UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA JUSSARA MARIA FERRAZZA

  

UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ

PROGRAMA DE PốS-GRADUAđấO EM AGRONOMIA

  

DINÂMICA DE PRODUđấO DE FORRAGEIRAS ANUAIS DE

  

INVERNO SEMEADAS EM DIFERENTES ÉPOCAS

DISSERTAđấO

  

UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ

PROGRAMA DE PốS-GRADUAđấO EM AGRONOMIA

  

DINÂMICA DE PRODUđấO DE FORRAGEIRAS ANUAIS DE

  

INVERNO SEMEADAS EM DIFERENTES ÉPOCAS

DISSERTAđấO

  JUSSARA MARIA FERRAZZA

  DINÂMICA DE PRODUđấO DE FORRAGEIRAS ANUAIS DE

INVERNO SEMEADAS EM DIFERENTES ÉPOCAS

  Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Agronomia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Câmpus Pato Branco, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Agronomia - Área de Concentração: Produção Vegetal (Integração Lavoura-Pecuária).

  Orientador: Dr. Thomas Newton Martin Co-Orientador:Dr. André Brugnara Soares Dr. Alceu Luiz Assmann

  PATO BRANCO 2011 F381d

  Ferrazza, Jussara Maria

Dinâmica de produção de forrageiras anuais de inverno semeadas em

diferentes épocas / Jussara Maria Ferrazza - 2011 69 f. : il. ; 30 cm Orientador: Prof. Dr. Thomas Newton Martin Co-orientador: Prof. Dr. André Brugnara Soares Co-orientador: Dr. Alceu Luiz Assmann

Dissertação (Mestrado) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

Programa de Pós-Graduação em Agronomia. Pato Branco/PR, 2012. Bibliografia: f. 59 - 66

1. Avena sativa. 2. Avena strigosa. 3 Lolium multiforum. 4. Secale cereale. 5.

  

Triticosecale W. I. Martin, Thomas Newton, orient. II. Soares, André Brugnara,

co-orient . III Assmann, Alceu Luiz , co-orient. IV Universidade Tecnológica

Federal do Paraná. V. Programa de Pós-Graduação em Agronomia. VI. Título.

CDD(22. ED.) 630

  Ficha Catalográfica elaborada por Elda Lopes Lira CRB 9/1295 Biblioteca da UTFPR Câmpus Pato Branco

  Aos meus queridos pais, Antonio e Neiva, por acreditarem e conduzirem na realização dos meus sonhos. E a Deus , pela graça de ser escolhida para viver humanamente a vida.

  Dedico.

  

AGRADECIMENTOS

  A Deus pelo presente da vida e por colocar em minhas mãos tal oportunidade; Aos meus pais, Antonio Vilmar Ferrazza e Neiva Maria G. Ferrazza, pelos ensinamentos de vida, pelo amor incondicional, dedicação, exemplo de responsabilidade e pelo constante apoio para esta conquista;

  Aos meus irmãos; Ao Vinícius, namorado, companheiro, ajudante e conselheiro, por ter dividido comigo todas as alegrias e dificuldades nesta caminhada; A Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Câmpus Pato Branco e ao Programa de Pós-graduação em Agronomia pela oportunidade de realização do

  Curso de Mestrado; Ao IAPAR de Pato Branco, em especial ao Dr. Alceu Luiz Assmann, pela oportunidade de realização deste trabalho e por toda ajuda recebida; A Fundação Araucária, pela bolsa de estudos; Aos meus orientadores, Dr. André Brugnara Soares e Thomas Newton

  Martin, pela excelente orientação, paciência, dedicação, pelos ensinamentos, conselhos e oportunidades, transmitindo respeito, amizade e confiança; Ao corpo docente do PPGA pelos conhecimentos proporcionados; Aos meus amigos, colegas e estagiários da área de agronomia, pela colaboração na execução deste experimento, pela companhia e amizade; E a todos que de alguma forma contribuíram para realização deste trabalho, meu muito obrigada.

  “Sonhe com aquilo que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que quer. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte.

  Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz.

  As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.

  Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram.

  Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre.

  E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.” Clarice Lispector

  

RESUMO

  FERRAZZA, Jussara Maria. Dinâmica de produção de forrageiras anuais de inverno semeadas em diferentes épocas. 69 f. Dissertação (Mestrado em Agronomia) – Programa de Pós-Graduação em Agronomia (Área de Concentração: Produção vegetal), Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Pato Branco, 2011.

  A estacionalidade de produção de plantas forrageiras é um problema muito frequente no Sul do Brasil, devido principalmente às baixas temperaturas e geadas que ocorrem no período de inverno. Essas características limitam o crescimento das plantas, determinando períodos de falta de forragem para os rebanhos. O trabalho foi realizado no período de março a novembro de 2009 com objetivo de avaliar as características produtivas de cultivares de forrageiras anuais de inverno (Avena

  

strigosa Schereb, Lolium multiflorum Lam, Avena sativa, Triticum aestivum, Secale

cereale e Triticosecale Wittmack) em quatro épocas de semeadura (11 de março, 08

  de abril, 06 de maio e 03 de junho). O delineamento experimental empregado foi o de blocos ao acaso, com três repetições em parcelas subdivididas. Foram avaliados o número de dias para o primeiro corte, o número de cortes, dias de utilização da pastagem, a densidade de plantas e perfilhos, a produção total, a matéria seca residual, a produção por corte e a dinâmica produtiva (taxa de acúmulo diário mensal de MS). Houve interação significativa entre forrageiras e épocas de semeadura para todas as variáveis analisadas, indicando muitas combinações entre espécies forrageiras e data de semeadura de acordo com cada sistema. As aveias brancas, os azevéns, e a aveia preta IAPAR 61, apresentaram alta capacidade de produção e distribuição de forragem, especialmente se semeadas até início de maio. Para a variável taxa de acúmulo tiveram destaque às aveias brancas UTF Iguaçú e

  IPR 126, aveia preta IAPAR 61, os azevéns, e centeio, que apresentaram em média

  • 1

  produção diária de forragem de 51,4 kg ha após a primeira utilização, demonstrando possuírem elevada capacidade de produção e manutenção da produção, também se semeadas até início de maio.

  

Palavras-chave: Avena sativa, Avena strigosa, Lolium multiflorum, Secale cereale,

Triticosecale W., dinâmica de produção de forragem.

  

ABSTRACT

  FERRAZZA, Jussara Maria. Dynamics of winter annual grasses production sown on different dates. 69 f. Dissertation (Master’s in Agronomy) – Graduation program in Agronomy (Field of study: Vegetable Poduction), Federal Technologic University of Paraná (UTFPR). Pato Branco, 2011.

  Forage production seasonality is a great concern in southwestern Brazil. It occurs mainly due to the low temperatures and frost that occur during the winter. Those characteristics prevent forage plants growth, causing lack forage shortage to herds. The trial was carried out from March to November 2009 in order to evaluate productive characteristics of winter annual forage grasses (Avena strigosa Schereb,

  

Lolium multiflorum Lam, Avena sativa, Triticum aestivum, Secale cereale, and X

th th th

  

Triticosecale Wittmack) under four sowing dates: March 11 , April 8 , May 6 and

rd

  June 3 . Completely randomized blocks with three replications in a split plot design was used. It was evaluated number of days to first harvest, number of harvests, pasture utilization period, tiller and plant population densities, total herbage production, stubble mass, herbage production by harvest, and production dynamics (dry matter accumulation rate). There was significant interaction between grasses and sowing dates for all variables, indicating many combinations between forage species and sowing date according each system. White oats, ryegrasses and black oat cv. IAPAR 61 performed better in relation to forage production and forage production persistance, especially if sown until early May. In relation to accumulation rate, white oats UTF Iguaçú and IPR 126, black oat IAPAR 61, ryegrasses, and rye

  • 1

  presented better performance, which presented average of 51.4 kg DM ha after first cut, showing a great performance in terms of forage production and maintenance of their forage production, especially when sowed until beginning May.

  

Keywords: Avena sativa, Avena strigosa, Lolium multiflorum, Secale cereale,

Triticosecale W., forage production dynamic.

  

LISTA DE ILUSTRAđỏES

Figura 1 – Caracterização das temperaturas mínimas (T. mín), máximas (T. máx) e média (T. méd) e

precipitação do ano de 2009. Estação Meteorológica do Instituto Agronômico do Paraná

  (IAPAR). Pato Branco, 2009............................................................................................. 29

Figura 2 – Caracterização das horas de sol no 15º dia do mês. (Adaptado de Tubelis & Nascimento,

1992)................................................................................................................................. 30

  

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Caracterização química do solo antes só início do experimento. Pato Branco, 2010.........28

Tabela 2 - Análise de variância (forrageiras de inverno x época de semeadura), com as respectivas

fontes de variação (FV), graus de liberdade (GL), quadrados médios (QM), estatística F calculada (F) e probabilidade α = P(F≥Fc), para as variáveis número de plantas por metro quadrado (NPL), densidade populacional de perfilhos (DPP), matéria seca residual (MSR, e produção total de matéria seca (PT), produção de forragem em cada um dos oito cortes (PFC1), (PFC2), (PFC3), (PFC4), (PFC5), (PFC6), (PFC7) e (PFC8). Pato Branco, 2010. .......................................................................................................................................... 32

Tabela 3 – Caracterização para os cortes e utilização das pastagens. Pato Branco, 2010.................34

  

Tabela 4 – Média dos caracteres avaliados nas diferentes forrageiras e épocas de semeadura. Pato

Branco, 2010..................................................................................................................... 38 Tabela 5 – Produção de forragem (kg MS ha -1 ) do primeiro ao quarto corte para as forrageiras nas épocas de semeadura. Pato Branco, 2010.......................................................................40

Tabela 6 – Média para a produção de forragem do quinto ao oitavo corte, conforme as forrageiras e

as épocas de semeadura. Pato Branco, 2010..................................................................42

Tabela 7 - Análise de variância bifatorial (forrageiras de inverno x época de semeadura), com as

respectivas fontes de variação (FV), graus de liberdade (GL),quadrados médios (QM), estatística F calculada (F) e probabilidade α = P(F≥Fc), para as variáveis Taxa de acúmulo diária de matéria seca nos meses em MSha-1dia-1: março (TAmar), abril (TAabr), maio (TAmai), junho (TAjun), julho (TAjul), agosto (TAago), setembro (TAset) e outubro (TAout). Pato Branco, 2010.................................................................................49

  Tabela 8 - Taxa de acúmulo diária de forragem no mês de março (TAmar, kg ha -1 dia -1 de MS), abril (TAabr, kg ha

  • -1 dia -1

  de MS), maio (TAmai, kg ha -1 dia -1 de MS) e junho (TAjun, kg ha -1 dia - 1 de MS) conforme as forrageiras e as épocas de semeadura. Pato Branco, 2010..........50 Tabela 9 - Taxa de acúmulo diária de forragem no mês de julho (TAjul, kg ha -1 dia -1 de MS), agosto (TAago, kg ha

  • -1 dia -1

  de MS), setembro (TAset, kg ha -1 dia -1 de MS) e outubro (TAout, kg ha

  • -1 dia -1 de MS) conforme as forrageiras e as épocas de semeadura. Pato Branco, 2010.

  .......................................................................................................................................... 53

  AB2 Aveia Branca FAPA 2 AB43 Aveia Branca FAPA 43 ABI Aveia Branca IPR 126 ABU Aveia Branca UTF Iguaçú AP61 Aveia Preta IAPAR 61 APAC Aveia Preta Agro-Coxilha APC Aveia Preta Comum APM Aveia Preta Moreninha APP Aveia Preta Agro-Planalto APZ Aveia Preta Agro-Zebu AZC Azevém Comum AZS Azevém São Gabriel CES Centeio Serrano DPP Densidade Populacional de Perfilhos FDN Fibra em Detergente Neutro MS Matéria Seca MSR Matéria Seca Residual NC Número de Cortes NDPC Número de Dias para o Primeiro Corte NDU Número de Dias de Utilização da Pastagem NPL Número de Plantas PFC1 Produção de Forragem no Primero Corte PFC2 Produção de Forragem no Segundo Corte PFC3 Produção de Forragem no Terceiro Corte PFC4 Produção de Forragem no Quarto Corte PFC5 Produção de Forragem no Quinto Corte PFC6 Produção de Forragem no Sexto Corte PFC7 Produção de Forragem no Sétimo Corte PFC8 Produção de Forragem no Oitavo Corte PT Produção Total de Matéria Seca T399 Triticale TCL 399 TA Taxa de Acúmulo TAabr Taxa de Acúmulo no mês de Abril TAago Taxa de Acúmulo no mês de Agosto TAjul Taxa de Acúmulo no mês de Julho TAjun Taxa de Acúmulo no mês de Junho TAmai Taxa de Acúmulo no mês de Maio TAmar Taxa de Acúmulo no mês de Março TAout Taxa de Acúmulo no mês de Outubro TAset Taxa de Acúmulo no mês de Setembro TBT Trigo BRS Tarumã TPO Triticale POLO 981

  

SUMÁRIO

  

1 INTRODUđấO.........................................................................................................13

  

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA....................................................................................15

  2.1 ESTACIONALIDADE DE PRODUđấO DE FORRAGENS...................................15

  2.2 UTILIZAđấO DE PLANTAS FORRAGEIRAS ANUAIS DE INVERNO................17

  2.2.1 Aveia...................................................................................................................18

  2.2.2 Azevém anual.....................................................................................................19

  2.2.3 Centeio...............................................................................................................21

  2.2.4 Triticale...............................................................................................................22

  2.2.5 Trigo....................................................................................................................23

  3 PRODUđấO DE FORRAGEIRAS ANUAIS DE INVERNO SEMEADAS EM

DIFERENTES ÉPOCAS..............................................................................................25

  3.1 RESUMO ..............................................................................................................25

  3.2 ABSTRACT ..........................................................................................................25

  3.3 INTRODUđấO......................................................................................................26

  3.4 MATERIAL E MÉTODOS......................................................................................27

  3.5 RESULTADOS E DISCUSSÕES..........................................................................31

  3.6 CONCLUSÕES.....................................................................................................43

  3.7 CONSIDERAđỏES FINAIS..................................................................................43

  4 DINÂMICA DE PRODUđấO DE FORRAGEM DE GRAMễNEAS ANUAIS DE

  

INVERNO EM DIFERENTES ÉPOCAS DE SEMEADURA.......................................44

  4.1 RESUMO ..............................................................................................................44

  4.2 ABSTRACT...........................................................................................................44

  4.3 INTRODUđấO......................................................................................................45

  4.4 MATERIAL E MÉTODOS......................................................................................47

  4.5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ...........................................................................49

  4.6 CONCLUSÃO........................................................................................................55

  

5 CONSIDERAđỏES FINAIS.....................................................................................57

REFERÊNCIAS...........................................................................................................59

APÊNDICES................................................................................................................67

  No Brasil, como na maioria das regiões do mundo, existe o problema da estacionalidade de produção das plantas forrageiras, devido principalmente, à não ocorrência de chuvas durante o ano todo em algumas regiões, e também as baixas temperaturas e geadas que ocorrem no período de inverno na região Sul do País. Essas características vêm limitando o crescimento das plantas forrageiras, alternado crescimentos vigorosos nos períodos quentes, com baixas taxas de crescimento e baixas produções nas épocas frias do ano, determinando períodos de safras e entressafras para a produção de alimentos.

  As condições apresentadas pelo Brasil à exploração de sistemas de produção animal a base de pasto são bastante favoráveis. Entretanto, as diferenças edafoclimáticas das regiões implicam na utilização de forrageiras com mecanismos de adaptação bastante distintos, visando superar as pressões dos estresses ambientais e manter elevada produção e qualidade de forragem.

  Na Região Sul do Brasil, o período crítico causado pelas baixas temperaturas, está compreendido entre os meses de abril a setembro, caracterizado por baixa capacidade suporte devido à baixa disponibilidade de forragens nas pastagens (Bortolini et al., 2005; Costa et al., 2008; Restle et al., 2000) . Este fato gera redução da capacidade dos pecuaristas realizarem investimentos na modernização da atividade por não utilizarem nível tecnológico adequado para a obtenção de uma exploração pecuária eficiente. Esses fatores vêm contribuindo para a baixa produtividade animal, diminuindo drasticamente a produção de leite e ocasionando perda de peso nos animais de corte.

  Devido às pressões do mercado, os produtores vêm procurando obter aumento de produtividade com a intensificação do sistema produtivo, fato que já vem ocorrendo especialmente nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. As dificuldades apresentadas para a obtenção de uma produção de forragem mais uniforme durante o ano podem ser superadas através da utilização de diversas tecnologias. Entre elas destaca-se a utilização de plantas forrageiras de inverno, que crescimento das forrageiras de verão. Esse procedimento provoca aumento tanto na quantidade, quanto na qualidade da forragem podendo alterar a distribuição de forragem durante o ano, com a redução da necessidade de alimentação suplementar, neste período.

  Existem muitas informações a respeito da produção de forrageiras anuais de inverno, principalmente relacionados às gramíneas como o azevém, aveia, centeio, triticale e trigo ou mesmo em consórcio com leguminosa como os trevos e as ervilhacas (Soares & Restle, 2002; Roso et al., 2000; Rocha et al., 2003).

  Os resultados de produção total não evidenciam a dinâmica da produção forrageira durante todo o período de estação fria, ou seja, como se distribuição no tempo essa produção de forragem, não demonstrando ao produtor qual o melhor material genético para épocas especificas de semeadura e o comportamento das cultivares ao longo dos meses de inverno. Uma distribuição de forragem mais uniforme durante esses períodos é de extrema importância, pois facilita o manejo das pastagens, diminui custos de produção pela redução da suplementação alimentar, etc. Portanto a época de semeadura e o material forrageiro é que definem a distribuição da produção indicando qual a taxa de acúmulo mensal de forragem, informação que é de extrema valia para fazer um planejamento forrageiro. O presente trabalho tem sua importância pela sua aplicabilidade às condições regionais e pela falta de pesquisas científicas locais. Testando diferentes espécies/genótipos em diferentes épocas de semeadura com o objetivo de antecipar e prolongar a disponibilidade de forragens na estação compreendida entre o outono, inverno e primavera, suprindo os chamados “vazios forrageiros”. Assim os produtores poderão verificar qual a cultivar que produz mais em cada época considerada, possibilitando o planejamento forrageiro mais adequado às reais situações da propriedade.

  Este trabalho baseia-se na hipótese de que existe interação entre época de semeadura e as espécies/cultivares de forrageiras anuais de inverno no que tange à produção de forragem e a dinâmica de produção de forragem. O objetivo do presente trabalho foi avaliar a dinâmica produtiva de forrageiras anuais

  2.1 ESTACIONALIDADE DE PRODUđấO DE FORRAGENS A pecuária brasileira tem como base as pastagens formadas por gramíneas. Na Região Sul do Brasil a produção de forragem é elevada na estação da primavera e do verão, decorrente da alta incidência de chuvas, temperatura elevada e alta luminosidade, o que não ocorre no inverno e no outono (Córdova, 2004). Em contrapartida os períodos de vazios são devido à baixa luminosidade, baixas temperaturas e muitas vezes ocorrência de geadas. Segundo Costa et al.

  (2008), independente do tipo de pastagem nativa ou cultivada, bem como o seu manejo, intensivo ou extensivo, a estacionalidade de produção de forragem, varia de 10 a 20% da produção anual, em razão das alterações climáticas durante o ano.

  É comum na Região Sul os produtores investirem em espécies forrageiras anuais de inverno como aveia e azevém. No entanto, a maior parte das áreas utilizadas com pastagens anuais de inverno são áreas destinadas às culturas anuais de verão, o que reforça ainda mais a situação conhecida como “vazio forrageiro”, períodos que ocorrem no início do outono (abril e maio) e no início da primavera (setembro), pois produtores que realizam safrinha de verão, atrasam a implantação das forrageiras de inverno, e além disso os que vão produzir milho no verão seguinte, acabam dessecando no mês de agosto as pastagens para a implantação dessa cultura (Hanisch & Gislon, 2010). Com isso, reforça-se a necessidade da produção de forragem em períodos de escassez por meio do cultivo de espécies anuais invernais, disponibilizando forragem para os animais, protegendo o solo nesse período, ampliando também a produção de palhada para o cultivo de grãos no verão, em sistema de integração lavoura-pecuária (Nicoloso et al., 2006).

  Existem várias alternativas para o vazio forrageiro, entre elas destacam-se a utilização de alimentos conservados e concentrados, de custo elevado, e a utilização de forrageiras hibernais como a aveia e o azevém que apresentam custos de produção mais baixos, facilidade de manejo e que são adaptadas à região (Assmann et al., 2006, Assmann et al., 2010).

  O sistema de integração lavoura-pecuária praticado no Sul do Brasil apresenta ótimos índices produtivos devido às condições climáticas e edáficas da região, supostamente quando acompanhado de um correto planejamento e manejo do sistema (Assmann et al., 2006; Assmann et al., 2010, Nicoloso et al., 2006). Segundo Oliveira (2002) esse sistema pode ser definido como sistema de produção, em que a exploração animal está geograficamente associada à produção de grãos, havendo alternância desta com a produção de forragem no mesmo ano agrícola. Na região sul, explora-se principalmente a produção de grãos (soja, milho e feijão) no período de verão e a produção animal (leite e carne) em pastejo de espécies forrageiras anuais de inverno (aveia, azevém, trigo duplo propósito, triticale, dentre outros) (Bortolini et al., 2004, Bortolini et al., 2005).

  Segundo Postiglioni (1982), próximo de 25% da produção do animal acumulada na primavera/verão/outono pode ser perdida no inverno/primavera, se não houver adequado planejamento forrageiro. Dentre os aspectos desejáveis à utilização de plantas forrageiras, a distribuição uniforme da produção de forragem durante o ano, parece ser um dos atributos mais objetivados pelos produtores.

  As plantas forrageiras de origem tropical e subtropical apresentam crescimento reduzido durante o período de inverno. Dessa forma, de abril a setembro, quando as temperaturas são baixas, ocorre diminuição na oferta de forragem nas pastagens (Gerdes, 2003).

  A disponibilidade de água é isoladamente o fator que mais limita a produção de forragem. A radiação solar é indispensável para a vida das plantas, pois regula a fotossíntese e o desenvolvimento da planta. A temperatura é um dos fatores importantes para a fase bioquímica de carboxilação e redução do dióxido de carbono da fotossíntese, alterando a velocidade das reações (Gomide, 2003).

  Segundo Pedreira et al. (1998), as plantas do grupo C3 necessitam entre 550 a 750 gramas (g) de água por g de matéria seca (MS) produzida, enquanto que as C4 necessitam 250 a 350g. Portanto, para cada tonelada (t) de MS produzida, as gramíneas de clima temperado exigem entre 55 a 75 mm de água, enquanto que gramíneas tropicais exigem entre 25 a 35 mm de água, respectivamente (Aguiar & Silva, 2002).

  A radiação fotossinteticamente ativa, compreendida na faixa de 400 a 700 mm e que corresponde a 50% do espectro solar, é interceptada pelas sucessivas camadas de folhas, sofrendo alterações na quantidade e qualidade à medida que penetra no dossel vegetal, condicionando a intensidade de sua fotossíntese (Gomide, 2003).

  As temperaturas cardeais para as forrageiras são mínima de 5ºC e máxima de 30ºC, para as plantas do grupo C3, e mínima de 15ºC e máxima de 40ºC para as do grupo C4 (Rodriguez et al.,1996)

  Segundo Gerdes (2003), o aparecimento de folhas, a senescência e a longevidade de folhas, além do desenvolvimento de gemas, respondem rapidamente a qualquer mudança de temperatura. Isso influenciará as características estruturais do dossel forrageiro como o tamanho da folha, densidade de perfilhos e número de folhas vivas por perfilho, além de influenciar na composição química da planta, ou seja, alterando a sua qualidade (Gomide et al., 1997; Gerdes, 2003).

  É destacada a importância de implantação de espécies que permitam maior produtividade do sistema, uma vez que os sistemas de produção em pastagem são os mais viáveis em propriedades leiteiras e de corte com poucos recursos para investimento. A utilização de gramíneas anuais de estação fria como pastagens constitui alternativa de produção de forragem em sistemas de rotação com culturas de verão, visando suprir a deficiência alimentar ocasionada por baixas temperaturas, geadas e pouca luminosidade no outono e inverno (Roso et al., 1999).

  2.2 UTILIZAđấO DE PLANTAS FORRAGEIRAS ANUAIS DE INVERNO O cultivo de plantas forrageiras hibernais é favorável na região sul do

  Brasil, sendo uma das melhores alternativas para diminuir a falta de alimento durante o período de inverno, pois os produtores lançam mão do uso de alimentos conservados e concentrados que elevam os custos da produção (Assmann et al., 2006). Segundo Moraes & Lustosa (1999), o crescimento ótimo de espécies de inverno se dá numa faixa de temperatura entre 18ºC e 23ºC e o aumento da taxa de acúmulo de massa seca dessas espécies hibernais tem alta correlação com o temperaturas mínimas de 11ºC e máximas de 19ºC, favorecendo o estabelecimento dessas espécies na região (IAPAR, 2009).

  Dentre as alternativas disponíveis para amenizar o déficit alimentar no inverno está o cultivo de aveia (Avena sp.), azevém (Lolium multiflorium Lam.), centeio (Secale cereale L), triticale ( X Triticosecale W.) e trigo (Triticum aestivum L.). Essas gramíneas além de serem cultivadas isoladas, podem ser cultivadas em consórcio com outras plantas forrageiras, tanto gramíneas quanto leguminosas.

  De acordo com Floss (1988) as razões do ótimo desempenho animal em pastagens de espécies forrageiras de ciclo hibernal estão na composição bromatológica da forragem produzida, que varia conforme o estádio de desenvolvimento das plantas. A qualidade destas forragens depende, dentre outros fatores, do manejo ao qual são submetidas na fase de produção, como, adubação, altura e intervalo entre cortes e condições de pastejo (Cecato et al. 1998; Alvim & Cóser, 2000; Restle, et al. 2000).

  2.2.1 Aveia As aveias (branca - Avena sativa L. e preta - Avena strigosa Schreb) ocupam o sétimo lugar, entre os cereais produzidos no mundo, sendo cultivadas para a produção de grãos (aveia branca) para uso destinado à alimentação humana ou animal (especialmente cavalos): forragem (pretas e brancas) na forma de pastejo, feno, silagem pré-secada, silagem de planta inteira, duplo propósito e, cobertura do solo e adubação verde (Alves et al. 2009). Essa cultura possui ampla adaptabilidade, sendo cultivada principalmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde a temperatura (20 - 25 ºC) favoreça o seu desenvolvimento vegetativo (Floss, 1988, Floss et al., 2008).

  As aveias apresentam hábito de crescimento cespitoso (touceiras) e o sistema radicular é fasciculado, sendo as raízes de aveia mais fibrosas, o que facilita a penetração no solo. Em condições favoráveis, produzem de 4 a 5 afilhos, muito importantes para a longevidade da pastagem. Os colmos são cilíndricos e eretos, compostos de nós e entrenós. As folhas possuem bainhas vilosa, lígula obtusa e

  (emergência a maturação), desde 120 até 200 dias. Essa variação depende entre outros fatores da cultivar, da época de semeadura, latitude, longitude e altitude. Existe uma considerável diversidade do gênero Avena em relação ao fotoperíodo, sendo considerado uma planta de dias longos.

  Na maioria das regiões a melhor época de semeadura das aveias é março/abril e a quantidade de semente recomendada é de 350 a 400 sementes

  • aptas m ². A semeadura preferencialmente deve ser realizada em fileiras e a profundidade deve ser de 2 a 4 cm (Alves et al., 2009). Segundo Monteiro & Moraes (1996) no sistema de pastejo rotativo, o início da utilização deve ser quando as plantas atingirem de 25 a 30 cm de altura deixando-se uma resteva de 5 a 7cm e no contínuo recomenda-se manter a pastagem entre 15 e 20 cm.

  Reis et al. (1993) mostraram que 95 % do material vegetal da aveia preta, com 60 dias de crescimento, era constituído por folhas, com teor médio de proteína bruta igual a 23%. Kichel & Miranda (2000), ressaltaram que a aveia forrageira possui crescimento padronizado e bom perfilhamento podendo chegar a

  • 1

  26% o nível de proteína bruta e 60 a 80% de digestibilidade, produzindo 2 a 6 t ha de MS. Maurílio (2006) indica o mês de abril e meados de maio para a semeadura de aveia que em sistema de corte propicia um rendimento de forragem de 4 – 6 t MS

  • 1 ha e um nível de proteína bruta de até 25%.

  Semeaduras realizadas em 25 de maio e 29 de junho, com quatro cultivares de aveia preta, resultaram em dois cortes na primeira época com 4,0 t MS

  • 1

  ha a mais do que na segunda época com um corte, todavia as cultivares não diferiram entre si nas características agronômicas de produtividade (Meira et al., 2004). Outro experimento com aveia IAPAR 61 com cinco épocas de semeadura a

  • partir de 02 de maio com intervalos de sete dias, com 250 plantas m ² de densid
  • 1

  teve a maior produção de forragem (3.475 kg MS ha ) na primeira época com pouca umidade inicial (Engel et al., 2002).

  2.2.2 Azevém anual O azevém anual (Lolium multiflorium) é originário da região

  Itália, América do Sul e Austrália (Monteiro et al, 1996). Para Moraes et al. (1995), o azevém anual consagrou-se como grande opção pela sua facilidade de ressemeadura natural, resistência a doenças, bom potencial de produção de sementes e versatilidade de uso em associações, na região sul do Brasil.

  O azevém é uma gramínea anual, possui hábito de crescimento cespitoso, e o sistema radicular é altamente ramificado e denso com muitas raízes adventícias e fibrosas. Os colmos vegetativos são cilíndricos e eretos, podendo-se tornar decumbentes, e podem atingir 100-120 cm (Balasko et al., 1995). As folhas do azevém anual são brilhantes e esta espécie pode ser facilmente diferenciada da aveia e de outros cereais de inverno observando-se as características morfológicas das lígulas e aurículas. De acordo com Floss (1988) é uma planta rústica e agressiva, que produz muitos perfilhos.

  O azevém anual é uma planta de dia longo, apresentando um ciclo de produção maior que o da aveia (Floss, 1988). Segundo Beevers & Cooper (1964) o azevém anual apresenta seu crescimento máximo em temperaturas diurnas de 25ºC e noturnas de 12ºC.

  Esta gramínea anual ocorre em muitos tipos de solos, indicando ampla adaptação. No que diz respeito à adubação nitrogenada, o azevém quando em mistura com a aveia mostra excelentes resultados. Lesama (1997), em um experimento de pastejo, estudou a produção de forragem da mistura aveia preta e

  • 1

  azevém adubada com 300 Kg de nitrogênio ha quantificando que a produção de

  • 1 forragem foi de 9691 Kg de MS ha .

  No trabalho realizado por Quadros (1984), constatou-se que o azevém quando consorciado apresenta uma complementaridade nas curvas de crescimento, ou seja, espécies como o centeio e aveia concentram suas produções de forragens nos meses de maio a agosto, ao passo que o azevém mostra maior produção de MS a partir do mês de setembro.

  Quanto a época de semeadura, na região sul do Brasil, esta vai de abril

  • 1

  a junho. A densidade de semeadura para o azevém é de 20-25 Kg de sementes ha ,

  • o que corresponde a 400-500 sementes aptas m ² (Alves et al., 2009).

  As pastagens de azevém caracterizam-se por apresentarem alto valor Muitos são os trabalhos em que foram avaliados os teores de proteína bruta (%PB) e a digestibilidade de matéria seca de pastagens de azevém. Alves Filho et al.

  • 1

  (2003) obtiveram rendimentos de fitomassa seca de 7.519 kg ha e teor proteico de 12,7% e FDN 54,4%, sendo que a maior concentração de forragem ocorreu em setembro e outubro (69,7%) . Em outras pesquisas pode haver a produção de 52% da produção no inverno e 42% na primavera, com 4.398 kg de MS/ha, 15,7% de PB e 53,0% de FDN (Gomes & Reis, 1999).

  2.2.3 Centeio O centeio (Secale cereale L.) é originário da Ásia Central, ocupa o oitavo lugar, entre os cereais no mundo e é cultivado especialmente no centro e no norte da Europa, em climas frios ou secos. Predominam cultivares de hábito invernal e a cultura destina-se à alimentação humana e animal e à adubação verde (FA0, 2007). O centeio é indicado para pastoreio, para forragem verde, fenação e silagem pré-secada ou de planta inteira. É uma espécie anual, de crescimento cespitoso, possui sistema radicular profundo e agressivo capaz de absorver nutrientes indisponíveis a outras espécies. Apresenta ciclo de produção mais reduzido que a aveia e o azevém, em geral é mais precoce, produzindo forragem mais cedo que estas espécies (Monteiro et al., 1996; Baier, 1994).

  O crescimento do centeio ocorre a partir dos 0 ºC, enquanto que o azevém necessita de 6,4 ºC. A temperatura ótima para o crescimento da planta é de 25ºC a 31 ºC. É em regiões mais elevadas e mais frias, ou em anos com inverno mais frios ou secos, que o centeio se destaca pela sua maior produção de massa e precocidade (Baier, 1994).

  Fontaneli et al. (1993) observaram que o centeio e o triticale foram precoces na produção de forragem no inverno, apresentando, todavia, acentuada redução na produção de grãos, em decorrência dos cortes. Na estação fria, apresenta taxa de crescimento mais acelerada que as demais gramíneas de inverno.

  Autores como Postiglioni (1982), também destacou a precocidade de centeio numa pastagem consorciada com aveia e azevém, avaliada de maio a e aveia produziu 60% de junho a julho, enquanto azevém, mais tardio, produziu 70% de agosto a setembro. Esse autor observou que a consorciação é importante para melhor distribuir a oferta de forragem durante o período em que há maior deficiência de alimento para bovinos.

  Para a formação de pastagens ou cobertura de solo no Sul do Brasil, centeio é semeado a partir de março. A densidade de semeadura, deve ser de 350- 400 sementes aptas por m², gastando-se para isso de 50-70 kg de semente por hectare (Monegat, 1991). O pastejo do centeio deve ser iniciado quando as plantas tiverem entre 15-25 cm de altura.

  2.2.4 Triticale O triticale ( X Triticosecale Wittmack) é o primeiro cereal desenvolvido pelo home

Documento similar