A salinidade das águas superficiais e sua interferência nas condições sócio-econômicas na sub-bacia do rio Cabaceiras - Curimataú Paraibano

 1  24  46

METODOLOGI A

58

4. METODOLOGIA
De acordo com os objetivos propostos, o trabalho foi desenvolvido em
etapas como seguem:

4.1. C ARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL E SOCIOECONÔMICA DA ÁREA DE ESTUDO.
Nesta caracterização foram obtidas informações sobre:
4.1.1. Situação e localização da região da sub-bacia do Rio Caraibeiras e
sua rede hidrográfica.
4.1.3. Aspectos ambientais tais como: clima, temperatura, precipitações
pluviométricas, solos, vegetação e relevo.
4.1.2. Aspectos socioeconômicos como: tipo de agricultura praticada, áreas
irrigadas, atividades pecuaristas, serviços públicos de saúde,
saneamento básico, renda familiar e escolaridade, apoiados por
dados da PEA (População Economicamente Ativa), IPEA (Instituto de
Pesquisa

Econômica

e

Aplicada),

IDEME

(Instituto

de

Desenvolvimento Municipal e Estadual da Paraíba), FNS (Fundação
Nacional de Saúde) e IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística). Os dados socioeconômicos das comunidades locais
foram adquiridos através de questionários próprios aplicados in loco.

A caracterização dos aspectos físicos se pautou em estudos já realizados
como mapas de solos, vegetação, mapa geológico, cartas topográficas em escala
1:100.000, auxiliados por dados da SEMARH-PB (Secretaria Extraordinária do Meio
Ambiente, dos Recursos Hídricos e Minerais), CAGEPA – PB (Companhia de Água e
Esgotos da Paraíba), SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste)

59

e IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis).

4.2. CARACTERIZAÇÃO
AMOSTRAS.

E IDENTIFICAÇÃO DOS

AÇUDES

PARA

COLETA

DE

No trabalho de campo foram efetuadas identificações dos açudes e
selecionados aqueles para coletas das amostras de água, sendo posteriormente as
mesmas analisadas no Laboratório de Saneamento Ambiental do CEFET/PB e no
Laboratório de Saneamento do CT/DTCC na Universidade Federal da Paraíba.
Os açudes selecionados foram correlacionados com uma zona de influência
bem caracterizada que lhe confere uma condição de ponto chave. Além disso, foram
considerados na seleção desses açudes os usos múltiplos da água, sua capacidade
e atividades em seu entorno.

4.3. D ETERMINAÇÃO DOS PONTOS DE AMOSTRAGEM
Essa etapa foi realizada em paralelo com a etapa 4.2.
Uma estação de amostragem representa uma posição espacial bem
definida, seja seção de um rio, ponto de um lago ou reservatório em profundidade na
coluna d’água.
Em lagos, açudes e reservatórios os pontos de amostragem dependem
totalmente dos objetivos, tais como uso na agricultura, indústria e abastecimento
público. Um ponto de amostragem, quando o uso preponderante da água for o
abastecimento público, deve ser próximo à tomada d’água.

60

Assim, na determinação da amostragem foram considerados: os pontos de
tomada d’água para consumo humano, usos do solo, pontos de lançamento de
esgotos domésticos, entre outros.

4.4. D EFINIÇÃO DA FREQÜÊNCIA DE COLETA E PARÂMETROS
Para o estabelecimento da freqüência de coleta, foi levado em consideração
o objetivo do estudo e as variações sazonais, que podem ocorrer em lagos e
açudes. Estas variações estão relacionadas com fenômenos de estratificação,
mistura e modificações da biota.
De acordo com a NBR 9897/1987, na amostragem de rotina a freqüência
adotada deve ser a bimestral. Essa freqüência deve aumentar nas estações
próximas aos locais de maior uso e cobrir os períodos de seca e de chuva. No
trabalho em questão a freqüência adotada foi a bimestral.
Considerando

os

objetivos

do

trabalho,

os

parâmetros

adotados

determinados em amostras de água foram aqueles relacionados com a alcalinidade,
dureza, cloretos, condutividade elétrica e sólidos dissolvidos totais. Todas as
análises foram realizadas de acordo com os métodos de Stardard Methods (APHA,
1971), CETESB (1978) e das Normas Analíticas de Adolf Lutz (1985).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

RES ULTADOS E DI S CUS S ÃO

62

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.1. ANÁLISE SÓCIO-AMBIENTAL DAS COMUNIDADES: Barra de
Santa Rosa, Riachão, Santa Rosa e Poleiros.

Na sub-bacia do Rio Caraibeiras as condições de vida, estão relacionadas
aos fatores naturais que resultam em problemas típicos do semi-árido, tais como:
nível de desnutrição, mortalidade infantil, mortalidade materna, déficit escolar, déficit
habitacional, saneamento básico e alimentação.
Quanto às atividades econômicas, estas comunidades foram grandes
produtoras de algodão e de agave, especialmente na década de 70. Foi a praga do
bicudo e a falta de incentivos agrícolas aliadas às condições naturais (solo, clima)
desfavoráveis, provocaram o declínio dessa atividade. Hoje, a maioria dos
moradores sobrevive da aposentadoria e de empregos relacionados a serviços
administrativos.
Segundo dados divulgados pela Secretaria de Saúde do Município (2001), a
condição de saúde foi melhorada mediante programas assistenciais do Governo
Federal. Através dos planos governamentais o Ministério da Saúde criou em 1994
vários programas de assistência social para os municípios; um deles é o Programa
Saúde da Família (PSF). Esse programa tem como propósito, reorganizar a prática
da atuação na saúde em novas bases e substituir o modelo tradicional, levando o
médico para mais perto da família, e com isso melhorar a qualidade de vida dos
brasileiros (Ministério da Saúde, 2002).

63

5.1.1. COMUNIDADE BARRA DE SANTA ROSA

A cidade de Barra de Santa Rosa originou-se a partir da propriedade do Sr.
José dos Santos de Oliveira que ficava situada às margens do Rio Curimataú. Sua
implantação se deu por volta de 1800 e foi emancipada como cidade em 1948. O
nome “barra” é em virtude do encontro dos rios Santa Rosa e Poleiros.
Barra de Santa Rosa ocupa uma área de 768 Km2, com um contingente
populacional

de

6.742

habitantes.

Fatores

ligados

ao

êxodo

rural-urbano,

mortalidade infantil, condições naturais insatisfatórias levam a população a migrar
para outras regiões a procura de melhoria de vida (IBGE, 2000).
Quanto aos serviços de saúde a comunidade é servida por 01 hospital, com
33 leitos e 04 postos de saúde. De acordo com a Secretaria de Saúde do Município,
as doenças mais freqüentemente encontradas são: alcoolismo (ALC), deficiência
física (DEF), diabetes (DIA), epilepsia (EPI), hipertensão arterial (HA) e hanseníase
(HA), entre outras menos representativas como a malária, tuberculose, distúrbio

Nº de casos

mental e chagas. A Figura 17 apresenta as doenças mais comuns.

900
800
700
600
500
400
300
200
100
0

810
0 -14
15 anos e mais

61

ALC

118

24 4

DEF

DIA

1

9 28 1

EPI

HA

Doenças detectadas

Figura 17 - Doenças detectadas
Fonte: Secretaria de Saúde do Município (2001).

HAN

64

A Figura 17 destaca que 12,01% das doenças observadas (810 pessoas)
sofrem de hipertensão arterial, sendo a doença de maior intensidade, seguida da
diabete com 1,75% (118 pessoas). Estas doenças ocorrem com maior incidência a
partir dos 15 anos de idade.
O grande número de casos de hipertensão arterial poderia ser explicado
através de alguns fatores, dentre eles a hereditariedade, consumo da água com
índices elevados de salinidade, ou mesmo devido a erros alimentares.
Na cidade não existe um sistema definido para o destino dos resíduos
sólidos, como também programas de reciclagem ou separação. É preciso reativar a
usina de compostagem e criar junto às Secretarias de Saúde e de Educação do
Município projetos voltados para a educação ambiental. De acordo com a Figura 18,
56,32% dos resíduos sólidos são coletados, 29,82% são deixados a céu aberto e
13,86% são queimados.

29,82%

56,32%

Coleta
pública
Queimado e
enterrado

13,86%

Figura 18 - Destino dos resíduos sólidos
Fonte: Secretaria de Saúde do Município (2001)

Céu aberto

65

Quanto ao saneamento básico, 51,71% das casas tem serviço de esgoto.
Porém, 39,35%, lançam os dejetos a céu aberto e 8,94% das casas possuem fossa.
Isto pode ser observado na Figura 19. Nestes percentuais estão inclusos os
estabelecimentos comerciais e de serviços da zona urbana.

39,35%

51,71%

Sistema de
Esgoto
Fossa

9,94%

Céu aberto

Figura 19 - Destino dos Dejetos.
Fonte: Secretaria de Saúde do Município (2001).

O abastecimento de água na cidade compreende uma rede de distribuição
de ligações por domicílios, monitorado pela CAGEPA, captada do açude Poleiros
(construído em 1985 pelo Governo do Estado da Paraíba) que atende 54,28% da
população. 42,34% se abastece de outros tipos de ligação e 3,17% de poços ou
nascente, como se destaca na Figura 20.

54,28%

42,34%
Outros
Poço ou nascente
Rede Pública

3,17%

Figura 20- Abastecimento de Água.
Fonte: Secretaria de Saúde do Município (2001).

66

Foi detectada a existência de um poço com dessalinizador, mas este
encontra-se inutilizado por falta de recursos financeiros da prefeitura municipal para
sua manutenção.
Nos períodos em que as águas acumuladas nos açudes ficam abaixo dos
índices satisfatórios surgem problemas relacionados com a qualidade, decorrentes
do aumento da concentração de sais na água, prejudicando o abastecimento.
De acordo com a Figura 21 62,69% da população da sede do município
recebem água clorada. 26,80% tratam a água com filtração, 9,58% não tem nenhum
tratamento e 0,93% tratam a água pelo processo de fervura.

62,69%

Filtração
Fervura

26,80%

9,58%

Sem
Tratamento
Cloração

0,93%

Figura 21 - Tratamento de Água.
Fonte: Secretaria de Saúde do Município (2001).

No período da estiagem a cidade é abastecida com água de carro-pipa
comprada pelos moradores. Geralmente a Prefeitura Municipal entra em parceria
com o Governo do Estado afim de minimizar os custos com a água, mas em muitos
casos esta ajuda demora a chegar e a população é obrigada a pagar pela água que
bebe.

67

Assim, dependendo do poder aquisitivo do morador, o custo com a compra
d’água pode chegar a R$120,00 (uma lata d’água custa R$0,50) em média para
suprir pouco mais da metade do mês (18 dias), uma família com 5 pessoas.

5.1.2. COMUNIDADE RIACHÃO

Nesta comunidade residem oito famílias (19 pessoas). O abastecimento
d’água era oriundo das cisternas (armazena água da chuva) e dos barreiros. Nos
últimos anos, com o período da estiagem prolongada, a falta d’água foi a principal
característica que prejudicou a vida de toda a comunidade e que marcou a
rusticidade do lugar. Esta comunidade, apesar de estar dentro da sub-bacia do rio
Caraibeiras, não tem uma ligação direta com os mananciais Poleiros e Curimataú.
Em 1985 a seca transformou esta comunidade em uma vila deserta. As
casas foram fechadas e abandonadas pelos moradores,que fugem da situação de
caos a procura de melhores condições de sobrevivência.
Hoje, a comunidade dispõe de um poço (perfurado pelo Governo do Estado
em 1994) que atende as necessidades de consumo de uma maneira geral, e de
certa forma tem amenizado muito o sofrimento dos moradores com a falta d’água
nos períodos de seca prolongada. A atividade da agricultura de subsistência é a
fonte de renda destas pessoas, além da aposentadoria.
Apesar de ter água esta comunidade precisa urgentemente de um programa
de sustentabilidade local que assegure aos moradores melhorias nas condições de
vida. As necessidades desta comunidade não estão relacionadas somente com a
qualidade (salinidade) e com a quantidade de água de abastecimento, mas também

68

com a implantação de projetos de incentivos agrícolas e pecuaristas, que são pouco
desenvolvidos pela carência das potencialidades naturais e prejudicam os
agricultores quanto a sua sobrevivência.
Com relação à saúde dos moradores, nas oito famílias entrevistadas apenas
quatro deles sofrem de hipertensão arterial e duas com diabetes. Não foram
encontradas outros tipos de doenças.

5.1.3. COMUNIDADE SANTA ROSA

A comunidade de Santa Rosa (Figura 22), localiza-se próxima à sede do
município (cerca de 2 Km) com um contingente populacional de 89 famílias (350
pessoas).
Esta comunidade não dispõe de nenhum reservatório para fins de
abastecimento de água. Não há contribuição da água dos reservatórios Poleiros e
Curimataú devido à comunidade estar distante dos mananciais, dificultando o acesso
à água.

69

Figura 22. Comunidade Santa Rosa (Assis, 2002).

No período chuvoso a população utiliza a água dos córregos, barreiros e
cisternas (captadas da chuva) para suas necessidades de consumo de uma forma
geral.
No período de seca, estes pequenos reservatórios secam totalmente,
surgindo à necessidade de abastecimento por carro-pipa. A distribuição é feita em
pontos chaves tais como: escolas e cisternas domiciliares, depois distribuídas pelo
líder comunitário aos moradores.
Com relação à saúde, todas as famílias são cadastradas no PSF (Programa
Saúde da Família). Foi verificado em entrevistas in loco, que 28 pessoas tem
hipertensão arterial e duas tem diabetes. O restante não apresentou nenhuma
alteração na saúde. Não foi comprovado que os casos de hipertensão arterial
estejam relacionadas à salinidade das águas, haja vista que esta comunidade não
consome água dos açudes Poleiros e Curimataú.

70

5.1.4. COMUNIDADE POLEIROS

A comunidade Poleiros fica cerca de 4km da sede do município e contém 35
famílias (110 pessoas). A agricultura de subsistência é o sustento da maioria das
famílias no contexto da sustentabilidade.
Na assistência à saúde, 28 famílias estão cadastradas no PSF, e, em
entrevistas feitas aos moradores desta comunidade, observou-se que 4 pessoas têm
hipertensão arterial e dependem de cuidados médicos diários no controle da pressão
arterial. Não foi verificado outras doenças agravantes.
Com relação ao abastecimento d’água, a comunidade beneficia-se do
reservatório Poleiros no período chuvoso para as suas necessidades básicas. A
água é coleta e depositada em ancoretas. O transporte é feito em sua maioria por
animais até as residências dos moradores, como se observa na Figura 23.

Figura 23 - Transporte de Água - Comunidade Poleiros (Assis, 2002).

71

No período de estiagem, a água armazenada muda suas características
físico-químicas, apresentando sabor desagradável (gosto salobre). Mesmo assim,
muitos moradores consomem esta água. Com isso os problemas de saúde são
visíveis como distúrbios intestinais, dores no estômago e ânsia de vômito.
Quando a estiagem prolonga-se por mais tempo, o gosto salobre fica mais
forte e neste caso os moradores não mais consomem a água para beber; usam
apenas nas tarefas domésticas e para alimentar os animais.
Mas esta história está melhorando. Hoje, a comunidade dispõe de água
dessalinizada de um poço tubular adquirido em parceria entre a Universidade
Federal da Paraíba e a Prefeitura Municipal local. Este poço supre a necessidade da
população principalmente no período de estiagem.
Esta situação hídrica levou ao desenvolvimento de alguns projetos
comunitários (criatório de galinhas, e engorda de camarão e tilápias com rejeito
salino), implantados em parceria entre PaqTc/PB (Parque Tecnológico da Paraíba),
Universidade Federal da Paraíba (UFPB), SEBRAE e Prefeitura Municipal de Barra
de Santa Rosa.
Foram cadastradas no Projeto Camarão 28 famílias, mas apenas 12
permaneceram. As famílias desistentes desacreditaram no plano sustentável devido
a demora na burocracia para sua implantação.
O projeto é uma unidade experimental em contato direto com os moradores
da comunidade e utilizam a água dessalinizada. O processo de dessalinização da
água se dá pela retirada da água salina do poço tubular, tratada no dessalinizador e
os resíduos (Figura 24) seguem para cinco tanques medindo 400 m cada, onde
estão

se

desenvolvendo

comercialização.

camarões

e

tilápias

para

fins

de

consumo

e

72

Figura 24 – Rejeito do Processo de Dessalinização - Barra de Santa
Rosa (Assis, 2002).
Logo após, a água segue para a irrigação da planta australiana Atriplex
(Figura 25), rica em proteínas que serve de alimento para as criações.

Figura 25 – Plantação de Atriplex e Côco – Projeto Poleiros (ASSIS, 2002).

73

Este processo precisa de cautela quanto à quantidade de sal depositados no
solo conforme se explica abaixo:
... para se salinizar, um solo não precisa apenas de água salina no
subsolo, nem calor muito grande, dos sais depositados pela água, as
plantas retiram o que necessitam, o restante acumula-se no solo. Isto
implica dizer que o rejeito da água do processo de dessalinização poderá
provocar problemas de grande acúmulo de sal no solo, tornando-o
improdutivo (MOLLE; CADIER, 1992, p. 64).

Os dessalinizadores de água que estão sendo largamente difundidos no
nordeste separam o sal da água resultando na produção de um volume
relativamente significativo de rejeito que corresponde à cerca de 50% do volume de
água bruta. O lançamento desse material no meio ambiente, sem cuidados
especiais, pode gerar a degradação permanente da área, uma vez que o material
apresenta cerca de 8 gramas/litro de sal, sendo que alguns dos componentes (sais
de cálcio e magnésio, principalmente) estão perto do ponto de saturação. Dessa
forma, é imprescindível a proposição de medidas que tratem desse resíduo, assim
como de outras tecnologias mitigadoras para a região (EMBRAPA, 1998).
O desenvolvimento da piscicultura e carceinocultura na comunidade soma
mais uma atividade para que os agricultores possam garantir a subsistência de suas
famílias. A produtividade do camarão foi surpreendente e chegou a pesar 15g após
o processo de engorda.
A vida dos moradores desta comunidade mudou o modo de aceitar as
condições naturais existentes na região, evitando assim o êxodo rural, possibilitando
a fixação do homem, gerando emprego e renda e, sobretudo, resguardando a auto
estima, a dignidade do trabalho e a esperança de um futuro melhor.

74

5.2. DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA NA REGIÃO
Segundo Tauk (1995) a área geográfica não deve jamais impor limites ao
desenvolvimento e gestão territorial, pois as atividades econômicas não respeitam,
na maioria dos casos, os limites dos divisores de água.
É primordial o estabelecimento de diretrizes na utilização da água, e na
localização dos empreendimentos relacionados com os recursos hídricos. Estes não
devem ser negligenciados quando estão diretamente ligados ao gerenciamento de
atividades locais (MORAES, 1997; SANTOS, 2000).
Na sub-bacia do Rio Caraibeiras, a carência hídrica vem marcando o
sofrimento da população ao longo dos anos. No entanto, os dois açudes, o
Curimataú e o Poleiros, juntos têm capacidade para 14.992.950 milhões de m3 de
água. Estes seriam suficientes para abastecer as comunidades de entorno, num total
de 7.221 habitantes. Porém, problemas relacionados com a seca periódica e a
tendência à salinidade interferem diretamente no abastecimento das comunidades.
Assim, a distribuição é feita de forma irregular. A disponibilidade hídrica dos
mananciais não é compatível em termos de qualidade com as condições aceitáveis
para consumo.
Estas águas, apesar de apresentar gosto salobre, até um certo tempo, ainda
podem ser aproveitadas no consumo animal e na irrigação, dependendo da
quantidade de sais existentes. Mas com a continuidade da estiagem a presença de
sais aumenta, ocorrendo restrições à sua utilização (BARROS, 1995).
Na época de estiagem na zona rural e na zona urbana, o abastecimento de
água é de forma mais rudimentar. A população que utiliza as águas dos açudes
passa a consumir dos carros-pipas cadastrados no Programa de Combate as Secas

75

pelo Governo Federal. Estes são abastecidos com água dos mananciais existentes
na cidade de Areia (Brejo paraibano) e transportadas para esta região, sendo
distribuídas aos moradores. As famílias são cadastradas no programa, como
também as cisternas instaladas em pontos estratégicos nas comunidades, cobrindo
toda a área a ser abastecida (SILVA, 2002).
Na zona rural cada família têm direito a uma cota d’água, que equivale a
quatro barris (ancoretas), com duração de 20 dias. A população passa então a
racionar água até a chegada de uma nova cota d’água. A freqüência das visitas do
carro-pipa geralmente ocorre a cada 20 dias, mas quando a seca se prolonga as
visitas são semanais.
Observou-se que durante a seca problemas de saúde como diarréia foram
verificados principalmente nas crianças, na faixa etária de um a cinco anos. O
tratamento da água é feito com cloro na intenção de fornecer água potável à
população.
Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) ajudam no controle das doenças
como a diarréia, provocadas pela falta e/ou qualidade da água, distribuindo soro e
intensificando o tratamento pela reidratação oral (TRO). Este processo também é
feito na área urbana e na zona rural pelos moradores em seus domicílios na água
armazenada em filtros e potes.
No geral, a distribuição da água em quantidade satisfatória ao consumo
seria de acordo com as normas fornecidas por entidades federais e estaduais. A
distribuição per capita da água foi adotada sendo válidas para qualquer
planejamento territorial dos municípios. Algumas entidades definiram a quantidade
para consumo per capita de acordo com o número de habitantes para cada
município, considerando as Normas Brasileiras (Figura 26).

76

Normas das Entidades Federais no
Nordeste: SUVALE, DNER, DNOCS,
FSESP e SUDENE.

Projeto de Normas Brasileiras para
elaboração de projetos de sistemas de
abastecimento de água, junho de 1977
(P-NB-587/77).

Critérios adotados pela Cia de Água e
Esgotos da Paraíba - CAGEPA.

Figura 26 - Consumo médio de água
(SILVA, 1999).

A - para cidades com população inferior a
50.000 habitantes: recomendado 150 a
200 l/hab/dia. Mínimo de 100 l/hab/dia.
B - zonas servidas por torneiras públicas:
30 l/bah/dia.
A - para populações futuras de até 10.000
habitantes: 150 a 200 l/hab/dia;
B - para populações futuras entre 10.000
e 50.000 habitantes: 200 a 250 l/hab/dia;
C - para populações futuras maiores que
50.000 habitantes: igual ou maior que 250
l/hab/dia;
D - para população temporária: 100
l/hab/dia.
A - até 10.000 habitantes: 120 l/hab/dia;
B - de 10.000 até 100.000 habitantes: 150
l/hab/dia;
C - de 100.000 até 300.000 habitantes:
200 l/hab/dia;
D - de 300.000 até 500.000 habitantes:
250 l/hab/dia;
E - acima de 500.000 habitantes: 300
l/hab/dia.
per capita adotado por algumas entidades

Segundo Silva (1999), no Brasil, as cidades desprovidas de sistemas de
abastecimento apresentam consumo per capita que varia de 30 a 60 litros/dia. As
beneficiadas com serviço público eficiente, de 100 a 200 litros/dia.
A distribuição per capita adotada para cada comunidade poderá estabelecer
qualquer uma das normas estabelecidas no quadro acima. Em Barra de Santa Rosa, a
CAGEPA deveria adotar o consumo médio por habitante de 150 l/hab/dia, mas na
realidade, este consumo está bem abaixo, justificado pela carência hídrica quase que
constante nos mananciais e nas residências dos moradores.

77

5.3. ÁGUA DE ABASTECIMENTO DOS RESERVATÓRIOS: POLEIROS
E CURIMATAÚ.
A disponibilidade hídrica nas bacias hidrográficas deve atender as
necessidades de usos de forma geral. De acordo com Silva (2002), independente do
tamanho do reservatório ou da finalidade da água nele acumulada, sua principal
função é a de regulador, objetivando a manutenção da vazão dos cursos d’água ou
do atendimento aos usuários.
Para caracterizar estes mananciais quanto à capacidade de uso, utilizou-se
a Resolução nº 20/86 do CONAMA. Esta Resolução dividiu as águas do território
nacional em águas doces (salinidade < 0,50%), salobras (salinidade entre 0,50% e
3%) e salinas (salinidade > 3%). Em função dos usos foram criadas nove classes. A
Figura 27 é um resumo dos usos das águas doces, sendo que a classe Especial é
pressupõe os usos mais nobres e a classe 4, os menos nobres (VON SPERLING,
1996).
Usos
Abastecimento doméstico
Preservação do equilíbrio natural
das comunidades aquáticas
Recreação de contato primário
Proteção das comunidades
aquáticas
Irrigação
Criação de espécies (aqüicultura)
Dessedentação de animais
Navegação
Harmonia paisagística
Usos menos exigentes

Especial
x

1
x
(a)

Classes
2
x
(b)

3
x
(b)

4

x
x

x

x

x

x
(c)
x

x
(d)
x

x
(e)
x
X
X
X

Figura 27 - Classificação das Águas - Resolução Nº 20/86 do CONAMA
Nota: (a) tratamento simples, (b) após tratamento convencional, (c) hortaliças e
frutas rentes ao solo; (d) hortaliças e plantas frutíferas (e) culturas arbóreas,
cerealíferas e forrageiras (VON SPERLING, 1996; MMA, 2002).

78

A potabilidade da água de abastecimento dos mananciais Poleiros e
Curimataú é definida como de classe 3. Esta água é considerada menos nobre e
requer cautela no consumo humano, irrigação e dessedentação dos animais.
Os moradores das comunidades de entorno do açude Poleiros afirmam que
quando a água baixa fica inviável a utilização para consumo humano, servindo
apenas para uso doméstico como lavagem de roupas, entre outras.
A escassez da água e sua má qualidade (pesada) sentida pelos moradores,
faz com que estes busquem no longo período de estiagem, consumir água de
carros-pipas. No período chuvoso, o povo volta às suas atividades normais na
agricultura.

5.4. ANÁLISES FÍSICO-QUÍMICAS DA ÁGUA

Os aspectos qualitativos do recurso água nos açudes Curimataú e Poleiros
na sub-bacia foram determinados através de análises físico-químicas, durante os
meses de setembro (2001) a Junho (2002), com freqüência bimestral. Os resultados
mostraram índices com grandes disparidades entre os açudes apesar de estarem
localizados na mesma sub-bacia.
Utilizam-se as análises físico-químicas da água com o fim de avaliar os
constituintes presentes e suas manifestações. Estas análises se destinam ao uso
para abastecimento público, dessedentação de animais e nas culturas irrigadas.
Para caracterizar estas águas, quanto aos índices satisfatórios de
potabilidade, utilizou-se o critério da Resolução Nº 20/86 do CONAMA, mostrados
nas Tabelas 3 e 4 na página seguinte e nos Anexos 3 e 4.

79

TABELA 3. RESULTADOS
BARRA DE SANTA ROSA.

DAS

ANÁLISES

Parâmetros Unidades
PH

DA

ÁGUA

DO

AÇUDE CURIMATAÚ –

Resultados

VMP(1)

Resolução
Nº 20/86 CONAMA
2

-

8,4

7,33

8,34

8,67

6,5 a 8,5

(µS/cm)

18.640

18.450

18.980

18.980

_

Cloretos

mg/l

425,4

425

511,5

568,8

250 mg/l

Sólidos
Dissolvidos
Totais

mg/l

955

648

725

725

1.000 mg/l

Alcalinidade

mg/l

139

200

800

220

250mg/l (D.A.
E – SP)(2)

Dureza

mg/l

1.400

4.600

2.300

870

500mg/l

Conduividade
Elétrica(CEe)

3
3
3
3
3

(1)

Valores Máximos Permissíveis ao consumo humano, de acordo com a Portaria
1469/2000 do Ministério da Saúde. (2) Departamento de Água e Esgotos de São
Paulo - SABESP/SP.

TABELA 4. RESULTADOS
BARRA DE SANTA ROSA.
Parâmetros
pH
CEe
Cloretos
Sólidos
Dissolvidos
Totais

DAS

ANÁLISES

Unidades
(µS/cm)
mg/l

mg/l

DA

ÁGUA

7,76

8,3

AÇUDE POLEIROS –

6,5 a 8,5

Resolução
Nº 20/86 CONAMA
2

-

3

V.M.P (1)

Resultados
7,6

DO

8,41

1.400 1.310 1.364 1.436
350

744

447,2

250 mg/l

884

510

453

1.436

1.000 mg/l

3
3

Alcalinidade

mg/l

180

160

240

240

250mg/l(D.A.
E)(2)

Dureza

mg/l

836

570

500

220

500mg/l

(1)

3

281,83

3

Valores Máximos Permissíveis ao consumo humano, de acordo com a Portaria
1469/2000 do Ministério da Saúde. (2) Departamento de Água e Esgotos de São
Paulo - SABESP/SP.

80

Os valores de pH da água são influenciados pelas reações físicas, químicas
e biológicas que ocorrem na massa da água. De acordo com Branco (1993), o
equilíbrio do pH próximo ao neutro é importante do ponto de vista ecológico, visto
que os organismos são sensíveis a grandes amplitudes nesta variável.
Os valores máximos de pH apresentados nos dois açudes, são apropriados
ao desenvolvimento das atividades já exercidas, sendo de 8,67 no açude Curimataú
e 8,41 no açude Poleiros. Segundo a Resolução Nº 20/86 do CONAMA, a faixa de
pH para os corpos d’água satisfatório é de classe 2, que varia de 6 a 9, estando
estes dentro da faixa estabelecida em relação ao pH encontrado.
No semi-árido os valores de pH podem chegar até 9,0, como característica
de áreas com balanço hídrico negativo (precipitação menor do que a evaporação)
(SUASSUNA, 1994).
A condutividade elétrica é um parâmetro importante na análise físico-química
da água. A capacidade da água de conduzir a corrente elétrica é dependente da
concentração dos íons presentes na solução: cátions e ânions. Depende também da
temperatura e por isso essas medidas devem estar sempre associadas (EMBRAPA,
1998).
Um dos fatores que influencia a condutividade elétrica nos corpos de água é
a formação geológica da área em questão. Altos índices de condutividade elétrica
são ocasionados por meio de fontes não pontuais como efluentes de áreas
residenciais/urbanas, águas de drenagem de sistemas de irrigação e escoamento
superficial de áreas agrícolas, principalmente em regiões áridas e semi-áridas, onde
a evapotranspiração excessiva causa o acúmulo de sais (EMBRAPA, 1998)
Água com índices elevados de condutividade elétrica, se utilizada no
consumo humano, poderá provocar distúrbios intestinais (diarréia), problemas

81

cardíacos, hipertensão arterial e problemas renais em pessoas com estado clínico
de insuficiência renal.
No período considerado de estiagem (seco), a diminuição do volume de
água dos açudes está relacionado com as baixas precipitações e alta evaporação.
Este evento provoca o aumento da concentração de sais na água, aumentando
assim, os valores da condutividade elétrica. Para Ceballos (1991), flutuações
acentuadas de condutividade elétrica da água são bastante freqüentes nos
ecossistemas aquáticos no Nordeste.
Segundo Laraque (1991), os efeitos de sais em organismos vivos está
provado pela concentração de sais demasiadamente elevados, causados pela
ingestão de águas com níveis elevados de sais. Os valores de 10.000mg/l ou acima
destes estão rejeitados ao consumo de uma forma geral (considerar 640mg/l =
1.000µS/cm).
Os valores máximos encontrados nos açudes foram de 1.436µS/cm no
açude Poleiros e de 18.980µS/cm no açude Curimataú, merecendo restrições
quanto ao consumo humano, dessedentação de animais e irrigação. Estes valores
foram constantes, considerando que os baixos índices pluviométricos e a alta
evaporação permaneceram sem nenhuma alteração, não ocorrendo mudanças
maiores ou menores nos valores encontrados.
No semi-árido valores altos de condutividade elétrica são encontrados em
vários açudes. Em dados comparativos, valores iguais ou superiores aos
encontrados nos açudes Poleiros e Curimataú, foram detectados no açude Taperoá
(PB), em 1999, 12.750µS/cm (LEITE, 2001) e no açude Negrinhos (PB), em 1996
11.800µS/cm (ASSIS, 1996).

82

O limite máximo de sais de 5.000mg/l é segura para o rebanho leiteiro e de
corte, carneiros e porcos. Valores acima de 5.000mg/l e 10.000mg/l são impróprios
para aves e porcos. Há risco considerável se a água for ingerida pelos bovinos,
asininos, ovelhas gestantes ou que estão amamentando (CEDESTROM, 1964).
Os cloretos atingiram seus valores máximos no açude Poleiros (568,8mg/l) e
no açude Curimataú (744mg/l). Em determinadas concentrações, imprimem um
sabor salgado à água possibilitando o uso apenas para os não portadores de
doenças renais e cardiovasculares.
Cederstrom (1964) afirma que águas com mais de 200ppm (200mg/l) de
cloreto, têm gosto desagradável. Bebendo-se demasiadamente água com cloretos
acima de 1.000ppm poderão ocorrer distúrbios estomacais. O Serviço de Saúde dos
EUA recomenda que, num sistema municipal, o cloreto não deve ultrapassar
200ppm.
Conforme Von Sperling (1996) todas as águas naturais, em maior ou menor
escala, contém íons resultantes da dissolução de minerais. Este parâmetro é
utilizado com freqüência a fim de fornecer resultados da água bruta no tratamento e
abastecimento público.
Os valores de sólidos totais dissolvidos atingiram valores máximos de
955mg/l no açude Curimataú e 1.436mg/l no açude Poleiros. Deve-se ter o cuidado
no risco a alteração da saúde da população que consumir esta água in natura. Os
valores aceitáveis à potabilidade estão na faixa de 1.000mg/l de acordo com o
Ministério da Saúde.
Segundo Logan (1965), a água em condições de ser consumida deve conter
de 500mg/l a 1.000mg/l de sólidos dissolvidos. Se não houver melhores fontes, as

83

águas contendo 1.000mg/l, ou até mais, muitas vezes necessitam de um longo
período de tempo para a população se acostumar a tais concentrações.
A alcalinidade define a presença de íons de carbonato e bicarbonato. Os
resultados máximos obtidos nos açudes variaram de 240mg/l no açude Poleiros a
800mg/l no açude Curimataú. Apenas o primeiro açude está dentro da faixa de
tolerância que é de 250mg/l. No geral, estes valores não têm significado sanitário
para a água potável, mas em elevadas concentrações conferem um gosto amargo à
água.
De acordo com Branco (1993), uma dureza superior a 300-500 mg/lCaCO3
é excessiva para águas destinadas ao abastecimento humano. Os fatores
fundamentais que influenciam a dureza da água são as características dos solos das
bacias, aliadas a lixiviação do terreno carreando os sais para os corpos aquáticos, a
evaporação da água e a decomposição das macrófitas aquáticas, entre outros
(ESTEVES, 1988).
As análises apresentaram resultados máximos de 4.600mg/lCaCO3 no
açude Curimataú e 836mg/lCaCO3 no açude Poleiros. Na dureza da água, os íons
de cálcio e magnésio estão combinados com carbonato ou bicarbonato e podem
estar combinados com os sulfatos e cloretos (MOLLE; CADIER;1992).
O açude Curimataú (Tabela 3) se destacou com valors acima dos padrões
estabelecidos, sendo considerada uma água dura (muito pesada). Em determinadas
concentrações podem causar sabor desagradável e ter efeitos laxativos, reduz a
formação de espuma, implicando num maior consumo de sabão e pode causar
incrustações nas tubulações de água quente, caldeiras e aquecedores.

84

Não há evidências de que a dureza cause problemas sanitários. Em alguns
estudos realizados em águas do Nordeste brasileiro com maior dureza indicou uma
menor incidência de doenças cardíacas (VON SPERLING, 1996).
Os resultados nos dois açudes apresentaram restrições quanto ao consumo
humano, dessedentação dos animais e na irrigação. Deve-se considerar que a
sazonalidade não foi fator determinante. Todas as coletas foram feitas em períodos
distintos (seco e chuvoso). É importante lembrar que as precipitações ocorridas
neste período ficaram abaixo da média satisfatória.
O açude Curimataú está totalmente fora dos padrões estabelecidos pela
Resolução Nº 20/86 do CONAMA. Já o açude Poleiros apresentou menores
restrições, podendo ser utilizado em outras atividades exceto para consumo humano
no período mais seco (novembro a fevereiro).
No uso para irrigação, deve-se ter cautela com a água dos açudes,
principalmente a do Curimataú. Nas regiões semi-áridas, a salinização é resultado
de uma evaporação forte e uma infiltração deficiente e assim, os sais vão se
acumulando na superfície. É preciso adaptar culturas que tenham uma capacidade
de suporte compatíveis com este tipo de água. Nas normas estabelecidas pelo
CONAMA, a água do açude Curimataú está na classe 3. Esta poderá ser usada nas
culturas menos exigentes.

CONCLUSÃO

CONCLUS ÃO

86

6. CONCLUSÕES
Ø

Os açudes Poleiros e Curimataú somam juntos 14.922.950 milhões de

m3 , volume suficiente para atender as necessidades de consumo humano (7.221
pessoas) e animal (21.315 cabeças).

Ø

Embora haja disponibilidade deste imenso volume de água, entretanto

a qualidade impõe severas restrições, tanto de consumo humano, como uso a
exemplo da irrigação, com algumas exceções, no caso na piscicultura.

Ø

Os resultados das análises físico-químicas da água dos açudes,

mostram valores máximos na condutividade elétrica (1.436 µS/cm a 18.980 µS/cm),
dureza (836 mg/l a 4.600 mg/l), sólidos dissolvidos totais (955 mg/l a 1.436 mg/l),
cloretos (568,8 mg/l a 744 mg/l), e alcalinidade (240mg/l a 800 mg/l).

De acordo

com a Resolução nº 20/86 do CONAMA, estes valores se mostram bastante
elevados (fora dos níveis ideais), em relação aos índices recomendados ao consumo
humano.

Ø

As qualidades das águas, com base nos resultados das análises, se

apresentam restritas, quanto ao uso na dessedentação animal como na irrigação;
estas águas são classificadas nas classes 3 e 4.
Ø Na Sub-bacia do Rio Caraibeiras, das 7.202 pessoas que consomem desta
água, 846 sofrem de hipertensão arterial. Sendo que o maior índice foi encontrado
na zona urbana 810 pessoas (12,01%).

Ø

Os impactos sócio-ambientais ocorridos na Sub-bacia ocorrem tanto na

zona rural como na zona urbana.

Ø

A comunidade Poleiros apresenta melhor qualidade de vida, em função

dos projetos de sustentabilidade (sobrevivência com a seca), através das atividades

87

de piscicultura e carcinocultura, utilizando os rejeitos salinos do processo de
dessalinização.

88

CONS I DERAÇÕES FI NAI S

89

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os problemas percebidos na área incentivaram a necessidade de apresentar
algumas sugestões e orientações para a melhoria da qualidade de vida das
comunidades relatadas. As recomendações não são definitivas, cabendo a quem
gerenciar esta área, procurar formas mais harmônicas entre o ser humano e o
ambiente vivido.
Por apresentar alto grau de salinidade na água dos açudes, seria viável
aproveitar esta água para projetos de piscicultura e carcinocultura como o projeto do
Paqtc/UFPB que já está dando resultados no desenvolvimento socioeconômico na
comunidade Poleiros, apesar de ser utilizada água de poço.
Outro incentivo poderia advir de reativar a cultura do sisal, fonte de renda no
passado, através de incentivos agrícolas do Governo Federal/Estadual/Prefeitura
local.
A criação de projetos voltados para o turismo na região, criando cursos para
orientar os guias e para as necessidades que a comunidade necessitaria sobre
informações das atividades locais, para oferecer aos turistas uma melhor recepção.
Projetos de parques como o de pesque e pague, seria alternativo nas águas
dos açudes que contém espécies de peixes adaptadas à qualidade da água. Já que
a região possui mão-de-obra, seria uma atividade alternativa gerando emprego e
renda, criando mais um pólo turístico no semi-árido paraibano.
E por fim, incentivar a caprinocultura através de eventos como feiras livres,
já que esta atividade se adapta muito bem a região.

REFERÊNCIAS

REFERÊNCI AS BI BLI OGRÁFI CAS

91

REFERÊNCIAS

Ab’Saber. A. N. Domínios morfoclimáticos das caatingas brasileiras. Geomorfologia,
São Paulo, n. 43, 1974.
________ Problemática da desertificação no Brasil intertropical. São Paulo: Instituto
de Geografia, USP. Geomorfologia, n. 53. 1977a.
ANDRADE, G. O. de. Os climas do Nordeste. Recife: Conselho de Desenvolvimento
de Pernambuco, 1970.
ANDRADE, M. C. de. A Terra e o Homem no Nordeste: contribuição ao estudo da
questão agrária no Nordeste. 6a ed. Recife: Ed. Universitária: UFPE, 1998.
IBGE. ANUÁRIO ESTATÍSTICO DO ESTADO DA PARAÍBA. Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística, Censo 2000, Rio de Janeiro, 2000.
ASSIS. E. G. de. Potencialidades dos Recursos Naturais do Município de Soledade
– PB. Relatório Técnico. Curso de Especialização em Geografia e Gestão Territorial.
João Pessoa, PB. 1996. 31p.
BARROS. R.T. de V. e al. Saneamento. In: Manual de saneamento e Proteção
Ambiental para os Municípios, Belo Horizonte. Escola de Engenharia da UFMG,
1995. 221p.
BRANCO, S. M. Água: origem, uso e preservação. São Paulo: Moderna, 1993. 69 p.
(Coleção Polêmica).
BRASIL, Ministério das Minas e Energia. Secretaria Geral. Projeto RADAMBRASIL.
Folhas SB 24 – 25. Jaguaribe/Natal. Rio de Janeiro, 1981.
CADIER, E; ASSUNÇÃO, M. S. de; LEPRUN, J. C. Avaliação dos Recursos Hídricos
das Pequenas Bacias Hidrográficas do Nordeste Semi-Árido; Características Físicoclimáticas. Recife, SUDENE,1983. 64 p. (Série Hidrologia. n. 15).
CARVALHO, M. G. R. F. de, Estado da Paraíba – Classificação Geomorfológica.
João Pessoa. Ed. Universitária. UFPB. 1982. 72p.
CAVALCANTE, E. G. Geo-economia do semi-árido irrigado. 2. ed. Ed.
Universitária, UFPE, Recife: IPESPE, 1997. p. 25 - 86.
CEBALLOS, B.S. O; ARAÚJO, A. M.; KONING, A. Indicadores microbiológicos na
avaliação de poluição orgânica em um lago antrófico. In:CONGRESSO.
BRASILEIRO DE ENG. SANITÁRIA E AMBIENTAL, 16, Goiânia, 1991. Anais
...Goiânia, 1991, v.2, n.2, p.35-47.

92

CEDERSTROM. D. J. Água subterrânea: uma introdução. Rio de Janeiro: USAID,
1964.
CEPA – PB. Zoneamento Agropecuário do Paraíba: Relatório Técnico. João Pessoa:
UFPB. 1978.
CETESB. Normatização Técnica de Saneamento Ambiental: NT 07, Análises FísicoQuímica da Água. São Paulo, 1978.
CHRISTOFOLETTI, A. Geomorfologia. Ed. Edgard Blücher. 2 ed. 1980. 188 p.
COSTA. J. B. da. Caracterização e Contribuição do Solo. 4 ed. Lisboa: Fundação
Calauste Gulbenkian, 1975. 193p.
ENCICLOPÉDIA Dos Municípios Paraibanos. Rio de janeiro:IBGE, 1976.
EMBRAPA.
1998.
Boletim
mensal.
1998.
Disponível
em:
. Acesso
em; 23 jun. 2002.
ESTEVES, F. A. Fundamentos de Limnologia. Rio de Janeiro. Interciência/FINEP;
1998. 575 p.
FERREIRA FILHO, J. A Situação da Água no Planeta. (Cartilha da Água). Disponível
em: . Acesso em; 29
jan. 2002.
GUERRA, Antônio Teixeira. Dicionário Geológico-Geomorfológico. Rio de Janeiro:
IBGE, 1993.
IDEME. Anuário Estatístico da Paraíba. João Pessoa, 1999. n.15
IBAMA.
Projeto
PNUD/FAO/IBAMA,
1994.
. Acesso em; 10 jan. 2002.

Disponível

em:

IBGE. Anuário Estatístico; Censo 2000, Rio de Janeiro, 2001.
LARAQUE. A. Comportements Hydrochimiques des “açudes” du Nordeste Bresilien
semi-aride: evolutions et previsions pour um usage em irrigation. Paris, 1991. (Tese
Doutorado)
LEITE. R. L. Influência de macrófiltas aquáticas sobre a qualidade da água de
açudes do semi-árido da Paraíba. (Dissertação Mestrado). Universidade Federal da
Paraíba, João Pessoa, 2001. 129p.
LEPRUN, J. C. Aspectos climatológicos da seca no Brasil Nordeste, (Tese
Doutorado), Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 1972.

93

LOGAN, J. Interpretação da Análise Química da Água. Desenvolvimento
Internacional. Recife, 1965. 37p.
MALTCHIK, L. Nossos rios temporários: desconhecidos e essenciais. Revista
Ciência Hoje, n.2, 122, p. 64 – 65, 1996a.
MARTINE, G. (Org.) População, Meio Ambiente e Desenvolvimento: verdades e
contradições. 2 ed. Ed UNICAMP, Campinas; SP, 1996.
MENDES, B. V. Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável do Semi-Árido.
Fortaleza: SEMACE, 1997.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente – MMA. Resolução No 20/86 do CONAMA
2000. Disponível em: . Acesso em;
29 jan. 2001.
BRASIL.
Ministério
da
Saúde.
Portaria
. Acesso em; 29 jan. 2002.

1469.

MOLLE, F; CADIER, E. Manual do Pequeno Açude: construir, conservar e aproveitar
pequenos açudes, Recife, SUDENE/ORTON/TAP; 1992.
MOLION, L. C. B. Secas: o entorno. Revista Ciência Hoje , v. 3, n. 18. p. 23 – 32,
1995.
MORAES, A. C. R. de. Meio Ambiente e Ciências Humanas. 2 ed. São Paulo, Ed
Hucitec, 1997. 100 p.
MOREIRA. E. Por um pedaço de chão. João Pessoa; UFPB/Ed. Universitária,
1997a. p.669-671.
MOREIRA, E. Capítulo de Geografia Agrária da Paraíba. Ed. Universitária – UFPB.
João Pessoa. 1997b. 332 p.
MOTA, S. Preservação de Recursos Hídricos. Associação Brasileira de Engenharia
Sanitária. Rio de Janeiro: ABES, 1995. 185 p.
NIMER, E. Pluviometria e Recursos Hídricos do Estados de Pernambuco e Paraíba.
Rio de Janeiro: IBGE, 1979a. 117 p.
NIMER, E. Climatologia do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 1979b. 422 p.
INSTITUTO ADOLF LUTZ. Normas Analíticas. Métodos Químicos e Físicos para
Análise de Alimentos. São Paulo: IMESP, v. 1, 1985. 503 p.
ODUM, E. P. Ecologia Geral. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988. 434 p.
ONU

BRASIL.
Estatística
populacional
mundial.
em.. Acesso em; 05 mai. 2001.

Disponível

94

PARAÍBA. GOVERNO DO ESTADO DA. Desenvolvimento Florestal Integrado no
Nordeste do Brasil: Diagnóstico do Setor Florestal. PNUD/FAO/IBAMA. João
Pessoa: IBAMA, 1994.
PARAÍBA. Secretaria dos Recursos Hídricos. Plano Diretor da Bacia do Rio Jacú e
Curimataú. v. I, II e III. Dados Básicos. João Pessoa, 1994.
PARAÍBA. Secretaria de Planejamento. SEPLAN. Plano de Desenvolvimento
Sustentável 1996 – 2000. João Pessoa. 1997a. 179 p.
PARAÍBA. Secretaria Extraordinária do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e
Minerais – SEMARH. Plano Simplificado de Gestão de Recursos Hídricos. João
Pessoa. 2000a. 18 p.
PORRÊCA. M. L. ABC do Meio ambiente: Água. Rio de Janeiro: IBGE, 1998 30p.
RAINHO, M. J. Planeta Água. Revista Educação, p. 48-64, Setembro: 1999.
RUELLAN, F. O papel das enxurradas no modelado do relevo brasileiro. Boletim
Paulista de Geografia, São Paulo, n.68, p.43,1963.
SANTOS, M. Metamorfose do Espaço Habitado. 4 ed. São Paulo:Hucitec, 1996. 124
p.
SANTOS, M. J. dos. Água e qualidade de vida em cinco comunidades rurais do
semi-árido de Sergipe. Curituba, Aracajú, 2000. Universidade Federal de Sergipe.
(Dissertação Mestrado)
SEBRAE. Programa de Emprego e Renda: Município de Barra de Santa Rosa –
PRODER. Diagnóstico Sócio-econômico. João Pessoa, 1998. 45 p.
Secretaria de Saúde. Barra de Santa Rosa: PB (Dados Estatísticos), 2001.
Secretaria de Educação. Barra De Santa Rosa: PB (Dados Estatísticos), 2001.
SILVA, F. A. da. Francisco de Assis da Silva: depoimento [Abril, 2002].
Entrevistadora: E. Assis. Barra de Santa Rosa - PB. 1 fita microcassete (60 min),
estéreo. Entrevista concedida ao trabalho de dissertação de mestrado do Programa
de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente-UFPB. João Pessoa –
PB.
SILVA, T. C. da. Tópicos Básicos Sobre Gestão de Recursos Hídricos. João Pessoa
– PB, CCT/UFPB. 1999. 40p.
SILVA. L. M. C, da. TEODORO. H. S. (Org). Gestão Sustentável de Reservatórios.
Conflitos e Uso sustentável dos recursos naturais. Garamond, 2002, Rio de Janeiro;
344p.

95

SUASSUNA, J; AUDRY, P. Estudo da Salinidade de Águas Utilizadas em Pequena
Irrigação no Nordeste e da Evolução Sazonal, durante os anos de 1998 e 1989. In: I
SIMPÓSIO DE RECURSOS HÍDRICOS DO NORDESTE. 1, 1992, Recife. Anais...
Recife, CNPq/ORSTOM/FUNDAJ, 1992. p. 303 – 305.
SUASSUNA, J. A Pequena Irrigação do Nordeste: algumas preocupações. Revista
Ciência Hoje, v. 8. n. 104. p. 38 – 43, 1994.
SUDENE. Levantamento Exploratório no Reconhecimento de Solos do Estado da
Paraíba. Boletim Técnico. n.15. 1972. (Série Pedologia).
STANDARD METHODS. APHA. For The Examination of Water and Wastewater. 13
ed. 1971.
TAUK-TORNISIELO, S. M. et al. (Org). Análise Ambiental: uma visão multidisciplinar.
2 ed. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1995. 206 p.
TRAJANO, D. M. A. de; GOMES, H. P. Citações de Associações de Usuários de
Água no Estado da Paraíba. In; CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA
SANITÁRIA E AMBIENTAL, 20, 1999. João Pessoa:PB. Anais... João Pessoa, 1999
p. 1079-1087.
VAREJÃO, M. A. Atlas Climatológico do Estado da Paraíba. Campina Grande:
UFPB/Núcleo de Meteorologia Aplicada, 1984.
VERNIER, J. et al. Meio Ambiente, desenvolvimento e cidadania: desafios para as
ciências sociais. 4. ed. São Paulo: Cortez, 1994. 220 p.
VON SPERLING, M. Introdução à Qualidade das Águas e ao Tratamento de
Esgotos. 2 ed. Belo Horizonte – ABEAS, 1996. 243 p.

ANEXOS

ANEXOS

LISTA DE ANEXOS

ANEXO A – Questionário: Indicadores Socioeconômicos ___________________ 98
ANEXO B – Questionário: Indicadores Ambientais ________________________ 99
ANEXO C – Análise físico-química da água: Açude Poleiros ________________ 100
ANEXO D – Análise físico-química da água: Açude Curimataú _____________ 101
ANEXO E – Bacias Hidrográficas do Estado da Paraíba____________________102

PROGRAMA REGIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO
EM MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO
SUB-PROGRAMA UEPB/UFPB
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
A SALINIDADE DAS ÁGUAS SUPERFICIAIS E SUA INTERFERÊNCIA NAS
CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS NA SUB-BACIA DO RIO CARAIBEIRAS CURIMATAÚ PARAIBANO
MESTRANDA: EDVANIA GOMES DE ASSIS
ANEXO A – QUESTIONÁRIO: INDICADORES SÓCIOECONÔMICOS

Comunidade:
Local:
Município:
Data de Aplicação:
1. De onde vem a água para consumo?
Barreiros ( ) cacimbas ( ) açudes ( ) rios ( ) outros ( )
2. De que forma a água é armazenada?
Potes ( ) filtros ( ) cisternas ( ) outros ( )
3. Armazena água das chuvas em cisternas? Por quanto tempo?
4. De que forma a água chega até sua casa?
Encanada ( ) cacimba ( ) açude ( )

Documento similar

A salinidade das águas superficiais e sua interferência nas condições sócio-econômicas na sub-bacia do rio Cabaceiras - Curimataú Paraibano

Livre