Desenho Tec Mec. II vol.I

  

DESENHO II

Vol.I

Prof. Carlos Antonio Vieira

  93 Bibliografia 101

  53 Capítulo 04 - Tolerância Geométrica

  1.13 Concordâncias em interseção

  29

  1.14 Rupturas

  30

  1.15 As hachuras nas representações dos cortes

  31

  1.16 A cotagem do desenho técnico

  35 Capítulo 02

  49 Capítulo 03

  64

  1.12 Seções

  4.1 Introdução

  64

  4.2 Tolerância geométrica de forma

  67

  4.3 Tolerância geométrica de orientação

  74

  4.4 Tolerância geométrica de posição

  80

  4.5 Tolerância de batimento

  86 Capítulo 05

  27

  18

  Índice Capítulo 01 – Normalização da Representação em Desenho Técnico

  1.5 Escala

  04

  1.1 A padronização dos desenhos técnicos

  04

  1.2 Normas da ABNT

  04

  1.3 Formatos de papel -NBR -5984/1980 (DIN 476)

  06

  1.4 Legenda

  07

  08

  1.11 Cortes

  1.6 Linhas

  09

  1.7 Aplicação de tipos de linhas em desenho técnico

  10

  1.8 Vistas auxiliares

  12

  1.9 Projeções com rotação

  14

  1.10 Vistas especiais

  17

  • – Tolerância Dimensional
  • – Estado de superfície em Desenho Técnico
  • – Símbolos básicos de solda

OBJETIVOS DA DISCIPLINA DESENHO II

   Capacitar a interpretação de desenhos técnicos executados segundo as normas ABNT e ISO.

   Redigir, segundo as mesmas normas, o desenho de um simples conjunto ou de qualquer detalhe, com indicações segundo as convenções do material, da forma, das dimensões, dos graus de trabalho, das tolerâncias dimensionais e geométricas.

   Interpretar e executar desenhos de edificações, instalações e conjuntos.

   Capítulo 01 – Normalização do Desenho Técnico 1.1 - A Padronização dos Desenhos Técnicos

  Para transformar o Desenho Técnico em uma linguagem gráfica foi necessário padronizar seus procedimentos de representação gráfica. Essa padronização é feita através de normas técnicas que são seguidas e respeitadas internacionalmente.

  As normas técnicas são resultantes do esforço cooperativo dos interessados em estabelecer códigos técnicos que regulem relações entre produtores e consumidores, engenheiros, empreiteiros e clientes. Cada país elabora suas normas técnicas e estas são acatadas em todo o seu território por todos os que estão ligados, direta ou indiretamente, a este determinado setor.

  No Brasil as normas são aprovadas e editadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, fundada em 1940.

  Para favorecer o desenvolvimento da padronização internacional e facilitar o intercâmbio de produtos e serviços entre as nações, os órgãos responsáveis pela normalização em cada país, reunidos em Londres, criaram em 1947 a Organização Internacional de Normalização (International Organization for Standardization – ISO).

  Quando uma norma técnica proposta por qualquer país membro é aprovada por todos os países que compõem a ISO, essa norma é organizada e editada como norma internacional. As normas técnicas que regulam o Desenho Técnico são normas editadas pela ABNT, registradas pelo INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade

  Industrial) como normas brasileiras - NBR e estão em consonância com as normas internacionais aprovadas pela ISO.

  1.2 - Normas da ABNT

  A execução de Desenhos Técnicos é inteiramente normalizada pela ABNT. Os procedimentos para execução de Desenhos Técnicos estão em normas gerais que abordam desde a denominação e classificação dos desenhos a até as formas de representação gráfica, como é o caso da NBR 5984

  • – NORMA GERAL DE DESENHO TÉCNICO (Antiga NB 8) e da NBR 6402

  Ố EXECUđấO DE DESENHOS TÉCNICOS DE MÁQUINAS E ESTRUTURAS METÁLICAS (Antiga NB 13), bem como em normas específicas que tratam os assuntos separadamente, conforme os exemplos seguintes:

   NBR 10647

  • – DESENHO TÉCNICO – NORMA GERAL, cujo objetivo é definir os
termos empregados em desenho técnico. A norma define os tipos de desenho quanto aos seus aspectos geométricos (Desenho Projetivo e Não Projetivo), quanto ao grau de elaboração (Esboço, Desenho Preliminar e Definitivo), quanto ao grau de pormenorização (Desenho de Detalhes e Conjuntos) e quanto à técnica de execução (A mão livre ou utilizando computador).

  NBR 10068

  • – FOLHA DE DESENHO LEIAUTE E DIMENSÕES, cujo objetivo é  padronizar as dimensões das folhas utilizadas na execução de desenhos técnicos e definir seu lay-out com suas respectivas margens e legenda.

   NBR 10582

  Ố APRESENTAđấO DA FOLHA PARA DESENHO TÉCNICO, que normaliza a distribuição do espaço da folha de desenho, definido a área para texto, o espaço para desenho etc.. Como regra geral deve-se organizar os desenhos distribuídos na folha, de modo a ocupar toda a área, e organizar os textos acima da legenda junto à margem direita, ou à esquerda da legenda logo acima da margem inferior.

  NBR 13142

  • – DESENHO TÉCNICO – DOBRAMENTO DE CÓPIAS, que fixa a  forma de dobramento de todos os formatos de folhas de desenho, que para facilitar a fixação em pastas são dobrados até as dimensões do Formato A4.

   NBR 8402

  Ố EXECUđấO DE CARACTERES PARA ESCRITA EM DESENHOS TÉCNICOS, que, visando a uniformidade e a legibilidade para evitar prejuízos na clareza do desenho e evitar a possibilidade de interpretações erradas, fixou as características de escrita em desenhos técnicos.

   NBR 8403

  Ố APLICAđấO DE LINHAS EM DESENHOS Ố TIPOS DE LINHAS Ố LARGURAS DAS LINHAS.

  NBR10067

  Ố PRINCễPIOS GERAIS DE REPRESENTAđấO EM DESENHO  TÉCNICO.

  NBR 8196

  • – DESENHO TÉCNICO – EMPREGO DE ESCALAS. 

   NBR 12298

  Ố REPRESENTAđấO DE ÁREA DE CORTE POR MEIO DE HACHURAS EM DESENHO TÉCNICO.

   NBR10126 – COTAGEM EM DESENHO TÉCNICO.

  NBR8404

  Ố INDICAđấO DO ESTADO DE SUPERFễCIE EM DESENHOS  TÉCNICOS.

   NBR 6158 – SISTEMA DE TOLERÂNCIAS E AJUSTES.

   NBR 8993

  Ố REPRESENTAđấO CONVENCIONAL DE PARTES ROSCADAS EM DESENHO TÉCNICO. Existem normas, que regulam a elaboração dos desenhos, e tem a finalidade de atender a uma determinada modalidade de engenharia. Como exemplo pode-se citar: a NBR

  6409 que normaliza a execução dos desenhos de eletrônica, a NBR 7191 que normaliza a execução de desenhos para obras de concreto simples ou armado, NBR 11534 que normaliza a representação de engrenagens em Desenho Técnico.

  Uma consulta aos catálogos da ABNT mostrará muitas outras normas vinculadas à execução de algum tipo ou à alguma especificidade de Desenho Técnico

  1.3 - Formatos de papel - NBR -5984/1980 (DIN 476)

  O formato básico do papel, designado por A0 (A zero), é o retângulo cujos lados

  2

  medem 841 mm e 1.189 mm, tendo a área de 1m . Do formato básico, derivam os demais formatos, conforme ilustração representada e dimensões padronizadas de cada formato padrão, figura 01.

  

Figura 01 – Formatos de papel e suas respectivas dimensões conforme NBR -5984/80

  1.4 – Legenda

  A legenda deve ficar no canto inferior direito nos formatos A3, A2, A1 e A0, ou ao longo da largura da folha de desenho no formato A4.

  A legenda consiste de: 1 título do desenho, 2 número, 3 escala, 4 firma, 5 data e nome, 6 descrição dos componentes: -quantidade -denominação -peça -material, normas, dimensões.

  A Figura 02 ilustra uma legenda com seus elementos e informações exigidas pela norma.

  Figura 02 Representação de uma legenda de um Desenho Técnico 1.5 - Escala NBR 8196/1983 (DIN 823)

  Escala é a proporção definida existente entre as dimensões de uma peça e as do seu respectivo desenho. O desenho de um elemento de máquina pode estar em:  escala natural 1 : 1 1 : 5  escala de redução  escala de ampliação 2 : 1 Na representação através de desenhos executados em escala natural (1:1), as dimensões da peça correspondem em igual valor às apresentadas no desenho.

  Na representação através de desenhos executados em escala de redução, as dimensões do desenho se reduzem numa proporção definida em relação às dimensões reais das peças em: 1:2; 1:5; 1:10; 1:20; 1:50; 1:100;

  Na escala 1:2, significa que 1 mm no desenho corresponde a 2 mm na peça real, figura 03.

  Figura 03 – Representação de um desenho em escala 1:2

  Na representação através de desenhos executados em escala de ampliação, as dimensões do desenho aumentam numa proporção definida em relação às dimensões reais das peças, 2:1; 5:1; 10:1.

  Na escala 5:1, significa dizer que 5 mm no desenho correspondem a 1mm na peça real, figura 04

  Figura 04

  • Representação de um desenho em escala 5:1 1.6 – Linhas

  As linhas de qualquer desenho devem ser feitas toda a lápis, ou a nanquim, uniformemente negras, densas e nítidas. São necessárias três espessuras de linhas: grossa, média e fina, a grossa de espessura livre, a média de metade da espessura da grossa e a fina com metade da espessura da média. A NB-8 de 1950 recomenda que, quando a linha grossa tiver menos de 0,4mm de espessura, utiliza-se a linha fina com um terço da grossa ou igual à média. Todos os requisitos do desenho de engenharia podem ser obedecidos utilizando-se essas espessuras de linhas. A tabela 01 mostra os vários tipos de linhas conforme a NBR

  • – 8403/84.

  Tabela 01

  • – Tipos de Linhas
A Norma “NBR 8403 / 1984 - Aplicação de linhas em desenhos – Tipos de linhas - Largu ras das linhas” fixa os tipos e o escalonamento de larguras de linhas para uso em desenhos técnicos e documentos semelhantes.

  Corresponde ao escalonamento, conforme os formatos de papel para desenhos técnicos. Isto permite que na redução e reampliação por microfilmagem ou outro processo de reprodução, para formato de papel dentro do escalonamento, se obtenham novamente as larguras de linhas originais, desde que executadas com canetas técnicas e instrumentos normalizados.

  As larguras das linhas devem ser escolhidas, conforme o tipo, dimensão, escala e

  (1) (1)

  densidade de linhas no de senho, de acordo com o seguinte escalonamento: 0,13 ; 0,18 ; 0,25; 0,35; 0,50; 0,70; 1,00; 1,40 e 2,00 mm.

  Para diferentes vistas de uma peça, desenhadas na mesma escala, as larguras das linhas devem ser conservadas.

  O espaçamento mínimo entre linhas paralelas (inclusive a representação de hachuras) não deve ser menor do que duas vezes a largura da linha mais larga, entretanto recomenda-se que esta distância não seja menor do que 0,70 mm.

  (1)

  As larguras de traço 0,13 e 0,18 mm são utilizadas para originais em que a sua reprodução se faz em escala natural. Não é recomendado para reproduções que pelo seu processo necessite de redução.

1.7 Aplicações de Tipos de linhas em Desenho Técnico

  A Figura 05 ilustra a aplicação dos tipos de linhas no Desenho Técnico Mecânico e a figura 06 no Desenho Técnico Civil e Arquitetônico.

  Figura 05

  • – Aplicação dos tipos de Linhas no Desenho Técnico Mecânico

  Figura 07 - Aplicação de tipos de cruzamentos normalizados de linhas

  Figura 06

  • – Aplicação dos tipos de Linhas no Desenho técnico Civil e Arquitetônico A interseção das linhas no Desenho Técnico deve seguir a orientação da norma, conforme mostra a figura 07.

  1.8 - Vistas auxiliares

  Além das projeções ortogonais, representadas pelas vistas: principal ou elevação, lateral e planta ou vista superior, existem peças que têm uma ou mais faces oblíquas em relação aos planos de projeção, sendo estas faces oblíquas não são representadas em verdadeira grandeza nas projeções ortogonais normais, levando a aplicar das vistas auxiliares.

  Os elementos dessas faces oblíquas aparecem deformados e superpostos, dificultando a interpretação do desenho técnico, a figura 08 mostra exemplos dos elementos oblíquos em vários elementos mecânicos.

  Figura 08

  • Exemplos de detalhes oblíquos em componentes mecânicos

  A Figura 09 mostra um detalhe oblíquo representado em projeção ortogonal e por aplicação de vista auxiliar.

  

(a) (b)

Figura 09 - Representação (a) em projeção ortogonal e (b) através de vistas auxiliares Na Figura 09, a representação em (a), projeções ortogonais não se encontram em verdadeira grandeza, logo sem aplicação no desenho técnico, a representação das vistas auxiliares em (b), representam os elementos em verdadeiras grandezas e adequadamente aplicadas ao desenho técnico.

  As Figuras 10, 11 e 12 exemplificam Desenhos com representações por vistas auxiliares, a Vista de A, Vista de B ou tantas outras quanto necessárias.

  Figuras 10

  • Desenho com aplicação de vistas auxiliares Vista de A e Vista de B

  

Figuras 11 – Desenho com aplicação de vista auxiliar Vista de A

  

Figuras 12 – Desenho com aplicação de vista auxiliar Vista de A

1: 9 - Projeções com Rotação

  Existem elementos com detalhes oblíquos os quais não podem ser representados em projeções ortogonais em verdadeira grandeza, para isso é necessário utilizar-se do recurso da rotação do elemento, para serem representados em verdadeira grandeza.

  Na Figura 13, a representação do detalhe oblíquo, sem a rotação, as dimensões AB e CD são representados sem estar em verdadeira grandeza na planta, fato que torna o desenho sem aplicação técnica, e não deve ser aplicado.

  Figuras 13

  • Representação de um elemento mecânico com detalhes oblíquos

  Figuras 14

  Na Figura 14, a representação com a rotação, do detalhe oblíquo as dimensões AB e CD são representados em verdadeira grandeza na planta.

  • Representação da rotação de um detalhe oblíquo

  As Figuras 15, 16 e 17 mostram exemplos de elementos desenhos com rotação de detalhes.

  

Figuras 15 - Representação esquemática da rotação do braço de uma polia

  

Figuras 16 - Desenho de uma polia com rotação do braço

Figuras 17

  • Desenho de um flange com rotação da nervura

  1.10 – Vistas especiais

  São vistas determinadas a partir da indicação de suas posições de observações, as figuras 18 e 19 mostram suas aplicações. A figura 20 ilustra a aplicação de um vista localizada.

  Figuras 18

  • Desenho com Vistas Especiais Figuras 19
  • Desenho com Vistas Especiais Figuras 20
  • Desenho com Localizada

  1.11 - Cortes

  As peças com muitos detalhes internos terão representações de detalhes invisíveis, as representações em projeções ortogonais terão muitas linhas tracejadas o que dificulta a interpretação do desenho.

  O recurso utilizado pelas normas técnicas é o da aplicação do corte, imagina-se o objeto a ser desenhado sendo cortada por planos que venham expor os detalhes que se desejam representar nas projeções ortogonais através dos corte, devidamente identificados.

  As Figuras 21 e 22 ilustram sistemas mecânicos, em (a), representados sem o corte, com todos os detalhes internos invisíveis e representados por linhas tracejadas e em (b) representadas através do corte total.

  (a) (b)

  

Figuras 21 – Conjunto de uma polia: (a) representado sem corte e (b) representado com corte

(a) (b) Figuras 22

  • Registro hidráulico: (a) representado sem corte e (b) representado com corte

  1.11.1 - Corte Total

  O corte total aplica-se quando deseja representar integralmente todos os elementos internos de um elemento a ser desenhado, imagina-se um plano que corte totalmente o elemento a ser desenhado e que deixa expostos todos os detalhes internos, invisíveis em projeções ortogonais, conforme pode-se observar nas figuras 23, 24 e 25. A representação em corte deve ser feita com a identificação do plano de corte e o respectivo sentido de rebatimento.

  Figuras 23

  • Representação do plano de Corte e do desenho com Corte total AA Figuras 24

  • Representação dos planos de rebatimento e do desenho com Corte total AA Figuras 25 Desenho com Corte total AB, total e a Representação do plano de Corte.
As Figuras 26 e 27 ilustram representações de cortes totais com planos horizontais de corte.

  Figuras 26 Representação do desenho com Corte AA, total por um plano horizontal.

  

Figuras 27 – Representação esquemática da projeção de uma Planta de uma residência em

Corte total

  As Figuras 28 e 29 representam cortes totais por planos transversais.

  Figuras 28 Representação do desenho com Corte AA, total por um plano transversal.

  

Figuras 29 – Representação esquemática da projeção de um Corte total de uma residência

através de um plano transversal.

1.11.2 Corte total em desvio

  O Corte Total em Desvio é aplicado quando os elementos a serem representados não podem ser expostos por um único plano, assim deve-se identificar corretamente o plano de corte. As figuras 30, 31 e 32 representam cortes totais em desvios.

  Figuras 30

  • Representação do desenho em Corte em Desvio Figuras 31
  • Desenho em Corte em Desvio

  

Figuras 32 – Desenho em Corte em Desvio

A Figura 33, representação cortes totais e suas respectivas indicações.

  Figuras 33

  • Desenho com Cortes Totais e suas respectivas indicações 1.11.3 - Meio Corte

  O Meio Corte pode ser aplicado quando os elementos internos são simétricos e deseja-se representar os elementos internos e externos através de uma única projeção. As figuras 34, 35, 36, 37, 38 e 39 representam os planos de corte e os desenhos representados por meio corte.

  Figuras 34

  • Desenho com Meio Corte e sua respectiva indicação do corte

  Figuras 35

  • Desenho com Meio Corte e sua respectiva indicação do corte

  Figuras 36

  • Desenho com Meio Corte e sua respectiva perspectiva

  Figuras 37

  • Desenho com Meio Corte Figuras 38
  • Desenho com Meio Corte Figuras 39
  • Desenho com Meio Corte

1.11.3 Corte Parcial

  Nos elementos a serem desenhados cujos detalhes concentram numa determinada parte da peça e não sendo necessária a utilização de um corte completo, faz-se o uso do Corte Parcial ou Ruptura, o que facilita a execução do desenho.

  Nos cortes parciais o plano de corte é feitos somente até aonde se deseja detalhar e o limite do corte é definido por uma linha de ruptura fina e sinuosa. As Figuras 40 e 41 ilustram aplicações dos cortes parciais.

  (a) (b)

  Figuras 40

  • Desenhos com representações de cortes parciais e suas respectivas perspectivas Figuras 41
  • Desenho com representações de rupturas

  1.12 - Seções A representação das seções transversais de detalhes dos elementos mecânicos pode ser desenhada em várias posições no desenho.

  As Figuras 42, 43, 44, 45, 46, 47 e 48 representam as aplicações do uso das representações por seções.

  

Figuras 42 – Formas de representações das seções de um Eixo

Figuras 43 – Formas de representações das seções de Eixos

  Figuras 44

  • Seções de um gancho Figuras 45
  • Seções de uma base Figuras 46 >Representações de seções de elementos de máquina Figuras 47
  • Seções de uma pá de hélice

  Figuras 48

  • Seções de uma biela

1.13 Concordâncias em interseção de superfícies

  A interseção de duas superfícies se faz por concordâncias conforme as representações ilustradas na figura 49.

  

Figuras 49 – Exemplo de concordância de interseção de superfícies

  1.14 – Rupturas

  Componentes com longos comprimentos podem ser representados com rupturas, ou seja, representados por suas extremidades, conforme as convenções ilustradas na figura 50.

  Figuras 49

  • Convenções de rupturas

1.15 As Hachuras nas representações dos Cortes

  As hachuras são indicadas para evidenciar as áreas de corte maciças, elas se constituem em linhas finas, equidistantes e traçadas a 45° em relação aos contornos ou aos eixos de simetria da peça, conforme indicadas na figura 50.

  Figuras 50

  • Representações de hachuras

  O espaçamento entre as hachuras deverá variar com o tamanho da área a ser hachurada, quando a área a ser hachurada for muito grande pode-se colocar as hachuras acompanhando apenas no contorno da peça, conforme mostra a figura 51.

  Figuras 51

  • Representações do espaçamento de áreas hachuradas

  Quando os elementos possuírem espessura muito pequena, peças delgadas são representadas em preto, com filetes brancos separando as partes contíguas, ilustrado na figura

52. Figuras 52

  • Representações de áreas de pequenas espessuras hachuradas
As Hachuras representam o tipo de material do componente, conforme mostrado na figura 53.

  Figuras 53

  • Representações de hachuras para vários materiais

  Deve-se observar que não serão hachuradas nos Desenhos Técnicos as superfícies cortadas de reforços ou nervuras, braços de engrenagens, polias ou volantes, dentes de engrenagens, rebites, pinos, eixos quando cortados no sentido longitudinal, chavetas e parafusos, conforme demonstram figuras 54 a 59.

  

Figuras 54 – Representações de uma nervura

  Figuras 55

  • Representação do reforço não hachurado Figuras 56
  • Desenho de engrenagem com braço

    Figuras 57 – Desenho de uma polia com braço

longitudinal, chaveta e parafusos

  Figuras 59 - Desenho de elementos não hachurados

  Figuras 58

  • Elementos não hachurados: rebites, pinos, eixos cortados no sentido

  1.16 – A Cotagem do Desenho Técnico

  Todo elemento a ser construído em qualquer segmento da tecnologia deve ser dimensionado, a cotagem é o sistema normalizado para apresentar as informações métricas nos desenhos técnicos.

  As dimensões devem definir as características geométricas do objeto, através de valores do tamanho, posição e valores angulares de todos os detalhes que compõem a forma espacial do elemento a ser representados. O sistema de cotagem deve não apenas informar valores métricos de construção, mas também priorizar precisão exigida a cada detalhe, levando a uma sequência de fabricação e construção.

  Os elementos construídos ou fabricados podem ser obtidos pela remoção de materiais ou adição de elementos ou pelos dois processos, conforme pode-se visualizar na figura 60.

  Figura 60

  • – Ilustração da fabricação de um elemento por remoção em (a) e por adição em (b) A cotagem se faz através das linhas de chamadas e linhas de cotas, conforme mostra a figura 61, o valor numérico da cota, no Desenho Técnico expressa em milímetro, deve ser posicionado sempre acima da linha de cota, quando esta for horizontal, e sempre à esquerda da linha de cota quando esta estiver na vertical, porém sem tocar na linha de cota. As linhas de cotas devem distanciar uma das outra em no mínimo 10 mm.

  A linha de chamada não deve tocar nos contornos da peça, recomenda-se um afastamento de aproximadamente 2 mm e devera transpor a linha de cota também em aproximadamente 2 mm.

  Figura 61

  • Disposição dos elementos da cotagem e da cota

  A Cotagem segundo a norma NBR 10126, é feita pela representação gráfica no desenho da característica do elemento, através de linhas, símbolos, notas e valor numérico numa unidade de medida, que no Desenho Técnico Mecânico é o milímetro.

  A cotagem pode ser funcional, quando for essencial para a função do objeto ou local, cotagem não funcional, quando não for essencial para funcionamento do objeto, auxiliar dada somente para informação. A cotagem auxiliar não influi nas operações de produção ou de inspeção; é derivada de outros valores apresentados no desenho ou em documentos e nela não se aplica tolerância, A figura 62 ilustra os tipos de cotas.

  Figura 62 - Tipos de cotas, (F) Funcional, (NF) Não Funcional e Auxiliar

  A cotagem deve ser localizada na vista ou corte que represente mais claramente o elemento. Nos Desenhos de detalhes devem usar a mesma unidade (por exemplo, milímetro) para todas as cotas sem o emprego do símbolo. Se for necessário, para evitar mau entendimento, o símbolo da unidade predominante para um determinado desenho deve ser incluído na legenda. Onde outras unidades devem ser empregadas como parte na especificação do desenho (por exemplo, N.m. para torque ou kPA para pressão), o símbolo da unidade apropriada deve ser indicado com o valor.

  Devem-se indicar os sinais da Tabela 02, antes dos valores das cotas, quando necessários para complementar as informações de cotagem.

  Tabela 02

  • – Sinais de cotagem Deve-se cotar somente o necessário para descrever o objeto ou produto acabado.

  Nenhum elemento do objeto ou produto acabado deve ser definido por mais de uma cota. Exceções podem ser feitas:

  a) onde for necessário a cotagem de um estágio intermediário da produção (por exemplo: o tamanho do elemento antes da cementação e acabamento); b) onde a adição de uma cota auxiliar for vantajosa.

  Não especificar os processos de fabricação ou os métodos de inspeção, exceto quando forem indispensáveis para assegurar o bom funcionamento ou intercambiabilidade. A cotagem funcional deve ser escrita diretamente no desenho, Ocasionalmente a cotagem funcional escrita indiretamente é justificada ou necessária, a Figura 63 mostra o efeito da cotagem funcional escrita indiretamente. Neste caso da cotagem não funcional deve ser localizada de forma mais conveniente para a produção e inspeção.

  

Figura 63 - Cotagem funcional escrita indiretamente A seguir são apresentados os Sistemas de Cotagem.

a) Cotagem em Cadeia ou Série, mostrado na figura 64.

  Figura 64

  • Cotagem em cadeia b) Cotagem por face de referência, conforme demonstrados nas figuras 65 e 66.

  Figura 65

  • Cotagem por face de referência Figura 66
  • Cotagem por faces de referências

c) Cotagem por linhas básicas, ilustrada nas figuras 67 e 68.

  Figura 67

  • Apresentação apenas da Cotagem por linha básica de referências Figura 67 – Apresentação da Cotagem por linha básica de referências d) Cotagem em Paralelo, vista na figura 68.

  Figura 68

  • Cotagem em paralelo

  Figura 71 – Cotagem aditiva por coordenadas

  e) Cotagem aditiva exemplificadas nas figuras 69 e 70 Figura 69

  • Cotagem aditiva Figura 70
  • Cotagem aditiva em duas dimensões

    f) Cotagem aditiva por coordenadas, mostrada na figura 71.

  

g) Cotagem de elementos esféricos, mostrados na figura 72

Figura 72 – Cotagem de elementos esféricos

h) Cotagem de diâmetros, demonstrados na figura 73

  Figura 75 - Exemplos de cotagem de ângulos

  Figura 73

  • Cotagem de diâmetros i) Cotagem de raios, mostrados na figura 74 Figura 74 – Cotagem de raios

    j) Cotagem de ângulos, a figura 75 mostra exemplos de cotagem de ângulos.

  Figura 76 - Exemplos de cotagem de chanfros l) Cotagem de arcos, feita pela corda, comprimento ou ângulo, mostrado na

  k) Cotagem de chanfros, exemplificados na figura 76.

  figura 77.

  Figura 77

  • – Dimensionamento de arcos

  Figura 78 – Representação de um Detalhe em escala ampliada Figura 79

  As figuras a seguir apresentam exemplos de cotagem típicas aplicadas em Desenho Técnico.

  • Cotagem de elementos que se repetem

  

Figura 80 – Cotagem de elemento utilizando-se a própria linha de cota com referência Figura 81 Exemplos típicos de cotagem de inclinação e conicidade As Figuras 82, 83, 84 e 85, ilustram a representação esquemática de estruturas metálicas e respectivas cotas.

  Figuras 82

  • Desenho esquemático de uma estrutura Figuras 83
  • Desenho esquemático de um detalhe de união em uma estrutura Figuras 84 Desenho esquemático de um detalhe de estrutura

  Figuras 85 Desenho esquemático de detalhes de uniões em uma estrutura

Figuras 86 – Desenho representando elementos acoplados.

Figuras 87

  • Desenho representando a planificação do elemento

  Figuras 88

  • Desenhos com elementos simétricos Figuras 89
  • Desenho com aplicação de ruptura

  

Lista de Exercícios - 01

  Desenhe as perspectivas dadas em projeções ortogonais com todas as informações necessárias para a fabricação.

   Exercício 01 Exercício 02 Exercício 03 Exercício 04

  

Capítulo 02 - Tolerância dimensional

  A Tolerância dimensional é o valor da variação permitida na dimensão de uma peça, ou seja, é a diferença permitida entre as dimensões máxima e mínima de uma dimensão nominal.

  A tolerância é aplicada na fabricação de peças e possibilita a intercambiabilidade das mesmas. A Figura 90 ilustra esquematicamente o campo de variação dimensional de um sistema furo/eixo.

  Figura 90

  • Ilustração esquematicamente do campo de variação

  dimensional de um sistema furo/eixo A representação da tolerância no Desenho Técnico pode ser visualizada na figura 91.

  (a) (b)

Figura 91 – Indicação da tolerância no desenho em (a), ou na forma de nota em (b). As tolerâncias podem ser representadas por afastamentos ou pela norma ISO adotadas pela ABNT conforme mostra a figura 92.

  

Figura 92 – Indicação da tolerância pelo afastamento em (a) e pela Norma ISO em (b)

  O sistema de tolerância ISO adotado pela ABNT, conhecido como sistema internacional de tolerância, consiste numa série de princípios, regras e tabelas que permitem a escolha racional de tolerâncias na produção de peças. A unidade de medida para tolerância ISO é o micrômetro (µm=0,001mm).

  A tolerância ISO é representada normalmente por uma letra e um numeral colocados à direta da cota. A letra indica a posição do campo de tolerância e o numeral, a qualidade de trabalho.

  Campo de tolerância

  É o conjunto dos valores compreendidos entre as dimensões máxima e mínima. O sistema ISO prevê 28 campos representados por letras, sendo as maiúsculas para furos e as minúsculas para eixos:

  Furos

  A, B, C, CD, D, E, EF, F, FG, G, H, J, JS, K, M, N, P, R, S, T, U, V, X, Y, Z, ZA, ZB, ZC

  Eixos a, b, c, cd, d, e, ef, f, fg, g, h, j, js, k, m, n, p, r, s, t, u, v, x, y, z, za, zb, zc. Qualidade de trabalho

  A qualidade de trabalho (grau de tolerância e acabamento das peças) varia de acordo com a função que as peças desempenham nos conjuntos. O sistema ISO estabelece dezoito qualidades de trabalho, que podem ser adaptadas a qualquer tipo de produção mecânica, conforme mostra a Tabela 03.

  Tabela 03

  • – Grau de qualidade Sistema ISO A Figura 93 mostra as posições dos campos de Tolerâncias conforme o Sistema ISO.

  Figura 93

  • Posição dos Campos de Tolerâncias

  A aplicação dos campos de tolerâncias determina os tipos de ajustes, utiliza-se na prática o Sistema de Furo Base ou Eixo Base, basta fixar o campo H para o furo ou h para o eixo. A figura 94 mostra esquematicamente os tipos de ajustes.

  Figura 94

  • – Representação dos tipos de ajustes
A Tabela 04 mostra os tipos de ajustes aplicados recomendada na fabricação

  Tabela 04

  • – Tipos de ajustes recomendados A Figura 95 mostra os ajustes Furo Base e Eixo Base.

  Figura 95

  • – Ajuste Furo Base e Eixo Base

  Capítulo 03 – Indicação de Estado de Superfície em Desenho Técnico

  3.1 - A Norma ABNT -NBR 8404 fixa os símbolos e indicações complementares para a identificação do estado de superfície em desenhos técnicos.

  Para definir na peça em desenho de construção mecânica não basta definir a sua tolerância dimensional e de forma, mas também é necessário indicar a natureza das respectivas superfícies e em particular sobre o seu grau de acabamento. O acabamento superficial varia com o processo de fabricação utilizado. Uma peça obtida por fundição ou forjamento não tem o mesmo aspecto superficial de uma trabalhada em torno ou fresa, e mesmo essa peça não pode ser comparada com uma peça que foi retificada ou polida.

  As ferramentas de corte deixam nas superfícies usinadas irregularidades que, embora sejam pequenas em relação às dimensões da peça, podem influir, na função, na resistência da peça aos esforços e mesmo à corrosão, ao longo da vida útil da mesma.

  Mas os problemas mais importantes na prática referem-se às superfícies de peças diferentes que devem ficar em contato, seja em condição estática ou com movimento relativo. Um projeto bem elaborado deve observar essas condições de uso dos elementos mecânicos. Podemos considerar três tipos de superfície:  Superfícies em bruto, que não foram trabalhadas, estando como foram produzidas, seja por fundição, forjamento, laminação ou oxicorte.  Superfícies trabalhadas, que passaram por processos de corte com ou sem remoção de cavacos, como torneado, fresado, aplainado ou esmerilhado, retíficado, polido entre outros processos.

   Superfície com tratamento especial, que lhes confere determinada aparência ou certas propriedades, como pintado, cromado, niquelado, temperado, recartilhado, entre outros.

  O grau de acabamento da superfície refere-se às irregularidades mais ou menos pronunciadas que o trabalho mecânico pode provocar, e é medida pela rugosidade

  

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