PRINCÍPIOS BÁSICOS DE PSICROMETRIA

  Capítulo 3 Princípios Básicos de Psicrometria Capítulo

  3 PRINCÍPIOS BÁSICOS DE PSICROMETRIA

  Juarez de Sousa e Silva Roberto Precci Lopes

  Daniela de Carvalho Lopes Ricardo Caetano Rezende

1. INTRODUđấO

  A psicrometria ou higrometria é a parte da termodinâmica que trata da quantificação do vapor de água presente na atmosfera. O ar é constituído por uma mistura de gases (nitrogênio, oxigênio, dióxido de carbono, etc.), vapor de água e uma série de contaminantes, como partículas sólidas em suspensão e outros gases. A quantidade de vapor de água presente no ar ambiente varia de quase zero a aproximadamente 4% em volume. O ar seco existe quando, do ar natural, removem-se todo o vapor de água e os contaminantes. A composição do ar seco é relativamente constante, apesar das pequenas variações em função da localização geográfica e altitude. Essa composição média percentual é apresentada na Tabela 1.

   TABELA 1 - Composição aproximada do ar seco Conteúdo (% por Componente Fórmula volume)

  Nitrogênio N 78,084

  

2

Oxigênio O 20,948

  

2

Argônio Ar 0,934

  Dióxido de carbono CO 0,033

  2

  • Outros

  0,001 O conhecimento das condições de umidade do ar é de grande importância para muitos setores da atividade humana, como o dimensionamento de sistemas para acondicionamento térmico de animais e plantas, a conservação de frutas, legumes, ovos e outros alimentos, os sistemas de refrigeração ou a estimativa de tempo e energia

  Capítulo 3 Princípios Básicos de Psicrometria requeridos por processos de secagem, armazenamento e processamento de grãos.

  Às vezes, o índice de conforto térmico de uma atmosfera depende mais da quantidade de vapor de água presente no ar do que da temperatura propriamente dita. Desse modo, um aparelho de condicionamento do ar promove maior controle da umidade e apenas pequenas variações no valor da temperatura do ambiente. Por tudo isso, o estudo detalhado da mistura de ar seco (N +O +CO + outros) e vapor de água,

  2

  2

  2 passou a ser uma disciplina específica, denominada psicrometria.

2. PROPRIEDADES DO AR ÚMIDO

  As propriedades do ar úmido estão relacionadas à temperatura, quantidade de vapor de água, volume ocupado pelo ar e energia nele contida. Propriedades relacionadas à temperatura: temperatura do bulbo seco;

  • temperatura do bulbo molhado; e
  • temperatura do ponto de orvalho.
  • Propriedades relacionadas à umidade (massa de vapor d'água): pressão de vapor;
  • razão de mistura;
  • umidade específica;
  • umidade absoluta;
  • umidade relativa; e
  • grau de saturação.
  • Propriedades relacionadas ao volume ocupado e à energia:
  • volume específico; e - entalpia.

2.1. Temperaturas de Bulbo Seco (t) e de Bulbo Molhado (t ) m

  A temperatura do bulbo seco (t) do ar é a temperatura medida com um termômetro comum. Caso o termo temperatura seja usado sem uma especificação, o leitor deve entendê-lo como sendo a temperatura de bulbo seco.

  Outra medida importante de temperatura, quando se fala de secagem de grãos e outros processos agrícolas, é a temperatura de bulbo molhado (t ). Para obtê-la, cobre-

  m

  se o bulbo de um termômetro comum, cujas características devem ser semelhantes às do termômetro de bulbo seco, com um tecido de algodão embebido em água destilada. O bulbo molhado deve ser ventilado, com o ar que se quer conhecer, a uma velocidade

  • 1

  mínima de 5 m.s . Uma observação deve ser feita em relação às temperaturas psicrométrica e termodinâmica de bulbo molhado: a temperatura psicrométrica de bulbo molhado (t ) é a temperatura do ar indicada pelo termômetro de bulbo molhado, como

  m

  descrito anteriormente; já a temperatura termodinâmica de bulbo molhado é aquela de equilíbrio, alcançada quando o ar úmido sofre um processo de resfriamento adiabático, devido à evaporação da água no ar, até atingir a temperatura da água, mantendo-se a pressão constante. Na prática, estas temperaturas são consideradas iguais.

  O conhecimento das temperaturas de bulbo seco e de bulbo molhado (t e t ),

  m

  Capítulo 3 Princípios Básicos de Psicrometria o

  expressas em graus Celsius (

  C) e determinadas por meio de psicrômetros, permite, com o uso de tabelas, gráficos ou equações, a determinação rápida da umidade relativa do ar.

  2.2. Pressão Parcial de Vapor (p v ) e Pressão de Saturação (p vs )

  O vapor de água, como os gases componentes da atmosfera, exerce pressão em todas as direções, pressão esta que depende da concentração do vapor. A quantidade de vapor que pode existir em determinada atmosfera é limitada para cada valor de temperatura. Temperaturas mais elevadas permitem a existência de maior quantidade de vapor do que em um ambiente com temperaturas mais baixas. Quando o ar contém o máximo de vapor de água permissível para determinada temperatura, diz-se que o ar se encontra saturado e a pressão de vapor nessa circunstância é dita máxima ou de saturação. Se a quantidade de vapor não é suficiente para saturar o ar, sua pressão é chamada de pressão parcial de vapor.

  A pressão de vapor de saturação pode ser calculada (em kPa), conhecendo a temperatura (T em K), por meio da equação 1, que apresenta exatidão de 0,3% para temperaturas entre 0 ºC e 100 ºC, ou pela equação 2, quando a faixa de temperatura estiver entre 0 ºC e 374 ºC.

  25

  5

  p = 6.10 /(1000 T ).exp(-6800 / T) eq. 1

  vs

  7 i-1 p vs = (2,2087.10 exp((0,01/T) (647,286-T) ( F i (0,65-0,01(T-273,16)) )) +

  • + 1,412 exp (0,0386 (T-273,15)))/1000 eq. 2

  em que F = -741,9242; F = -29,7210; F = -11,552860; F = -0,8685635

  1

  2

  3

  4 F = 0,1094098; F = 0,4399930; F = 0,2520658; F = 0,05218684

  5

  6

  7

  8

  2.3. Razão de Mistura (w) É definida como a razão entre a massa de vapor de água e a massa de ar seco (kg.

  • 1

  kg ) em dado volume da mistura. Seu cálculo depende da pressão de vapor e da pressão atmosférica (p e P), como mostra a equação 3:

  v

  w = 0,622 p

  v / (P - p v ) eq. 3

  2.4. Umidade Relativa (UR)

  A umidade relativa do ar é a razão entre a pressão parcial de vapor exercida pelas moléculas de água presentes no ar e a pressão de saturação, na mesma temperatura, sendo normalmente expressa em porcentagem (equação 4).

   UR = 100 p v / p vs eq. 4

  2.5. Umidade Absoluta (Ua) É a relação entre a massa de vapor de água e o volume ocupado pelo ar úmido (g.

  • 3

  m ), expressa pela equação 5, para P e Pv em hPa. Essa relação pode ser decomposta para o cálculo das umidades absolutas do vapor de água e do ar seco (equações 6 e 7),

  Capítulo 3 Princípios Básicos de Psicrometria respectivamente.

  Ua = (348,37 P – 131,69 p

  v ) / T eq. 5

  Ua = 216,68 p / T eq. 6

  v v

  Ua

  d = 348,37 (P – p v )/T eq. 7

  2.6. Umidade Específica (Ue)

  • 1

  É a relação entre a massa de vapor de água e a massa do ar úmido (g g ), expressa pela equação 8. Ue = (0,622 p

  v )/(P – 0,378 p v ) eq. 8

  2.7. Grau de Saturação (Gs)

  Expressa em porcentagem, esta propriedade relaciona a razão de mistura atual e a razão de mistura do ar em condição de saturação, à mesma temperatura e pressão (equação 9). Gs = 100 w/w s eq. 9

  2.8. Temperatura do Ponto de Orvalho (t po )

  É a temperatura em que o ar úmido se torna saturado, ou seja, quando o vapor de água começa a condensar-se, por um processo de resfriamento, mantendo constantes a pressão e a razão de mistura. A equação 10 pode ser empregada para calcular esta propriedade e expressá-la em graus Celsius (°C) utilizando-se a pressão de vapor em kPa. t = (186,4905 – 237,3 log (10 p )) / (log (10 p ) – 8,2859) eq. 10

  po 10 v 10 v

  2.9. Volume Específico (v e )

  • 3

  É definido como o volume por unidade de massa de ar seco e expresso em m kg

  1

  . A potência requerida pelo ventilador, em um sistema de secagem, é afetada pelo volume específico do ar que pode ser calculado por meio da equação 11. v

  e = 0,28705 T (1+ 1,6078 w) / P eq. 11

  2.10. Entalpia (h)

  A entalpia (h) de uma mistura ar seco e vapor de água é a energia contida no ar úmido, por unidade de massa de ar seco, para temperaturas superiores a uma

  o

  determinada temperatura de referência (0

  C). Como somente a diferença de entalpia representa interesse prático em processamento de produtos agrícolas, o valor escolhido para a temperatura de referência torna-se irrelevante. A entalpia, que é expressa em kcal ou kJ por kg de ar seco, é muito importante para o dimensionamento de aquecedores e sistema de secagem e composição do custo operacional dos diferentes sistemas. A

  Capítulo 3 Princípios Básicos de Psicrometria

  • 1

  equação 12 pode ser usada para calcular a entalpia e expressá-la em kJ.kg , para T em

  • 1

  Kelvin e w em kg.kg . h = 1,006 (T – 273,15) + w (2501+1,775 (T – 273,15)) eq. 12

3. MEDIđấO DA UMIDADE DO AR

  A determinação da umidade do ar não é feita a partir de uma amostragem, que é um procedimento muito utilizado para a quantificação da umidade do solo, de produtos agrícolas a de outros materiais higroscópicos. Essa metodologia, embora possa ser utilizada, exigiria equipamentos de alto custo, que em alguns casos inviabilizariam a sua determinação. Na prática, a umidade do ar é determinada indiretamente por meio da pressão parcial exercida pelo vapor de água na atmosfera. Os instrumentos usados para esta finalidade são denominados higrômetros. Os mais comuns são:

  a) Higrômetros de condensação: baseiam-se na determinação do ponto de orvalho.

  b) Higrômetros de absorção: usados em laboratório. A determinação é feita passando-se, através de uma substância higroscópica, um volume conhecido do ar cujas propriedades se deseja determinar. O resultado é obtido pela variação do peso devido à umidade absorvida.

  c) Higrômetros elétricos: baseiam-se na variação da resistência elétrica de um fino filme de um condutor eletrolítico contendo um sal higroscópico, em função da umidade.

  d) Higrômetro ótico: por meio da intensidade de luz refletida, mede a espessura de um filme higroscópico, a qual varia com a umidade.

  e) Higrômetros de difusão: constam de uma câmara fechada, tendo uma placa porosa numa das paredes. O ar no interior da câmara é continuamente submetido à ação de um agente dessecador ou umedecedor. A difusão do ar através da placa porosa produz mudança na pressão interna da câmara, que é medida por um manômetro. No ponto de equilíbrio, o valor da mudança de pressão depende da pressão de vapor do ar exterior e da temperatura da câmara.

  f) Psicrômetro: consta de dois termômetros semelhantes, um dos quais tem o bulbo recoberto por tecido de algodão umedecido em água destilada (Figura

  1). A evaporação da água sobre o bulbo umedecido causa abaixamento na sua temperatura, sendo dependente do estado higrométrico do ar. O termômetro de bulbo seco indica a temperatura do ar. A diferença de temperatura entre os dois termômetros indica a umidade, bem como outras propriedades do ar, bastando utilizar os dados obtidos para dar entradas em tabelas, gráficos ou fórmulas. Os psicrômetros podem ser de ventilação natural (psicrômetros comuns) ou de ventilação forçada. O mais comum é o psicrômetro giratório.

  g) Higrômetros de fio de cabelo: o cabelo humano livre de gorduras tem a propriedade de aumentar em comprimento ao absorver umidade e de diminuir em comprimento quando a perde. Essa variação é ampliada e

  Capítulo 3 Princípios Básicos de Psicrometria

  transmitida a um ponteiro, sobre um mostrador, que indicará diretamente a umidade relativa do ar. Trocando-se o ponteiro por uma pena contendo reservatório de tinta e o mostrador por um cilindro rotativo movido por um mecanismo de relojoaria, tem-se o higrômetro registrador ou higrógrafo.

  Figura 1 – Psicrômetros de parede e giratório.

  Um higrômetro de fio de cabelo ou um higrógrafo fornecem diretamente a leitura da umidade relativa do ar. Isto não acontece quando se usa um psicrômetro ou um higrômetro de condensação, pois, nesse caso, a umidade relativa só será conhecida após operações usando esses dados em fórmulas, tabelas ou gráficos psicrométricos.

  Nestes casos, conhecendo-se a temperatura do ponto de orvalho e a temperatura do ar (ambas em K), a umidade relativa (em %) pode ser determinada pela equação 13. Outra opção é aplicar as equações 1 ou 2, seguidas das equações 14 e 4, como mostra o exemplo a seguir.

  UR = 100 exp (5417 ((1 / T) - (1/T

  po ))) eq. 13

p v = p vsm - [A. P . (t - t m )] eq. 14

  em que p = pressão de saturação à temperatura de bulbo molhado, kPa;

  vsm

  • 4

  A = constante do psicrômetro, igual a 6,7 x 10 para psicrômetros

  • 4 -1

  aspirados e 8,0 x 10 para psicrômetros não aspirados, ºC ;

  Exemplo:

  As leituras de temperatura de bulbo seco e de bulbo molhado, dadas por um psicrômetro de aspiração, foram, respectivamente, de 27°C e 18°C ao nível do mar (101,325 kPa). Determine a umidade relativa do ar.

  Capítulo 3 Princípios Básicos de Psicrometria Solução

  Determinação das pressões de vapor saturado às temperaturas de bulbo molhado e bulbo seco (equação 1):

  25

  5

  p = 6.10 /(1000x(291,15) )exp(-6800 / 291,15) = 2,06 kPa =

  vsm

  = 20,6 mbar = 15,5 mmHg

  25

  5

  p = 6.10 /(1000x(300,15) )exp(-6800 / 300,15) = 3,57 kPa =

  vs

  = 35,7 mbar = 26,8 mmHg

  Observação : Dependendo da aplicação, diferentes unidades podem ser usadas

  para expressar os valores de pressão. Portanto, ressalta-se que as seguintes regras de conversão podem ser aplicadas, caso seja necessário: 1 atm = 101,325 kPa = 760 mmHg = 1013,25 mbar e 1 mmH O = 9,80665 Pa

  2 Determinação da pressão de vapor d’água no ar (equação 14):

  • 4

  p = 2,06 - [6,7x10 x 101,325 x (27-18)] = 1,45 kPa =

  v

  = 14,5 mbar = 10,9 mmHg Logo, a umidade relativa do ar será (equação 4): UR = 100 x 10,9 / 26,8 = 40,7%

4. CÁLCULO DA TEMPERATURA DE BULBO MOLHADO

  A temperatura de bulbo molhado pode ser estimada de maneira iterativa, conhecendo-se a temperatura de bulbo seco e a razão de mistura ou a umidade relativa de um determinado ponto de estado. Neste caso, a temperatura de bulbo seco é progressivamente decrementada, mantendo-se constante o valor de entalpia, até se alcançar um ponto de estado cujo valor de umidade relativa seja igual ou bem próximo a 100%.

  Exemplo:

  O termômetro e o higrômetro de um experimento montado ao nível do mar (P = 101,325 kPa) estão medindo 20ºC e 90%, respectivamente. Qual a temperatura de bulbo molhado?

  Solução

  Cálculo de p para a temperatura de bulbo seco (equação 1):

  vs

  25

  5

  p = 6.10 /(1000x(293,15) )exp(-6800 / 293,15) = 2,34 kPa

  vs

  Cálculo da pressão de vapor (equação 4, isolando-se p ):

  v

  p = 90 x 2,34 / 100 = 2,10 kPa

  v

  Cálculo da razão de mistura para a temperatura de bulbo seco (equação 3)

  • 1

  w= 0,622 x 2,10 / (101,325 – 2,10) = 0,013 kg.kg Cálculo da entalpia para a temperatura de bulbo seco (equação 12):

  • 1
  • 1
  • 1 = 18ºC Cálculo da razão de mistura para t

  • 1
    • – 0,5 = 18,5ºC Cálculo da razão de mistura para t

  • 1

  )exp(-6800 / 291,15) = 2,06 kPa Cálculo de UR para t

  5

  /(1000x(291,15)

  25

  = 6.10

  vs

  (equação 1) p

  para t

  m

  vs

  = 0,014 x 101,325 / (0,622+ 0,014) = 2,23 Cálculo de p

  v

  ) p

  v

  (equação 3, isolando-se p

  m

  m

  (equação 4) UR = 100 x 2,23/2,06 = 108,1 % Neste caso a UR ultrapassou 100%, indicando que o incremento usado foi muito grande. Quando isto acontece, deve-se refazer a iteração, dividindo o incremento anterior por 2.

  Iteração 03 - b: Considerando t m

  v

  m

  para t

  vs

  = 0,0138 x 101,325 / (0,622+ 0,0138) = 2,20 Cálculo de p

  v

  ) p

  (equação 3, isolando-se p

  = t

  m

  para t

  v

  Cálculo de p

  (equação 12, isolando-se w) w= (53,56 - 1,006 x 18,5) / (2501 + 1,775 x 18,5) = 0,0138 kg.kg

  m

  m anterior

  para t

  v

  Cálculo de p

  (equação 12, isolando-se w) w= (53,56 - 1,006 x 19) / (2501 + 1,775 x 19) = 0,0136 kg.kg

  v

  (equação 3, isolando-se p

  m

  para t

  v

  Cálculo de p

  m

  v

  = t - 1 = 19ºC Cálculo da razão de mistura para t

  Iteração 01: Considerando t m

  . Neste exemplo, a repetição ocorrerá até que a diferença entre a UR calculada e a UR de saturação seja inferior a 0,5%. Estes valores foram escolhidos visando agilizar os cálculos realizados manualmente. Mas, quando este método é empregado em programas computacionais, tanto o decremento inicial quanto a condição de parada podem e devem ser menores, possibilitando a obtenção de resultados mais exatos.

  m

  Iniciar repetições: A cada iteração serão calculados os valores de razão de mistura, pressão de saturação, pressão parcial de vapor e umidade relativa, considerando-se uma temperatura de bulbo molhado igual à temperatura usada na iteração anterior decrementada de um valor escolhido previamente. Neste exemplo, será considerado um decremento inicial de 1ºC. A condição de parada também deve ser estipulada quando do cálculo de t

  h = 1,006 x 20 + 0,012 (2501+1,775 x 20) = 53,56 kJ kg

  Capítulo 3 Princípios Básicos de Psicrometria

  ) p

  = 0,0136 x 101,325 / (0,622+ 0,0136) = 2,17 Cálculo de p

  (equação 12, isolando-se w) w= (53,56 - 1,006 x 18) / (2501 + 1,775 x 18) = 0,014 kg.kg

  )exp(-6800 / 292,15) = 2,20 kPa Cálculo de UR para t

  m

  m anterior

  = t

  Iteração 02 - a: Considerando t m

  (equação 4) UR = 100 x 2,17/2,20 = 98,7 % A diferença obtida nesta repetição foi de 1,33%.

  m

  5

  vs

  /(1000x(292,15)

  25

  = 6.10

  vs

  (equação 1) p

  m

  para t

  (equação 1)

  Capítulo 3 Princípios Básicos de Psicrometria

  25

  5

  p = 6.10 /(1000x(291,65) )exp(-6800 / 291,65) = 2,13 kPa

  vs

  Cálculo de UR para t (equação 4)

  m

  UR = 100 x 2,20/2,13 = 103,3 % Novamente o valor de UR ultrapassou a saturação. O decremento deverá ser ainda menor.

  = t – 0,25 = 18,75ºC

  Iteração 04 - c: Considerando t m m anterior

  Cálculo da razão de mistura para t (equação 12, isolando-se w)

  m

  • 1

  w= (53,56 - 1,006 x 18,75) / (2501 + 1,775 x 18,75) = 0,0137 kg.kg Cálculo de p para t (equação 3, isolando-se p )

  v m v

  p = 0,0137 x 101,325 / (0,622+ 0,0137) = 2,18

  v

  Cálculo de p para t (equação 1)

  vs m

  25

  5

  p = 6.10 /(1000x(291,9) )exp(-6800 / 291,9) = 2,16 kPa

  vs

  Cálculo de UR para t (equação 4)

  m

  UR = 100 x 2,18/2,16 = 101,0 % Novamente o valor de UR ultrapassou a saturação. O decremento deverá ser ainda menor. Mas, já é possível observar que o método está convergindo, ou seja, a UR calculada está se aproximando do valor de 100%.

  = t – 0,125 = 18,875ºC

  Iteração 05 - d: Considerando t m m anterior

  Cálculo da razão de mistura para t (equação 12, isolando-se w)

  m

  • 1

  w= (53,56 - 1,006 x 18,875) / (2501 + 1,775 x 18,875) = 0,0136 g g Cálculo de p para t (equação 3, isolando-se p )

  v m v

  p = 0,0136 x 101,325 / (0,622+ 0,0136) = 2,17

  v

  Cálculo de p para t (equação 1)

  vs m

  25

  5

  p = 6.10 /(1000x(292,025) )exp(-6800 / 292,025) = 2,18 kPa

  vs

  Cálculo de UR para t (equação 4)

  m

  UR = 100 x 2,17/2,18 = 99,8 % Este valor corresponde a uma diferença de 0,2% com relação a UR de saturação, sendo menor que o valor estipulado como condição de parada. Portanto, pode-se dizer que para o ponto de estado deste exemplo, a temperatura de bulbo molhado é aproximadamente 18,9°C.

  5. TABELAS E GRÁFICOS PSICROMÉTRICOS

  Além das equações psicrométricas específicas e dos programas computacionais que incluem essas equações para o cálculo das propriedades do ar, as tabelas e os gráficos psicrométricos foram criados para facilitar a determinação destas propriedades. Mesmo com a disponibilidade de computadores, os gráficos e as tabelas são bastante utilizados, principalmente quando se necessita de determinações rápidas em locais onde o computador não está disponível.

  A Tabela 2 é usada na determinação aproximada da umidade relativa do ar e apresenta entrada dupla. Nela encontram-se a temperatura de bulbo molhado, na primeira coluna, e a depressão psicrométrica (diferença entre as temperaturas de bulbo seco e de bulbo molhado), na primeira linha. Os diversos valores da umidade relativa

  Capítulo 3 Princípios Básicos de Psicrometria constituem o corpo da tabela.

  5.1. Exemplo de Aplicação da Tabela Psicrométrica

  Determinar a umidade relativa do ar sabendo-se que um psicrômetro indica

  o o

  t = 26,0 C e t = 20,3 C.

  m Solução o

  Procura-se o valor de 20,3 C na coluna correspondente ao termômetro de bulbo molhado (t ) e, daí, segue-se horizontalmente até a coluna cuja depressão psicrométrica

  m o o o

  (t - t ) seja igual a 5,7

  C, isto é, (26,0 C - 20,3 C).

  m

  Quando os valores de t e (t - t ) não estão expressos na tabela, é preciso fazer

  m uma interpolação, a qual pode ser feita indistintamente nas colunas ou nas linhas.

  Somente após conhecer os valores intermediários das colunas ou das linhas, é possível calcular a umidade relativa.

  Fazendo a interpolação nas colunas da Tabela 2, tem-se:

  o o o

  Coluna (t - t ) = 5,6

  C: para t = 20 C o valor de UR = 58% e para t = 21 C o

  m m m o o

  valor de UR = 59%. Assim, a UR varia em 1% para uma variação de 1 C (21 C –

  o o o o

  20 C). Logo, para uma variação de 0,3 C (20,3 C - 20 C), a UR vai variar em 0,3%.

  o

  Desse modo, pode-se dizer que na coluna (t - t ) =5,6ºC, para t = 20,3

  C,

  m m corresponderá uma UR = 58,3%. o o o

  Coluna (t - t ) = 5,8

  C: para t = 20

  C, o valor de UR = 56%, e para t = 21

  C,

  m m m

  o valor de UR = 57%. Observa-se aqui, também, que para uma variação de 1 ºC a UR

  o o o

  variou em 1% e, conseqüentemente, para a variação de 0,3 C (20,3 C - 20 C ) a UR

  o o

  variará em 0,3%. Portanto, o valor da UR para t = 20,3 C e (t - t ) = 5,8 C será de

  m m 56,3%.

  Para conhecer a UR nas condições propostas, basta interpolar os valores

  o o

  encontrados na linha correspondente a t = 20,3

  C. Ou seja, para (t - t ) = 5,6

  C, o

  m m o

  valor de UR = 58,3%, e para (t - t ) = 5,8 C o valor da UR = 56,3%. Assim, para uma

  m o o o

  variação de 0,2 C em (t - t ) = (5,8 C - 5,6

  C), a UR variou em 2%. Para uma variação

  m o o o

  de 0,1 C em (t - t ) = (5,7 C - 5,6 C ), a UR variará em 1%. Portanto, nas condições

  m propostas, a UR é 57,3, como mostra a Tabela 3.

  Capítulo 3 Princípios Básicos de Psicrometria Secagem e Armazenagem de Produtos Agrícolas

  53

  58

  57

  56

  55

  55

  54

  52

  60

  51

  50

  50

  49

  29

  67

  59

  61

  65

  50

  56

  55

  54

  53

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  47 TABELA 2 - Valores de umidade relativa para valores conhecidos de t e t

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  m

  Temp. t m DEPRESSÃO PSICROMÉTRICA (T - T m )

  °C 5,2 5,4 5,6 5,8 6,0 6,2 6,4 6,6 6,8 7,0 7,2 7,4 7,6 7,8 8,0 8,2 8,4 8,6 8,8 9,0

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  55

   Capítulo 3 Princípios Básicos de Psicrometria TABELA 3 – Determinação da umidade relativa (%) em função de t e de (t –

  t )

  m

  t - t

  m (°C)

  t

  m

  (°C) 5,6 5,7 5,8

  20,0 58,0 57,0 56,0 20,3 58,3 57,3 56,3 21,0 59,0 58,0 57,0

  48 Secagem e Armazenagem de Produtos

  Capítulo 3 Princípios Básicos de Psicrometria

5.2. Gráfico Psicrométrico

  O gráfico psicrométrico é o modo mais simples e rápido para a caracterização de determinada massa de ar. A Figura 2 mostra um gráfico psicrométrico à pressão constante de 760 mm de Hg (1.013 mbar ou 101,325 kPa), que poderá ser usado em outras condições, desde que sejam feitas as devidas correções. À primeira vista, parece uma figura bastante complexa. Entretanto, antes de tentar compreendê-lo na sua forma final, vamos, a partir desse ponto, detalhá-lo parte por parte para, ao final desse capítulo, poder usá-lo dentro da precisão em que foi confeccionado e com conhecimento do assunto.

  O eixo das abcissas expressa as temperaturas do termômetro de bulbo

  o

  seco em

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