INDICAÇÕES TÉCNICAS PARA CULTURA DA AVEIA

INDICAÇÕES TÉCNICAS PARA
CULTURA DA AVEIA

COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA
2006

INDICAÇÕES TÉCNICAS
PARA A CULTURA DA AVEIA

COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA
FUNDAÇÃO AGRÁRIA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA - FAPA
GUARAPUAVA, 2006

COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA
Instituições componentes:
Centro de Ciências Agrárias - Universidade Federal de Santa Catarina
Embrapa - Trigo
Embrapa - Pecuária do Sudeste
Faculdade de Agronomia - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária - Universidade de Passo Fundo
Faculdade de Agronomia “Eliseu Maciel” - Universidade Federal de Pelotas
Fundação Centro de Experimentação e Pesquisa Fecotrigo - FUNDACEP/FECOTRIGO
Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária - FAPA
Instituto Agronômico do Paraná - IAPAR
Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Pato Branco
Exemplares desta publicação podem ser solicitados à:
Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária – FAPA
Praça Nova Pátria, S/N
Colônia Vitória – Entre Rios
CEP 85139-400 Guarapuava, PR
Telefone: (42) 3625 8035
Fax: (42) 3625 8365
Tratamento editorial: Gisel Dieguez Cardoso
Capa: Arkétipo Arte & Design
Ficha catalográfica: preparada pelo Departamento de Ciência e Gestão da
Informação, Universidade Federal do Paraná.
ISBN 85-99211-04-8

Comissão Brasileira de Pesquisa de Aveia
Indicações técnicas para cultura da aveia I Comissão Brasileira de
Pesquisa de Aveia. – Guarapuava : A Comissão : Fundação Agrária de
Pesquisa Agropecuária, 2006.
82 p. : il. ; 30 cm
ISBN 85-99211-04-8
1. Aveia. 2. Pesquisa - Aveia. I. Fundação Agrária de Pesquisa
Agropecuária. II. Título.
CDU 633.13(816.2) Guarapuava)

iv

APRESENTAÇÃO
A aveia tem um papel importante no sistema de produção
de grãos e integração lavoura-pecuária do sul do Brasil, como uma
planta especial no sistema de rotação adotado pelos agricultores. A
aveia é cultivada como uma excelente forrageira disponibilizando
alimento aos animais nas épocas de menor oferecimento pelas
pastagens naturais, como cobertura verde/morta de solo evitando as
perdas por erosão causadas pela chuva, como na elaboração de
silagem e/ou feno para a alimentação de bovinos de leite, e como
produtora de grãos de qualidade superior tanto para a alimentação
humana como animal.
As Indicações Técnicas para a Cultura de Aveia
apresentadas neste volume são o resultado dos esforços cooperativos
das diferentes Instituições que fazem parte da Comissão Brasileira
de Pesquisa de Aveia-CBPA.
Estas indicações são o fruto do trabalho de pesquisa destas
instituições e tem por objetivo melhorar a informação disponível sobre
a cultura com dados atualizados até o presente ano de 2006 e fazer
com que as atividades de pesquisa cheguem a todos de modo a
propiciar uma melhor competitividade ao produtor rural.
Nesta publicação são apresentadas as Indicações
Técnicas para a Cultura de Aveia, aprovadas na XXV e XXVI
REUNIÕES DA COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA,
realizadas respectivamente, em Ponta Grossa (29 a 31 de março de
2005) e em Guarapuava (4 a 6 de abril de 2006).
Para maiores detalhes, os produtores devem procurar um
engenheiro agrônomo.
Comissão Brasileira de Pesquisa de Aveia

v

ÍNDICE
1 INTRODUÇÃO .........................................................................

1

2 IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DA CULTURA DA AVEIA ..........
2.1 SITUAÇÃO DA AVEIA NO BRASIL ...................................
2.2 SITUAÇÃO NO RIO GRANDE DO SUL ...........................
2.3 SITUAÇÃO DA AVEIA NO PARANÁ ................................
2.4 SITUAÇÃO DA AVEIA EM SANTA CATARINA .................

1
2
5
7
8

3 ESCOLHA DA ÁREA ............................................................... 11
4 AMOSTRAGEM DO SOLO ..................................................... 11
5 PREPARO DO SOLO E CALAGEM ........................................
5.1 PREPARO CONVENCIONAL ..........................................
5.2 PREPARO REDUZIDO OU PREPARO CONSERVACIOCIONISTA ........................................................................
5.3 SEMEADURA DIRETA OU SISTEMA PLANTIO DIRETO ..
5.4 CALAGEM ........................................................................
5.4.1 Calagem no sistema convencional .........................
5.4.2 Calagem no sistema de semeadura direta (SSD) ..

13
13
14
15
16

6 SISTEMA DE MANEJO PARA PRODUÇÃO DE GRÃOS .......
6.1 ESCOLHA DE CULTIVARES ...........................................
6.2 QUALIDADE DA SEMENTE ............................................
6.3 IMPLANTAÇÃO DA CULTURA ........................................
6.3.1 Época de semeadura .............................................
6.3.2 Quantidade de sementes .......................................
6.3.3 Distribuição das sementes .....................................
6.3.4 Profundidade de semeadura ..................................
6.3.5 Adubação ...............................................................
6.3.5.1 Nitrogênio .................................................
6.3.5.2 Fósforo .....................................................
6.3.5.3 Potássio ....................................................
6.4 TRATOS CULTURAIS ......................................................
6.4.1 Manejo de plantas daninhas ..................................
6.4.1.1 Principais plantas daninhas ......................

21
21
22
24
24
24
24
25
25
25
26
27
28
28
28

vii

12
12

6.4.1.2 Medidas de controle .................................
6.4.1.2.1 Controle cultural .......................
6.4.1.2.2 Controle mecânico ....................
6.4.1.2.3 Controle químico ......................
6.4.2 Manejo de pragas ..................................................
6.4.2.1 Pulgões .....................................................
6.4.2.2 Lagartas ....................................................
6.4.2.3 Corós ........................................................
6.4.2.4 Percevejo raspador ...................................
6.4.3 Manejo de Moléstias ..............................................
6.4.3.1 Ferrugem da folha ....................................
6.4.3.2 Ferrugem do colmo ...................................
6.4.3.3 Manchas foliares .......................................
6.4.3.4 Halo bacteriano .........................................
6.4.3.5 Virose (Vírus do Nanismo Amarelo da
Cevada - VNAC) .......................................
6.4.3.6 Carvão ......................................................
6.4.3.7 Tratamento de sementes ..........................
6.5 TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO DE PRODUTOS FITOSSANITÁRIOS ............................................................
6.6 COLHEITA ........................................................................
6.7 QUALIDADE DE GRÃOS ................................................
7 SISTEMA DE MANEJO PARA UTILIZAÇÃO NA PRODUÇÃO
ANIMAL ...................................................................................
7.1 VERDE NO COCHO ........................................................
7.2 PASTEJO .........................................................................
7.3 FENO ...............................................................................
7.4 SILAGEM .........................................................................
7.5 ESCOLHA DOS CULTIVARES ........................................
7.6 IMPLANTAÇÃO DA CULTURA ........................................
7.6.1 Época de semeadura .............................................
7.6.2 Quantidade de sementes .......................................
7.6.3 Adubação ...............................................................
7.6.3.1 Nitrogênio .................................................
7.6.3.2 Fósforo e Potássio ....................................
7.7 TRATOS CULTURAIS ......................................................
7.7.1 Manejo de plantas daninhas (ver item 6.4.1) .........
7.7.2 Manejo de pragas ..................................................
viii

28
29
29
29
32
32
33
33
38
38
38
39
39
40
40
41
41
42
43
44
46
46
46
48
48
49
49
49
49
49
50
50
51
51
51

7.7.2.1 Pulgões ..................................................... 51
8 SISTEMA DE MANEJO PARA COBERTURA DO SOLO ........
8.1 ESCOLHA DE CULTIVARES ...........................................
8.2 IMPLANTAÇÃO DA CULTURA ........................................
8.2.1 Época de semeadura .............................................
8.2.2 Quantidade de sementes .......................................
8.2.3 Adubação ..............................................................
8.3. MANEJO DA AVEIA DE COBERTURA PARA SEMEADURA DA CULTURA DE PRIMAVERA / VERÃO ..................

52
52
53
53
53
53
53

ANEXO I – Principais características dos cultivares de aveia
indicados para o cultivo .......................................... 55
ANEXO II – Sugestão de especificações para padronização e
classificação da aveia branca e amarela ............... 68
ANEXO III – Rendimento e outras características dos cultivares
recomendados de aveia em diferentes regiões ..... 74

ix

1 INTRODUÇÃO
A aveia é uma das principais culturas utilizadas no Sul do
Brasil, quando se visa à diversificação na exploração agrícola, e sua
área de cultivo vem crescendo continuamente devido à necessidade
de alternativas para rotação de culturas.
O cultivo de aveia é realizado com a finalidade de produção
de grãos, forragem verde, feno, silagem e cobertura verde/morta de
solo no inverno, antecedendo a implantação de culturas de verão,
especialmente pelo sistema de semeadura direta.
Esse cereal desempenha um importante papel na
sustentabilidade do sistema de semeadura direta, pois os atuais
cultivares de aveia branca tem alta capacidade de produção de
palha, com alta relação C/N e, portanto, menor velocidade de
decomposição.
O sucesso do cultivo de aveia através do sistema de
semeadura direta requer um conjunto de procedimentos que
antecedem a implantação da lavoura: a sistematização da área, a
correção da acidez do solo, a descompactação do solo, o
planejamento de um sistema de rotação de culturas e o manejo de
restos culturais da cultura anterior e de culturas de cobertura verde/
morta do solo.
A aveia preta antes destinada somente à cobertura verde/
morta do solo é atualmente utilizada para fins forrageiros devido ao
aumento da importância da integração lavoura/pecuária. Em várias
regiões, na produção de leite ou na terminação de bovinos, ela propicia
o aumento na rentabilidade da propriedade. Quando bem manejado
esse sistema é perfeitamente compatível com o sistema de
semeadura direta.
2 IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DA CULTURA DA AVEIA
Graças ao intenso melhoramento genético e a variabilidade
genética existente, a aveia é hoje um cereal adaptado às mais
diferentes regiões edafo-climáticas, cultivada em todos os continentes
do mundo. Devido as suas múltiplas utilizações, a aveia apresenta
uma grande importância econômica, como forrageira ou na forma de
grãos. Na alimentação animal o seu uso mais consagrado é no pastejo

de bovinos, ovinos, caprinos e eqüinos ou no uso da aveia na forma
conservada: feno ou silagem.
Os grãos de aveia são destinados basicamente ao
arraçoamento animal e em torno de 20% da produção mundial é
processada para elaboração de alimentos humanos.
A espécie Avena sativa L. tem a aptidão ideal para a
produção de grãos, apresentando as demais espécies uma aptidão
mais forrageira, estimando-se que esta espécie ocupe cerca de 80%
da área mundial de aveia destinada à produção de grãos. A aveia
preta (Avena strigosa Schreb) apresenta áreas relativamente
pequenas, tendo expressão no Conesul da América do Sul (Brasil,
Argentina e Chile), como planta forrageira.
2.1 SITUAÇÃO DA AVEIA NO BRASIL
No Brasil, o cultivo de aveia vem crescendo continuamente
nos últimos anos, classificando-se em 2004 como a sétima cultura
em área cultivada e a oitava em produção de grãos com 299.000
hectares cultivados, obtendo-se uma produção de 411.000 toneladas,
o que corresponde a um rendimento médio de 1.374 kg.ha-1, como
pode ser observado no Tabela 1, onde também é apresentada a
evolução da área cultivada, produção de grãos e rendimento de aveia
no Brasil de 1950 a 2004. No Brasil, o cultivo da aveia, visando a
produção de grãos e/ou forragem e ainda adubação verde, está
concentrada no Sul do Brasil, especialmente nos Estados do Rio
Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. No Mato Grosso do Sul,
São Paulo e Sul de Minas Gerais, o cultivo de aveia é destinado,
basicamente, para a produção de forragem, mas com aumento
crescente também da área destinada à produção de grãos desse
cereal.
No Brasil, o cultivo de aveia vem crescendo continuamente
nos últimos anos, classificando-se em 2004 como a sétima cultura
em área cultivada e a oitava em produção de grãos com 299.000
hectares cultivados, obtendo-se uma produção de 411.000 toneladas,
o que corresponde a um rendimento médio de 1.374 kg.ha-1, como
pode ser observado no Tabela 1, onde também é apresentada a
evolução da área cultivada, produção de grãos e rendimento de aveia
no Brasil de 1950 a 2004. No Brasil, o cultivo da aveia, visando a
produção de grãos e/ou forragem e ainda adubação verde, está
2

concentrada no Sul do Brasil, especialmente nos Estados do Rio
Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. No Mato Grosso do Sul,
São Paulo e Sul de Minas Gerais, o cultivo de aveia é destinado,
basicamente, para a produção de forragem, mas com aumento
crescente também da área destinada à produção de grãos desse
cereal.
Tabela 1. Área cultivada, produção e rendimento de aveia no Brasil,
no período 1976 a 2004
Ano
Área (1.000 ha)
Produção (1.000 t)
1976
36
39
1977
40
37
1978
56
54
1979
62
58
1980
75
76
1981
84
98
1982
94
61
1983
95
93
1984
121
133
1985
142
162
1986
129
121
1987
141
176
1988
128
139
1989
204
236
1990
193
178
1991
265
230
1992
284
297
1993
268
263
1994
282
261
1995
102
126
1996
123
169
1997
189
283
1998
188
197
1999
219
288
2000
230
214
2001
258
342
2002
256
285
2003
267
390
2004
299
411
Fonte: CONAB, 1976-2004.

3

Rendimento (kg ha-1)
1076
942
971
919
1001
1169
648
976
1105
1141
995
1247
1091
1157
920
869
1047
961
927
1234
1372
1495
1049
1316
1177
1329
1110
1460
1374

Observa-se que em 1976 a área foi de 36.205 hectares,
evoluindo até 299 mil hectares em 2004. A produção de grãos evoluiu
de 38.662 toneladas em 1976 para 411 mil toneladas em 2004. Quanto
ao rendimento, há uma tendência de aumento, especialmente, a partir
da década de 90. O baixo rendimento poderia ser explicado pelo fato
de que em muitas lavouras a aveia é utilizada no inverno como
forrageira seguida de colheita de grãos, bem como também até 1995
eram incluídos nesta estatística os rendimentos das lavouras de aveia
preta, que são bem inferiores aos obtidos com a aveia branca.
A maior parte dos grãos de aveia é destinada ao
arraçoamento animal, especialmente cavalos. A inclusão de produtos
derivados de aveia na merenda escolar, além da oferta de um alimento
de alta qualidade nutritiva para as crianças, contribuiria para a
formação do hábito de consumo pela população, representando uma
expansão do mercado deste grão alimentício. A maior demanda ainda
é para o uso na alimentação de cavalos de corrida, apesar das amplas
possibilidades de utilização como insumo na fabricação de rações,
pois a época de colheita da aveia coincide com o período de escassez
de milho (outubro, novembro e dezembro).
Para alimentação humana são processadas
aproximada-mente 48.000 toneladas de grãos/ano destacando-se
as indústrias Quaker Brasil Ltda. (Porto Alegre, RS), Produtos
Alimentícios Corsetti S.A. Indústria e Comércio (Caxias do Sul, RS),
COTRIJUI (Ijuí, RS), Aveia Naturale – Luiz Carlos Dolzan (Lagoa
Vermelha – RS), FERLA – L. Ferenczi S.A. – Indústria e Comércio
(São Paulo, SP) e SL Cereais e Alimentos (Mauá da Serra, PR).
Indústrias como a Nestlé, Kellogs e outras utilizam derivados da aveia
em produtos alimentícios. Novas indústrias estão sendo implantadas
no Sul do Brasil visando o preparo de alimentos humanos. Mais de
150 produtos derivados de aveia estão disponíveis no mercado
brasileiro.
O aumento da área cultivado de aveia pode ser atribuído a
necessidade de diversificação a nível de propriedade, aos preços
favoráveis do mercado interno, barreiras à importação, disponibilidade
de cultivares com potenciais de rendimento superior, ao aumento do
consumo humano de alimentos a base de aveia, o desenvolvimento
de bacias leiteiras e da terminação de bovinos nas regiões tradicionais
de produção de grãos em pastagem cultivada e o grande consumo
pelos eqüinos, nos hipódromos e haras.
4

Através da integração lavoura-pecuária, muitos
agricultores do Sul, semeiam cultivares de aveia branca,
imediatamente após a colheita das culturas de verão (soja e milho),
nos meses de março a maio, realizam pastoreio no inverno e
colhem grãos do rebrote. A produção de grãos é menor em relação
ao não pastoreado e o peso do hectolitro dos grãos é baixo. Estes
grãos são utilizados principalmente no arraçoamento de animais
nas propriedades.
No Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Sul de Minas
Gerais, o cultivo de aveia é destinado, principalmente, para a produção
de forragem, apesar da ampla possibilidade de aumento da área
cultivada visando à produção de grãos, seja na época das chuvas
(janeiro a maio) ou sob condições de irrigação no período maio/
setembro.
2.2 SITUAÇÃO NO RIO GRANDE DO SUL
Segundo a CONAB (2004), o Rio Grande do Sul é o segundo
maior produtor brasileiro de aveia, atrás apenas do Estado do Paraná
e em terceiro lugar está o Estado de Santa Catarina.
Especificamente no Rio Grande do Sul, conforme a Tabela
2, a área cultivada de aveia para grãos evoluiu de 1976 a 2004 em
113 %, enquanto que a produção de grãos aumen-tou 317 %. Em
1976 a área foi de 23 mil ha, evoluindo para 208.232 ha em 1994. Até
este ano o IBGE considerava tanto a aveia branca quanto a aveia
preta. A partir de 1995 é considerada apenas a produção de grãos de
aveia branca,. Em 2004 a área cultivada foi tendo sido de 49.000 ha,
com uma produção de 92.400 t e um rendimento médio de 1885 kg
ha-1, em 2004.
Quanto a área cultivada de aveia para produção de forragem
e adubação verde, os dados não são precisos, pelo não
acompanhamento estatístico. Estima-se que no Estado do Rio Grande
do Sul a área de aveia destinada à utilização forrageira, de forma
isolada ou consorciada com outras forrageiras de inverno, tenha sido
de 1.250 mil ha e para cobertura verde/morta do solo de 1.500 mil ha
em 2002.
A principal área de cultivo de aveia para a produção de
grãos, no Estado do Rio Grande do Sul, está localizada nos municípios
de Vacaria, Lagoa Vermelha e Passo Fundo e na região abrangida
5

pela Cooperativa Regional Tritícola Serrana Ltda. – Cotrijui (Ijuí, Cruz
Alta, Augusto Pestana e Santo Augusto). A região de Panambi e
Palmeira das Missões também tem área importante.
Tabela 2. Área, produção, rendimento e participação do Rio Grande
do Sul na produção brasileira de aveia no período de 1976/
2004
Anos

Área
(ha)

%

Produção
(t)

%

Rendimento
(kg/ha)

Participação
nacional
%

1976
1977
1978
1979
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004

23.000
29.500
41.800
45.469
51.594
57.187
58.438
54.157
60.557
74.918
80.094
58.976
83.998
147.707
147.788
178.617
201.653
213.380
208.232
57.746
45.454
45.455
64.600
49.246
50.829
55.608
55.000
43.000
49.000

100
128
182
198
224
249
254
235
263
376
357
374
365
643
643
776
877
928
905
251
198
198
281
214
221
242
239
187
213

22.158
24.700
39.800
40.334
47.942
58.838
35.071
52.951
60.543
61.932
73.335
96.933
94.196
156.267
127.622
136.075
217.160
200.641
175.956
47.378
69.148
70.354
76.700
76.584
80.660
94.083
85.300
81.000
92.400

100
111
180
182
216
265
158
239
273
279
331
437
425
705
576
614
980
905
794
214
312
317
346
346
364
425
385
366
417

964
837
952
887
932
1.029
590
978
1.000
827
893
1.127
1.121
1.057
864
762
1.077
940
845
820
1.518
1.548
1.187
1.555
1.587
1.645
1.550
1.883
1.885

57
66
74
70
63
60
57
57
45
38
61
55
68
66
72
59
73
76
67
38
41
25
39
27
38
27
30
21
22

Fonte: CONAB/IBGE, 1976-2004.

6

2.3 SITUAÇÃO DA AVEIA NO PARANÁ
No Estado do Paraná (Tabela 3), a área cultivada evoluiu
de 10.200 hectares em 1976 para 230.000 hectares em 2004,
representando um crescimento de 2.155% no período. O Paraná teve
em 2004 uma participação de 73% no total de grãos produzidos no
Brasil. A produção de grãos aumentou de 15.300 toneladas em 1976
para 299.000 toneladas em 2004 (+1.854%). O rendimento é mais
elevado que no Rio Grande do Sul, oscilando entre 654 kg/ha e 2.029
kg/ha nas últimas duas décadas. As principais regiões de cultivo deste
cereal no Paraná concentram-se na área de influência da Cooperativa
Agrária Mista Entre Rios Ltda. (Guarapuava, PR), da indústria SL
Cereais e Alimentos (Mauá da Serra, PR) e na região de Ponta
Grossa.

7

Tabela 3. Área, produção, rendimento e participação do Paraná na
produção brasileira de aveia no período de 1976/2004
Anos

Área
(ha)

%

Produção
(t)

%

Rendimento
(kg/ha)

Participação
nacional
%

1976
1977
1978
1979
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004

10.200
7.055
3.197
3.525
7.674
9.785
16.401
17.462
21.277
25.514
17.800
23.668
21.625
38.305
31.537
70.473
66.672
55.148
55.252
100.000
84.175
131.470
115.300
114.500
158.000
178.300
183.000
204.000
230.000

100
69
31
35
75
96
161
171
209
250
175
232
212
376
309
691
654
541
542
980
825
1.289
1.130
1.123
1.549
1.748
1.794
2.000
2.255

15.300
10.286
6.245
7.037
14.785
18.125
14.022
18.439
28.036
38.909
25.780
48.024
29.794
57.545
34.317
74.096
67.184
52.171
67.522
111.000
113.000
172.500
110.500
148.900
103.300
223.900
183.000
289.700
299.000

100
67
41
46
97
118
92
121
183
254
168
314
195
376
224
484
439
341
441
725
739
1.127
722
973
673
1.463
1.196
1.893
1.954

1.500
1.547
1.953
1.996
1.923
1.952
855
1.056
1.318
1.525
1.448
2.029
1.377
1.502
1.088
1.051
1.008
946
1.222
1.110
1.342
1.312
958
1.300
654
1.256
1.000
1.420
1.300

39
28
12
12
19
18
23
20
21
24
21
27
21
24
19
32
23
20
26
88
67
61
56
52
48
65
64
74
73

Fonte: CONAB/IBGE, 1976-2004.

2.4 SITUAÇÃO DA AVEIA EM SANTA CATARINA
O Estado de Santa Catarina apresenta uma evolução de
área de 3.000 hectares em 1976 para 20.200 hectares em 2004
(+ 573%), enquanto a produção aumentou de 1.500 toneladas em
8

1976 para 19.600 toneladas em 2004 (+1.207%). O rendimento médio
situa-se abaixo de 1.000 kg/ha, o que pode ser atribuído ao intenso
uso da cultura para o duplo propósito (Tabela 4). As principais regiões
produtoras de aveia são Campos Novos, Lages e Chapecó.
Tabela 4. Área, produção, rendimento e participação de Santa
Catarina na produção brasileira de aveia no período de
1976/2004
Anos

Área
(ha)

%

Produção
(t)

%

Rendimento
(kg/ha)

Participação
nacional
%

1976
1977
1978
1979
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004

3.000
3.160
10.555
13.635
16.415
23.220
18.556
23.454
25.848
41.545
23.061
21.854
10.094
9.505
9.580
14.295
9.840
8.840
12.440
12.755
14.255
15.595
11.300
12.500
14.300
14.300
18.500
20.200
20.200

100
105
352
455
547
774
618
782
862
1.365
769
728
336
317
319
477
328
295
415
425
475
530
377
417
477
477
617
673
673

1.500
2.444
7.902
10.193
12.824
21.453
12.099
21.380
21.888
56.485
28.823
21.193
8.005
14.791
12.287
18.161
10.939
8.165
13.861
11.368
12.302
18.430
9.700
10.900
11.700
12.100
16.400
19.600
19.600

100
163
527
679
855
1.430
807
1.425
1.459
3.766
1.922
1.413
534
986
819
1.211
729
544
925
758
820
1.229
647
727
780
807
1.093
1.307
1.307

500
773
748
747
781
924
652
911
847
1.360
1.249
970
793
1.556
1.283
1.262
1.112
967
1.109
891
863
1.182
855
872
818
845
887
970
970

4
7
15
18
17
22
20
23
16
35
24
12
6
6
7
8
4
3
5
9
7
7
5
4
5
4
6
5
5

Fonte: CONAB, 1976-2004.
9

Frente a esses novos potenciais de utilização, a aveia deixou
de ter importância apenas como forrageira e a utilização de grãos na
alimentação animal e passou a participar na constituição de vários
produtos alimentícios e cosméticos. O aumento da demanda resultou
no aumento da área cultivada com aveia, o que se tornou possível
com a utilização de cultivares adaptados, desenvolvidos por
programas de melhoramento genético executado por instituições
brasileiras.
O progresso genético obtido, nas últimas décadas, permitiu
a completa substituição dos cultivares antigos, introduzidos no início
dos anos 70 dos Estados Unidos, por cultivares modernos
desenvolvidos pelos programas de melhoramento genético do país.
Juntamente com a melhoria das técnicas de manejo da produção
possibilitou aos agricultores do Sul do Brasil obter elevados
rendimentos e qualidade de grãos e com isso eliminando a
necessidade de importação de aveia de outros países com grande
economia de divisas.
3 ESCOLHA DA ÁREA
O solo mais propício à cultura é o que apresenta boa
drenagem, pouca acidez, boas características físicas e com boa
fertilidade. Estas áreas devem estar em rotação com outras culturas
de inverno e com baixa incidência de plantas daninhas.
Quando o cultivo se destina à produção de grãos, as
exigências são maiores, para que, além de bons rendimentos, se
obtenha um produto de boa qualidade, cuja comercialização seja
facilitada tanto para indústria de alimentos humanos quanto para a
alimentação animal.
4 AMOSTRAGEM DO SOLO
A análise do solo é o método mais eficiente para estimarse a necessidade de calcário e de fertilizantes. As análises de solo
de rotina, para fins de indicação de adubação e calagem, devem
ter periodicidade máxima de três anos, sendo o ideal a cada três
cultivos.
11

Para o sistema de semeadura direta, as amostragens
devem ser realizadas em, pelo menos, duas profundidades (0-10 e
10-20 cm), com o objetivo de se determinar o teor de MO e de se
avaliar a disponibilidade de cálcio, magnésio, fósforo e potássio, bem
como a variação da acidez e o teor de Al entre as duas camadas.
Para o Rio Grande do Sul, em áreas em fase de implantação do
sistema (< 4 a 5 anos) a amostragem deve ser realizada na
profundidade de 0-20 cm; em áreas com semeadura direta já
estabelecida (> 4 a 5 anos) a amostragem deve ser de 0-10 cm de
profundidade. Para o sistema convencional, a amostragem deve ser
realizada de 0-20 cm de profundidade.
5 PREPARO DO SOLO E CALAGEM
O preparo do solo objetiva criar condições adequadas para
a germinação das sementes e o bom desenvolvimento das raízes. O
preparo utilizado para atingir estas condições deve ser realizado
com o menor número de operações. Além de criar condições para
o crescimento das plantas, a escolha do método de preparo do
solo deve ser baseada na necessidade de: controle da erosão,
controle das plantas daninhas, incorporação de corretivos e
fertilizantes, adaptação ao tipo de equipamentos disponíveis e
redução de custos.
As propriedades agrícolas dispõem de diversos tipos de
implementos para preparo do solo, que atuam em diferentes
profundidades, acarretando distintos resultados no que diz respeito
à inversão de camadas, à mistura de componentes da camada
mobilizada, ao controle de plantas daninhas, ao grau de
desagregação, à incorporação de resto de culturas e à compactação
subsuperficial do solo.
5.1 PREPARO CONVENCIONAL
Esta modalidade consiste no preparo primário, com
arado, seguido de uma ou mais operações de preparo secundário,
com grade de discos. É o método que somente deve ser utilizado
em situações especiais, sob a orientação de um Engenheiro
Agrônomo.
12

5.2 PREPARO REDUZIDO OU PREPARO CONSERVACIONISTA
O preparo reduzido, mínimo ou conservacionista, é aquele
no qual é utilizado um menor número de operações, causando menor
revolvimento do solo do que no preparo convencional.
As máquinas mais apropriadas para se realizar o preparo
conservacionista são os escarificadores, com ou sem operações
complementares (destorroadores/niveladores). A manutenção da
rugosidade do solo e os restos de cultura são fundamentais para
atenuar os problemas de erosão.
5.3 SEMEADURA DIRETA OU SISTEMA PLANTIO DIRETO
O sistema plantio direto deve ser realizado em área onde
previamente foi adotado um conjunto de medidas visando a
implementação do sistema, compreendendo: eliminação de sulcos
de erosão; correção e manutenção do sistema de terraços;
descompactação do solo; correção da acidez e da fertilidade do solo;
uso de picador/distribuidor de palha nas colhedoras; controle de
plantas daninhas; planejamento de um sistema de rotação de culturas,
com espécies que produzam cobertura vegetal abundante
(aproximadamente de 6 a 9 toneladas de matéria seca/ha/ano) e
possuam um sistema radicular diversificado e, ainda, o uso de
semeadoras adequadas para introdução das sementes no solo
através da palha.

13

Tabela 5. Vantagens e desvantagens dos sistemas de preparo
convencional, de preparo reduzido ou de semeadura direta
Preparo de solo
Convencional

Reduzido

Semeadura
direta
(sem preparo)

Vantagens

Desvantagens

- Eliminação de plantas
daninhas
- Aeração e
descompactação
da camada superficial

- Alta demanda de tempo
e alto consumo de
combustível
- Eliminação da cobertura
do solo
- Desagregação das
camadas superficiais do
solo com o decorrer do
tempo
- Possível formação de
camada subsuperficial do
solo compactada
- Redução do número de
- Controle ineficiente das
passagens das máquinas plantas daninhas
- Redução do consumo de
combustível
- Diminuição da
compactação do solo e
da perda de água
- Economia de combustível
- Economia de tempo
- Proteção contra a erosão

5.4 CALAGEM
A calagem objetiva reduzir a acidez do solo e diminuir a
concentração de elementos tóxicos, como o alumínio e o manganês.
A aplicação de calcário, em doses recomendadas, possibilita melhor
aproveitamento dos fertilizantes e aumenta a disponibilidade de
macronutrientes, como cálcio, magnésio, fósforo e alguns
micronutrientes. As doses sugeridas objetivam a obtenção de retorno
econômico máximo em função do uso desses insumos na cultura.
As doses referem-se a calcário com 100% de poder relativo de
neutralização total (PRNT). Isso significa que as quantidades totais
a aplicar devem ser ajustadas em função do PRNT do produto
disponível. Sugere-se que seja dada a preferência ao calcário
14

dolomítico, devido ao conteúdo de magnésio que apresenta, bem
como pelo seu menor preço.
Em áreas que apresentam compactação, a ponto de
dificultar a incorporação até a profundidade recomendada, sugerese efetuar a descompactação do solo antes da incorporação do
calcário.
A dose indicada de calcário para a camada de 17 a 20
cm de profundidade foi determinada com base numa previsão de
efeito residual médio de cinco anos, dependendo de fatores como
manejo do solo, culturas, erosão e outros. Após esse período,
indica-se realizar nova análise de solo para verificar se há
necessidade de calagem. O parcelamento (doses menores,
reaplicadas com maior freqüência) pode ser usado desde que a
quantidade total seja a mesma, evitando-se, dessa maneira, a
supercalagem.
Para maiores informações, consultar o manual de adubação
e calagem para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina
(2004).
5.4.1 Calagem no sistema convencional
Para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, devem ser
seguidas as indicações que constam no Manual de Adubação e
Calagem (2004), (Figuras 6.3 e 6.4). Nos demais estados do Brasil
utiliza-se o método de saturação por bases a 60%. As doses de
calcário indicadas para atingir pH em água igual a 6,0 são
apresentadas na Tabela 7.
No sistema convencional ou no início da implantação do
sistema de semeadura direta, para correção de acidez, o calcário
deve ser distribuído uniformemente na superfície do solo. Sua
incorporação tem como objetivo a correção homogênea de 20 cm
da camada arável do solo, o que se obtém com a aração.
O uso do escarificador ou do subsolador, seguido da
grade niveladora ou aradora, como formas de incorporação do
corretivo da acidez do solo, devem ser evitados, por deixar o
calcário mal distribuído e a uma profundidade menor do que a
indicada.

15

5.4.2 Calagem no sistema de semeadura direta (SSD)
No sistema de semeadura direta, o calcário não precisa
ser incorporado. A dose a ser aplicada deve ser calculada com base
na análise do solo de amostras coletadas na camada de 0 a 10 cm.
Para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, devem ser seguidas as
indicações que constam no Manual de Adubação e Calagem (2004),
(Figuras 6.3 e 6.4).

16

Tabela 6. Critérios para a indicação da necessidade e da quantidade de corretivos da acidez para culturas
de grãos para o RS e SC
Sistema de
Condição
manejo do solo
da área
Convencional
Qualquer condição
Implantação a partir de
Plantio direto
lavoura ou campo natural
quando o índice SMP for ≤ 5,0
Implantação a partir de
campo natural quando o
índice SMP for > 5,0 a 5,5
Implantação a partir de
campo natural quando o
índice SMP for > 5,5

Amostragem
(cm)
0 a 20

Critério de
decisão
pH < 6,0(2)

Quantidade
de calcário(1)
1 SMP para pHágua 6,0

0 a 20

pH < 6,0(2)

1 SMP para pHágua 6,0

0 a 20

pH < 5,5 ou
V < 65%(3)

1 SMP para pHágua 5,5

0 a 20

pH < 5,5 ou
V < 65%(3)

1 SMP para pHágua 5,5

17

pH < 5,5 ou
1/2 SMP para pHágua 5,5
V < 65%(3)
Arroz irrigado
Convencional (semeadura
pH < 5,5 ou
0 a 20
pHágua 5,5
por inundação em solo seco)
V < 65%(3)
Ca ≤ 2,0 cmolc /dm3
Sistema pré-germinado ou
0 a 20
ou
1 t/ha(6)
transplante de mudas
Mg ≤ 0,5 cmolc /dm3
(1)
Corresponde à quantidade de calcário estimada pelo índice SMP em que 1 SMP é equivalente à dose de calcário
para atingir o pHágua desejado na camada de 0 a 20.
(2)
Não aplicar calcário quando a saturação por bases (V) for> 80%.
(3)
Quando somente um dos critérios for atendido, não aplicar calcário se a saturação por AI for menor do que 10%
e se o teor de P for “Muito alto”.
4)
A opção de incorporar o calcário em campo natural deve ser feita com base nos demais fatores de produção
locais. Se optar pela incorporação do calcário, aplicar a dose 1 SMP para pHágua 6,0.
(5)
No máximo 5 t/ha de calcário (PRNT 100%).
(6)
Calcário dolomítico para suprir Ca e Mg.
Sistema consolidado

0 a 10

Tabela 7. Critérios para a indicação da necessidade e da quantidade de corretivos da acidez para o cultivo
de forrageiras para o RS e SC
Sistema de
manejo ou cultura
Convencional

18

Plantio direto

Alfafa

Condição da área
ou grupo de cultura
Implantação a partir de lavoura ou
campo natural para:
Leguminosas de estações fria e
quente e consorciações de estação
fria e quente
Gramíneas de estações fria e
quente, capim elefante
Campo natural ou com introdução
de espécies (semeadura em linha
ou sobre-semeadura)
Campo natural sem introdução de
espécies forrageiras ou com uso de
fosfato natural
Qualquer condição

Amostragem
(cm)

Critério de
decisão

Quantidade Método de
de calcário aplicação

0 a 20

pH < 6,0 (1,2)

SMP para
Incorporado
1 pHágua 6,0

0 a 20

pH < 5,5 (1,2)

0 a 10

0 a 10
0 a 20

pH < 5,5
ou
V < 65% (3)
Ca ≤ 2,0
cmolc/dm3 ou
Mg ≤ 0,5 cmolc/dm3
pH < 6,5(5)

1 SMP para
Incorporado
pHágua 5,5
1/2 SMP
para pHágua Superficial(6)
5,5
1t/ha(4)

Superficial(6)

1 SMP para
Incorporado
pHágua 6,5

Não aplicar quando a saturação por bases (V) for> 80%.
Para gramíneas tropicais, aplicar calcário na dose de 1 SMP para pH 5,5, se o pH for menor do que 5,5.
(3)
Quando somente um dos critérios for atendido, não aplicar calcário se a saturação por AI for menor que 10% e o
teor de P for “Muito alto”.
(4)
Aplicar calcário dolomítico para suprir Ca e Mg.
(5)
Não aplicar quando a saturação por bases (V) for> 85%.
(6)
No máximo 5 t/ha de calcário (PRNT 1000/~).
(1)
(2)

Tabela 8. Indicações de calcário (PRNT 100%) para o solo atingir pH
5,5 ou 6,0 no RS e SC
Índice
SMP

Calcário (t/ha)
pH 5,5
. pH 6,0

Índice SMP

Calcário (t/ha)
pH 5,5
pH 6,0

<4,4
15,0
21,0
5,8
2,3
4,2
4,5
12,5
17,3
5,9
2,0
3,7
4,6
10,9
15,1
6,0
1,6
3,2
4,7
9,6
13,3
6,1
1,3
2,7
4,8
8,5
11,9
6,2
1,0
2,2
4,9
7,7
10,7
6,3
0,8
1,8
5,0
6,6
9,9
6,4
0,6
1,4
5,1
6,0
9,1
6,5
0,4
1,1
5,2
5,3
8,3
6,6
0,2
0,8
5,3
4,8
7,5
6,7
0,0
0,5
5,4
4,2
6,8
6,8
0,0
0,3
5,5
3,7
6,1
6,9
0,0
0,2
5,6
3,2
5,4
7,0
0,0
0,0
5,7
2,8
4,8
0,0
0,0
Fonte: 1 Análise conjunta baseada nos trabalhos de Murdock et al. (1969);
Kaminski (1974); Scherer (1976); Ernani & Almeida (1986); Anjos et
al. (1977) e Ciprand et al. (1994).
2
Calcário com PRNT 100%.

Nos estados do Paraná e São Paulo, a necessidade de
calcário é determinada em função da percentagem de saturação por
bases. Recomenda-se aplicar calcário quando a percentagem de
saturação por bases for inferior a 50%, calculando-se a quantidade
de calcário para atingir 60%, conforme a equação (1). Reavaliar o
solo após 3 anos. O cálculo da necessidade de calagem, em t/ha, é
feito utilizando-se a fórmula:
NC =

(V2 – V1)T x f
100

(1)

onde:
T = capacidade de troca de cátions ou S + (H + Al3+), em cmolc/dm3 ;
S = soma de bases trocáveis (Ca2+ + Mg2+ + K+), em cmolc/dm3 ;
V2 = % desejada de saturação em bases;
V1 = % de saturação em bases fornecida pela análise = 100 x S/T;
f = 100/PRNT; fator de correção do PRNT do calcário;
PRNT = poder relativo de neutralização total.
20

6 SISTEMA DE MANEJO PARA PRODUÇÃO DE GRÃOS
6.1 ESCOLHA DE CULTIVARES
Os cultivares indicados para produção de grãos, para 2006/
2007, são: UPF 15, UPF 16 - Jubileu, UPF 18, UPFA 20 – Teixeirinha,
UPFA 22 – Temprana, UFRGS 14 – Amiga, UFRGS 19, URS 20,
URS 21, URS 22 Londrina, URS GUAPA, FAPA 4 – Louise e
ALBASUL. Especificamente para o Norte do Paraná, também é
indicado o cultivar IAC 7. Também especificamente para a região de
Passo Fundo – RS é indicado o cultivar UPFA Pampa. A escolha de
um cultivar deve considerar a potencialidade para rendimento de grãos
e as seguintes características agronômicas: suscetibilidade ao
acamamento, às moléstias (principalmente às ferrugens), à geada,
além do ciclo e da qualidade industrial.
A ocorrência de acamamento (Tabela 9) é variável e
depende da interação de diversos fatores. Um crescimento excessivo
da planta, provocado por condições meteorológicas favoráveis e
grande disponibilidade de N no solo, predispõe a planta a acamar.
Alguns cultivares são bastante sensíveis à geada (Tabela
9), que ocorre freqüentemente durante o período de crescimento
vegetativo. Deve-se evitar o uso de variedades sensíveis à geada
em regiões cuja probabilidade de ocorrência deste fenômeno seja
alta.
A ocorrência de moléstias depende das condições para o
estabelecimento dos patógenos, sendo que, em geral, as condições
favoráveis são altas temperatura e umidade do ar. As principais
moléstias são as ferrugens, porém nem todas os cultivares reagem
da mesma forma a essas doenças, necessitando um correto
monitoramento e controle. A reação dos cultivares às ferrugens é um
processo dinâmico, pois há uma constante mudança das raças dos
fungos, além da interação com as condições de ambiente (Tabela 9).
Em relação ao ciclo dos cultivares (Tabela 9), é menor em
épocas de semeadura tardias comparando-se com a semeadura em
época normal. Também o ciclo tende a decrescer em regiões com
temperaturas médias mais altas.

21

Tabela 9. Sensibilidade ao acamamento, à geada e à ferrugem da
folha e ciclo dos cultivares recomendados de aveia branca
para produção de grãos
Sensibilidade
Cultivar
ALBASUL
FAPA 4
UPF 15
UPF 16
UPF 18
UPFA 20
UPFA 22
UPFA-Pampa
UFRGS 14
UFRGS 19
URS 20
URS 21
URS 22
URS GUAPA

Acamamento
B
I
A
B
A
B
I
I
B
B
I
A
B
I

1

Geada
SI
I
B
A
B
I
B
SI
B
B
A
A
B
SI

2

Ciclo1

Ferrugem da Folha

(DEM)

A
A
A
A
A
A
A
A
A
A
A
B
A
A

M
M
M
C
L
M
C
M
M
C
M
C
C
C

1

Dados de Passo Fundo – RS
Dados de Guarapuava – PR
DEM = dias da emergência à maturação
A = alto; B = baixo; I = intermediário; C = curto; L = longo; M = médio; SI =
sem informação
1
2

6.2 QUALIDADE DA SEMENTE
A semente de aveia a ser utilizada deve ser de boa
qualidade, produzida dentro dos padrões fixados pelo Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA e/ou pela Comissão
de Sementes e Mudas – CSM em cada Estado. A Tabela 10 mostra
alguns padrões fixados pelo MAPA para diferentes classes de
sementes.

22

Tabela 10. Padrões de sementes de aveia
FATORES

Aveia Branca
Básica

C11

C22

Aveia Preta
S13 e S24

Básica

C11

C22

S13 e S24

23

Germinação mínima(%)
70
80
80
80
75
75
75
75
Pureza mínima (%)
98
98
98
98
95
95
95
95
Sementes cultivadas
- Outras espécies de aveia
zero
3
3
8
- Outras espécies
1
2
2
2
- Sementes silvestres
2
3
5
5
Sementes nocivas
- Toleradas
1
1
2
3
- Proibidas
zero
zero
zero
zero
1
Semente certificada de primeira geração, 2Sementes certificada de segunda geração, 3Sementes de primeira geração
e 4Semente de segunda geração.

6.3 IMPLANTAÇÃO DA CULTURA
6.3.1 Época de semeadura
A época de semeadura mais adequada para a produção
de grãos em cada região é:
- Região de Ijuí (RS): 15 de maio a 15 de junho;
- Região de Passo Fundo (RS): 15 de maio a 15 de junho;
- Região dos Campos de Cima da Serra (RS): 15 de junho
a 15 de julho;
- Região Sul do Paraná: 15 de maio a 15 de julho;
- Região Norte e Oeste do Paraná: 15 de março a 15 de
maio;
- Região de Campos Novos e Lages (SC): 15 de junho a
15 de julho;
- Região do Sul de São Paulo: 15 de abril a 30 de maio;
- Região do Mato grosso do Sul: 15 de março a 15 de maio.
Devido à instabilidade das condições climáticas, é
recomendável a semeadura em mais de uma época, dentro do
período indicado.
6.3.2 Quantidade de sementes
A quantidade de sementes recomendada é de 200 a 300
sementes viáveis/m2. Na semeadura tardia e regiões mais quentes
deve ser utilizada a densidade maior, pois é menor o afilhamento.
6.3.3 Distribuição das sementes
A semeadura deve ser realizada, de preferência, em linhas,
com a mesma semeadora-adubadora utilizada para a implantação
de outros cereais de inverno. Esta operação, quando efetuada em
linhas, tem como vantagens a distribuição e a profundidade mais
uniforme das sementes, bem como melhor cobertura e maior
eficiência na utilização dos fertilizantes. Neste caso, devem ser
utilizados os espaçamentos de 17 a 20 cm para a produção de grãos,
forragem ou adubação verde e cobertura.

24

6.3.4 Profundidade de semeadura
As sementes de aveia germinam facilmente em
profundidades de 2 a 4 cm. Em profundidades maiores existem riscos
de sementes de baixo vigor e com poucas reservas não emergirem,
também é maior o tempo para a completa emergência das plântulas
e conseqüente redução do índice de afilhamento.
6.3.5 Adubação
6.3.5.1 Nitrogênio
Para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a
quantidade de nitrogênio recomendada para a cultura da aveia é
baseada no teor de matéria orgânica do solo, no tipo de cultura
precedente e na expectativa de rendimento da aveia (Tabela 11).
Deste valor, 10 a 20 kg/ha devem ser aplicados na semeadura e o
restante em cobertura, no início do afilhamento (quarta-folha visível).
No estado do Paraná, a indicação de adubação nitrogenada
leva em consideração a cultura anterior (Tabela 12). Além dos fatores
considerados na Tabela 11, para uma maior eficiência da adubação
nitrogenada devem ser considerados outros fatores como: a) histórico
da lavoura; b) disponibilidade de água no solo; c) temperatura do ar
e do solo; d) época de semeadura; e) estatura das plantas e
sensibilidade ao acamamento; f) incidência de moléstias.
No sistema de semeadura direta é indicado o cultivo da
aveia para produção de grãos após a soja ao invés de milho, pois
resultados experimentais têm demonstrado que, para as mesmas
doses de N aplicado, o rendimento da cultura é superior quando este
é aplicado após a soja.
As principais fontes de nitrogênio disponíveis são a uréia
(45% de N), o nitrato de amônio (32% de N) e o sulfato de amônio
(20% de N). Indica-se usar a fonte que apresentar o menor custo por
unidade de N.

25

Tabela 11. Indicação de adubação nitrogenada em aveia branca no
Rio Grande do Sul e Santa Catarina
Nitrogênio
Cultura precedente
Leguminosa
Gramínea
(soja)
(milho)
%
------------------------ kg de N/ha -----------------------≤ 2,5
40
60
2,6-5,0
30
40
> 5,0
≤ 20
≤ 2,50
Para expectativa de rendimento maior do que 2 t/ha, acrescentar aos valores
da Tabela 20 kg de N/ha em cultivo após leguminosa e 30 kg de N/ha após
gramínea, por tonelada adicional de grãos a serem produzidos.
Fonte: Manual de Adubação e Calagem para os estados do Rio Grande do
Sul e Santa Catarina, 2004.
Teores de matéria
orgânica no solo

Tabela 12. Adubação nitrogenada para produção de grãos de aveia
indicada para o Paraná
Cultura anterior

Semeadura
Cobertura
------------------------ N (kg/ha) -----------------------Soja
10-30
30-60
Milho
25-50
30-90
Quando a fórmula utilizada do fertilizante não suprir a quantidade indicada,
sugere-se a aplicação da diferença a lanço, antes da semeadura.
Fonte: Informações Técnicas da Comissão Centro-Sul Brasileira de
Pesquisa de Trigo e Triticale para a safra de 2005.

Quando o cultivo anterior foi o milho, deve-se aplicar maior
quantidade de nitrogênio na semeadura, para suprir as necessidades
dos microrganismos decompositores da palha desse ou de outro
cereal que apresente elevada relação C/N.
6.3.5.2 Fósforo
A indicação de fósforo para o Rio Grande do Sul e Santa
Catarina baseia-se na classe de solo (teor de argila), na análise do
teor de P no mesmo e, na seqüência de cultivos, conforme Tabela
13. Para o Paraná, a indicação baseia-se no teor de P, determinado
pela análise do solo (Tabela 14).
26

Tabela 13. Indicação de adubação fosfatada (kg/ha de P2O5) e
potássica para a produção de grãos de aveia no Rio
Grande do Sul e Santa Catarina
Interpretação do
teor de P ou
de K no solo

Fósforo por
cultivo ou ano

Potássio por
cultivo ou ano







----- kg/ha de P2O5 ----110
70
70
50
60
30
30
30
0
≤ 30

Muito baixo
Baixo
Médio
Alto
Muito alto



----- kg/ha de K2O ----100
60
60
40
50
20
20
20
0
≤ 20

Para expectativa de rendimento maior do que 2 t/ha, acrescentar aos valores
da Tabela 15 kg/ha de P2O5 e 10 kg/ha de K2O, por tonelada adicional de
grãos a serem produzidos.
Fonte: Manual de Adubação e Calagem para os estados do Rio Grande do
Sul e Santa Catarina, 2004.
Observação: Para culturas de cobertura de solo, não aplicar fertilizante,
exceto quando os teores de K forem baixos.

Tabela 14. Adubação fosfatada para a produção de grãos de aveia
no Paraná
Teor de P* (mg/dm3)

P2O5 (kg/ha)

<5
5-9
>9

60 - 90
40 - 60
20 - 40

* Extraído pelo Método de Mehlich-1.
Fonte: Informações Técnicas da Comissão Centro-Sul Brasileira de
Pesquisa de Trigo e Triticale para a safra de 2005.

6.3.5.3 Potássio
A indicação de potássio para o Rio Grande do Sul e Santa
Catarina baseia-se na classe de solo (teor de argila), na análise do
teor de K no mesmo e na seqüência de cultivos, conforme Tabela 13.
Para o Paraná, a indicação baseia-se no teor de K, determinado pela
análise do solo (Tabela 15).

27

Tabela 15. Adubação potássica para produção de grãos de aveia
indicada para o estado do Paraná
Teor K* (cmolc/dm3)

K2O (kg/ha)

< 0,10
0,10 - 0,30
> 0,30

60 - 80
40 - 60
30 - 40

*Extraído pelo Método de Mehlich – 1.
Fonte: Informações Técnicas da Comissão Centro-Sul Brasileira de
Pesquisa de Trigo e Triticale para a safra de 2005.

6.4 TRATOS CULTURAIS
6.4.1 Manejo de plantas daninhas
A cultura da aveia pode sofrer interferência de outras
espécies, especialmente nos estádios iniciais do seu
desenvolvimento. Estas plantas, que podem ser silvestres ou
cultivadas, prejudicam o rendimento da aveia quantitativa e/ou
qualitativamente.
6.4.1.1 Principais plantas daninhas
Nas regiões de clima mais frio o ciclo da aveia coincide
com o de espécies como o cipó-de-veado-de-inverno (Polygonum
convolvulus L.), nabo (Raphanus sativus L.), nabiça (R. raphanistrum
L.), serralha (Sonchus oleraceus L.), silene (Silene gallica L.), gorga
ou espérgula (Spergula arvensis L.) e azevém (Lolium multiflorum
Lam.), entre outras. Nas regiões onde o inverno não é muito rigoroso
e as geadas são raras pode-se acrescentar ainda picão-preto (Bidens
spp.), poaia-branca (Richardia brasiliensis Gomez) e picão-branco
(Galinsoga spp.).
6.4.1.2 Medidas de controle
A primeira medida de controle deve ser o emprego de
sementes de aveia de alta qualidade, livres de misturas com sementes
de plantas daninhas. Outros métodos de controle são o cultural, o
mecânico e o químico.
28

6.4.1.2.1 Controle cultural
Podem ser adotadas medidas de controle cultural, de modo
que o desenvolvimento da cultura possa sobrepujar o das plantas
daninhas, sombreando o solo mais rapidamente. Dentre as medidas
culturais, destacam-se:
- uso de sementes de alta qualidade;
- semeadura na época preferencia

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