade tecn ica e que exij a m conheci mentos cientifi cos adeq u ados e
capacid ade d e tomar decisoes i mediatas.
Como i ntegrante d e eq u i pe de saude, 0 enfermei ro tem no i nciso I I do mesmo art. 80, um
elenco de 1 7 atividades , onde ele participa na ela boragao , no planejamento, execugao e aval iagao

202

R. Bras. Enferm. , B ra s i l i a , v . 54 , n . 2 , p . 1 97-20 7 , abr./j u n . 200 1

O G U I SS O , .

d e pia nos e progra mas d e sa u d e , d e assiste ncia i ntegral a s a u d e i n d ivid u a l e de g ru pos
especificos , particu larmente daqueles prioritarios e de a lto risco , prevengao e controle da i nfecgao
hospita l a r, de educagao san itaria , de vig i l l ncia e p i d e m io l og ica , de p rojetos de construgao ou
reforma de u n i d ades de saude, de tre i n a mento de pessoa l d e saude, ass i m como na prestagao
de assistencia o bstetrica e execugao de parto sem d i stoci a , em situ agao d e emergenci a , entre
outras fungoes .
Os profissio n a i s portadores do t itu l o d e o bstetriz, e nfe rme i ra obstetrica (art . 9 ° ) ou
enfermeiro o bstetra (art . 1 2 , parag rafo u n ico ) , alem das atividades j a mencionad a s , podem
ta m b e m : presta r assistencia o bstetrica a partu rie nte e ao parto norma l , ass i m como identificar
d i stocias o bstetricas e to mar providencias ate a chegada d o med i co e rea l izar epis i oto m i a s e
episiorrafia s , com apl icagao d e anestesia loca l , q u a ndo necessa ria . 0 parteiro ou partei ra pode
presta r assistencia a gesta nte e a partu riente, assistir ao parto norma l , inclusive e m domicilio e
cuidar da pu erpera e do recem-nascid o . Essas atividades d evem ser exercidas sob su pervisao
d e e nfermeira o bstetrica , q u a ndo rea l izadas e m i nstitu igoes d e saude e , sem pre que possive l ,
s o b controle e su pervisao de u n id a d es d e s a u d e , q u a n d o rea l izad as e m domici l i o .
A s fu ngoes d o s tecnicos d e enfermagem e d o s a u x i l i a res d e enfermagem tambem estao
d escritas no mesmo Decreto (art . 1 0 e 1 1 ) , ca b e n d o- I h es atividades a u x i l ia res de n ivel med i o
tecn ico, i n c l u s ive as de assistencia d e e nfermag e m , excetuadas as privativas do enfermeiro e
as espec ificas d e assistencia o bstetrica referidas no a rtigo 9° d esse Decreto .
Todos os profissionais d e enfermagem d evem s e m pre ter a mao 0 texto da Lei 7 . 498/86
e do Decreto 94 .406/8 7 para poderem consu ltar e esclarecer d uvidas , sem pre q u e necessario.
Os C O R E N S , d e u m modo gera l , tem p u b l icado exe m p l a res e m ta m a n hos variados tanto d a
Lei e seu Decreto , c o m o do C o d i g o d e E tica dos Profissionais d e E nfermagem (COF E N , 200 1 )
( Resolugao C O F E N 240/2000) q u e fac i l ita te-Ios no bolso au bolsa . Dada essa fac i l id a d e , nao
se acrescentam esses textos como a n exo ao presente tra b a l h o , pelo contra rio, esti m u l a-se
sua a q u i s i ga o o u b usca na sede d a entidade d e seu res pectiv� Estado .
A Associagao Bras i l e i ra d e E nferm a g e m , n a e poca pres i d i d a por Dra . C i rce d e Melo
Ri beiro , teve i nfl uencia d ecisiva n a inclusa o d e u m a d escrigao pormenorizada e ava ngada das
fu n goes ca racteristicas e tipicas d e m u itas espec i a l idades dos enfermeiros, n a p u b l i cagao
" C l a ssificagao B ras i l e i ra de Ocu pagoes" pelo M i n isterio d o Tra b a l h o , e m 1 977 : a ntes mesmo
que algu mas dessas especialidades se firmassem no cenario dos servigos de saude, em hospitais,
a m b u l atorios e outros. Essa descrigao aj u d o u ate mesmo na i nsergao d e a l g u ns desses
especial istas nos respectivos campos de trabalho, como ocorre u , por exemplo, com 0 enfermeiro
do tra b a l h o . A C lassificagao B ras i l e i ra d e Ocu pagoe s , ( B RAS I L , 1 994 ) cuja u ltima versao fo i
p u b l icada pelo M i n i sterio do Traba l h o e m 1 994 , e u m docu m e nto pouco d ivulgado entre
enfermeiros e demais membros da eq u i pe de e nfermage m , mas d everia ser melhor con hecido
pelos profissionais i nteressados e m um d ocu mento governamental que descreve os parametros
do exercicio da enfermagem , conforme reco m e n d a m Oguisso e Schmidt ( 1 999 ) .
F i n a l mente, 0 Conselho Federa l d e Enfermagem (CO F E N ) , p o r m e i o da Resolugao 1 86/
9 5 , defi n e e especifica as atividades elementares de enfermag e m , executadas por atendentes
e pessoal assemel h a d o , isto e, pessoal sem formayao especifica reg u l a d a e m l e i , como sendo
a q u e l a s que "co m pree ndem agoes de fac i l execugao e entend i m e nto , baseadas e m sa beres
s i m pl e s , sem req uererem con h ec i mento c i e ntifi co , adq u i ri d a s por meio d e tre i n a m ento e/o u
pratica ; req u erem d estreza m a n u a l , se restri n g e m a situagoes d e rot i n a e d e repetiga o , nao
envolvem cu idados d i retos ao paciente , nao coloca m e m risco a com u n id a d e , 0 a m b i e nte e/ou
a saude d o executa nte , mas contri b u e m para q u e a assiste ncia d e e nfermagem seja mais
eficiente" . Essas atividades relaciona m-se basica m ente com a h i g i e n e , conforto e transporte do
paciente , com a org a n izagao do a m b i ente , com a s co nsu lta s , exames e trata me ntos e co m 0
obito .

R Bra. Enfer. ,

Brasilia, v. 5 3 , n A , p . 1 97-207 , abr./j u n . 2001

203

H i st6ria da leg i sla:8o . .

O S VETOS AO P ROJ ETO D E L E I
Alguns a rtigos da Lei 7.498/86 ( B RAS I L , 200 1 ) foram vetados pelo Presidente d a Republ ica
e houve outros d ispositivos q u e nao havia m side inclu rdos. Entre eles encontrava m-se dispositivos
a rrojados q u e os I fd e res de e nfermag e m , na e poca , tentara m asseg u ra r aos enferme i ros, tais
como: a inclusao obrigatoria d e orgaos d e e nfermagem na estrutura da a d m i n istra:ao s u perior
(art. 5°); a utonomia tecn ica no planeja mento, execu:ao e ava lia:ao dos servi:os e da assistencia
de enfermagem ( a rt . 1 0 ) ; exercfcio privativ� de d i re:ao de esco l a , chefi a de departa m ento e
coordena:ao d e cursos para forma:ao d e pessoal d e enfermagem em todos os graus ( a rt . 1 1 ,
i nciso d ) ; a i nc l u sa o d o e n s i n o d e e nfermagem d e 1 ° g ra u como parte das atri bu i:6es do
enfermeiro e do tec n i co de e nferm a g e m ; 0 exerc rcio do magisterio nas d i s c i p l i nas espec fficas
de enfermag e m , no 20. e 30. g ra u s , obedecidas as d i s posi:6es legais relativas ao ensino; entre
outros.
o Proj eto d e Le i , pore m , n a o cont i n h a d i s pos itivos refere ntes a d i mensiona mento dos
recu rsos h u manos necessarios para uma adeq uada ass istencia d e enfermagem , ass i m como
os relacionados com as cond i :6es d e tra ba l h o . Estes sao, na verdade aspectos co m p l exos ,
porq ue dependem de planta ffsica , tipo e caracterrsticas da institui:ao, caracterrsticas da clientela
ate n d i d a e ti pos d e c u i d ados q u e n ecess itam ( i ntens ivos , semi-i nte nsivos , i ntermed i a rios,
prolongados , m r n i mos, a m b u latori a i s , residenciais ou d o m ic i l i a rias ) , ca racterrsticas do servi:o
de enfermagem (fi losofi a , p rog ra m a s , categorias do pessoa l , horarios de tra b a l ho ) e poderia
com petir a chefia de um servi:o d e enfe rmag e m , d i mensionar no seu loca l de tra b a l h o a
q u a ntidad e , por categoria dos recu rsos h u manos necessarios, para poder oferecer servi:os d e
enfermagem c o m a q u a l idade req ueri d a . Oiveira ( 1 986) refere mesmo q u e se 0 Projeto de L e i
nao atend i a , p o r i nte i ro , tod as as a s p i ra :6es profissionais d o s e nfermeiros, ate porq u e m u itas
delas pod i a m ser i n corporadas o u desdobradas poste riormente e m seu reg u l a mento, era
i m porta nte verificar-se os g ra n d es ava n:os q u e a profi ssao poderia a lcan:ar com a aprova:ao
do texto co mo ele se e ncontrava .
o desco n h eci mento, pelos legisl adores e a utoridades do Pars, da verdadeira d i mensao
da enfermagem co mo profissao, com seus estudos e pesq u i s a s , ou 0 temor de estarem
conced endo excessivo pod er ao enfermei ro , bem como a existencia d e legisla:ao especffica na
area de ed uca:ao ta lvez possa exp l i ca r os vetos e a fa lta de aco l h i d a a essas propostas dos
I fd eres d a enfermage m da epoca .

CONCLUSOES
Como se ve enferme i ros e profissionais de enfermagem a i n d a tem mu ito a l utar para ver
reco n h ecidas a ca pacidade e potenci a l i d a d e profissiona i s . E ntreta nto , a sociedade nao I hes
dara esse reconhecimento como uma dadiva , mas devera ser conq uistado com maior envolvimento
das novas geray6es de enfermeiros, nao apenas como bons profissionais de ensino, de assistencia
ou de pesq u isa , mas tambem no ca mpo socio-po l ltico , dentro do cenario brasileiro , come:a ndo
pelos orgaos d e classe como a Associ a ya o B ras i l e i ra d e E nfermag e m , dar ascendendo para
posi:6es no legislativo e no executivo , seja no a m b ito m u n ic i pa l , estad u a l ou fed era l .
H a exemplos, n o passa d o , nao m u ito d i sta nte d e u m enfermeiro, Sa mora Mache l , q u e
tendo s i d o u m m i l itante enfermeiro, passou a lutar p e l a i n d ependencia de s e u p a r s e term i n o u
vitorioso e m 1 97 5 , q u a n d o se tornou 0 pri m e i ro pres i d e nte da Republ ica de Moya m b i q u e . E m
outr� pars africa n o , Ango l a , tres e nfermeiros j a ocu para m 0 cargo de M i n i stro da S a u d e . M a s ,
mesmo na Europa e na Asia ha exemplos de enfermeiros q u e ocu param esse cargo n a s decadas
d e 80 e 9 0 .
E necessario q u e os atu a i s I fd e res d a p rofissao comecem a preparar 0 terre n o ,
descobri ndo o s futuros lideres e preparando-os para assumir s u a posi:ao n a sociedade, tra:ando

2 04

. Bras. Enferm. , B ras i l i a , v. 54, n . 2 , p . 1 97-2 0 7 , ab r /j u n . 2001
.

O G U I SS O , .

as metas desejadas e ela bora n d o as estrateg ias q u e poss i b i l item alcan;a-I as. S6 assi m , seria
poss l v e l d e i x a r p a ra as novas g e ra;oes u m a E n ferm a g e m a b r a n g e n t e , res p e i t a d a e
profissionalmente va lorizad a .

ABSTRACT : T h i s a rticle outlines the contri bution of the B razi l i a n Association of N u rsing (AB E n ) i n the

study, d iscussion and a p p roval of laws a n d reg u l ations that have significa nt impact on the n u rs i n g
p rofess ion. I t poi nts out t h a t A B E n has a lways had a n active, pacific and accu rate w a y o f work i n g . It
e m phasizes that the association has dealt with de law making-body and executive mem bers of the
government, based on tec h n ical arg u m e nts and secondary data i n order to comply with the n u rs i n g
p rofess i o n a l ' s n e ed s .
KEWORDS : n u rsing leg islation , n u rsing professional practices, h i sto ry o f the n ursing leg islation

Relata la contri buci6n que la Asociaci6n B rasileia de E nfermerfa (AB E n ) h a dado para
el estudio, d i scusi6n y a p robaci6n de las leyes y demas actos normativos que h a n tra fdo u n g ra n
impacto positivo a la profesi6n de e nfermerfa. Cabe destaca r que la A B E n siem pre h a trabajado de
una forma muy activa , padfica , correcta y digna, con a rg u m e ntos tecn icos y datos docu mentales para
co nvencer a l a s a utoridades l egi sl ativas y ejecutivas en la busqueda y a l c a n ce de los objetivos
fi nales que la clase ha necesitado.
RES U M E N

-

PALABAS C LAVE : legislaci6n en enfermerfa, ejercicio profesional de la enferme rfa , h i stori a de la

legislaci6n en

enfe rmerfa

REFER�NCIAS BIBLIOGRAFICAS
B RAS I L . Decreto n . 828, de 29 de setembro de 1 85 1 . Manda executar 0 reg ulamento da J u nta de
Hygiene P u b l i c a . I n : B rasi l . Le i s , d e creto s , etc . Co/ec:ao das L eis do Imperio do Brasil R i o d e
Janeiro : Typogra phia Nacion a l . Tomo 1 4 , pa rte 2a, Seyao 59, p . 259.
B RAS I L . Decreto 791 , de 27-09- 1 890 . Cria no Hosp fcio Nacional de Alien ados uma escola profissional
de enfe rm e i ros e enferme i ras. Enfermagem, /egis/a:ao e assunlos corre/alos. 3 . ed . Rio de J a n e i ro :
M i n i sterio da Saude/Fund ayao Servi yos de Saude P u b l ica , 1 974 . v. 1 , p . 26-2 7 .
B RAS I L . Decreto no. 1 5 . 799 , de 1 0- 1 1 -2 2 . Aprova 0 reg u lamento do Hospital Geral de Assi stl ncia d o
Departa me nto Nacional de S a u d e P u blica. Enfermagem, /egis/a:ao e assunlos corre/alos. 3 . e d . Rio
de Janeiro : M i n isterio d a Saude/F u n da yao Serviyos de Saude Publ ica, 1 974. v. 1 , p . 55-6.
B RAS I L . Decreto 1 6 . 3 0 0 , d e 3 1 - 1 2-23. Aprova 0 reg u lamento do Departamento Nacional de Saude
Publica. Enfermagem, /egis/a:ao e assunlos corre/alos. 3 . ed . Rio de J a n e i ro : M i n i sterio da S a u del
Fund ayao S e rviyos de Saude P u b l i ca , 1 97 4 . v. 1 , p . 57-66 .
B RAS I L . Decreto 20. 1 09 , de 1 5-06-3 1 . Reg u l a 0 exerc fcio da enfermagem no B rasil e fixa as co ndiyoes
de equiparayao das escolas de enfermagem . Enfermage, /egis/a:ao e assunlos corre/alos. 3. ed .
Rio de Janeiro : M i n isterio da Saude/ F u n dayao Serviyos de Saude Publica, 1 97 4 . v. 1 , p . 68-72.
B RAS I L . C6digo Pen a l , 1 94 0 . Novo Codigo Pena. Decreto-Iei n. 284 8 , de 07- 1 2- 1 94 0 , atualizado
pela Lei n . 7209, de 1 1 -7-1 984 . 2 3 . e d . Sao Paulo: S a raiva, 1 985.
B RAS I L . Lei das Contravenyoes Penais. Decreto n . 3688, de 03- 1 0- 1 94 1 . Sao Paulo: Saraiva, 1 98 5 .
Art. 47 .

. Bras. Enfer. , B ra s f l i a , v. 5 3 , n A , p . 1 97 -20 7 , abr./j u n . 2 0 0 1

205

H i st6ria da legislagao . . .

B RAS I L . Lei n . 7 7 5 , d e 6 d e agosto d e 1 949. Dispoe sobre 0 ensino d e enfermagem n o Pais e da
outras p rovidencias . Enfermagem, /egis/ageo e assunlos corre/alos. 3. ed. Rio d e Janeiro : M i n i sterio
da Saude/F u n dagao Servigos de Saude Publ ica, 1 974 . v. 1 , p. 1 54 - 1 57 .
B RAS I L . Lei n . 2 . 604, de 1 7 de setembro de 1 95 5 . Reg u l a 0 exercfcio da enfermagem profissiona l . I n :
M i n i sterio d a S a u d e , F u ndagao Servigos de Saude P u b l i c a , Enfermagem, /egis/ageo e assunlos
corre/alos. 3 . ed . v. 1 , p . 1 7 7-1 79.
B RAS I L . Lei 3 . 78 0 , de 1 2 de julho de 1 96 0 . Dispoe sobre a Classificagao de Cargos do S e rvigo Civil
d o P o d e r E x e c u t i vo , e sta b e l e ce o s v e n c i m e ntos corre s po n d e n te s e d a o u tras pro v i d e n c i a s .
Enfermage, /egis/ageo e assunlos corre/alos. 3 . e d . R i o de J a n e i ro : M i n i sterio da Saude/Fundagao
Servigos de Saude P u b l i ca , 1 974. v. 1 , p. 1 88-209.
B RAS I L . Decreto 5 0 . 3 8 7 , de 28-03-6 1 . Reg u l a menta 0 exercfcio da enfe rmagem e suas fungoes
auxiliares no territ6rio nacio n a l . Enfermagem, legis/ageo e assunlos corre/alos. 3. ed . Rio de Janeiro :
M i n i sterio da Saude/Fundagao Servigos de Saude Publica, 1 974. v. 1 , p . 2 1 7-222 .
B RAS I L - M i nisterio da Educagao e C u ltura . Parecer 3 8 1 4/7 6 . Documenla, B ras ilia , n . 1 92 , p . 1 7-32 ,
B ra s i l i a , 1 97 6 .
B RAS I L . L e i n . 5 . 90 5 , de 1 2 de j u l h o de 1 97 3 . D i s poe sobre a criagao d o s Conselhos Federal e
Reg ionais de E nfermagem e da outras p rovidencias . Diaio Oiia/ da Umao, B ra s i l i a , 1 8 de j u l de
1 97 3 . Segao 1 .
B RAS I L . Lei 7498 , de 2 5-07-86 , dispoe sobre a reg ulamentagao do exercfcio da E nfermagem e da
outras p rovidencias. I n : Conselho Reg ional de E nfermagem , C O R E N - S P. Documenlos baseos de
Enfermagem. Sao Paulo, 200 1 .
B RAS I L . Decreto 94 .406, de 0 8 . 0 6 . 8 7 . Reg ula me nta a Lei n o . 7498/8 6 , que d i s poe sobre 0 exercfcio
d a enfermagem e da o utras p rov i d e n c i a s . I n : Conse l h o Reg i o n a l d e E nfe rm a g e m , C O R E N -S P,
Documenlos basicos de Enfermagem. Sao Paulo, 200 1 .
B RAS I L . Consltuigeo da Repub/ea Federaliva do Brasl, promu lgada em 5 de outubro de 1 988. Serie
Leg isl agao B rasileira , o rg a n izada por J ua rez de Oliveira . 2. ed . Sao Paulo: Saraiva, 1 989.
B RAS I L . Lei n . 8078, de 1 1 de setembro de 1 990. D i s poe sobre a p rotegao do co n s u m i dor e da
outras providencias. In: COD/GO do Consumldo. Rio de Janeiro : Esplanada, 1 998. (Colegao ADCOAS ) .
B RAS I L . M i n i sterio do Trabalho. Secreta r i a de Pol iticas de E m prego e Salario. C/assificageo Braslleira
de Ocupa90es - C BO-94 . B ras i l i a , 1 974. p . 1 0 1 - 1 0 5 , 1 38 , 1 45 , 282-285.
B RAS I L . Lei n ° 896 7 , de 28 de deze mbro de 1 994 . Altera a redagao do a rt . 23 d a Lei n. 7 .4 9 8 , de 25Asseg u ra ao atende nte adm itido a ntes da vig€mcia desta Lei , 0 exercicio das atividades
elementa res de e nfermagem , observado 0 disposto no a rt. 1 5 . Diaio Ocia/ da Umo , B ra s i l i a , 29 de
dez. de 1 994 .

0 6 - 1 986 .

CARVA L H O , A . C . Associageo Brasi/eira de Enfermagem. 1926- 191, Documenlario. B ra s i l i a : AB E n ,
1 97 6 .
C O N S E L H O F E D E RAL D E E N F ERMAG E M (COF E N ) - Resolugao 1 86/95. Dispoe sobre a defi n i gao
e especificagao das atividades elementares de enfermagem executadas pelo pessoal sem formagao
especffica reg ulada em lei . Documenlos baseos de Enfermagem. Sao Paulo: C O R E N -S P, 200 1 . p .
1 42 - 1 4 3 .

206

. Bras. Enferm. , B ras i l i a , v. 54 , n. 2 , p . 1 97-207 , abr./j u n . 2001

O G U I SS O , .

C O N S E L H O F E D E RAL D E E N F E R MAG E M ( C O F E N ) - Resol u yao 240/2000. C6digo de E tica dos
P rofissionais de E nfe rmage m . Documentos basicos de Enfermagem. Sao Paulo: C O R E N - S P, 200 1 .
p . 277-289.
M O R E I RA , A. Escola de EnfermagemAlfredo Pinto 100 anos de Histaria. 1 990. Dissertayao ( M estrado)
- U n iversidade do Rio de J a n e i ro - U N I R I O , Rio de J a n e i ro .
-

O G U I S S O , T; SC H M I DT, M . J . 0 exerclcio da enfermagem
LTr, 1 999.

-

u m a abordagem eti co-Ieg a l . Sao Paulo:

O L I VE I RA , M . I . R . - Etica e Leg islayao n a E nfermagem - comentarios gera i s . Re . Bras. En, B ras i l i a , v.
39, n . 1 , p . 67-70, j a n ./mar. 1 986.

R Bras. Enferm. , B ras i l i a , v. 53 , nA, p . 1 97 -20 7 , abr./j u n . 2 0 0 1

207

Documento similar

História da legislação do exercício da enfermagem no Brasil.