UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS – CCT MESTRADO EM EDUCAÇÃO E CULTURA

  

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC

CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS – CCT

MESTRADO EM EDUCAđấO E CULTURA

  

A ANÁLISE DA PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA MUNICIPAL

PRESIDENTE CASTELLO BRANCO SOB O PRISMA DO PROJETO DE

DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA

SANDRO ALVES DE LIMA

JOINVILLE

  2005

  SANDRO ALVES DE LIMA A ANÁLISE DA PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA MUNICIPAL PRESIDENTE CASTELLO BRANCO SOB O PRISMA DO PROJETO DE DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA

  Dissertação apresentada à banca para aprovação do Mestrado em Educação e Cultura da Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC, como requisito parcial para defesa pública da dissertação.

  Orientador. Prof. Doutor Sérgio Schmitz.

  JOINVILLE 2005

SANDRO ALVES DE LIMA

  

A ANÁLISE DA PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA

MUNICIPAL PRESIDENTE CASTELLO BRANCO SOB O PRISMA DO

PROJETO DE DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA

  

Projeto apresentado à banca de aprovação do Curso de Mestrado em

Educação e Cultura da UDESC, como requisito parcial para defesa

pública da dissertação.

  

_____________________________________________

Orientador Professor Doutor Sérgio Schmitz

_____________________________________________

Professor Doutor Belini Meurer

_____________________________________________

Professor Doutor Luiz Gonzaga Mattos Monteiro

  AGRADECIMENTOS Agradeço a todas e todos aqueles que diretamente ou indiretamente contribuíram para este trabalho, e de um modo, especial, a: Professor Dr. Sergio Schmitz, meu orientador, pela sua sensibilidade, dedicação, me ajudou a acreditar que eu tinha condições de terminar o que começara. Catarina Costa Fernandes, que me ajudou com sugestões fundamentais referências. Aos funcionários da escola Municipal Presidente Castello Branco, em especial aos meus alunos que muito colaboraram com suas informações.

  Aos meus pais, que mostraram as primeiras letras do amor, da luta e do sonho.

  Aos Educadores, que cotidianamente, enfrentam o desafio de aprender e de ensinar os cidadãos a construírem suas cidadanias.

  

SUMÁRIO

  

INTRODUđấO ............................................................................................................1

  

1 PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA.............................................................4

  1.1 A ELABORAđấO DO PROJETO DO DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA: É UM ATO POLÍTICO ...........................................................................................................5

  2 A PROPOSTA PEDAGốGICA DA ESCOLA COMO PRODUđấO OU

REPRODUđấO DA SOCIEDADE: QUE TIPO DE SOCIEDADE?...........................10

  

3 O INễCIO DA CAMINHADA: PESQUISA-AđấO ..................................................14

  3.1 PRIMEIRO MOMENTO: CONSTRUđấO DA PROPOSTA DA ESCOLA ...........17

  3.2 SEGUNDO MOMENTO: DESENVOLVIMENTO E EXECUđấO DA PROPOSTA..............................................................................................................33

  3.3 O TERCEIRO MOMENTO: RESULTADOS QUE FLUEM NO CONTEXTO DA AVALIAđấO E NO REPLANEJAMENTO DO PROJETO. ........................................43

  

4 SURGEM AS CATEGORIAS COMO EIXOS IRRADIADORES ............................47

  4.1 A PARTICIPAđấO COMO SOCIALIZAđấO DO PROJETO DA ESCOLA .........48

  4.2 RELAđấO ENTRE A TEORIA E A PRÁTICA NA EXECUđấO DO PROJETO ..51

  4.3 CONSIDERANDO... REFLETINDO UM POUCO MAIS ......................................53

  

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .........................................................................59

ANEXOS ...................................................................................................................62

  ANEXO 1 - PROPOSTA PEDAGÓGICA...................................................................63 ANEXO 2 - PROJETO DE DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA...............................69

  

GLOSSÁRIO

  1. CEE - Conselho Estadual de Estado 2 . CNE –Conselho Nacional de Educação 3- ESCOLA – Escola alvo da Pesquisa para este Trabalho 4- LDB-Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei Federal n. 9.394/96 5- MEC-Ministério da Educação e Cultura 1- PDE-Projeto do Desenvolvimento da Escola 2- SEED-Secretária de Estado de Santa Catarina e do Desporto 3- Sistema Estadual-lei Estadual n 170./98 4- EU -Unidade escolar

5- PP – Projeto Pedagógico

  

RESUMO

  Este trabalho tem como foco a preocupação com o projeto político pedagógico da escola que busca o envolvimento de todos os membros nas discussões a uma atualização constante. O que se propõe é a análise da construção, execução e avaliação do projeto em desenvolvimento, que é a tentativa de colocar em prática a teoria discutida neste processo. Para facilitar o entendimento, foram organizados cinco estágios sintetizados: no primeiro são apresentados os passos para conhecer a proposta pedagógica; o segundo capítulo informa e argumenta sobre a proposta pedagógica; o terceiro apresenta uma pesquisa ação para o conhecimento da escola; no quarto capítulo é discutida a relação teoria e prática e o último capítulo visa aprender o caminho e a função do projeto.

  

RESUMEN

  Esté trabajo tiene como foco la preocupacion al proyecto pedagógico de la escuela que busca el envoviemento de todos los mienbros en las discusiones y una actulisación constante. Lo que se propone es el analise de : la construcción, ejecución, y evaluación, del proyerto em desenbolvimento: que es la tentativa de colocar em practica la teoria de lo que se propone el proyecto. Par facilitar su entendimiento organisarom cinco estagios sintetisados. Em el primero se apresentan los passos ademas de dar a conocer el proyecto Pedagógico.En el segundo se busca la reflección, en eltercero se aresenta una pesquisa acción para el conocimiento de la escuela. En el cuarto estagio se discute la relación teoria e practica. Y en el ultimo estagio se visa que el aprender y hacen el camino y esté la función del proyerto.

  

INTRODUđấO

  Esta dissertação está fundamentada na experiência do educador no sistema de ensino em diversos níveis, como docente em educação de ensino fundamental, nas escolas públicas de Joinville.

  Foi analisado o que existe de mais atual sobre o assunto, o que contribuiu para a organização de um grupo de estudo, sendo que o objetivo deste trabalho foi a elaboração de PDE: Projeto do Desenvolvimento da Escola, que é uma tentativa de colocar em prática a Proposta Pedagógica.

  Foi selecionada a Escola Municipal Presidente Castello Branco mencionada como alvo da pesquisa, para analisar a construção, execução e avaliação do seu Projeto do Desenvolvimento, que é a tentativa de colocar em prática a teoria da proposta. Trata-se de uma instituição escolar que prevê inovações e cujo corpo administrativo e pedagógico mostraram-se interessados em participar da pesquisa, visando reconstruir uma proposta pedagógica.

  Organizando o trabalho da pesquisa e as formas de realizá-la, foram consultados diversos autores como Hargreaves, Menegolla, Thiollent e Demo com os quais buscou-se orientações sobre qual metodologia utilizar.

1 Demo , por exemplo, diz, que, em geral, não se utiliza apenas um método ou uma técnica, mas quantas forem necessárias ou apropriadas para o momento.

  Segundo ele: Na maioria das vezes, há uma combinação de dois ou mais deles, usados concomitantes.

   2 1 Já Hargreaves , parte do fundamento de que na abordagem qualitativa: 2 Demo, Pedro.Educar pele Pesquisa..São Paulo:Autores Associados1996.p. 32

Hargreaves,Andy.Aprendendo a mudar:ensino para além dos conteúdos e da padronização..Porto

  [...] há uma dinâmica entre o mundo real e o sujeito, uma interdependência viva entre o sujeito e o objeto, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito... O objeto não é um dado inerte e neutro; está possuído de significados e relações que sujeitos concretos criam em suas ações.

  Considerando a pesquisa-ação como o método mais adequado para a

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  realização do trabalho, foram pesquisadas as orientações de Thiollent , que esclarece: [...] podemos considerar que, no desenvolvimento da pesquisa- ação, os pesquisadores recorrem a métodos e técnicas de grupos para lidar com a dimensão coletiva e interativa da investigação e também técnicas de registro, de processamento e exposição dos resultados. Em certos casos os convencionais questionários e as técnicas de entrevista individual são utilizados como meio de informação complementar. Também a documentação disponível é levantada. Com base nesses esclarecimentos, optou-se pelo método da pesquisa- ação, visto que o tema volta-se para uma pesquisa de cunho qualitativo e o método apresenta características mais próximas dos objetivos estabelecidos para a construção coletiva da proposta pedagógica.

  Com estas preocupações, foram programadas como técnicas para a coleta dos dados: seminários e/ou reuniões gerais com os envolvidos nas atividades escolares; trabalhos em grupos menores para discussões e elaboração dos textos; aplicação dos questionários, envolvendo 10 (dez) sujeitos, além de reuniões e entrevistas com a equipe diretiva da escola.

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  Diante do exposto, foram iniciados os estudos mais detalhados para a seleção dos autores que auxiliaram a esclarecer e orientar a escola na elaboração e execução da sua proposta.

  Em síntese, os passos da composição desta dissertação como um todo, se complementam em fases distintas e ao mesmo tempo integradas e articuladas.

  Apresenta-se, assim, nesta dissertação de mestrado em Educação e Cultura, as etapas que compõem a vivência na atuação docente e como pesquisador, com o propósito de demonstrar o crescimento alcançado no decorrer das atividades, com as inovações inseridas como fruto da busca pelo novo, na Educação em Joinville, teoria que tenta colocar em prática a proposta da escola campeã, embasou como um todo a dissertação que teve esta escola como o alvo, que mereceram maior aprofundamento.

  Por fim, foram analisados os dados coletados nos instrumentos e na observação como professor/pesquisador, o que remete tanto à constatação de resultados, como a novas indagações sobre o tema, conseqüência natural da pesquisa.

1 PROPOSTA PEDAGÓGICA DA ESCOLA

  Trata-se de um planejamento diferenciado, voltando para a definição de todas as atividades da escola, agora uma construção coletiva e principalmente participativa. Apresenta-se com esta nomenclatura complexa, englobando o pedagógico, mas também o político, procurando envolver a comunidade numa discussão coletiva. Pretende vir a ser um momento único na escola, com profissionais e comunidade escolar, trabalhando unidos com o objetivo de juntar forças para uma educação de qualidade, para construir esta qualidade é fundamental o PDE: Projeto do Desenvolvimento da Escola.

4 Demo , auxilia nessa interpretação, quando enfatiza:

  Um projeto pedagógico precisa, primeiro saber fundamentar o que entende por processo educativo e por papel da Escola, frente aos direitos dos alunos e suas famílias e da sociedade como um todo.

  Nos dias atuais, a exigência é trabalhar as atividades da escola, numa proposta pedagógica abrangente e participativa que alcança seus objetivos na construção do plano do desenvolvimento da escola, que estimule e faça acontecer à prática pedagógica de forma integrada e interdisciplinar.

  Este novo Projeto da Escola na legislação do ensino denominado Projeto

  

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Político Pedagógico, conforme Gandin , flui no contexto escolar como a

  possibilidade de uma construção coletiva, para discutir o ensinar e o aprender num processo de formação continuada. Uma busca de valores, num desafio à cidadania. Irá, assim, se desvelando a sua dimensão política que, por sua vez, implicará na transformação social e nas relações entre conhecimento e estrutura de poder.

  4 5 Demo,Pedro.op. cit. p. 39.

  

Gandin,Danilo;Gandin, Luis Armando.Temas para um Projeto Político Pedagógico.

  Gadotti

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  reforça o que já foi dito até aqui, quando assim se expressa: O projeto pedagógico não é uma coisa a ser pensada por um especialista, ou por um núcleo, um centro. O projeto é pensado por aqueles que fazem, que são os diretores das escolas, os professores, os alunos, os pais, quer dizer, há um envolvimento da sociedade com um todo. Deve a P.P, então, resultar em atividades decididas em grupo, que atendam, e mais que isso trabalhem a proposta, com a comunidade, nas dimensões da prática do pedagógico, e esta prática será possível no processo do PDE.

  Fonseca

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  alerta, no entanto, que: Essas dimensões relacionam-se entre si e influenciam-se mutuamente. Entretanto, na prática, temos que ser criteriosos, para não nos determos numa dimensão em detrimento da outra, o que implicaria no viés de um politicismo pedagógico ou, caso contrário, num pedagogismo político. Dessa forma, o caminho para essa postura teórico-prática pedagógico, voltada para uma educação escolarizada e contextualizada, é construção do projeto do desenvolvimento da escola ou do desenvolvimento participativo.

  O detalhamento e as formas de execução dessa construção continuarão explicitados nessa Dissertação, nas etapas e momentos que estudam o tema definido para estudo.

  1.1 A ELABORAđấO DO PROJETO DO DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA: É UM ATO POLÍTICO

  Nesse início de estudos sobre as exigências legais da proposta pedagógica, que o projeto do desenvolvimento da escola está inserido, o propósito 6 Gadotti,Moacir.ProjetoPolítico.Educação em Revista,Porto Alegre,ano III,n:3,1998.p. 35-45. 7 fundamental foi analisar diversos artigos da Legislação Federal que exigem a construção e execução de uma proposta da escola, dando-lhe força e amplitude.

  Esses artigos orientaram a elaboração de um projeto que integrou as normas do regimento escolar já existentes, porém de forma mais abrangente e explicativa que os antigos planejamentos das escolas.

  A LDB (1986), nos Artigos 12 a 14 estabelece como incumbências da escola e dos professores, a elaboração e execução da sua proposta pedagógica, respeitadas as normas comuns do seu sistema de ensino, atribuindo-lhe responsabilidade e poder.

  A Lei Federal da Educação retorna a nomenclatura regimento escolar, antiga forma de estabelecer as diretrizes de funcionamento da escola . Estas citações reforçam a necessidade de incorporar esse documento à proposta pedagógica que está inserido na elaboração do projeto do desenvolvimento da escola, integrando e completando o mesmo.

  A lei do sistema estadual de ensino de Santa Catarina, Lei Complementar n 170/98 Também normatiza sobre projeto político pedagógico, nos mesmos termos da Lei Federal, embora especificando a necessidade de informação aos pais (comunidade) sobre a freqüência e rendimento dos educandos e a execução do projeto do desenvolvimento da escola.

  A Lei Estadual também se reporta à necessidade de integrar num único documento, regimento escolar e projeto político pedagógico, abrangendo as atividades exercidas pela escola no seu dia-a-dia, que o PDE tenta praticar.

  Regulamentando e ao mesmo tempo complementando a legislação, o Conselho Estadual de Santa Catarina, regulamenta as Leis Federal e Estadual, estabelecendo, com a resolução n 17/99 os critérios para a construção coletiva da proposta pedagógica nas escolas do sistema municipal.

  Aquela Resolução orienta, em diversos itens, a construção do Projeto Pedagógico da Escola e os passos para sua execução, resumidos em: Concepções, Objetivas; Organograma; Condições de Funcionamento; Organização Escolar; Responsabilidades/Atribuições; Calendário Escolar, Currículo e Avaliação, além de outras informações para construção do P.P.

  A construção do Projeto Pedagógico da Escola, alertando para a relevância das questões pedagógicas sobre as administrativas, ao mesmo tempo em que possibilita à Escola o uso da criatividade e de avanços nas suas propostas a serem decididas, segundo o texto legal, de forma coletiva e democrática.

8 Demo , orienta sobre o explicitado na legislação, auxiliando neste

  entendimento: Um projeto pedagógico não pode encerra-se no discurso teórico, como se fosse carta de intenções. Nem pode ser mero acervo de indicações práticas. Ao contrário, deveria revelar capacidade de costurar teoria e prática, mesmo que em ambiente de simplicidade. Na continuidade deste estudo do tema escolhido é relevante apresentar a análise da sua nomenclatura destalhando-a com olhar de educador. Como já foi citada, a denominação Projeto Político Pedagógico, surgiu com a lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de dezembro de 1986, daí resultando discussões e críticas entre os educadores, este projeto está na Proposta Pedagógica da escola.

  Especificamente a expressão político incluída pelo legislador, não foi bem aceita ou entendida sendo, atualmente, ainda utilizados os termos: Elaboração 8 Pedagógica ou Projeto Pedagógico, sem utilizar Político.

  Acompanhado essas posições, destaca-se a importância de estudar o porquê da decisão por parte dos legisladores por essa nomenclatura (Projeto Político Pedagógico), para o que buscou-se embasamento teórico em legisladores e educadores que estudaram o assunto e defendem a sua utilização.

  O documento em debate é, portanto, nesse entendimento, um projeto, porque apesar de concluído não está acabado e dá sempre abertura para ser feito.

  Analisando agora o termo político, pode-se mencionar a definição de

9 Ferreira :

  O ideal democrático supõe cidadãos atentos À evolução da coisa pública, informados dos acontecimentos políticos, dos principais problemas, capazes de escolher entre as diversas alternativas apresentadas pelas forças políticas e fortemente interessados em formas diretas ou indiretas de participação...A participação política que constitui o conhecimento/emancipação abrange, de modos diferentes, todos os espaços de prática social, e o seu principio são o da democracia sem fim.

10 Gadotti , também traz explicações para a expressão político, quando diz:

  “A cidadania plena é uma cidadania política, portanto, de participação, é um momento da cidadania social, portanto, a que nos dá direitos e deveres para com o emprego, para com a saúde, com a educação”.

  O político, portanto, neste contexto, não é entendido como política partidária, mas vendo a escola como uma agência de transformação e crescimento social, trabalhando, portanto, com cidadãos. As pessoas que convivem e transmitam, tanto coordenando como ensinando, aprendendo, e se envolvendo de maneira geral, são cidadãos políticos, e, no ato de colocar em pratica o projeto 9 pedagógico é uma ação política, que se dá no PDE.

  

Ferreira,Naura Syria Capareto.Gestão Democrática da Educação para uma formação

Humana.Revista em aberto:gestão escolar e formação de gestores.Brasília,v.17.fev/jun.2000.p167-

10 176

  11 Sobre o pedagógico, Gandin afirma que ele se dá quando a Instituição

  firma o ideal de sua prática, para dar significado ao reforço que vai desencadear na sua prática pedagógica, isto é, no seu fazer educação de qualidade.

  É assim pedagógico, porque o objetivo da escola é lidar com as questões de ensino e de aprendizagem, objetivo primordial da sua criação e funcionamento.

12 Gadotti , analisa o assunto dando um enfoque todo seu:

  O projeto pedagógico não é uma coisa a ser pensada por um especialista, ou por um núcleo, um centro. O projeto é pensado por aqueles que fazem, que são os diretores das escolas, os professores, os alunos, os pais, quer dizer, há um envolvimento da sociedade como um todo. O projeto pedagógico, para a maioria das escolas, seja apenas uma exigência legal, deve ser entendida como necessária à participação coletiva na sua construção, possibilitando abertura e envolvimento entre escola e sociedade e, especificamente, com a comunidade escolar, resultando em benefícios para o processo educacional, esta abertura acontece com o PDE.

  É fazer com que os termos projeto político pedagógico sejam integrados, interligados, unidos. Mais que isto, sejam reunidos num só objetivo, qual seja construir, numa união de esforços, uma escola que ofereça uma educação de excelência e seja, ao mesmo tempo, agradável de lá se estar, esta escola alcança 11 estes objetivos construindo e praticando o PDE. 12 Idem. p74 Idem. p. 85.

  2 A PROPOSTA PEDAGốGICA DA ESCOLA COMO PRODUđấO OU REPRODUđấO DA SOCIEDADE.

  13 Nas palavras de Pettat , o cidadão do futuro precisará ser um

  investigador e gerenciador de informações, consciente e ativo na sociedade e não um acumulador de conhecimentos, cujo papel hoje é desempenhado pelo computador.

  Somente uma proposta bem estruturada poderá lançar a escola à frente, criando novas perspectivas e acompanhando tendências modernas e estabelecendo uma filosofia de diálogo. Isso vai obrigar a uma formação para o conhecimento e não apenas para informar.

14 Pettat reforça estas posições e definições de Escola e de Projeto,

  afirma: A escola é uma Instituição educativa especializada, nisto distinguindo-se da familiar, dos locais de trabalho, das comunidades de ofícios, de associações e de grupos de todo tipo, os quais também moldam as novas gerações e reeducam até mesmo os adultos. O ensino é um ramo da divisão social do trabalho que somente se impõem quando certas condições estão devidamente preenchidas.

  13 Pettat,André.Produção da Escola Produção da Sociedada:análise sócio-histórica de alguns

momentos decisivos da evolução escolar no ocidente.p25.Trad.Eunice grusman.Porto Alegre:Artes

14 Médicas 1994.

  A proposta precisa ser vista por todos na escola como uma oportunidade inicial da mudança, voltada para a melhoria do processo educacional e de seus integrantes, dando-lhes força para desenvolvimento as suas atividades.

  Assim elaborada, ela vai resultar em poder e como tal deve ser bem pensada e discutida, no sentido de buscar na sociedade o que precisa ser aproveitado, valorizando-a, ao mesmo tempo em que deve levar até ele novas propostas de crescimento e modernização.

  É uma fase de disputa de ambos os lados, com a sociedade influenciando a escola para a reprodução da sua cultura, e a escola pretendendo apresentar a impor seus saberes e poderes, neste desafio a pesquisa na escola é fundamental.

  Mostrar, de um lado uma escola que somente dá continuidade ao que já vem acontecendo, sem forças e competência para as mudanças necessárias. De outro lado, mostrar a escola desejosa de mudanças, pretendendo oferecer novas idéias e tecnologias inovadoras num esforço vivido por todos os seus integrantes para a produção de saberes e, no entanto, muitas vezes usando esse saber/poder sem a devida competência, esta função se dá na transformação desta escola.

15 Pettat contribui para o entendimento dessa realidade quando assim se

  manifesta: Dentro da realidade mutante e evolutiva, produção e reprodução aparecem como dois aspectos inexplicavelmente ligados !... a escola não faz mais do que produzir as condições de reprodução dos grupos sociais em posição dominante ou dominada enquanto que participa da produção e da transformação destes mesmos grupos... a Escola participa do surgimento de uma camada social formada por tecnocratas.

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  Neste enfoque, produção e reprodução se confundem, podendo a escola produzir mobilidade ou imobilidade social, ao mesmo tempo em que pode permanecer na ordem estabelecida por acomodação, contribuindo par a perpetuação das desigualdades e, muitas vezes, até legitimando-as.

  Para diminuir essa distância e facilitar uma convivência saudável, sociedade e escola devem se unir na construção de um projeto político pedagógico que insere o PDE que defina, nas suas normas, atitudes de respeito, união, maturidade e crescimento, que leva este projeto para a prática.

16 Hargreaves se posiciona claramente sobre a necessidade de definição

  da escola nessa produção/reprodução da sociedade, quando afirma: [...] mudanças são necessárias, com o estabelecimento de relações que ultrapassem os limites tradicionais, com os professores atuando como intelectuais transformadores com seus alunos, ajundando-os a pensar de maneira critica a respeito do mundo ao seu redor. Oportunidades de estudos e debates com a comunidade devem ser oferecidas pela escola para possibilitar o surgimento de iniciativas sociais; o entendimento das reformas apresentadas; a oferta de oportunidades de conhecimento, de inovações, de rotinas novas e de modificação das atividades práticas, e, esta mudança se dá no PDE.

  Esses momentos são importantes no processo de mudanças, pois

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  desencontros ou desacordos geram inseguranças, conforme ainda Hargreaves afetam os relacionamentos entre professores e alunos, entre professores e pais e pais e mesmo entre os pais. O senso de sucesso e satisfação depende deles.

  16 17 Hargreaves. op. cit.. p. 114.

  Os envolvidos no processo educacional precisam entender a proposta pedagógica como uma oportunidade cultural, uma abertura visando uma tomada de decisão quanto aos rumos escola, posição essa que se consolidará numa visão crítico-criativa da escola no contexto da sociedade que tem pressa. Que é um processo de análise, discussão e tomada de decisão, com a consciência de que os problemas vivenciados hoje não serão resolvidos com um toque de mágica.

  A gestão democrática é a presença no processo e no produto de políticas educacionais, que deve ser, ao mesmo tempo, transparente e impessoal, autônoma e participativa, com liderança e trabalho coletivo; tem ser um processo de crescimento dos indivíduos, dos cidadãos e da democracia.

  Aprofundados os assuntos acima, foram lançados às equipes das escolas, com alternativas de trabalho que tem como meta, uma perspectiva de democratização da gestão escolar.

  Essa gestão, conforme já enfocado, obrigatoriamente acontecerá nos tempos atuais, seja como desconstrução de desigualdades e discriminações, seja como construção de um espaço de criação de igualdade de oportunidades. De um tratamento igualitário dos cidadãos entre si.

3 O INễCIO DA CAMINHADA: PESQUISA-AđấO

  Neste ponto da dissertação e já tendo estudado o assunto, foi promovido o contato com o corpo administrativo da escola, quando foram esclarecidos os objetivos e o desenrolar da pesquisa.

  Embora já tenham sido mencionadas nos capítulos iniciais, vale agora apresentar, com mais detalhes, as características da escola, trazendo mais informações que justifiquem a escolha.

  Esse trabalho resultou no criar, isto é: construir e organizar a ação administrativa e pedagógica da escola que começa a questionar sua função, na qual os alunos e os profissionais que lá atuam tentam em permanecer ao mesmo tempo atuando, estudando, aprendendo, ensinando e crescendo.

  As atividades de ensino e aprendizagem estão sob a responsabilidade do corpo administrativo e pedagógico, que participam ativamente dos trabalhos, ao mesmo tempo em que proporcionam espaço para o diálogo com seus professores.

  Considera-se importante também relatar que foram proporcionadas por parte da equipe administrativa e pedagógica da escola, todas as condições de trabalho para a realização desta pesquisa.

  No dizer dos envolvidos no cotidiano da escola, às vezes com dificuldades para trabalhar com a comunidade, ao mesmo tempo em que sente a retribuição da comunidade pelo seu esforço.

  Buscando sempre maior integração, a escola tem participação efetiva nas atividades sociais da comunidade, apresentando-se, sempre que solicitada, nas comemorações sociais, em desfiles comemorativos ou em apresentações diversas.

  Tenta ter liderança e ser bastante evidente nos esportes, destacando-se como líder dos campeonatos esportivos no município, ostentando, com orgulho, na secretária da escola, os troféus obtidos em cinco campeonatos.

  Conta com 14 salas de aula amplas e funcionais, sala da diretora e de supervisora e orientadora, secretaria escolar, sala dos professores, cantinas, sala da biblioteca, parque infantil, quadras esportivas.

  Coloca à disposição dos professores, como materiais didáticos, entre outros: livros, apostilas, vídeos, mapas, máquina de xerox, acervo bibliográficos, computadores, televisores, etc.

  A escola funciona nos turnos matutino, vespertino e noturno, atendendo este último, somente as turmas do curso de jovens e adultos.

  Os cursos em funcionamento e agora constantes no seu projeto de desenvolvimento da escola e explicitados na organização escolar são: educação infantil, ensino fundamental e educação de jovens e adultos.

  Os referidos cursos foram organizados e aprovados de acordo com a Lei Federal, com o Sistema Educacional e Municipal de Ensino, com as decisões do Conselho Nacional e Estadual, do Ministério da Educação e Cultura, da Secretária de Estado da Educação e demais disposições legais aplicáveis.

  Enfim, a escola aceitou ser alvo desta pesquisa, entendendo a sua finalidade e importância. A escola que foi escolhida por ser a que apresentou as melhores condições para atender às exigências da pesquisa. A escola tenta se desenvolver nesse mundo globalizado e envolvente, lutando por oportunidades de crescimento educacional e profissional de seus membros.

  Acredita-se nesta escola, pois esta vem ao encontro das propostas idealizadas por este estudo. Na orientação do seu processo educacional, tem-se a consciência da necessidade de uma proposta voltada para um trabalho pedagógico com competência e responsabilidade.

  Este trabalho foi proposto ao longo da trajetória do pesquisador, como educador, por meio da presença de autoridades educacionais e legisladores, numa busca contínua por atualização e novos ensinamentos que vêm permitindo mais e melhor educar.

18 Entende-se, como Freire , que todo educador tem muito ainda a fazer na

  sua missão: Precisamos contribuir para criar a Escola que é aventura, que marcha, que não tem medo do risco, por isso que recusa o imobilismo. A Escola em que se pensa, em que se atua, em que se cria, em que se ama, se advinha, a Escola que diz sim á vida. Com esta visão da escola, acreditou-se que era o momento de iniciar a pesquisa conforme já esclarecido, optou-se, intencionalmente, pelo método da

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  pesquisa-ação, e baseada principalmente em Thiollentt , julga-se importante destacar: [...] Toda pesquisa é permeada pela perspectiva intelectual, pelos objetivos práticos, pelo quadro institucional, pelas expectativas dos interessados nos seus resultados, etc. [...] Na pesquisa-ação há um reconhecimento do papel ativo dos observadores na situação investigada e dos membros representativos desta situação. [...] Precisamos aplicar uma metodologia na qual, sem negar a necessidade de observar, medir ou quantificar, haja espaço para procedimentos de argumentação e interpretação, com base na discussão coletiva. [...] Na pesquisa-ação a argumentação é realizada ao vivo sob a forma de discussões e deliberações entre diferentes interlocutores reunidos em seminários ou reuniões. É possível compreender que tratar-se de um método de ação-reflexão- ação e de co-participação, no qual os participantes são os principais membros da 18 instituição sob observação, quando todos são envolvidos em trabalhos Freire,Paulo.Pedagogia da Autonomia.p.42ed 21.Rio de Janeiro:Paz e terra2001. diferenciados, discussões, orientações ou elaboração de textos. Na realidade, o principal ator quem faz ou quem está interessado no fazer.

  O pesquisador tornou-se partícipe do projeto da escola, desempenhando o papel de educador, e de construir novos saberes.

  Muitas vezes atuaram assumindo maior envolvimento e responsabilidade no esclarecimento das situações cercadas de obstáculos sócio-políticos ou legais e, novamente entregando as discussões e decisões para o grupo.

  Destacam-se, para melhor entendimento, alguns passos importantes previstos na caminhada metodológica da pesquisa-ação que auxiliam em muito o alcance dos objetivos previstos para a Pesquisa. São as possibilidades de retorno das condições aos grupos, para decisão final, oferecendo uma perfeita visão de conjunto do que foi acordado, e o fato de poder divulgá-las, na produção de material didático para ser distribuído em escala maior na instituição e comunidade.

  3.1 PRIMEIRO MOMENTO: CONSTRUđấO DA PROPOSTA DA ESCOLA Essa fase da pesquisa foi iniciada com uma conversação de esclarecimento sobre a exigência legal e a importância do plano no fazer diário da escola.

  Na oportunidade foram discutidos e priorizados temas considerados indispensáveis para o entendimento da pesquisa, ou seja, a importância da problemática em questão, orientações sobre o método utilizado e perspectivas de um trabalho pedagógico de cunho científico qualitativo.

  Sob o contribuir para o desenvolvimento humano despertando suas potencialidades através da educação foram apresentadas os assuntos:

  • Conscientização sobre a necessidade de uma P.P da escola.
  • Escolha da Coordenação da P.P.
  • Leituras necessárias.
  • Regimento Escolar -O que e a quem alcança com a Proposta.
  • Como organizar
  • Mudanças necessárias -O como construir P.D.E.
  • Execução
  • Avaliação/Reavaliação
  • Replanejamento Os debates foram proveitosos em contribuições, com esclarecimentos sobre a legislação que rege o assunto, decidindo sobre a melhor forma de construir, executar e acompanhar a proposta.

  O desafio dos envolvidos nos trabalhos consistia em entender e vivenciar a importância e a necessidade do tema/problema da pesquisa, a proposta da escola, tanto para o crescimento pessoal e profissional, como para o sucesso das atividades da escola.

  A partir daí, nos diversos encontros que se sucederam houve abertura para opiniões e debates, com oportunidades de discussão sobre as mudanças de postura consideradas necessárias nos aspectos referentes a currículo, ensino e aprendizagem, avaliação institucional e avaliação do processo escolar, entre outros.

  O objetivo geral desse momento foi pensar e repensar novas formas de funcionamento da escola e suas normas, inserindo conceitos atualizados de educação e de ensino para análise e reflexão.

  Na caminhada, a escola realizou reuniões em várias oportunidades, em encontros administrativos e técnicos-pedagógicos, estudando e debatendo assuntos do planejamento, analisando as posições de educadores e pensadores.

  Com base nas leituras foram organizados os resumos para o projeto da escola, obedecendo as diretrizes da Resolução n 17/99/CEE:

  • Função e objetivos da escola; - Concepção de sociedade, família, educação, escola.
  • Articulação com a comunidade;
  • Organização do ensino;
  • Responsabilidades (direitos e deveres)
  • Currículo e matriz curricular, estratégias e recursos de ensino; institucional;
  • Avaliação
  • Avaliação do processo ensino-aprendizagem; integradores;
  • Projetos - Aprovação do projeto. Foram ocasiões ricas em contribuições e crescimento da escola, com orientações aos profissionais sobre a importância da sua formação cientifica pedagógica e política como cidadão do mundo.

  Com a escola empenhada em ler e conhecer os assuntos trazidos para o plano, o ensino e a pesquisa na prática de sala de aula surgiram nos debates, com enfoque na qualidade do processo.

  Foram apresentadas valiosas contribuições, demonstrando um pequeno avanço na postura dos professores, especialistas e direção da escola.

  A dimensão pedagógica do plano, no espaço de sala de aula, surgiu na figura da pesquisa escolar, enriquecida pelos conhecimentos e valorização desta pesquisa trabalhada naquele momento pela escola.

  O envolvimento do aluno na sua aprendizagem foi repensado, sendo analisadas as semelhanças com o trabalho realizado naquele momento pelos professores agora reunidos, com o propósito de pesquisar e crescer juntos, em conhecimento, atitudes e habilidades.

  Houve a preocupação de apresentar para os professores o desafio de repensar e inovar a sua prática pedagógica, atualizando, constantemente, a competência no ato de ensinar. Em ter um plano próprio, o que implica,

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  necessariamente, segundo Demo “[...] em pesquisa, atualização constante, teorização das práticas, aprendizagem de outras práticas, autocrítica permanente, e assim por diante”.

  As questões referentes ao ensino e aprendizagem mereceram estudos e debates mais detalhados, com o conhecimento entendido por todos apenas como meio, carecendo o ensino de novo rumos e atualizadas técnicas.

  Essa busca pelo novo, modernizando o ensinar e o aprender, se fez característica principal na construção do projeto da escola.

  21 Mais uma vez, com o auxilio de educadores como Demo ,

  Ofereceu à escola orientações enriquecedoras para a difusão e aprofundamento: a aula que apenas repassa conhecimento, ou a escola que somente se define como socializadora de conhecimento, não sai do ponto de partida, e, na prática, atrapalha o aluno, porque o deixa como objeto de ensino e instrução. Vira treinamento. 20 Os debates sobre os assuntos apresentados se sucederam, imbuídos 21 Demo. op. cit. p. 39.

  desses pensamentos e idéias, quando a escola apresentou as expectativas e os objetivos do trabalho cotidiano nas concepções filosófico-pedagógicas que nortearam o plano: 1- Sociedade: Grupo de pessoas organizadas para um bem comum que convivem no mesmo meio social, refletindo o espelho do indivíduo. Em uma sociedade ideal tem que haver liberdade, igualdade e solidariedade. 2- Escola: Entidade responsável por parte da educação do indivíduo como ser participante e atuante da sociedade. É na escola que o cidadão se prepara para viver melhor em sociedade criando um espaço de integração para reunir experiências, discutir e trocar idéias, construir um espaço onde o ensino- aprendizagem resulte na construção do conhecimento. 3- Estudante: Membro de uma sociedade que tem direitos e deveres a serem cumpridos por ele e por toda sociedade, independente de raça, religião, ideologia, política e que sofre as influências de seus atos e de todos que fazem parte desta sociedade.

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