UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS AGROVETERINÁRIAS - CAV MESTRADO EM CIÊNCIA ANIMAL MICHELLE DE PAULA GABARDO

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS AGROVETERINÁRIAS - CAV MESTRADO EM CIÊNCIA ANIMAL MICHELLE DE PAULA GABARDO CARACTERIZAđấO SANITÁRIA DE SUễNOS CRIADOS EM SISTEMA “WEAN-TO-FINISH”

  Dissertação apresentada à Coordenação do Curso de Mestrado em Ciência Animal, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre.

  Orientadora: Dr.ª Sandra Davi Traverso Co-orientador: Dr. José Cristani Ficha catalográfica elaborada pela Bibliotecária Renata Weingärtner Rosa – CRB 228/14ª Região

  (Biblioteca Setorial do CAV/UDESC)

   Gabardo, Michelle de Paula Caracterização sanitária de suínos criados em sistema “wean- to-finish”. /Michelle de Paula Gabardo. – Lages, 2010.

  79 p.

  Dissertação (Mestrado) – Centro de Ciências Agroveterinárias / UDESC.

  2. Suíno. 3. Patologias I. Título.

  .

  

CDD – 636.40896016

  DEDICO À Deus por mais esse sonho vencido.

  

À minha mãe Maria de Fátima de P. Gabardo,

ao meu pai Bertolino Gabardo, aos meus

imãos Monike e Rodrigo e por terem me dado

força para realizar mais uma etapa.

  

AGRADECIMENTOS

  À Deus e Nossa Senhora de Fátima, pois com o caminho que escolheram para mim, trouxeram-me crescimento, conhecimento e paz. Deus, obrigada por percorrer comigo o caminho até aqui.

  À minha família, em especial à minha mãe e meu pai, as principais pessoas de minha vida. Todos tentam achar motivos para agradecer, mas não consigo em poucas palavras escrever tudo. Agradeço aos meus irmãos, Monike e Rodrigo, e meu cunhado Marcelo, por me mostrarem que com estudo, força e coragem tudo pode ser alcançado. Ao meu sobrinho, que com seu sorriso mostra como a vida é simples.

  À minha orientadora, professora Dra. Sandra Davi Traverso, pelos ensinamentos, pela orientação, pelos conselhos, muitas vezes, pelas broncas e pela amizade. Por me mostrar que tudo da certo no final.

  Ao Professor José Cristani, pela ajuda nas dúvidas, pelos ensinamentos de suinocultura, e pelas oportunidades no acompanhamento de granjas e projetos, e pela oportunidade de pesar leitões pela madrugada.

  Ao Professor Dr. Aldo Gava, por ter aberto as portas do Departamento de Patologia Animal, para a realização do mestrado, e pelos conhecimentos adquiridos nessa fase, principalmente em patologia e plantas tóxicas.

  À Universidade do Estado de Santa Catarina e em especial ao Setor de Patologia Animal e Setor de Suinocultura durante esses anos. À Nelson Morés e sua efique de funcionários pela realização das imuno-histoquimicas na EMBRAPA Suínos e Aves. À Cooperativa COPERIO, por abrir suas portas, por me receber tão bem e colaborar com o projeto. Ao Centro de Diagnóstico Microbiológico Animal (CEDIMA) – CAV- UDESC, pelas análises microbiológicas.

  Aos frigoríficos e funcionários da AURORA – Fache 1 e 2, pela colaboração nas avaliações dos órgãos ao abate. Aos técnicos e médicos veterinários da Cooperativa, e ao estagiário Paulo Todeschini, pela ajuda, conhecimento e paciência infinita, durante a realização do projeto, principalmente em horas intermináveis de necropsias e contagem de tosse e espirro.

  Aos produtores e suas famílias: Ana Maria Albieiro, Hamiltom Abatti, Leandro Surdi, Edmilson Ferronato, Vidal Grisa, Paulo Ferrari, Valdecir Dalberti e Neri Melere. Estes merecem todos os meus agradecimentos, pois abriram as portas dos seus galpões e muitas veses de suas casas. Sem a compreensão e ajuda deles o projeto não poderia ser realizado.

  À família Traverso, em especial ao João Artur e Luciane, por abrirem a porta de suas casas e pela amizade no tempo de realização do projeto. Seu João, agradeço também pelo empréstimo do Jeepe.

  Às amigas Vanessa Borelli, Tiffany Emmerich, Fernanda Laskoski, Juliana Lazaroto, Leise Parizotto, Renata Assis Casagrande e Cecília Camargo, pela amizade, pelo companheirismo, pelas ajudas e risadas. Em especial a Luciane Orbem Veronezi, pela amizade e pela força nos momentos que tudo parecia estar errado.

  Ao Alencar Zandonai, pois, mesmo longe estava sempre perto. Obrigada pelo companheirimo em dias inteiros de estudos sobre Patologia Suína e Suinocultura. E por me escutar quando nem eu mesma me aguentava. Obrigada por estar ao meu lado.

  Ao Diego Lacir Froelich, pois dois anos, de convivências e confidências risadas e momentos filosóficos entre “baias”, não poderiam passar em branco. Aos amigos e colegas do Laboratório: Fernando Furlan, Marcos Bruno Mazzocco,

  Valdecir Nunes, Roberto Parizotto, Marcelo de Césaro, Daniela Lentz, Kialani Almeida, Fernanda Jonk e Claudia Wisser pelo companheirismo, amizade e convivência nestes anos que passamos juntos.

  À Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC/CAV, ao Programa de Monitoria (PROMOP), pela concessão de bolsa de capacitação para realização deste trabalho.

  À TODOS MUITO OBRIGADA!!!

  

“Em momentos de crise, só a imaginação é mais

importante que o conhecimento.” Albert Einstein

  

“Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás

que trabalhar nem um dia na tua vida” Confúcio

  

RESUMO

  O trabalho descreve a avaliação sanitária de suínos criados no sistema wean-to-finish (WF). O projeto foi realizado na região do Meio Oeste de Santa Catarina, no período de janeiro a junho de 2009. Foram acompanhadas oito granjas, com total de 3.545 suínos, criados no sistema

  

wean-to-finish, alojados com média de 28 dias de idade e 8,22Kg de peso vivo. Os dados

  foram obtidos através de oito avaliações sanitárias, realizadas nos dias 0, 7, 14, 38, 69, 102, 137 e 143 de alojamento, sendo denominadas avaliações 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7 respectivamente. A avaliação 0 consistiu em visualização geral dos suínos e condições das instalações no momento do alojamento. As avaliações 1, 2, 3, 4, 5 e 6 consistiram em monitorias clínicas, sendo avaliados índices de diarreia, tosse e espirro. A avaliação 7 consistiu em monitoria de abate para enfermidades respiratórias, renais, hepáticas e úlcera gástrica. Avaliações clínicas adicionais, com realizações de necropsias e/ou coleta de material para análises bacteriológicas e histopatológicas, foram efetuadas quando ocorreram problemas sanitários nas granjas. As

  a a

  frequências de tosse e espirro nas granjas avaliadas aumentaram na 13 e 18 semanas de idade. O maior índice de diarreia foi observado no período de creche, na primeira avaliação, sendo isolado Escherichia coli e Yersinia enterocolitica. Na fase de crescimento e terminação foi diagnosticado Brachyspira sp. (86 dias de alojamento/114 dias de idade), Salmonella sp. (77 dias de alojamento/105 dias de idade) e Lawsonia intracelullaris (60 dias de alojamento/88 dias de idade). No período de creche a doença mais observada foi a diarreia pós desmame e na fase de crescimento e terminação foi a circovirose. A mortalidade na fase de creche variou de 0,00% a 1,08% e na fase de crescimento e terminação de 1,82% a 6,72%, entre granjas. As principais causas de mortalidade determinadas foram a circovirose seguida de Síndrome da distensão intestinal suína (SDI) e septicemia, que representaram 25,20%, 11,02% e 6,30%, respectivamente. O desvio de carcaça pelo SIF variou de 1,02 a 6,71%, sendo a pleurisia a principal causa (23,08 a 100%). As frequências de rinite atrófica progressiva e pneumonia variaram de 13% a 70% e 16,7% a 72,7%, dos animais avaliados e os IRAP e IPP variaram de 0,13 a 1,0 e 0,25 a 1,27, respectivamente. As lesões renais variaram de 33 a 50%, sendo a nefrite a mais prevalente. A percentagem de fígado com manchas brancas variou de 4 a 37%. Em todas as granjas observou-se lesão na pars esofágica do estômago, com frequência de 70 a 100%, sendo a lesão de grau 1 a mais observada.

  Palavras-chave: Wean-to-finish. Suíno. Patologias.

ABSTRACT

  This paper presents the results of sanitary evaluation of pigs raised in a wean-to-finish system (WF). The experiment was carried out in the Midwestern region of Santa Catarina, from January to June 2009. During this period, eight herds were evaluated with a total of 3545 pigs, weaned with an average of 28 days of age and 8.22 kg of body weight. Data were collected through eight sanitary assessments, performed on days 0, 7, 14, 38, 69, 102, 137 and 143 after wean, which were called assessment 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6 and 7 respectively . The assessment 0 consisted of an overview of the herds and facilities conditions at the time of the housing of the animals. The assessments 1, 2, 3, 4, 5 and 6 consisted of tutoring clinics, being evaluated rates of diarrhea, coughing and sneezing. The assessment 7 consisted in a slaughter evaluation for pulmonary, renal, hepatic and gastric lesions. Additional clinical evaluations, with achievement of necropsies followed by collection of samples for bacteriological and histopathological exams were made in animals when there were health problems in the respective herd. The rates of coughing and sneezing in the evaluated herds increased at the

  th th

  13 and 18 weeks of age. The highest rate of diarrhea was observed during the nursery period in the first assessment, when Escherichia coli and Yersinia enterocolitica were isolated. During the growing and finishing period, Brachyspira sp. (114 days old), Salmonella sp. (105 days old) and Lawsonia intracelullaris (88 days old) were diagnosed. During the nursery period the most observed diseases was post-weaning diarrhea, and during the growing and finishing period the main disease was PCV2 assosiated disease. During the nursery period the mortality rate ranged from 0 to 1.08% and during the growing and finishing period it ranged from 1.82 to 6.72%. The main causes of mortality determined were circovirosis, Porcine intestinal distencion syndrome and septicemia, which accounted for 25.20%, 11.02% and 6.30% respectively. The rate of carcass condemnation by SIF (Federal Inspection) ranged from 1.02 to 6.71%, and the main cause was pleurisy (23.08 to 100%). The frequency of atrophic rhinitis and pneumonia ranged from 13 to 70% and 16.7 to 72.7% and the which index IRA and IPP ranged from 0.13 to 1.0 and 0.25 to 1.27, respectively. Renal lesions ranged from 33 to 50%, and nephritis was the most observed. The percentage of liver with white spots ranged from 4 to 37% of animals. Lesions in the pars esophageal of the stomach were observed in all the herds with frequency between 70 and 100%. The lesion grade 1 was the most frequently.

  Keywords: Waen-to-finish. Swine. Pathology.

LISTA DE TABELAS

  Tabela 01 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Número de animais alojados, número de origem dos animais, peso médio dos suínos no alojamento e métodos de separação por baia em cada granja......

  26 Tabela 02 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Idade e dias de alojamento dos suínos em cada avaliação sanitária..........................

  26 Tabela 03 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Número de animais abatidos e de animais avaliados no frigorífico de cada granja...

  29 Tabela 04 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Interpretação dos índices de rinite atrófica progressiva...............................

  29 Tabela 05 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Interpretação dos valores obtidos no cálculo do Índice para pneumonia (IPP)..............................................................................................................

  30 Tabela 06 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Escore das lesões macroscópicas observadas na mucosa da pars esofágica...........

  30 Tabela 07 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Média das frequências de diarreia por granja em cada avaliação clínica................

  34 Tabela 08 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Resultado de isolamento bacteriano aeróbio de zaragatoas retais de suínos com diarreia em cada granja e os dias de alojamento e tipo de monitoria realizada no momento de cada coleta...........................................................

  35 Tabela 09 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Médias das frequências de espirro por granja em cada avaliação.............................

  36 Tabela 10 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Média

  Tabela 11 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Número de animais mortos e mortalidade em cada fase por granja...........................

  38 Tabela 12 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Número de cada diagnóstico durante o acompanhamento, total de mortos e porcentagem de mortos por diagnóstico, por granja.....................................

  38 Tabela 13 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Mortalidade semanal por granja durante o período de alojamento..............

  39 Tabela 14 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Número de animais abatidos, idade ao abate, peso médio de carcaça e o número de carcaças desviadas pelo SIF, no abate, por granja........................................

  51 Tabela 15 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Número de animais avaliados, no frigorífico, por grau de lesão nos cornetos nasais e a porcentagem de animais com algum grau de lesão em cada granja........

  51 Tabela 16 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Número de pulmões avaliados, no frigorífico, número de pulmões por categoria de lesão, porcentagem de animais com alguma lesão pulmonar e porcentagem de pleurisia, em cada granja....................................................

  52 Tabela 17 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Índice de rinite atrófica progressiva e índice de pneumonia, nos animais avaliados, no frigorífico, para cada granja.....................................................................

  52 Tabela 18 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Número de estômagos avaliados, no frigorífico, por grau de lesão na pars

  esofágica e a porcentagem de animais com algum grau de lesão em cada granja............................................................................................................

  53 Tabela 19 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Número de rins avaliados, no frigorífico, por lesão e a porcentagem de animais com alguma lesão em cada granja................................................................

  53 Tabela 20 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Número de fígados avaliados, no frigorífico, por grau de lesão de manchas brancas e a porcentagem de animais com algum grau de lesão em cada granja........

  53 Tabela 21 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Principais causas e porcentagem de desvio de carcaça, pelo SIF, no abatedouro, por granja............................................................................................................

  54

LISTA DE FIGURAS Figura 01 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF

  Caracterização dos galpões. A - Galpão com forro fixo, cortinas duplas e, comedouros automáticos (seta). B – Galpão sem forro, com cortinas simples e comedouros lineares convencionais. C - Comedouro automático e comedouros auxiliares, para leitões de início de creche. D – Comedoudo linear auxiliar, para leitões de início de creche.................................................

  33 Figura 02 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Sistema de aquecimento a lenha utilizado nos galpões.......................................................

  34 Figura 03 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Caracterização das diarreias: A – Leitão nas primeiras semanas de creche com diarreia aquosa. B – Suínos de crescimento e terminação com diarreia aquosa e amarelada. C – Diarreia avermelhada observada em fase de crescimento e terminação. D – Fezes cremosa acinzentada observada em fase de crescimento e terminação.....................................................................

  36 Figura 04 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Sinais clínicos e aspectos lesionais da circovirose. A - Baia hospital com animais refugos. B – Animal caquético em estágio avançado da doença. C – Linfonodos mesentéricos aumentados. D – Linfonodos inguinais aumentados.......................................................................................................

  42 Figura 05 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Aspectos lesionais da circovirose. A – Pulmão não colabado, com consolidação antero ventral e edema interlobular. B – Pulmão com pneumonia intersticial (EH. obj. 10X)...........................................................................................................

  42 Figura 06 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Aspecto microscópico de pulmões com pneumonia por circovírus associado a infecção secundária. A – Pulmão com intenso infiltrado de macrófagos e neutrófilos difuso obliterando a luz de alveolos (HE. obj. 10X). B – Infiltrado de macrófagos e neutrófilos na luz de alveolos. (HE, obj. 40X). C – Infiltrado mononuclear perivascular (HE. obj. 40X).....................................

  43

  Figura 07 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Padrão lesional de órgãos de animais com circovírus. A – Fígado: detalhe das células gigantes (HE. obj. 40X). B – Intestino, detalhes das células gigantes na mucosa (HE. obj. 40X). C – Linfonodo com infiltrado de histiócitos moderado (HE. obj. 10X). D – Linfonodo: detalhe do infiltrado de histiócitos com células gigantes. (HE. obj. 40X)..............................................

  44 Figura 8 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF: Lesões renais encontradas em animais com diagnóstico de circovirose. A – Rim: múltiplos pontos esbranquiçados, distribuídos por toda superfície capsular.

B – Rim: infiltrado inflamatório mononuclear intersticial (HE). C – Rim:

  Superfície de corte de rim pálido com múltiplos pontos avermelhados na cortical. D – Rim: infiltrado de macrófagos intersticial acentuado difuso, com glomerulonefrite membranosa (detalhe), dilatação tubular e cilindros hialinos (HE. obj. 10X).....................................................................................

  45 Figura 9 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF: Cortes histológicos de intestinos. A – Criptas com proliferação das células epitelieais e dimimuição das células caliciformes. B – Marcação positiva de imunoistoquímica para Lawsonia intracellularis nas células epiteliais (HE. obj. 10X). ........................................................................................................

  46 Figura 10 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Lesões macroscópicas de Polisserosite. A – Aderência do saco pericárdio ao epicárdio, com deposição de fibrina hidropericárdio. B – Cavidade abdominal com líquido citrino e aderência das alças intestinais......................

  47 Figura 11 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF: Sinais clínicos e achados e necropsia em animais com úlcera gástrica. A - Animal com palidez generalizada. B - Palidez de mucosa vaginal. C – Ulceração ativa em 100% do quadrilátero esofágico. D – Conteúdo sanguinolento na luz intestinal... ..................................................................................................

  48 Figura 12 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Lesões encontradas nas necropsias de aminais mortos com Síndrome da distensão intestinal suína (SDI). A – Alças intestinais avermaladas e deslocadas, com o céco localizado no lado direito da cavidade abdominal (seta). B – Fragmento de alça intestinal com parede avermelhada e conteúdo sanguinolento na luz.........................................................................................

  48 Figura 13 - Acompanhamento sanitário de animais criados no Sistema WF. Lesões macroscópicas de animais com diagnóstico de septicemia. A – Coleção purulenta no saco pericárdico. B - Pericardite purulenta. C – Nódulos esbranquiçados multifocais difusos pelo parênquina. D – Encarceramento de alça intestinal, com deposição de material fibrinopurulento sobre a serosa e fígado com multiplos pequenos abscessos no parênquima (ponta de seta)......

  49

  Figura 14 - Rinite Atrófica Progressiva: A – Suíno com encurtamento de focinho B – Suíno com desvio lateral de focinho. C – Cornetos nasais normal. D – Atrofia dos cornetos nasais inferiores (grau 2). E - Atrofia dos cornetos nasais direitos com desvio do septo nasal para o lado esquerdo (Grau 3). F – Atrofia total dos cornetos nasais (Grau 3)........................................................

  50

  

SUMÁRIO

  24

  4.4 CARREGAMENTO, TRANSPORTE E MONITORIA AO ABATE.................. 28 4.4.1 Monitoria de renite atrófica..................................................................................

  28

  27 4.3 COLETA E MONITORIA LABORATORIAL.................................................

  4.2.1 Monitoramento de diarreias.................................................................................... 27 4.2.2 Monitoramento de doenças respiratórias...............................................................

  4.2 MONITORIAS CLÍNICAS................................................................................... 27

  25

  25 4.1 AVALIAđỏES SANITÁRIAS.............................................................................

  3.2 OBJETIVO ESPECÍFICO..................................................................................... 24 4 MATERIAL E MÉTODOS................................................................................

  

3 OBJETIVO........................................................................................................... 24

3.1 OBJETIVO GERAL..............................................................................................

  1 INTRODUđấO................................................................................................... 15

  22

  2.3 ANÁLISE SANITÁRIA COMPARATIVA ENTRE O SISTEMA WEAN-TO- FINISH E SISTEMA CONVENCIONAL DE CRIAđấO...................................

  21

  2.2.2 Fatores que podem influenciar o desempenho econômico e sanitário do wean-to- finish..................................................................................................................

  19

  2.2 WEAN-TO-FINSH................................................................................................ 19 2.2.1 Instalações.............................................................................................................

  17

  

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA............................................................................. 17

2.1 SISTEMA DE CRIAđấO DE SUễNOS...............................................................

  29

  4.4.3 Monitoria de úlcera gástrica.................................................................................... 30

  4.4.4 Monitoria de lesões renais...................................................................................... 31

  4.4.5 Monitoria de lesões hepáticas................................................................................. 31

  4.4.6 Condenação de carcaça........................................................................................... 31 5 RESULTADOS....................................................................................................

  32

  5.1 CARACTERIZAđấO DOS GALPỏES............................................................... 32

  5.2 DADOS DAS AVALIAđỏES CLễNICAS DAS GRANJAS................................ 33 5.3 DADOS EPIDEMIOLÓGICOS E DE NECROPSIA...........................................

  37

  5.3.1 Mortalidade............................................................................................................ 37 5.3.2 Sinais clínicos, achados de necropsia e histológico..............................................

  40

  5.3.2.1 Circovirose............................................................................................................. 40 5.3.2.2 Enteropatia proliferativa........................................................................................

  45

  5.3.2.3 Polisserosite............................................................................................................. 46 5.3.2.4 Úlcera gástrica.......................................................................................................

  47

  5.3.2.5 Síndrome da distensão intestinal suína (SDI)......................................................... 47

  5.3.2.6 Septicemia............................................................................................................... 49

  5.3.2.7 Achados adicionais................................................................................................ 49 5.4 DADOS DE ABATE.............................................................................................

  51 6 DISCUSSÃO........................................................................................................

  55

  

7 CONCLUSÃO...................................................................................................... 61

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..............................................................

  62 ANEXOS............................................................................................................... 69

  A suinocultura brasileira, a exemplo de outras cadeias produtivas do agronegócio, cresceu significativamente nos últimos anos. Esse crescimento é notado quando se analisa os vários indicadores econômicos e sociais, como volume de exportações, participação no mercado mundial e número de empregos diretos e indiretos.

  A importância da suinocultura para Santa Catarina é demonstrada através dos seus 24 mil produtores, sendo 12 mil com produção em escala comercial e outras 12 mil com produção de subsistência. O Estado possui um rebanho de 6,2 milhões de cabeças sendo responsável por 25% da produção nacional e participa com 28% das exportações brasileiras. Na região Oeste concentra-se a maior produção, com 79% do rebanho; seguido pela região Sul, com 7,8% e o restante, 13,2% distribuídos nas demais regiões. No PIB Estadual, a suinocultura é a principal atividade, participando com 21,43% do total. A atividade emprega diretamente em torno de 65 mil e, indiretamente, mais de 140 mil trabalhadores (ACCS, 2010).

  Para manter esses índices a suinocultura catarinense investe em novas tecnologias e sistemas de criação, que reduzam os custos de produção, não demandem altos custos financeiros, atendam os quesitos de bem estar animal e não agridam ao meio ambiente, visando o desenvolvimento econômico e sustentável tanto para empresa quanto para os produtores.

  O sistema wean-to-finish (desmame-terminação), no qual os animais são desmamados e alojados diretamente em um galpão onde permanecem até o abate (FIRKINS, 1998), vem sendo utilizado em Santa Catarina como alternativa para obtenção de melhores resultados zootécnicos e sanitários. Com esse sistema há a eliminação da saída dos animais do galpão de creche para o de crescimento/terminação, resultando em economia de transportes, mão-de- obra, medicamentos, limpeza e desinfecção entre os grupos. Esta redução de custos juntamente com menor estresse a que os animais são submetidos e o melhor desempenho por eles apresentados, são os fatores favoráveis a aceitação deste novo sistema (DHUYVETTER, TOKACH & DRITZ, 2007). No entanto não existem dados científicos, sobre o sistema wean-

  O presente trabalho propõe avaliar a prevalência das principais doenças da suinocultura intensiva e as principais lesões encontradas no abate em granja que utilizam o sistema wean-to-finish.

  O wean-to-finish (WF) é um sistema de produção de suínos, no qual os animais são desmamados e alojados diretamente em um galpão onde permanecem até o abate (FIRKINS, 1998; JACOBSON, 1998; DHUYVETTER, TOKACH & DRITZ, 2007). Esse sistema é utilizado nos Estados Unidos, Canadá (YACENTIUK, 2007), Chile (PERALTA, 2008) e México (FANO & TORREMORELL, 2008). Nos Estados Unidos iniciou nos anos de 1990 no Centro-Oeste (VANSICKLE, 2001), e corresponde aproximadamente 15% do total dos suínos alojados na terminação (BRUMM, COLGAN & STOWELL, 2005). No Chile, os primeiros testes com o sistema WF foram realizados em 1996, e a sua implantação massiva ocorreu em 1999 (PERALTA, 2008).

  No Brasil o WF começou em 2007, no Meio-Oeste do Estado de Santa Catarina, e foi implantado definitivamente por uma integração, no inicio de 2008, com 70% das granjas produzindo nesse sistema. A meta até 2010 é para que todos os produtores integrados a essa integração estejam adaptados ao WF (PORKWORLD, 2008).

  Um fator que determinou a implantação do sistema no Brasil ocorreu em 2006, quando produtores parceiros registraram uma superlotação nas creches e foram obrigados a retirar os animais precocemente e antecipar o seu alojamento na terminação onde alcançaram, mesmo assim, bons índices produtivos. Com isso, iniciou-se um estudo da viabilidade de implantação do WF em diversos integrados (PORKWORLD, 2008).

  2.1 SISTEMAS DE CRIAđấO DE SUễNOS A criação de suínos permite modelos diversificados de produção, com granjas de ciclo completo e produção em sítios separados, além da diversidade dos modelos construtivos, indo desde os sistemas ao ar livre até granjas com locais exclusivos de criação (BRANDT, 2007).

  Na produção atual, os aspectos construtivos das instalações diferem-se em cada fase de criação e são adequadas às características físicas, fisiológicas e térmicas dos animais, utilizando assim, no mínimo, três estágios de instalações (KUNZ et al., 2003), galpão para

  O galpão da maternidade é a instalação utilizada para o parto e fase de lactação, onde os leitões ficam, geralmente, até 21 dias de idade, com média de 6 kg de peso vivo (SOBESTIANSKY et al., 1998). O galpão de creche é destinado aos leitões desmamados, e compreende o período que se inicia após o desmame; permanecendo até a idade entre 63 a 70 dias com peso médio de 18 a 25 Kg (SOBESTIANSKY et al., 1998; FERREIRA; FIALHO & LIMA, 2004). A instalação para crescimento/terminação é uma edificação única onde são alojados os animais da saída de creche até o abate. A fase de crescimento compreende desde a saída do animal da creche até a idade de 120 dias, com um peso médio de 60 kg. A terminação é subsequente à fase de crescimento e vai até o abate, variando a idade e o peso conforme as exigências do mercado e o custo de produção (FERREIRA; FIALHO & LIMA, 2004).

  As fases de criação dos suínos podem ser realizadas em uma ou mais áreas geográficas diferentes, determinando os sítios de criação (SOBESTIANSKY et al., 1998). No Brasil, os sistemas praticados são: Sistema de ciclo completo, onde todas as etapas de criação são realizadas em um mesmo local. Nesse sistema, animais de diferentes idades convivem em um mesmo meio ambiente ocasionando alguns problemas sanitários inerentes, como dificuldade de eliminação de doenças infecciosas, ocorrência de doenças enzoóticas e maior número de animais com doenças crônicas (SOBESTIANSKY et al., 1998).

  No sistema em dois sítios, há dois locais de produção independentes. No primeiro sítio ficam alojadas os reprodutores, as matrizes e os leitões até a fase de creche e no segundo sítio alojam os animais em fase de crescimento e terminação (SOBESTIANSKY et al., 1998).

  Harris propôs que a alocação dos vários estágios da produção de suínos em locais diferentes facilitaria a eliminação de diversas doenças infecciosas, sugerindo a produção em múltiplos sítios (três sítios). Nesse sistema, a produção é realizada em três locais, no primeiro ficam alojadas as matrizes e os leitões até o desmame, o segundo destina-se à fase de creche e o terceiro sítio as fases de crescimento e terminação (SOBESTIANSKY et al., 1998).

  Há o sistema de produção em quatro sítios, pouco utilizado pelos suinocultores brasileiros; trata-se de um modelo de produção com local especializado na preparação de leitoas considerando manejos sanitários, diferenciação de nutrição, manejo reprodutivo e entrega de matrizes cobertas por demanda (BRANDT, 2007).

  Os múltiplos sítios de produção possibilitam uma maior eficiência nos aspectos relacionados à biosseguridade, proporcionando uma melhor condição sanitária ao plantel além da especialização da mão-de-obra. As desvantagens estariam na necessidade de manutenção

  (SOBESTIANSKY et al., 1998), além do estresse de remanejo dos suínos em cada transferência (SHERRITT et al., 1974; WELLOCK, EMMANS & KYRIAZAKIS, 2003).

  No sistema wean-to-finish utiliza-se a produção em dois sítios. Nele os galpões de reprodução e maternidade são idênticos às estruturas comumente empregadas em sistemas tradicionais. No entanto, o que o torna diferente é a adaptação de tecnologias utilizadas nos sistema de creche e crescimento/terminação combinadas em uma única unidade de produção (YACENTIUK, 2007).

  Uma das vantagens desse sistema é a economia em transporte, pois não há a saída dos animais do galpão de creche para o de crescimento/terminação (FIRKINS, 1998). Outro fator a ser considerado é que um caminhão transporta um número maior de animais de uma única vez, se comparado ao sistema convencional, pois no WF os suínos alojados são mais novos e consequentemente menores e mais leves (COPERIO, 2008).

  A não transferência dos animais de galpão também facilita a utilização do sistema todos dentro - todos fora, com diminuição dos dias de vazio sanitário/ano/instalação, que no sistema WF é em média 20 dias e no sistema de três sítios são 70 dias ( FIRKINS, 1998; PERALTA, 2008), e diminuição dos custos com limpeza e desinfecção ( FIRKINS, 1998).

  O ganho sanitário desse sistema está em manter a integridade do grupo, evitando a mistura de animais após o período de creche e o estresse causado pelo estabelecimento de novas hierarquias (JACOBSON, 1998; BRUMM et al., 2002). Trazendo com isso economia no uso de medicamento e menores perdas por morte (JACOBSON, 1998; PERALTA, 2008).

  A redução de custos juntamente com menor estresse a que os animais são submetidos, o melhor desempenho por eles apresentados (DHUYVETTER, TOKACH & DRITZ, 2007), e a simplificação da logística no sistema de criação de suínos são os fatores favoráveis a aceitação deste novo sistema (HOLLIS, 2007).

  2.2 WEAN-TO FINISH

  2.2.1 Instalações O principal desafio no WF é proporcionar instalações como piso, comedouros e sistema de climatização adequados para cada fase de desenvolvimento dos animais (BRUMM et al., 2002; WOLTER et al., 2002; PERALTA, 2008), além do treinamento de funcionários para que sejam capazes de manejar desde leitões recém desmamados até animais de terminação (PERALTA, 2008).

  A saída da maternidade para a creche representa um choque para os leitões, pois deixam a companhia da porca e, em substituição ao leite materno, passam a se alimentar exclusivamente de ração (AMARAL et al., 2000). Por essa razão, os cuidados dedicados aos leitões, principalmente nos primeiros dias de creche, são importantes para evitar perdas e queda no desempenho, que normalmente resultam na ocorrência de diarreias (BERTOL, 2000).

  Sendo assim, os galpões WF necessitam de adaptações para o alojamento de leitões na fase de creche. Uma mudança necessária, principalmente em um galpão totalmente ripado, é a instalação de uma superfície sólida e aquecida para repouso dos leitões. Esteiras de madeira compensada, ou mantas de borracha, podem ser colocadas para servir como local de repouso e alimentação (JACOBSON, 1998; HOLLIS, 2007; YACENTIUK, 2007). Algum tipo de calor radiante, lâmpada de calor ou campânula, é necessário na área sólida, para obter uma temperatura de superfície adequada durante as primeiras semanas (JACOBSON, 1998; YACENTIUK, 2007).

  Em galpões com divisórias ripadas, pode ser necessário adicionar barras horizontais na parte inferior para dificultar a passagem dos animais entre as baias (JACOBSON, 1998; YACENTIUK, 2007). Também é necessária a instalação de barreiras nos comedouros para impedir que os leitões deitem sobre a comida (JACOBSON, 1998), ou a instalação de comedouros especializados até que os leitões atinjam um tamanho adequado (YACENTIUK, 2007).

  Se forem utilizados bebedouros tipo nipple, a pressão da água e altura dos bebedouros devem ser reguladas de acordo com a faixa etária dos animais (JACOBSON, 1998). Alguns autores preconizam a utilização de bebedouros tipo concha para os leitões pequenos (FIRKINS, 1998; YACENTIUK, 2007).

  Para o funcionamento no inverno, o galpão é diminuído para que possa ser ventilado mecanicamente e ocorra um menor fluxo de ar, diferente do utilizado para suínos de terminação. Lonas podem ser grampeadas, por quatro a oito semanas dependendo da temperatura, para melhor vedação das baias (JACOBSON, 1998; YACENTIUK, 2007). Peralta (2008) afirma haver um maior gasto de energia para aquecimento no período pós- desmame.

  Os novos galpões WF já são construídos com baias e equipamentos que atendam as necessidades dos leitões jovens. Algumas mudanças incluem a instalação de uma área sólida com placas de concreto que podem ser aquecidas, assoalho de aço ou plástico, assim como

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