IMPACTOS AMBIENTAIS DA PECUÁRIA NO ESTADO DE GOIÁS E O DESEMPENHO DE DIFERENTES GRUPOS GENÉTICOS NO CONFINAMENTO DE BOVINOS

  

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS

PRố-REITORIA DE PốS-GRADUAđấO E PESQUISA

PROGRAMA DE PốS-GRADUAđấO STRICTO SENSU

MESTRADO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS E SAÚDE

  

DISSERTAđấO DE MESTRADO

  

IMPACTOS AMBIENTAIS DA PECUÁRIA NO ESTADO DE GOIÁS E O

DESEMPENHO DE DIFERENTES GRUPOS GENÉTICOS NO CONFINAMENTO

DE BOVINOS

  

ALUÍSIO DE ALENCASTRO FILHO

  GOIÂNIA

  

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS

PRố-REITORIA DE PốS-GRADUAđấO E PESQUISA

PROGRAMA DE PốS-GRADUAđấO STRICTO SENSU

MESTRADO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS E SAÚDE

  

DISSERTAđấO DE MESTRADO

  

IMPACTOS AMBIENTAIS DA PECUÁRIA NO ESTADO DE GOIÁS E O

DESEMPENHO DE DIFERENTES GRUPOS GENÉTICOS NO CONFINAMENTO

DE BOVINOS

  ALUÍSIO DE ALENCASTRO FILHO Orientador: Prof. Dr. Wilian Vaz-Silva

  Co-Orientador: Prof. Dr. Breno de Farias Vasconcelos Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e Saúde, da Pró Reitoria de Pós- Graduação e Pesquisa da Universidade Católica de Goiás, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Ciências Ambientais e Saúde.

  GOIÂNIA Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central da PUC - Goiás Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio convencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada a fonte.

  A368i Alencastro Filho, Aluísio de Impactos ambientais da pecuária no Estado de Goiás e o desempenho de diferentes grupos genéticos no confinamento de bovinos[ manuscrito]/ Aluísio de Alencastro Filho.-- 2016. 46 f.; 30 cm Texto em português com resumo em inglês Dissertação (mestrado) -- Pontifícia Universidade Católica de Goiás,Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências Ambientais e Saúde, Goiânia, 2016 Inclui referências f.39-49

1. Bovino - Confinamento - Goiás (Estado). 2. Bovino

  • Goiás (Estado). 3. Nutrição animal. 4. Sustentabilidade e meio ambiente. 5. Bovino de corte - Melhoramento genético. I.Vaz-Silva, Wilian. II.Pontifícia Universidade Católica de Goiás. III. Título. CDU:636.2.083.312(043)

  DEDICATÓRIA A Deus, pela fé que me mantém vivo e fiel à vida honesta de trabalho e de estudo .

  À minha família, meu pai Aluisio de Alencastro e minha mãe Hellé Coutinho de Alencastro que souberam entender a minha ausência nos muitos momentos desde que me ingressei no mestrado, até a conclusão dessa dissertação. À minha esposa Fernanda Bueno Cândido de Alencastro pela ajuda e por me aguentar meus momentos de ansiedade e estresse e nos meses que me dediquei ao mestrado. À professora e Dra. Marilma Pachêco Chediak Corrêa, que mesmo doente e na luta contra o câncer, sempre me ajudou e apoiou com palavras de carinho e incentivo. In memoriam.

  AGRADECIMENTOS

  Este espaço é dedicado àqueles que, de alguma forma, contribuíram para que esta dissertação fosse realizada. Não sendo viável nomeá ‐los, mas no entanto alguns, eu não poderia deixar de manifestar o meu apreço e agradecimento sincero.

  Agradeço primeiramente à Deus, por me dar saúde para a batalha do dia-a-dia. Sem ele, nunca conseguiria forças para finalizar este Mestrado. À minha família, pelo carinho, paciência e incentivo. À minha esposa Fernanda Bueno Candido de Alencastro por sempre me ajudar nos mementos mais difíceis com carinho e amor. Á minha segunda família, meus sogros Aloísio Fernando Candido e Elza Maria Bueno Candido pelo apoio mesmo de longe. Ao meu orientador Prof. Dr. Wilian Vaz-Silva e ao meu coorientador Prof. Dr. Breno de Farias Vasconcelos, que me incentivaram e ajudaram com sabedoria e paciência. Aos professores do mestrado que contribuíram para o conhecimento no qual buscava. Aos amigos que caminharam ao meu lado nessa busca do saber, mas também que souberam aproveitar os bons mementos que passamos juntos. (Rodrigo, Sueli, Bruno, Nara e Marinês). Aos novos amigos e companheiros de pedal da cidade de Água Boa que sempre me apoiaram com palavras (Ângelo, Luciana, Dorival, Mabel, Fernando). Aos meus amigos e parceiros Rondinele Balestra e Lucas Alves pelo apoio e pelas boas conversas.

  RESUMO

O objetivo da pesquisa foi abordar os impactos ambientais causados pela atividade pecuária no Estado

de Goiás e discutir aspectos de sustentabilidade ambiental considerando a pecuária intensiva, além

disso avaliar o desempenho de diferentes grupos genéticos em confinamento. A pesquisa foi realizada

a partir de um banco de dados de uma propriedade localizada nos estados de Goiás e Mato Grosso. O

banco de dados continha a quantidade de 25.070 bovinos, depois que foi feito uma análise mais

detalhada foi retirado os animais que não iam participar da pesquisa. Utilizou-se informações de

17.704 animais de três grupos genéticos (Nelore, Aberdeen Angus e Composto), sendo todos machos

não castrados. Os animais foram alimentados com a mesma dieta durante o período de confinamento,

os animais permaneceram 124 dias no confinamento. As variáveis que foram analisadas foram: Peso

inicial (PI); Peso Final (PF); Dias de confinamento (DC), Ganho de peso (GP); e, Ganho de peso

diário (GDD). A análise de variância foi feita sob Modelo Linear Generalizado (GLM). Os dados

foram analisados pelo programa Statistical Analysis System - SAS e as médias foram comparadas pelo

teste de Tukey. O efeito foi significativo (p<0,001) para duas características analisadas GP e GPD. Foi

observado que os grupos genéticos Aberdeen Angus e Composto foram mais eficientes para GPD

porem apresentaram menores médias para GP. O objetivo foi avaliar o desempenho de diferentes

grupos genéticos no confinamento de bovinos.

  Palavras-chaves: Cerrado, Sustentabilidade, Ganho de Peso, Ganho de Peso Diário , Eficiência

  

ABSTRACT

  The objective was to address the environmental impacts of livestock farming in the Cerrado biome and discuss aspects of environmental sustainability considering the intensive livestock also evaluate the performance of different genetic groups in confinement. The survey was conducted from a database of a property located in the states of Goiás and Mato Grosso. The database contained the amount of 25 070 cattle, after it was made a more detailed analysis was taken from the animals they would not participate. It used information from 17,704 animals of three genetic groups (Nellore, Aberdeen Angus and Composite) and all non- castrated males. The animals were fed the same diet during the feeding period, the animals were kept 124 days in confinement. The variables that were analyzed were: Initial weight (PI); Final Weight (FP); Days of confinement (DC), weight gain (GP); and daily weight gain (GDD). Analysis of variance was performed under Generalized Linear Model (GLM). The data were analyzed using the Statistical Analysis System - SAS and the means were compared by Tukey test. The effect was significant (p <0.001) for two analyzed characteristics GP and GPD. It was observed that the genetic groups Aberdeen Angus and Compound were more efficient for GPD however had lower averages for GP. The objective was to evaluate the performance of different genetic groups in the cattle feedlot.

  Keywords: Cerrado, Sustainability, Weight Gain, Weight Gain Daily, Efficiency

  

SUMÁRIO

  1. INTRODUđấO GERAL ..................................................................................................... 10

  2. OBJETIVOS ......................................................................................................................... 11

  2.1. OBJETIVO GERAL .......................................................................................................... 11

  2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ............................................................................................ 11

  3. CAPÍTULO 1: Impactos Ambientais relacionados à pecuária extensiva e intensiva no bioma Cerrado e aspectos da sustentabilidade ambiental. ........................................................ 12

  3.1. Introdução .......................................................................................................................... 12

  3.2. Material e Métodos ............................................................................................................ 13

  3.3. Resultados e Discussão ...................................................................................................... 13

  3.3.1. A bovinocultura de corte ............................................................................................... 13

  3.3.2. Caracterização das atividades e dos sistemas de produção ............................................ 15

  3.3.3. Impactos ambientais e a sustentabilidade na pecuária de corte ...................................... 17

  4. CAPÍTULO 2: Desempenho de diferentes raças genéticas no confinamento de bovinos no Cerrado. .................................................................................................................................... 24

  4.1. Introdução .......................................................................................................................... 24

  4.2. Material e Métodos ............................................................................................................ 25

  4.3. Resultados e Discussão ...................................................................................................... 26

  5. CONCLUSÕES .................................................................................................................... 33

  6. REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 34

1. INTRODUđấO GERAL

  Com a crescente sensibilização da sociedade para questões relacionadas à preservação do planeta, de geração em geração o que se pode perceber é uma evolução positiva na conscientização da necessidade de promover a sustentabilidade socioeconômica e ambiental das atividades relacionadas à agropecuária. (AMARAL, GISELE FERREIRA el al 2012).

  Com a estabilidade da política e da economia, o Brasil consolidou sua posição como maior fornecedor mundial de alimentos. A pecuária se tornou uma das protagonistas da expansão do agronegócio Brasileiro. O país começou a iniciar um processo de profissionalização da cadeia produtiva (manejo, nutrição, sanidade, genética e gestão) e fora dela (abate, processamento e distribuição) (EUCLIDES FILHO, 2000; MALAFAIA et al., 2008; FORTES e YASSU, 2009; ARAUJO, 2009).

  O Avanço econômico, social e ecológico correto na pecuária sempre foi um tema recorrente nas discussões sobre o agronegócio brasileiro. A pecuária bovina de corte costuma ser apontada como importante geradora de impactos ambientais, tais como: a emissão de gases do efeito estufa (GEE), desmatamento, destruição de biomas naturais e, consequentemente, a redução da biodiversidade que no caso do brasileiro o modelo predominante é o extensivo (AMARAL, GISELE FERREIRA et al., 2012).

  Segundo NEHMI FILHO (2000), “lucrar na pecuária está cada vez mais difícil, principalmente para aqueles que insistem com suas explorações em bases tradicionais, recusando- se a mudar a forma de conduzir a atividade”. Vários modelos e tecnologias têm sido implementados para promover a produtividade e adotar práticas mais sustentáveis para reduzir os impactos ambientais, tais como: o confinamento, Sistemas de integração pecuária- floresta (IPF), Sistemas de integração agrossilvipastoris (ILPF), Produção de novilho precoce.

  Diante disso, a presente pesquisa foi dividida em dois capítulos. O primeiro capítulo faz uma revisão sobre os principais impactos ambientais decorrentes da atividade da pecuária no bioma Cerrado. O segundo, faz uma avaliação do desempenho de diferentes raças genéticas no confinamento de bovinos.

2. OBJETIVOS

  2.1. OBJETIVO GERAL

   Fazer uma abordagem dos principais impactos ambientais provocados pela atividade da pecuária no bioma Cerrado, discutindo-se aspectos da sustentabilidade ambiental, considerando a pecuária intensiva.

  2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

   Elencar os principais impactos ambientais provocados pela pecuária no bioma Cerrado;

   Comparar, do ponto de vista teórico, a pecuária extensiva, semi-intensiva e intensiva no quesito da sustentabilidade ambiental;  Avaliar o desempenho de diferentes grupos genéticos no confinamento de bovinos.

3. CAPÍTULO 1: Impactos Ambientais relacionados à pecuária extensiva e intensiva no bioma Cerrado e aspectos da sustentabilidade ambiental.

3.1. Introdução

  A bovinocultura consome uma grande quantidade de recursos naturais, sendo estimada uma ocupação pela pecuária de cerca de 70% da área agricultável do planeta. Conforme relatório elaborado pela FAO (2006), as áreas de pastagem ocupam 26% das terras do planeta que não estão sob o gelo. Um dos problemas atribuídos a bovinocultura de corte é a destruição de biomas naturais e, consequentemente, a redução da biodiversidade. Recentemente, a atividade pecuária foi apontada como uma das principais fontes antrópicas de Gases Efeito Estufa (GEE), sendo responsável por cerca de 14% das emissões de GEE gerados pela atividade humana. Esse fato é decorrente do grande número de animais existentes no mundo e de uma característica peculiar dos animais ruminantes: a produção de grande quantidade de metano no seu processo de digestão do alimento.

  Segundo o IBGE (2014), o estado de Goiás possui o quarto maior rebanho do Brasil, com

cerca de 21 milhões de cabeças ou 10 % do rebanho nacional. Nesse mesmo ano, o estado abateu

8,517 milhões de cabeças. Devido a estes dados, atualmente o Brasil é o maior exportador de

carne bovina do mundo, sendo responsável pela criação de milhares de empregos e fonte de renda

para os brasileiros.

  No Brasil, a pecuária bovina é conhecida pela grande quantidade de animais e pelo

sistema extensivo de produção a pasto (pastagem). O rebanho brasileiro possui 210 milhões de

  último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

  cabeça, de acordo com dados do

  (IBGE, 2015). Em virtude do seu tamanho e do baixo investimento na criação de bovinos a pasto, a pecuária brasileira tem impactos negativos no meio ambiente (ALMEIDA, 2010).

  Uma alternativa que pode reduzir os impactos ambientais é o confinamento, um sistema de criação em que os animais são criados dentro de piquetes com alimentação no cocho e água ad libidum. A vantagem desse sistema reflete na idade ao abate, liberação de áreas de pastagens para outras categorias animais e aumento da taxa de desfrute. O objetivo do presente capítulo foi apresentar uma revisão dos impactos ambientais decorrentes da atividade da pecuária no bioma Cerrado, bem como discutir aspectos relacionados à sustentabilidade ambiental.

  3.2. Material e Métodos

  Trata-se de uma pesquisa qualitativa onde os dados apresentados foram obtidos a partir de uma revisão de informações disponíveis na literatura técnico-científica. A revisão

  • – bibliográfica foi realizada a partir dos títulos disponíveis na base de dados do SCIELO Scientific Eletronic Library Online (disponível em http://www.scielo.org/cgibin/wxis.exe/applications/scielo-org/iah/), na Web of Science (http://isi3.isiknowledge.com/portal.cgi), JSTOR (http://www.jstor.org) e Google Acadêmico. Foram utilizadas as seguintes palavras-chave na língua portuguesa e inglesa para a busca: “pecuária”, “pecuária extensiva e intensiva”, “sustentabilidade”, “impactos ambientais”.

  3.3. Resultados e Discussão

3.3.1. A bovinocultura de corte

  A palavra “pecuária” deriva do termo em latim pecus, que significa cabeça de gado. A atividade é praticada desde o período Neolítico (Idade da Pedra Polida), quando o homem teve a necessidade de domesticar o gado para a obtenção de carne e leite. A pecuária corresponde a qualquer atividade ligada à criação de gado. Portanto, fazem parte da pecuária a criação de bois, porcos, aves, cavalos, ovelhas, coelhos e búfalos. Ela ocorre, geralmente, na zona rural e é destinada à produção de alimentos, tais como carne, leite, couro e lã (CNPC, 2014).

  Entende-se como bovinocultura de corte a criação de bovinos destinados à produção de carne para consumo humano. O Brasil é mundialmente conhecido como maior exportador de carne bovina no mundo. O efetivo de bovinos foi de 211,2 milhões de cabeças no ano de 2015 (IBGE 2015), fazendo com que o Brasil ocupe o segundo maior rebanho do mundo, só perdendo este posto para a Índia.

  A bovinocultura de corte brasileira apresenta uma gama de sistemas de produção diversificada que vai desde uma pecuária extensiva, sustentada por pastagens nativas e cultivadas de baixa produtividade, usando poucos insumos, até uma pecuária mais intensiva, com pastagens de alta produtividade, suplementação a pasto e confinamento.

  A produção animal tem se caracterizado como uma atividade de grande importância para o desenvolvimento econômico, social e ambiental. Com isso, há utilização de recursos adotadas e das possíveis interações entre esses componentes. Sendo assim, sistemas de produção mais eficientes são aqueles que utilizam os recursos genéticos, ambientais e socioeconômicos e as práticas de manejo em todos os componentes da cadeia de produção da carne bovina (reprodução - aumentando em número - produção aumentando em tamanho; e produto, aumento da qualidade) (BARBOSA, 2003).

  No Brasil há um grande número de raças de bovinos que já são utilizados para produção de carne. De acordo com o dicionário de MASON (1988), há aproximadamente mil raças zootécnicas de bovinos no mundo, das quais 250 têm alguma importância numérica ou histórica em termos de produção de carne, de leite e de carne e leite. Dessas, 150 podem ser classificadas como raças especializadas para produção de carne, 40 como especializadas para produção de leite e 60 como de dupla aptidão (leite e carne). No Brasil, há vários grupos genéticos (raças, tipos raciais e cruzamentos) que são explorados para produção de carne (BARBOSA, 2000).

  Podemos, de forma simples, classificar as raças bovinas de interesse zootécnico para produção de carne no Brasil, como raças europeias da subespécie Bos taurus taurus e raças indianas da subespécie Bos taurus indicus (QUADROS, 2005)

  As raças europeias podem ser assim divididas:

  • Raças Europeias adaptadas ao clima tropical como a Caracu;
  • Raças Europeias Britânicas, Angus e a Hereford • Raças Europeias Continentais, como as Francesas Charolês e Limousin, as raças Suíças Simental e Pardo Suíço e as Italianas Marchigiana e Piemontês.

  As raças indianas do grupo Zebu mais conhecidas no Brasil, que tiveram ou estão tendo uma participação para o desenvolvimento da pecuária nacional são: Gir, Guzerá e a Nelore, as raças Tabapuã e a Indubrasil, embora sejam do grupo Zebu, não são consideradas indianas pois foram formadas no Brasil, neste contexto também entra a raça Brahman, que foi formada nos Estados Unidos a partir de cruzamento entre raças indianas (QUADROS, 2005).

  Qualquer que seja o sistema de produção utilizado, a atividade ainda é caracterizada pela predominância do uso de pastagens. Independente do sistema de produção utilizado e da sua intensidade, os rebanhos utilizados são predominantemente de animais zebuínos, em sua maioria da raça Nelore, distribuídos em maior quantidade nas regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, e das raças Hereford, Aberdeen Angus, Simental e Charolês, na região Sul do país (CESAR et al. 2005).

  Apontada como uma das cadeias produtivas mais complexas e intensas, a consumidor final. Nessa cadeia, o principal elo representado são as fazendas produtoras de gado.

3.3.2. Caracterização das atividades e dos sistemas de produção

  Basicamente, o sistema de produção de gado de corte é composto por três sistemas de produção: o extensivo, semi-intensivo e o intensivo. Segundo EUCLIDES FILHO (2000), entende-se por sistema de produção de gado de corte o conjunto de prática de manejo, bem como o tipo de animal, o agrupamento genético, o propósito da criação e a região em que a atividade será realizada.

  No atual momento econômico, pode-se verificar um crescente interesse em estratégias que favorecem melhores ganhos de eficiência reprodutiva e qualidade de produtos, ou seja, as atividades relacionadas com a pecuária tendem a ser tocadas como empresa, com isso afastando-se de modelos extrativistas e aproximando-se de ser uma atividade mais intensificada Podemos considerar que os aspectos sociais, econômicos e culturais possuem influência decisiva, particularmente, de forma que as mudanças deverão ocorrer para que o processo seja válido e, sobretudo, as transformações possam alcançar os benefícios esperados (EUCLIDES FILHO, 2004).

  Podemos concluir que o estabelecimento ou um determinado sistema de produção não depende unicamente da vontade do produtor, mas está relacionado com as condições socioeconômicas e culturais da região e da sua eventualidade ou aptidão de promover investimentos.

  O sistema de produção mais utilizado no Brasil é o extensivo, e os bovinos se alimentam exclusivamente de pasto nativo ou pastagem cultivada. Uma das características desse sistema é o baixo custo de produção de engorda a pasto e apresenta 80% do gado criado de corte do Brasil (CEZAR et al., 2005). Esse sistema de produção também é caracterizado por utilização maciça de recursos naturais.

  Além de fatores técnicos e financeiros na produção extensiva, existem outros fatores que interferem no sucesso da atividade, particularmente quando se fala em conservação do solo, do meio ambiente e do bem-estar animal. Conforme KLINK E MACHADO (2005), as áreas de pastagem no Cerrado ocupavam 500.000 km²; no Pantanal, estimou-se que 8,8% da área desmatada tinha como destino a alimentação de gado de corte (PADOVANI ET AL., 2004). Consequentemente, a ocupação por áreas de pastagens e por gado se tornou um grande

  Além da baixa produtividade das pastagens no Brasil, outro fator que demanda preocupação é a degradação do solo. O Brasil possui sua produção animal instalada principalmente de pastagens nativas, onde seu valor nutritivo é de baixa qualidade e muito fácil de ser degradado. Segundo o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), o Brasil possui cerca de 30 milhões de ha de pastagens que estão em algum grau de deterioração, ou seja, áreas com baixo poder produtivo.

  As principais causas da degradação das pastagens é a ausência ou mau uso de práticas agrícolas, escolha errada de espécies forrageiras, o não preparo do solo, falta de adubação e calagem, plantas invasoras e alta taxa de lotação de animais. (ZANINE ET AL., 2005). No Brasil, com à exceção da região Sul, as forrageiras mais utilizadas são as tropicais, das quais destacam-se as dos gêneros Brachiaria e Panicum. (EUCLIDES FILHO, 2000).

  A sazonalidade de produção de pastagem faz com que ocorram baixos índices de ganhos de peso na produção de bovinos no Cerrado. No bioma existe elevado aumento quantitativo e qualitativo de pasto, devido ao Brasil Central possuir duas estações de ano bem definidas, onde os animais ganham peso na época das águas e podem perder peso no período da seca (SILVA et al., 2009).

  No regime de semiconfinamento, a base alimentar dos bovinos é de pastagens nativas e cultivadas com suplementos minerais acrescidos de alimentos proteicos e energéticos. Existe uma variação de ingredientes para compor os concentrados, mas isso depende da característica regional. As fontes de energia mais utilizadas nesse sistema são o milho, o sorgo, a aveia e o milheto. Já os proteicos, os alimentos mais utilizados são o farelo de soja, farelo de caroço de algodão, farelo de glúten de milho, grão de soja e ureia (PAULINO, 1988).

  Com isso, nesse sistema ocorre melhor distribuição com a redução dos efeitos da sazonalidade de produção em relação com o sistema extensivo, no qual os animais se alimentam exclusivamente de pasto. Esse sistema de produção é atrativo por sua simplicidade, sendo que os investimentos requeridos são apenas a compra de cochos e concentrados que são fornecidos na proporção de 1% do peso vivo dos animais, na pastagem (ALMEIDA & AZEVEDO, 1996)

  O confinamento é uma estratégia adotada pelos proprietários, principalmente na época da entressafra, quando o período seco do ano é muito drástico à grande maioria dos animais. É a saída encontrada como forma de preservar as pastagens de uma taxa de lotação excessiva e que resultaria na degradação dos ambientes. No Cerrado existe elevado aumento quantitativo onde os animais ganham peso na época das aguas e podem perder peso no período da seca. A sazonalidade de produção de pastagem faz com que ocorram baixos índices de ganhos de peso na produção de bovinos no cerrado devido à falta adequada de atendimento nas exigências nutricionais dos bovinos (EUCLIDES et al., 1998); (SILVA et al.,2008).

  O aumento da eficiência da produção de bovinos está diretamente relacionado com a

melhoria das condições na alimentação. Com isso a suplementação é uma das alternativas que

podem suprir essa falta de nutrientes e ajudar no requerimento nutricional desses animais durante

o período prolongado de seca (PAULINO & RUAS, 1988).

  O confinamento de bovinos

  é um sistema de produção em que os animais são fechados em currais separados por lotes. Os bovinos são alimentados no cocho, onde recebem uma certa parcela tanto de concentrada (farelo e grão) quanto de volumosa (silagens, cana-de-açúcar e capineiras), assim tendo um controle total no fornecimento sobre a alimentação dos animais (PEIXOTO et al., 1989).

  A produção pecuária tem demonstrado que é pouco eficiente e com baixos índices zootécnicos, fazendo com que os pecuaristas busquem por alternativas que ajudem aumentar a lucratividade da sua empresa. Além disso, o confinamento é uma alternativa para

  

aumentar a escala de produção, pois permite a terminação de bovinos, tanto dos machos como das

fêmeas. O confinamento pode ser utilizado também para produção de novilhos precoces (24-30

meses) e super precoces abatidos (14-16 messes), podendo antecipar as receitas e proporcionar um

giro rápido do capital investido. Esse procedimento é recomendável pelos técnicos por ser

praticamente possível e economicamente viável, pois é uma atividade que vem conduzida e

constitui para a solução sobre o abastecimento no período da entressafra (BURGI, 2001)

  na pecuária de corte, as atividades

  Para aumentar a eficiência produtiva e a lucratividade

  produtivas devem ser bem entendidas e manejadas dentro desse enfoque ordenado para se buscar a maximização dos lucros da atividade. Os confinamentos de bovinos são complexos e diferentes, não existem fórmulas e recomendações únicas para o sucesso da atividade. Por isso cada produtor deve procurar a melhor forma de levar o sistema de produção, combinando metas ás condições ambientais e de mercado (ABREU et al., 2003).

3.3.3. Impactos ambientais e a sustentabilidade na pecuária de corte

  A pecuária apresenta vários impactos ambientais negativos, como por exemplo: degradação do solo, poluição de recursos hídricos, emissão de gases do efeito estufa e redução o processo produtivo é conduzido. Pode assim o sistema de produção minimizar ou maximizar esses efeitos, dependendo do manejo conduzido (FAO 2006).

  As regiões Norte e Centro-Oeste, onde se localiza a Floresta Amazônica e o Cerrado, são os biomas que apresentam maiores taxas de expansão de rebanho bovino no Brasil. A expansão de gado para esta região é um dos fatores que contribuem com a destruição da Amazônia. Estudos recentes demostram também o forte efeito da produção pecuária, principalmente a criação de gado, sobre o efeito estufa (SCHLESINGER, SERGIO, 2010).

  A criação de animais com fins econômicos é responsável por cerca de 14% das emissões de Gases Efeito Estufa (GEE) gerados pela atividade humana. Dentro das atividades da pecuária, a bovina é a que mais contribui com a degradação do meio ambiente, devido ao grande número de animais e ao baixo grau de intensificação em algumas regiões do planeta (FAO, 2006)

  As emissões atribuídas a bovinocultura são procedentes desse processo produtivo e envolvem o segmento desses insumos (CO e N O). No que se refere esta última, destacamos

  2

  2

  as emissões de metano (CH ), devido a fermentação entérica e das fezes, e o óxido nitroso

  4

  (N 2 O), emitindo fezes e urina no uso hipotético para fertilizantes nitrogenados nas pastagens. O gás mais importante para a pecuária de corte é o CH

  4 . No Brasil, cerca de 70% das emissões desse gás são provenientes da pecuária bovina (ALMEIDA, 2010).

  Os animais são bem conhecidos por contribuírem para as emissões de GEE. No relatório de 2006 (Livestock Long Shadow), produzido pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), indica-se que 18% das emissões anuais de gases de efeito estufa em todo o mundo são atribuíveis ao gado bovino, búfalos, ovinos, caprinos, camelos, cavalos, porcos e aves. A agricultura e, em particular, a fermentação entérica em ruminantes (predominantemente bovinos e ovinos) produz entre 21 e 25% do total das emissões antrópicas de CH em uma escala global. As duas principais fontes de emissão de

4 CH 4 agrícola são a fermentação entérica em ruminantes e estrume animal. (LASCANO, CARLOS E., & CÁRDENAS, EDGAR. 2010).

  Os principais fatores que contribuem para emissão de CH pelos ruminantes são: a)

  4

  nível de consumo de ração; b) tipo de carboidrato alimentado; e c) alteração da microflora ruminal (JOHNSON & JOHNSON, 1995). O metano produzido pelo gado (250-500 L/ dia) não afeta somente a eficiência da utilização de energia pelos ruminantes, mas contribui consideravelmente com a poluição ambiental. Devemos assim buscar alternativas para reduzir a emissão de CH

  4 dos bovinos e com isso contribuir para que menos gases de efeito estufa, ao mesmo tempo também, melhorar a eficiência de conversão alimentar, com isso deve se traduzir em lucros econômicos para os produtores (LASCANO & CÁRDENAS, 2010).

  Diferentes estratégias para reduzir a emissão de CH

  4 proveniente da fermentação

  entérica foram revisadas por HOPKINS & DEL PRADO (2008). Os autores os categorizaram como: mudanças na dieta, manipulação direta rúmen e mudanças sistemáticas. Estes últimos incluem considerações de raça, número de animais e intensidade de produção. Produção mais intensiva pode resultar em menor CH

  4 de emissões, mas pode ser menos desejável em termos de outros impactos ambientais.

  Uma redução global de CH

  4 de produção (litros/dia) por animal individual é o objetivo

  ideal. Apesar disso, dada a natureza do sistema de produção dos bovinos, o objetivo imediato deve ser reduzir o CH por unidade de produto (leite ou carne).

  4 O CH 4 é um gás muito importante do efeito estufa, apresenta um potencial de

  aquecimento 25 vezes maior que o do gás carbônico, e sua vida útil na atmosfera é de aproximadamente 12 anos (IPCC, 2006). Conclui-se que este gás tem participação de 15% no potencial de aquecimento global (COTTON & PIELKE, 1995).

  As atividades microbiológicas em ambientes anaeróbios (áreas inundadas, cultivo de arroz irrigado por inundação, fermentação entérica e processamento anaeróbio de dejetos) auxiliam como a principal fonte de metano, além da queima da biomassa e da indústria de carvão e gás natural (LIMA & DEMARCHI, 2007). No país, a pecuária tem sido responsável pela imissão de 96% de metano proveniente de todas as suas atividades agrícolas, sendo que a maior parte é originaria de pastagens extensivas (LIMA, 2002).

  A agropecuária contribui consideravelmente com a emissão de oxido nitroso (N O) na

  2

  atmosfera, outro potente gás do efeito estufa gerado por atividades agrícolas. Sendo assim, a agropecuária contribui, aproximadamente, com dois terços de toda emissão antropogênica desse gás, 75-80% é de emissões do setor agrícola (FAO, 2006).

  O nitrogênio chega no animal através da alimentação, sendo assim cada quilograma de matéria seca contém aproximadamente de 10 a 40 gramas de nitrogênio. Muitas estimativas demonstram o baixo desempenho do nitrogênio pela alimentação. A pouca eficiência varia entre diferentes espécies animais. Segundo a FAO (2006), a eficiência global está em torno de 20% para os suínos, enquanto para os bovinos é de apenas 8%. O nitrogênio não aproveitado pelo animal volta para o ambiente, sendo excretado. Se for bem manejados, os excrementos servem para fertilizar os pastos, melhorando a qualidade. Em confinamento é um dos problemas mais evidentes, já que a produção de esterco é muito grande e fica concentrada é

  A secretaria de assuntos relacionados ao efeito estufa da Austrália elaborou um documento que aponta os principais campos de ação para a tentativa de reduzir a emissão desses gases. Essas mudanças atribuídas à população animal são discutidas como umas das alternativas, dentre as quais estão envolvidas a quantidade e o tamanho dos animais (AUSTRÁLIA, 2001).

  Na União Europeia, por exemplo, em 2004, as emissões provenientes dos sistemas de produção de animais ruminantes de 393 Tg CO

  2 equivalente é num montante de cerca de 10%

  menor que o emitido em 1990 (SHILS, et al.,2007). Segundo estes autores, essa redução não foi nenhum fruto de nenhuma política específica de mitigação, mas sim de uma redução maciça do rebanho bovino e do menor uso de fertilizantes nitrogenados e na produção de grão para a cadeia.

  Segundo o governo australiano, outra linha de pesquisa pretende investigar melhor a biologia ruminal (AUSTRÁLIA, 2001). Com essas medidas, a indústria daquele país vem trabalhando com a questão da melhora da dieta alimentar animal, melhorando as pastagens, e do fornecimento de suplementos e do confinamento.

  Dessa forma complementar, as mudanças no sistema de produção têm estudado alternativas que tentam diminuir a produção de metano pelo animal que acontece no rúmen. Nesse processo digestivo dos carboidratos ingeridos, são gerados ácidos graxos de cadeia curta como ácidos acéticos, propiônico e butírico. Através de bactérias metano-gênicas ou de protozoários, esses ácidos são transformados em gás metano. Com isso, essa fermentação através dos protozoários gera grande quantidade de H . Esse gás pode se transformar em CH

  2

  4

  através de duas formas. Na primeira delas, esses organismos metanogênicos promovem reação desse gás com o CO

  2 , também resultante da fermentação, gerando assim o metano. A

  outra forma mais natural, a reação do ácido propiônico com H pode, naturalmente, resultar

  2 em metano e proprianato (BRASIL, 2007).

  Segundo MCCALLISTER E NEWBOLD (2008), são apontados três meios para diminuir o processo de metanogênese no rúmem animal, i) inibição direta do metanogênese,

  redirecionando o H para produtos alternativos; ii) diminuição de produção de H ; e, iii)

  • +

    promoção de outros produtos que consomem H .

  Com isso, esses mesmos autores comentam que diversas pesquisas a respeito da produção ruminal de metano e as alternativas de mitigação do mesmo têm sido desenvolvidas nas Europa, na Oceania e na América do Norte. Falam ainda que na maioria dos diferentes métodos utilizados nesses experimentos, a redução na produção do metano é significativa por curtos períodos de tempo; devido a isso, em poucos dias a ecologia ruminal se estabiliza e o nível de produção volta ao normal.

  Vem sendo estudado que outro caminho pode ser o uso de vacinas que possam imunizar o gado contra agentes metanogênicos. Em ovelhas, o uso de vacinas reduziu em até 8% na produção de metano, quando foi colocada em meio com três agentes metanogênicos.

  No entanto, quando o número de agentes diferentes sobe para sete, nenhuma mudança pôde ser comprovada (WHITE et al., 2005 apud MCCALLISTER; NEWBOLD, 2008). Segundo WHITE et al. (2005), mesmo que algumas vacinas sejam encontradas, elas devem ser bem específica para uma determinada situação. Isso deve ocorrer porque as dietas e regiões geográficas diferentes podem resultar em diferentes agentes metanogênicos, aumentando assim o desafio de se trabalhar com imunizadores.

  O processo ruminal explicado acima, um dos grandes meios de se reduzir a produção

  • de H seria a diminuição dos protozoários ciliados, que produzem os ácidos acético e butírico. De acordo com WITHELAW et al., 1984 apud Brasil (2007), a remoção desses microrganismos do rúmen dos bovinos pode reduzir pela metade a emissão de metano. O mesmo efeito foi notado em ovelhas, cuja a redução é menos que 26% (MCCALLISTER; NEWBOLD, 2008).

Mostre mais